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quinta-feira, 28 de março de 2013

Burn the witch!


José Sócrates é aquele pequeno botão que nos faz passar imediatamente de povo de brandos costumes a grupo de gorilas cujo território foi invadido por um grupo rival logo após a terem estado a mandar shots de testosterona e adrenalina. É fascinante!

sexta-feira, 16 de março de 2012

A dicotomia ditador-homossexual, segundo o ditador da Bielorrúsia Alexander Lukashenko


Esse ser execrável chamado Alexander Lukashenko, conhecido por ser o ditador da Bielorrúsia e o dono do melhor bigode ditatorial desde que Saddam Hussein foi deposto, segundo a revista Moustache (a revista mais lida por quem usa bigode, nomeadamente ditadores, jogadores de futebol dos anos 80 e hipsters), disse aquela que pode ser a frase do ano: "Antes ditador, que homossexual", equiparando a condição de ditador a uma orientação sexual.


Esta frase foi utilizada para fazer passar o ditador bielorusso por uma besta intolerante e ignorante. O que é verdade. No entanto, vou dar-lhe o benefício da dúvida e partir do princípio de que as suas palavras revelam algo mais profundo do que uma incompreensão absurda do conceito de orientação sexual (não revelam, é só um exercício).


Na minha opinião, esta frase poderia então terminar de duas maneiras:


"Antes ditador que homossexual... acreditem! Eu sei do que falo. Fui homossexual durante 5 anos e foi por isso que me tornei ditador. Aquilo não era vida para ninguém. Sempre de ressaca, uma vida social imparável e horas incontáveis de pedicure... Ainda bem que deixei de ser homossexual... Não tenho saudades absolutamente nenhumas daquele tempo, nem do Joaquin, o panamiano cruel que despedaçou o meu coração. Foi-se embora depois de uma noite escaldante de paixão e de vãs promessas de amor eterno, como viria a descobrir depois. Nem um bilhete deixou. Ainda dizem que os ditadores são maus. Comparado com o que o Joaquin me fez, aquilo que eu faço ao povo bielorrusso é uma brincadeira de criança, uma criança com a alma ferida e que só faz o que faz para chamar a atenção. No fundo, só queria que gostassem de mim."


"Antes ditador que homossexual... Enfim... Eu digo isto, mas na verdade, às vezes questiono-me se não será melhor eu abandonar isto de ser ditador que só dá chatices, mudar de guarda-roupa, descobrir um novo amor (de preferência alto, musculado e africano), abrir um negócio de compotas biológicas em São Francisco e ir a manifestações... Talvez adoptar..."

quinta-feira, 10 de março de 2011

A demagogia na óptica de um energúmeno



Aquele a que muita gente se refere como esfíncter hemorróidico de avestruz e a que outros, com mais receio de polémicas. chamam Miguel Sousa Tavares (MST) resolveu presentear-nos com mais uma brilhante opinião. É sempre positivo quando isso acontece já que as opiniões de MST, quando não são copiadas, são sempre hilariantes. Desta vez, MST aventurou-se pelo comentário político-social, tendo como ponto de partida o Festival RTP da Canção que, como sabemos, foi vencido por uma dupla de comediantes.

Olhando para a lista de vencedores deste Festival em anos anteriores, é fácil concluir que este certame dificilmente despertaria algum tipo de interesse a alguém que goste de música e que não seja masoquista ("Senhora do Mar (negras águas)" de Vânia Fernandes (2008) faz maravilhas em eventos S&M). A vitória dos Homens da Luta este ano é por isso uma lufada de ar fresco para este Festival porque ainda que, tal como a esmagadora maioria dos vencedores de edições anteriores, estes não produzam música de elevada qualidade, pelo menos, têm algum talento.

Aparentemente, para MST o festival da Eurovisão em Dusseldorf é uma oportunidade para agradarmos aos contribuintes alemães e levar a que estes nos emprestem dinheiro. Admito que estes pudessem ficar muito bem impressionados com "Baunilha e Chocolate" de Tó Cruz (1995), "Foi Magia" de Sofia Vitória (2004) ou "Dança Comigo (Vem ser feliz)" de Sabrina (2007). Admito ainda que, tendo em conta o refinado gosto musical que caracteriza os contribuintes alemães, a solução melhor para a economia portuguesa seria naturalizarmos o David Hasselhoff e escolhê-lo para nos representar na Eurovisão. No entanto, só MST poderia acreditar que a representação portuguesa na Eurovisão é determinante para o futuro da nossa economia (quem diria que com uma imaginação destas MST tinha que plagiar um romance fraquinho para ganhar uns trocos?). Segundo MST a salvação da economia portuguesa poderia passar por boas participações portuguesas nos Jogos Sem Fronteiras ou no Sequim D'Ouro. Não deixa de ser curioso verificar que, para MST, os alemães são como ele próprio: bestas sem sentido de humor.

A escolha dos Homens da Luta, segundo MST, pode levar a que, em última instância, os "deolindos" (um povo imaginário que vive nas unhas dos pés do MST?) sigam um líder maluco, graças a ideias demagógicas como a manifestação de 12 de Março. Ainda que concorde com algumas das causas dos precários, MST põe uma geração de jovens qualificados que não tem oportunidades nem perspectivas de futuro no mesmo saco em que põe os demagogos que defendem a demissão de todos os políticos. Para quem tem tanto medo de demagogia, MST não poderia ser mais coerente. Nada a que não nos tenha habituado.

Aparentemente, para MST, todos os movimentos que começam na rua acabam com um ditador. Estaria a referir-se ao movimento pelos direitos civis dos negros americanos, à luta das mulheres pelo direito ao voto ou ao movimento que depôs uns quantos ditadores no Norte de África?

Eu vou à manifestação no dia 12. É a minha obrigação cívica para com a minha geração. Não quero demitir todos os políticos, nem tão pouco defendo um regime ditatorial. Quero apenas exercer o meu direito à liberdade de expressão. À liberdade de expressar algo em que acredito (algo que não poderia fazer com um ditador). Não somos todos Homens da Luta?

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Um Presidente falador




Se eu não me candidato a Presidente da República, e por mais do que uma vez isso já me foi sugerido (principalmente por objectos inanimados e carraças falantes), é porque não tenho carisma, não fui abençoado com o dom da oratória e porque possuo a profundidade de pensamento de uma Ruth Marlene ou de um pelicano com Alzheimer.

Aparentemente, este tipo de características não são obstáculos para Cavaco Silva, o que não deixa de ser uma esperança para mim, já que há carraças bastante persuasivas e pedaços de ardósia que colocam argumentos bastante convincentes a favor de uma eventual candidatura minha à Presidência da República. E como outra das minhas características que me levam a pensar que jamais me deveria a candidatar a este cargo é a pouca firmeza das minhas convicções, é bastante provável que um piaçaba me venha a convencer a embarcar numa aventura destas. E como almocei feijoada à transmontana com molho de iogurte tenho passado bastante tempo com piaçabas.

A verdade é que ser Presidente da República não é muito difícil. A prova disso é que há pessoas que conseguem avaliar positivamente o mandato de Cavaco Silva sem se rirem. Inclusivamente, há pessoas que apoiam Cavaco Silva como se fosse uma coisa normal, sem que os seus amigos e familiares os tentem encaminhar para opções mais saudáveis, como heroína, a IURD, o bestialismo ou o clube de fãs do Tony Carreira.

Ser Presidente da República exige apenas uma grande competência: saber gerir silêncios. Gerir silêncios, como quem está para dizer alguma coisa importante mas acaba por não dizer. Tendo isto em conta, diria que os candidatos ideais à Presidência da República seriam bons exemplos de gestores de silêncio: um mimo, uma raposa morta e o Malato amordaçado.

A minha tese segundo a qual saber gerir silêncios é a única competência exigível ao detentor daquilo a que se convencionou chamar o mais alto cargo da Nação (já que todos sabemos que ser o número 10 do Benfica é o mais alto cargo da Nação) pode fazer com que muita gente avalie como positivo o mandato de Cavaco Silva. De facto, algumas das decisões mais correctas de Cavaco foram decisões do tipo:

Diálogo interior: "Como é que é? Comento isto ou não? É melhor não. Vou ficar calado que dá menos trabalho".

Isto leva à ideia errónea de grande parte das pessoas segundo a qual o Professor Cavaco é um homem ponderado, um homem de tabus, um homem que sabe estar calado. Mas enganam-se...

Cavaco falou quando quis celebrar o dia da raça a 10 de Junho. Não que não seja importante que se crie um dia da raça em que cada pessoa se vista de acordo com a sua raça de cães predilecta (seria a oportunidade de que tenho estado à espera para finalmente estrear o meu fato de chiuhahua), julgo que era a isso a que Cavaco se referia. Mas desde a escola primária que eu sei que 10 de Junho é o dia de Portugal e das comunidades, o que me coloca à frente de Cavaco numa eventual corrida à Presidência.

Cavaco falou sobre o estatuto dos Açores. Desconheço o que quer que seja sobre esta questão e um Presidente não devia perder tempo com estas inutilidades. Quando eu for Presidente vou preocupar-me apenas com coisas que sejam importantes para os portugueses como presunto, a vida privada de pessoas que não interessam a ninguém e filosofia alemã do século XIX.

Cavaco falou quando promulgou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, fazendo questão de dar a entender que era contra. Embora seja uma posição preconceituosa, intolerante, mais próxima da Idade Média do que de uma sociedade em que somos todos iguais perante a lei é uma posição à homem. E isso é sempre de elogiar. No entanto, fazer coisas à homem é algo que está sempre associado a alguma insegurança sexual (case in point: Zezé Camarinha). É paradoxal, mas a homofobia é uma coisa bem mais homossexual do que uma parada do Orgulho Gay.

Cavaco falou quando quis defender o seu assessor que, lembre-se, andou a soprar boatos de escutas para jornais. Disse que o seu e-mail estava "vulnerável" e sobre quanto isso o preocupou. O que em termos de discurso político é equivalente àquelas janelinhas do anti-virus que aparecem no canto inferior direito.

Cavaco falou quando faltou ao funeral do único Prémio Nobel da Literatura português. Justificou a sua ausência por estar nos Açores na sequência de uma promessa que tinha feito aos netos. Faltar ao funeral até é compreensível, a não ser que Cavaco tivesse na manga algum dito espirituoso e profundo sobre a perda deste grande vulto da nossa literatura ou um número de sapateado surpreendente, o que duvido, a sua presença é perfeitamente evitável. A questão é: levar os filhos aos Açores? Eu não tenho nada contra os Açores, mas isso é o equivalente em viagens a dar meias com raquetes no Natal. E um Presidente que dá meias com raquetes aos netos o que é que tem para dar aos portugueses? Uma caixa de Ferrero Rocher e umas ceroulas?

Cavaco Silva foi muito bom Presidente, excepto quando falou. Se tivesse trocado a maior parte das suas intervenções por canto gregoriano em falsete, dança do ventre ou qualquer combinação das três actividades anteriores teria sido o melhor Presidente de sempre. Assim não...

terça-feira, 21 de julho de 2009

O terror dos flamingos


Para quem não sabe, o Pacheco Pereira tem um programa de televisão da Sic Notícias onde, pura e simplesmente, diz o que lhe vai na real gana. E nunca é de desprezar o que vai na real gana do Pacheco Pereira. É por isso que acho que a Sic Notícias devia mudar-se para o apartamento do Pacheco Pereira (PP). Por um lado poupava imenso trabalho ao PP, que deixava de ter a maçada de despir o seu robe de seda para se deslocar a Carnaxide (e ninguém quer que o PP dispa o seu robe de seda). Por outro lado permitia-nos a nós, comuns mortais, um acesso mais facilitado à sabedoria do PP e, principalmente, à sua vida íntima. A Sic Notícias seria um misto de canal de notícias com reality show da vida de PP. Imaginem a seguinte situação:

Pivot da Sic Notícias: O primeiro-ministro José Sócrates anunciou mais uma medida de combate ao desemprego... Esperem aí, o PP deve querer dizer alguma coisa sobre isto... Ó PP o que é que achas disto?

...

Pivot da Sic Notícias: Ele agora não pode... Está a fazer amor... Esperem 5 minutos que ele já vem dizer alguma coisa sobre esta notícia, enquanto estiver a fumar a sua cigarrilha pós-coital...

E isto leva-nos a outra questão... Será que no meio de tantas leituras, tanta indignação, tantas crónicas o PP faz amor? Faz.

E esta é uma questão essencial, como diria PP. É que todos sabemos que não há nenhum homem ou mulher que seja digno(a) de fazer amor com PP...

Então faz amor com quê?

Outra questão essencial, admiro a coragem de quem a fez... A única criatura no planeta suficientemente nobre e sublime para fazer amor com PP é o flamingo. É esta a minha opinião desde a primeira vez que vi o PP. Ele é um flamingofucker, passo o neologismo . E se o PP é um flamingofucker o Paulo Rangel é um pelicanofucker, passo o neologismo. Mas isso é toda uma outra questão que, para já, não vou explorar.

Passados 5 minutos de o pivot da Sic Notícias, sentado na sala de estar de PP a desempenhar a sua função de nos informar sobre o que se passa no Mundo, interromper aquilo que o PP estava a fazer com um flamingo (chamado Ernesto), PP chega ao "estúdio", senta-se na sua poltrona, cheio de penas cor-de-rosa coladas ao seu corpo suado (no fundo vemos o flamingo a passar com um ar cansado vestindo apenas uma camisa do PP) e enquanto fuma a sua cigarrilha, mostra-se indignado com a notícia que o pivot acabou de dar. E nós não só levamos a sério alguém que acabou de comer um flamingo como também partilhamos da sua indignação, ou não fosse o actual Governo o culpado do estado lastimoso em que nos encontramos (apenas o actual Governo é o culpado pelo estado lastimoso em que nos encontramos, nunca o último. Razão pela qual o chamado eleitorado flutuante, vulgo eleitorado acéfalo, intercala sempre o seu voto entre estas duas opções, punindo sempre o actual governo e recompensando o saudoso trabalho do anterior, que, lembre-se, foi fortemente punido nas últimas eleições por ser o culpado de todos os males do país... a beleza da democracia... que, como disse Churchill (ou terá sido o taxista que me trouxe no outro dia do Via Rápida?) é o pior sistema político com excepção de todos os outros, visto que, ao contrário de todos os outros, que dependem apenas de uma ou duas pessoas estúpidas, geralmente de bigode, este depende de milhões de pessoas estúpidas).

Enquanto a Sic Notícias não se muda para a casa do PP as únicas e poucas (ironia) maneiras de ter acesso à enorme sabedoria de PP são a Quadratura do círculo, as crónicas no Público, as crónicas na Sábado, o seu blog e o seu novo Progama Ponto/Contraponto (e há quem diga que o PP é uma voz incómoda que muitos querem calar... que faria se não fosse?). E foi neste último programa, que tive a sorte de ver ontem, que PP nos presenteou com a mais brilhante e iluminada análise de um outdoor já alguma vez feita no exterior de um táxi.

Ponto prévio - os outdoors: quem é que baseia o seu sentido de voto num outdoor? Só os estúpidos... Daí a importância destes instrumentos de campanha... É que são os estúpidos que ganham as eleições. Posto isto, ao dar tanta importância aos outdoors, considerando-os um objecto digno da sua douta análise, o magnânime pensador PP é um reles e estúpido português igual a todos nós (sim, também eu voto com base em outdoors. Por exemplo, votei no BE nas eleições europeias porque era o único que tinha outdoors com gajas boas e só não votei no PSD porque tinha lá o Paulo Rangel, esse pelicanofucker ou pelicanófilo, passo o neologismo... mas isso são outras histórias...). E o facto de o PP ser um reles e estúpido português só é novidade para o próprio PP que se acha maior do que todos os outros reles e estúpidos portugueses (esta é a diferença entre os intelectuais e o povo para além do cachimbo... Sim, também estou a falar de ti, José Gil...)... Principalmente quando fala da cegueira dos reles e estúpidos portugueses em relação ao futebol. E não é por PP não gostar de futebol, ao contrário do que pensam as pessoas que interpretam as suas acutilantes opiniões sobre este desporto desta forma. O PP até gosta muito de futebol mas como na escola primária, devido à sua descoordenação motora, o mandavam sempre à baliza, zangou-se com o desporto e resolveu ir para a biblioteca escrever livros sobre o Álvaro Cunhal. Perdeu-se um guarda-redes medíocre, ganhou-se um programa televisivo chamado Quadratura do Círculo... O balanço é trágico... Se os seus colegas soubessem tê-lo-iam deixado jogar a avançado pelo menos 5 minutos... Mas ninguém gosta de perder...

("Os meninos não gostam de mim..." diria um choroso e inconsolável PP de 14 anos à sua mãe "Pois não! És gordo, estúpido, chato, tens a mania que és melhor do que os outros e, ainda por cima, não sabes jogar à bola... Serias um bom pisa-papéis se não fosses tão feio... Se te ouço falar outra vez do Álvaro Cunhal levas com um pau de marmeleiro nas costas que te f..." responder-lhe ia a sua mãe).

Mas estava eu a falar sobre a análise de PP a um outdoor. O outdoor em questão era o outdoor de José Sócrates. Segundo PP, este outdoor é, e passo a citar, "ofensivo para todos aqueles que acreditam na igualdade de género". Como só consigo ver os programas do PP de costas para a televisão* não vi o outdoor do PS na altura. Mas, pelas palavras de PP, esperava um outdoor em que um José Sócrates, de camisola interior de alças, com um garrafão de vinho numa mão e um cinto na outra, açoita violentamente uma mulher, prostrada no chão, como metáfora da maneira como este vai atacar a crise. De facto, seria um cartaz bastante machista e tipicamente português. Por isso, foi com espanto que passei por uma rotunda e vi isto:



E a questão essencial é: será que existem substâncias alucinogénias no traseiro do flamingo? Se sim arranjem-me já 4 ou 5 flamingos para levar para Paredes de Coura. Se não, não deviam deixar o PP andar por aí à solta nem, tão pouco, ter um programa de TV... Segundo PP, o olhar embevecido da mulher esverdeada que aparece ao lado de José Sócrates demonstra a misoginia de quem elaborou este cartaz, passando a mensagem de uma subserviência das mulheres em relação ao charme do Primeiro-ministro... E, perante isto, eu pergunto: "Misoginia, onde estás tu, minha querida?" (eu e a misoginia temos uma relação muito íntima...). Estou mesmo a ver o criativo que elaborou o cartaz a ter o seguinte diálogo com um indíviduo chamado "Man":

- Man, e se metêssemos uma gaja verde a olhar embevecida para o José Sócrates? Isto passa a mensagem de que as gajas gostam do José Sócrates, o que leva as outras gajas a gostarem do José Sócrates...

- Isso não é um pouco misógino? - perguntaria, o sempre sábio e esclarecido, Man.

- Mi... O quê? Eu acho que é, tipo, genial... o Sócrates, uma gaja verde...


- Então faz lá isso... Estou-me a cagar... Só quero é receber o meu...


- Man?

- Diz...

- Tive uma ideia... E se puséssemos o Sócrates a salvar a gaja verde do Hulk, tipo, estás a ver? A gaja é verde, por isso o Hulk, que também é verde, gosta dela e quer levá-la mas o Sócrates não deixa...

- Mas o Hulk é bom, isso faria o Sócrates passar por mau da f... Mas porque é que eu me dou ao trabalho? Esquece isso! Já te estás a esticar. Mete lá a gaja verde a olhar para o Sócrates que o Pá está-me a mandar uma SMS para irmos ter com ele àquele sítio do outro dia, comer chouriço assado...

- Ya, Man... tá-se bem...

Até compreendo a revolta de Pacheco Pereira perante tão vil e rasteira machadada na luta pela igualdade de género... Não por esta fazer sentido, mas porque que não há muito para dizer sobre os outdoors (o que é que há para dizer sobre um cartaz com um slogan e a cara de um tipo?) e, como é parvo, teve que inventar qualquer coisa parva para dizer... É a cena dele... Isso e flamingos...



* Não é pelo seu aspecto asqueroso... é apenas por gostar de o imaginar a dizer as coisas que diz vestido de duende, montado num flamingo mágico, num Mundo feito de gomas e marshmallows.


P. S. Para quem não sabe, apesar de ainda não ter publicado nada, escrevo noutro blog, que tem um registo mais sério do que este (se estão à espera de encontrar pornografia de flamingos e Pachecos Pereiras desenganem-se), e que partilho com os meus amigos e sagazes pensadores da actualidade: Freddy, Daniel e Bob. Visitem-no:

www.ydiossincrasias.blogspot.com

sábado, 2 de maio de 2009

É um pássaro? É um avião? Não! É o Alberto João!


Tenho muita admiração pelo político (e pelo homem) que é Alberto João Jardim. Tanta admiração que acho que deviam enfiá-lo num frasco gigante de formol para, assim, conservarem melhor este portento da espécie humana que é o Presidente do Governo Regional da Madeira. Pelo bem das gerações futuras.

Muitas vezes ouvimos as pessoas do Continente (e as do Pingo Doce, embora menos frequentemente) a falar mal do Alberto João Jardim. Quantas vezes não ouvimos dizer que ele é um ditador, que ele é prepotente, que ele é rude, que ele parece um orangotango hermafrodita que foi abusado sexualmente em criança por um grupo de chimpanzés e que, por isso, foi entregue pela sua família biológica a um grupo de hienas?

Confesso que já estou farto disto! Parem de o comparar a um orangotango!

As pessoas da Madeira elegeram-no democraticamente. E quem melhor do que as pessoas da Madeira para conhecer o Alberto João? Ao fim ao cabo são vizinhas dele. Se escolhem votar nele há tantos anos, ainda que sob ameaça de perder o emprego e de ver a sua família cair em desgraça se não o fizerem, é porque ele até é competente (já para não falar dos seus outdoors). E não, não é assim tão parecido com um orangotango, embora concorde que pelos seus modos, bem que podia ter sido adoptado por um casal homossexual de hienas.

O último ataque de que este grande estadista foi vítima tem a ver com a acusação de que gastou meio milhão de euros em viagens "secretas".

Perante um título destes a tendência é pensar que o Alberto João andou a gastar o orçamento do Executivo em viagens "secretas" ao Brasil ou à Tailândia por motivos turísticos. E se fosse? Todo o justo merece o seu descanso... E há alguém mais justo do que Alberto João Jardim?

E não é "justo" da mema maneira que uma calças de cabedal de tamanho 32 ficam justas a uma pessoa que veste o 44.

Embora deva lamentar que não possamos vestir a pele do Alberto João Jardim. Se o pudéssemos fazer, não só chegaríamos à conclusão de que esta não é, de todo, justa (teriamos que subir um bocado as bainhas e estreitar a cintura) mas também, e principalmente, compreenderíamos o que é estar, literalmente, na pele deste grande estadista (e não é fácil... principalmente durante o Carnaval).

Mas não... O Alberto João Jardim não foi ao Brasil nem, tão pouco, à Tailândia. É falacioso tirar este tipo de conclusões sem uma reflexão prévia sobre o conceito de "viagens secretas". E levanto a seguinte questão para que possamos fazer uma espécie de brainstorming... Que razões é que levam alguém a fazer viagens "secretas"? Podem responder... Não tenham medo... Façam de conta que o Alberto João Jardim não lê este blog...

Prostituição.

Pedofilia.

Uma amante.

Gastronomia.

Porquê Gastronomia? Isso é mesmo ridículo! Quem faria uma viagem "secreta" por motivos gastronómicos? Porque é que alguém haveria de esconder isso?

Se fosse antropófago...

Bem visto... Mas devo dizer-vos uma coisa. Todas as vossas razões são ridículas e vão de encontro à ideia falaciosa de que há qualquer tipo de má intenção de Alberto João Jardim por detrás das suas viagens "secretas".

Só há um motivo pelo qual imagino um homem como Alberto João Jardim viajaria secretamente e esse motivo é salvar o Mundo. E não se pode querer salvar o Mundo sem gastar dinheiro... Peço desculpa a todos os indíviduos de óculos do Tribunal de Contas que criticaram o meio milhão de euros que o Executivo da Madeira gastou em viagens secretas, peço desculpa por esse dinheiro não ter sido investido em material de escritório, computadores ou comida para os pobres. Salvar o Mundo não é uma coisa assim tão importante pois não?

Pois eu digo-vos isto, os meus pedidos de desculpa são irónicos. E declaro com todas as minhas forças: deixem o Alberto João Jardim em paz. Deixem-no fazer ao Mundo o que ele fez à Madeira. Não viveriamos num Mundo melhor se, tal como os madeirenses, tivéssemos acesso gratuito a um jornal diário com crónicas do Alberto João Jardim? Este Mundo não seria um local bem mais respirável se, tal como os madeirenses, toda a gente tivesse acesso a um fogo de artíficio tão magnânime na passagem de ano?

Será que vamos criticar o único super-herói que temos só porque uns indivíduos de óculos do Tribunal de Contas nos dizem para o fazer?

Devemos é ter orgulho no Alberto João Jardim que, de dia, é o calmo, sensato e bondoso Presidente do Governo Regional da Madeira e, à noite, depois de vestir o seu fato de licra e de vestir as suas cuecas por cima desse fato de licra, coloca uma capa e um capacete de gladiador e, na sua banana voadora, vai salvar o Mundo, livrando-nos de todos esses bastardos e maltrapilhos que o assombram.

Conseguir isto por meio milhão de euros é uma pechincha, senhores do Tribunal de Contas.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Apenas um oceano os separa...

De uma maneira estranha acho estes dois discursos bastante semelhantes:

O discurso de Obama na Convenção do Partido Democrata de 2004 que marca o momento onde este se tornou mundialmente conhecido e onde partiu da história da sua família para louvar os EUA:



E o discurso de Tino de Rans no Congresso do PS:



Embora o discurso de Obama seja emocionante e o discurso do Tino de Rans seja... coiso, ambos fazem referência às suas origens humildes, ambos são extremamente elogiosos para o líder do Partido em questão (John Kerry no caso de Obama e António Guterres no caso de Tino de Rans), ambos foram ovacionados constantemente e o discurso de ambos culminou com toda a gente a gritar o seu nome. Resta acrescentar que, após estes discursos, ambos tornaram-se figuras incontornáveis na política dos seus respectivos países: Barack Obama acabou por tornar-se Presidente dos EUA e Tino de Rans lançou o grande êxito "Pão, pão".

Será que Tino de Rans é o Barack Obama português? Ou Barack Obama é o Tino de Rans americano?

Depois disto fica o orgulho de ter sido das primeiras pessoas a colocar Barack Obama e Tino de Rans no mesmo patamar...

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A grandeza do Universo


Quando olhamos de uma falésia para o horizonte, para todo aquele mar, sentimo-nos pequeninos em relação à grandeza da Natureza e de todo o Universo. E, quando nos sentimos assim, pequeninos, do tamanho de formigas, do tamanho de grãos de areia, do tamanho de átomos, só precisamos de ver um congresso partidário para nos sentirmos grandes outra vez...

O que me irrita na natureza é a sua mania de nos fazer pequeninos... Quando fazemos algo de grandioso como um edíficio de 100 andares lá vem a natureza com um terramoto e pumba! Quando achamos que duramos muito se vivermos 100 anos lá vem a natureza com aquele facto inquestionável de que 100 anos, em termos universais, não equivalem à pintinha de um "i" no grande livro de milhões de biliões de páginas que tem a história do Universo.

É por isso que, quando vemos coisas baixas e reles como um Congresso Partidário, a nossa auto-estima sobe. Afinal, até temos alguma grandeza. A grandeza de não andarmos metidos naquelas embrulhadas. A grandeza de sabermos que, à beira do Universo, contamos tanto como um pequenino e insignificante átomo de uma bactéria que habita no sistema digestivo de um ácaro, que por sua vez montou residência no colchão de um indivíduo chamado Edmundo que, apesar de ter muitos defeitos, nem sequer é alérgico a ácaros (talvez sejamos um pouco menos do que isso)... A grandeza de não nos andarmos a armar em grandes, a dar lições de arrogantes púlpitos, com arrogantes slogans como se fôssemos deuses do Universo...

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Bombástico: notícias de família



Recebi esta carta do meu primo Juan José Ramirez de Gallardo III. Ele é das FARC mas gosta de dar uma perninha na Jihad no Afeganistão para "desentorpecer os ossos". Iria jurar que já tinha morrido mas, finalmente, tive notícias dele:

Caro Sérgio,

Como já vem sendo hábito resolvi dar um saltinho à Bienal de armamento no Abu Dhabi. É a minha bienal preferida, logo a seguir à Bienal da Droga em Bogotá, à Bienal da Corrupção em Harare e à Bienal dos Melões em Almeirim.

"O que é que droga, armas e corrupção têm a ver com melões?"

Nada. Posso ser um facínora e gostar de melão com presunto antes de uma matança á moda antiga, não posso? Obrigado!

Adoro o ambiente criado em torno desta Bienal em que ditadores de pequenos países, guerrilheiros de pendor marxista, ultra-nacionalistas, mercenários, traficantes de droga, mafiosos, fundamentalistas islâmicos, taxistas entre outros maltrapilhos se juntam em harmonia para apreciar aquilo que mais os une: a violência pura e dura. Não há nada mais bonito do que ver um neo-nazi abraçado a um guerrilheiro Ruandês em puro êxtase perante a emoção da apresentação de uma nova anti-aérea. São impagáveis as suas caras de felicidade, enquanto imaginam a próxima aldeia que vão massacrar ou o próximo assassinato político.

São estas pessoas que, de Kalashnikov, na mão escrevem a nossa história. São o "tudo perdido" da célebre constatação: "isto está tudo perdido". São o "alguém" da interrogação: "como é que alguém pôde fazer isto?". São o "filho da puta" da expressão: "Quem foi o filho da puta que chacinou a minha família?". São um grupo de tipos castiços, com queda para a bebida que só quer passar um bom momento. Há quem diga que são perigosos... Eu acho que são simpáticos... E danados para a brincadeira...


Enquanto passeava pelo certame, um emocionado ditador dirigiu-se a mim e, embargado pela emoção, descreveu-me minuciosamente o que é que as sua recém adquirida bazuca faria ao seu principal opositor. São estas pequenas coisas, como a felicidade estampada no rosto deste pequeno homem, que fazem com que a vida valha a pena.

Por azar dele, o opositor que ele pretendia desfazer aos bocadinhos tinha-me pago uns trocos para o executar. Foi logo ali. Ao menos morreu feliz.


Esta bienal não vale apenas pela oportunidade de conhecer as últimas novidades na área do armamento. Vale pelas demonstrações. Em que outra ocasião teríamos a oportunidade de disparar um míssil teleguiado contra uma vaca? Em nenhuma, visto que jamais gastaríamos munições tão caras numa vaca. Mas acreditem que é um espectáculo fantástico. O "esfrangalhar" da vaca, como nós lhe chamamos, é um espectáculo único, muito diferente do "esfrangalhar" do ser-humano (é mais chicha) e é impagável a chuva de bifinhos de picanha na plateia, que se sucede a cada demonstração. Os clientes mais habituais já levam um pratinho com arroz, feijão preto e farofa para acompanhar esta picanha voadora que, se tem vindo a transformar numa especilidade da Bienal de Armamento. Devido à potência do armamento usado este ano estava bem passada demais para meu gosto, mas ainda assim é um espectáculo imperdível!

Impagável também é a oportunidade que esta bienal nos proporciona para a troca e partilha de conhecimento. É a única maneira que temos de sair dos nossos covis e aprender com os maiores peritos mundiais em áreas como a tortura, a lavagem cerebral, técnicas de manipulação da opinião pública ou falsificação de resultados eleitorais mesmo nas barbas dos inspectores da ONU. Saímos de lá pessoas diferentes e ansiosos para aplicar todas as novas técnicas que aprendemos. Quantas e quantas vezes tive eu de me conter para não começar a torturar o indivíduo que se sentou ao meu lado no avião? Eu sei que me percebes... Isto da violência é uma coisa de família...

Enfim, escrevo para te dizer que está tudo bem. Jamais me esquecerei da família e como ouvi dizer que estavas desempregado venho pôr-me à disposição para te arranjar qualquer coisinha para fazer. Em tempos de crise não há melhor negócio do que o da violência por isso podes contar comigo para te abrir portas, nem que seja à bomba! Envia-me o teu Curriculum Vitae que, não tarda nada, dizem-te alguma coisa. Ouvi dizer que os antigos dirigentes associativos têm muita saída neste negócio.
Manda cumprimentos aos teus pais!

Um grande abraço e três beijos na face deste teu primo que te adora,

Juan José Ramirez de Gallardo III aka "El Portugués"

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O Mundo encantado dos corruptos



Este blog interrompe a sua emissão habitual para falar um pouco sobre um assunto sério que anda a massacrar a cabeça ao seu autor, ou seja, eu.

Deixo aqui estas três notícias:

Ex-presidente de associação de estudantes processada por desvio de fundos (IOL)

Ex-presidente de associação de estudantes diz-se tranquila (Sol)

Controvérsia marca eleições na Faculdade de Letras do Porto (vídeo de notícia da RTP)

Segundo os resultados de uma auditoria externa entre má gestão e. possivelmente, corrupção a Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da UP foi lesada nuns bons milhares de euros... Nada que me surpreenda, não só porque fui dirigente associativo mas porque a pessoa em questão é uma velha conhecida.

A propósito de um post em que assumi explicitamente o meu passado associativo discutiu-se a má imagem dos dirigentes associativos na sociedade e eu acabei por concordar que, de facto, essa imagem tem razão de ser. Estas notícias vêm comprovar isso mesmo. Por mais que lutemos, por muito que façamos, por mais coerentes que procuremos ser haverá sempre casos destes a manchar a reputação de quem leva o associativismo/voluntariado a sério.

Muito pior do que a destruição da imagem dos dirigentes associativos são as conclusões que podemos tirar deste tipo de coisas. Estou convencido que a minha (nossa) geração não vai contribuir com muito mais do que este tipo de escumalha para o desenvolvimento da sociedade. Não me estou a referir à menina da notícia, porque essa, em termos políticos já está queimada demais para ser mais do que Presidente da Junta. A sua inteligência também não lhe permite almejar voos mais altos (será uma bem sucedida empresária da noite e pouco mais, mas já nem digo nada)...

Se o Mundo não acabar entretanto por causa do aquecimento global ou por nos termos comido uns aos outros ou se Deus me der saudinha para chegar até lá, quando tiver 50 anos vou olhar para o passado e sentir vergonha da minha geração. Estamos a deixar para trás as pessoas com valor, em detrimento dos graxistas, dos lambe-botas e dos corruptos. A bajulação é valorizada em detrimento da coragem, da rebeldia e da genuinidade. Somos uma geração de meninos das jotas que nunca fizeram nada pela vida e que através de falinhas mansas, facadas nas costas e favores mais ou menos lícitos conseguiram subir por aí fora até se tornarem "cidadãos respeitáveis". Cidadãos que vão ter assento nos Conselhos de Administração das empresas e estabelecer contacto com as mais altas individualidades, desde o Presidente dos EUA, passando pelo papa, até à Máfia Napolitana. São esses meninos que vão conseguir ter tanto dinheiro que vão comprar a sua própria justiça, como quem vai ao Supermercado comprar latas de atum. São esses meninos que vão subindo uma escada de favores de outros meninos, num esquema pirâmide em que a base somos todos nós. São esses meninos que vão premiar outros meninos como eles e perpetuar esta selecção natural, em que só o mais forte subsiste. Sendo que, neste caso, ser mais forte significa ter uma coluna vertebral que lhe permita aguentar com todo o tipo de falcatruas ou ter um sono tão pesado que lhes permita adormecer com o peso de que se está a contribuir para uma entropia acelerada do Mundo. Eles sabem-no bem, mas não lhes importa. Só eles interessam e, comparado com isso, o Mundo é muito pequeno.

Atiram-nos todos os dias areia para os olhos, alegando que vivemos num Estado de direito democrático. Permitem-nos escolher, de 4 em 4 anos, entre vários "líderes". Independentemente da maneira "democrática" como estes foram eleitos, quer esta tenha sido através de votos de militantes arranjados à pressa e a quem alguma alma mais voluntariosa pagou as quotas via Multibanco na véspera das eleições, quer este tenha sido através de umas eleições, previamente combinadas, em que o voto é feito de braço no ar.

Vivemos numa sociedade em que, se chamarmos as coisas pelos nomes, corremos o risco de levar com um processo em cima. Se chamar corrupto a um corrupto é difamação, chamar político a um corrupto é pleonasmo.

As pessoas com valor, inteligentes, com princípios, com uma vontade genuína de fazer alguma coisa acabam por se afastar com a certeza e a frustração de que isso é algo impossível. Este sistema acaba por transformar aqueles que têm valor em pessoas frustradas, revoltadas e alienadas.

E é a esses que eu apelo. Temos que nos mexer. Sendo cidadãos activos e com impacto dentro da nossa comunidade ou do nosso emprego. Sendo sempre coerentes e não compactuando com coisas em que não acreditamos, por muitos dissabores que isso nos traga (e normalmente traz muitos). Cultivando-nos intelectualmente e emocionalmente, tornando-nos assim mais cultos e mais fortes para lidar melhor com a mediocridade que vai estar acima de nós e para defender os direitos de quem está abaixo e que não tem as mesmas oportunidades que nós.

Aos bocadinhos conseguimos mudar alguma coisa. Não podemos é ser coniventes com as tretas que nos impingem todos os dias: "Ele roubou? Claro... Toda a gente faz, ele é só mais um..." ou "Eu não vou votar porque eles são todos iguais e não acredito que mude alguma coisa". Irrita-me que haja pessoas que se acomodam na evidência de que isto está mau e que dificilmente vai mudar. Todo este sistema vive desta atitude, desta passividade destrutiva. Independentemente da sua cor, cada deputado que entre na Assembleia da República com o espírito de missão e o orgulho de que se está a contribuir para a construção de uma sociedade mais justa, é um tiro neste sistema corrupto. O mal dos nossos políticos é que o nosso bem-estar é a última das suas prioridades. Um cargo na Comissão Europeia, um tacho no Conselho de Administração de uma empresa pública ou o cargo de CEO de uma empresa com que se negociou enquanto se esteve no poleiro estão bem à frente do nosso bem-estar na lista de prioridades dos nossos políticos.

Apesar de ser difícil, temos a obrigação de ser tolerantes com quem pensa de maneira diferente e aproveitar essa divergência saudável para fins construtivos. As opiniões diferentes não nos devem separar porque se estivermos a lutar para o mesmo fim, as nossas diferenças só nos vão enriquecer. Aquilo que nos deve separar de alguém é o desrespeito pelo princípio ético universal que nos guia e que é (ou devia ser) o pilar da nossa sociedade: a liberdade. A liberdade pressupõe o respeito pelos outros, a igualdade de direitos, a justiça... Será que somos livres hoje em dia? Ou a liberdade não passa de uma palavra bonita escrita num livro que ninguém respeita?

Para sermos verdadeiramente livres não podemos permitir que nos desrespeitem. E o desrespeito não é uma piada, uma boca ou um comentário desagradável. Desrespeito é quando, deliberadamente pisam os nossos princípios e tudo aquilo em que acreditamos à nossa frente. Não reagir a isso é entrar em incoerência. É ser conivente com essas atitudes, é deixarmos de ser nós próprios.

Acho que todos já passámos por isso. Eu já, pelo menos. E é das piores sensações que existem, já que, inevitavelmente, odiamo-nos a nós próprios. Temos é que aproveitar esse mal-estar para nos tornarmos pessoas melhores, porque sentirmo-nos mal com as nossas incoerências, é a prova de que ainda sentimos. É uma mensagem da nossa consciência a dizer-nos que não estamos a agir bem. É o sistema de segurança que nos permite avançar como Homens. A partir do momento em que deixamos de nos sentir mal é porque vendemos a alma. É sinal de que nos acomodámos aos "benefícios" de engolir sapos. É sinal que nos transformámos numa das rodas dentadas deste relógio distorcido, que avança apenas para destruir tudo o que nos rodeia.

Neste momento não tenho grandes esperanças na minha geração. Conheço muita gente que pode fazer a diferença. Espero que encontrem um furo no sistema que lhes permita superar os meninos das jotas. Ou então, que o sistema se auto-regule e, de um momento para o outro, tome consciência que assim não vamos a lado nenhum...

E foi um desabafo... Normalmente sou mais optimista, mas estou mesmo fodido...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Quem foi o responsável pelo casting?



Eu tinha avisado que isto era estúpido...

O quê? Fazer uma mini-série centrada nas aventuras sexuais do nosso ditador seminarista e homossexual latente em potência?

Sim, também...

Escolher o Diogo Morgado para fazer o papel do nosso ditadorzeco?

Sim... Vamos ver o que isto de aplicar a fórmula "O Crime do Padre Amaro" ao Estado Novo dá...

Muitos podem pensar que esta atitude da minha parte é só ressabianço por não terem escolhido o Luís Aleluia (Tonecas) para o papel do Salazar. Admito que não gostei disso e que ainda dói cá dentro... Mas a questão não é essa! Só a ideia de imaginar o Salazar/Diogo Morgado enrolado com a Soraia Chaves dá-me uma volta ao estômago... A minha única consolação é que o próprio tirano das botas, ao ver-se enrolado com a Soraia Chaves, teria um enfarte do miocárdio (não sem antes se benzer três vezes).

É nestas alturas que eu gostava de acreditar na vida depois da morte. Se eu acreditasse que o Salazar estava a ver esta série lá de baixo do Inferno como forma de tortura até eu ficaria agarrado ao televisor... Pathos...

A ver pelo crescente sucesso televisivo que o Salazar tem tido ultimamente se, depois disto, o Diogo Morgado se candidatar a qualquer cargo político é bem capaz de conseguir... Basta fazer a voz de velha do Salazar e é vitória garantida. Se o nosso primeiro-ministro foi considerado o 6.º mais charmoso do Mundo, imaginem o que não seria se o Diogo Morgado fosse eleito Presidente da República... A nossa política ganharia todo um novo fôlego: "Somos incompetentes, corruptos e prepotentes... mas giros que nos fartamos...". Acho que é disto mesmo que a nossa política precisa...

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

United States Obamerica ou são todos iguais, mas a mim não me enganam eles...




Hoje fui à tomada de posse do Obama. Para quem acompanhou a transmissão televisiva eu era aquele individuo de panamá amarelo e olhar céptico da quinta fila. Não partilho desse entusiasmo todo à volta de Obama. Como já disse aqui, fui um fiel apoiante do novo Presidente dos EUA durante as eleições mas, daí para cá, só me tem desiludido... Tanto que a minha maior esperança era que o novo Presidente dos EUA tivesse um ataque de diarreia a meio do juramento que o obrigasse a deixar toda a população mundial em suspenso enquanto ia ali "arrear o calhau". Seria um momento bem mais histórico do que a viagem de comboio de Lincoln ou o discurso de Kennedy. Um momento que seria quase tão histórico como quando essa velha glória do Benfica, o Tavares, pediu para ser substituído aos 15 minutos de um Milão-Benfica para ir... vocês sabem...

Dica para os rapazes que lêem este blog na esperança de aprender alguma coisa que lhes permita ter algum do meu sucesso junto do sexo feminino (quem não se enquadrar neste tipo de população pode passar à frente):

Usem o máximo de vezes que puderem a expressão "arrear o calhau" junto das mulheres. Elas adoram! Não há nada de que uma mulher goste mais do que de um homem que não tenha pudor em falar das suas necessidades fisiológicas. Tentem mantê-las actualizadas sobre as vezes que vão à casa-de-banho e sobre os resultados dessa ida, se possível documentados com fotografias. Elas gostam de saber estas coisas.

Conversa entre um jovem casal:

Ele: Sabes, Márcia, às vezes, quando olho muito tempo para o sol fico a ver tudo vermelho. Acho que é porque gosto de ti. Tipo, por tu seres o sol da minha vida e por o vermelho ser a cor do amor, tás a ver? É que, não sei se sabes, curto bué de ti. - aprendam, rapazes. O "curto bué de ti" é o "amo-te" do século XXI. Um "amo-te como o c******" ou um "gramo-te bué da totil" também fica bem...

Ela: Ai, Cajó, és tão romântico! Também curto bué de ti... mas bués mesmo...

Ele: Espera aí um bocadinho Márcia... É que tenho que ir arrear o calhau... Aquela alheira com ovo está a fazer das suas...

Ela: (risinho tímido) Adoro quando falas assim, Cajó!

Passados 20 minutos (o Cajó, obviamente, não se esqueceu de levar a Bola debaixo do braço, ou não fosse ele um autêntico cavalheiro).

Ele: Ah! Esta soube-me mesmo bem... Nem imaginas como aquilo ficou... De que é que estávamos a falar?

Ela: Esquece o que estávamos a falar... Quero saber tudo, Cajó! Conta-me!

Ele: (Cajó descreve exaustivamente a sua ida à casa-de-banho. É escusado continuar este diálogo porque é óbvio que a Márcia já está no papo...)


Voltando ao Obama. Irrita-me todo este burburinho à volta dele, quase como se se tratasse de um Messias. Vejam só que ele já é Presidente há quase 5 horas e ainda não fez nada: ainda há desemprego nos EUA, o aquecimento global ainda continua a atacar a Gronelândia em força, em Gaza ainda chovem misseis e, da última vez que fui verificar, ainda chovia lá fora... Pior do que não ter feito nada, é o facto de o Sr. Presidente a esta hora já estar com uma monumental borracheira e a vomitar por todo o lado... É este o vosso Messias? É este individuo que, em vez de estar a salvar o Mundo, está a beber como se fosse sexta à noite no Seminário, que é a esperança da Humanidade? Acho que, se o Mundo depende deste senhor, bem que podemos ir para a rua preprarmo-nos para o apocalipse e aproveitar a última semana da nossa vida para fazer tudo aquilo que não fizemos até hoje como comer macarrão com morcela e Corneto de Morango ou imitar um orangotango com sarna numa repartição de finanças (esta é provável que já tenham feito. Quem não fez não sabe o que perde).

Tenham cuidado com os Messias que escolhem... vejam só o que aconteceu ao Cristianismo...

Mas há um aspecto em que tem que se dar o devido mérito a Obama. Ele é, de facto, o primeiro Presidente afro-americano dos EUA. Algo que eu pretendia ser num futuro próximo. Aliás, tinha um plano infalível para me tornar o primeiro afro-americano a tornar-se Presidente dos EUA que só não deu certo devido a esta antecipação de Obama. Era um plano perfeito que consistia, basicamente, em duas fases:

Fase 1: tornar-me afro-americano
Fase 2: tornar-me Presidente dos EUA

Concluídas estas fases, tornar-me-ia no primeiro Presidente afro-americano dos EUA. Frustrado este plano, resta-me levar em frente o meu outro plano, que fará de mim o primeiro canalisador do Burkina Faso a tornar-se Presidente dos EUA. Por motivos óbvios, não revelarei as 3 fases deste meu magnífico plano.

E é tudo. Ah! Parabéns Presidente Obama!

Thank you very much!

Olha-me este! O que é que estás a fazer aqui, Barack? Não leste o que eu escrevi? Porque é que em vez de estares a salvar o Mundo, estás a ler um blog parvo, escatológico, cujo autor é uma pessoa execrável (mas que compensa esta falha de carácter por gostar muito de borboletas), e que, ainda por cima, está escrito numa língua que não dominas?

Because I'm fuckin' drunk...

Logo vi, para vires parar aqui tinhas que estar muito bêbado... Não tens uma crise para resolver? Já és presidente há 5 horas e ainda se torturam pessoas em Guantanamo! És uma vergonha, sabes?

Yeah! Fuck Guantanamo! I just wanna drink. Do you want a beer, man?

Não tens emenda... Vamos lá a isso então...

E foi esta a primeira participação de Obama, como Presidente, neste blog... Espero que tenham gostado apesar do bafo a vinho tinto...



(a parte em itálico está em letras pequeninas para ninguém ler... Envergonho-me daquilo...)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Algumas coisas



"Quando odeias alguém, odeias nessa pessoa algo que é parte de ti. Aquilo que não faz parte de nós não nos incomoda"

Herman Hesse

"Olha que... Foda-se!"

Marco Borges (concorrente do Big Brother 1)

Imagino que estejam completamente abismados com a minha classe em começar um post com duas citações, e que citações. Imagino também que já se estejam a perguntar sobre o que é que eu vou escrever. Eu gostava de vos dizer mas, neste preciso momento, não faço a mínima ideia. Decidi que iria escrever algo para o blog, arranjei duas citações, que é algo absolutamente imprescindível se não soubermos o que vamos escrever, e aqui estou eu à frente do computador a tentar descortinar alguma coisa interessante para vos dizer. Mas não sai nada...

(silêncio incómodo)

Então e o advogado de defesa do Carlos Cruz foi dizer que as acusações do seu cliente são "fantasias de adolescente"? Tem a sua razão, sim senhor... Não se lembram dos vossos tempos de adolescente em que, depois de verem o "1,2,3", se iam deitar e sonhar com o Carlos Cruz? E que lascivos esses sonhos... Não se lembram de forrar as paredes dos vossos quartos com posters do Carlos Cruz? Acho que é um comportamento típico dos adolescentes, fantasiar com o Carlos Cruz, fantasiar que somos órfãos, que vivemos numa instituição, que este nos vem visitar e... Quem nunca passou por isso não sabe o que é a adolescência!

Então e este título: "Guerra irá definir quem será o primeiro-ministro de Israel". Acho muito bem! Até aqui tem sido o povo israelita a decidir e não tem dado muito bom resultado. Ao menos ao escolherem uma entidade isenta e objectiva como a Guerra para eleger o primeiro-ministro pode ser que as coisas mudem. Toda a gente já parte do princípio que a situação no Médio Oriente nunca vai mudar, por isso ao menos que se experimentem novas alternativas... Quem sabe se a solução não virá do local mais inesperado? Até agora, aquilo a que chamam guerra está 500-10 para os israelitas (500 palestinianos mortos para 10 israelitas, mais coisa menos coisa). É um autêntica cavazada. Fazendo uso de gíria futebolística inspirada em gíria de guerra eu diria que os palestinianos estão a ser massacrados... Vá lá! Acabem lá com isso!


Aproveito para acrescentar alguma coisa de útil a este post completamente inútil. A imagem de cima faz parte da obra "Palestina" de Joe Sacco, uma espécie de correspondente de guerra que usa a banda desenhada para passar a sua mensagem. Para além de Joe Sacco ser um artista genial, com uma perspectiva única sobre as coisas e que usa um meio que permite uma versatilidade que outros não permitem (a banda desenhada), esta obra, já com uns anitos, oferece-nos uma perspectiva única sobre o conflito israelo-palestiniano. Os desenhos são muito expressivos, tem um ritmo espectacular e a história é... aquilo que sabemos... ou então não sabemos assim tão bem... Entretanto já escreveu graphic novels igualmente geniais sobre a guerra na Jugoslávia. Recomendo vivamente (Já pareço aquele Professor que aparece aos domingos à noite na televisão. Já não me lembro é muito bem do nome dele. Vitor? Anselmo? Dêem-me lá uma ajuda...).

Este livro aparece frequentemente na pobrezinha secção de banda desenhada da Fnac caso o queiram adquirir (que pretensão a minha, a de julgar que sou tão importante para quem quer que seja que lê isto para os fazer gastar dinheiro em livros...). Para além disso, ofereço-me também para emprestar os dois volumes em português que possuo a quem estiver interessado! Não fazendo eu mais do que a minha obrigação visto que é uma história que urge divulgar...

Além disso, se quiserem posso oferecer-vos um exemplar que tenho da obra do já referido neste post Ricardo Sá Fernandes, "O Caso de Camarate", que comprei só porque estava a 3 euros e que provavelmente nunca irei ler... Ainda vou fazer um passatempo no blog para me livrar desse livro, mas acho que nem assim... (bela ideia para um post, é pena este já estar a acabar)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Cantinho de solidariedade natalícia



Post para ser lido ao som de "If You Don't Know Me By Now" dos Simply Red ou "My Heart Will Go On" de Celine Dion

Como estamos no Natal e como já estou um bocado farto que isto seja o "antro de maledicência" a que estão habituados resolvi dedicar este pequeno espaço à caridade. Acho que todos devemos tentar contribuir para um Mundo melhor. Mesmo...

Sei que não vou mudar muita coisa com isto, mas pelo menos tento e isso é que é importante. Se, por um lado admito que o faço com uma certa motivação egoísta, a de não me sentir tão mal perante as situações terríveis que este Mundo me proporciona porque fiz a minha parte (culpem-me por ser humano). Por outro lado se todos fizessem algo (tal como eu) e tentassem alertar as consciências para os dramas da sociedade, este Mundo não estaria no estado em que está.

Sei que, pelo menos, os 3 leitores deste blog vão ficar sensibilizados (talvez fosse mais eficiente eu mandar uma SMS a cada um, mas vale a tentativa). Eu vou fazer por isso. E o caso é tão dramático que é impossível ficarmos indiferentes.

A causa para a qual vos venho alertar é o desemprego, nomeadamente o desemprego do Santana Lopes. Ninguém tem nada para dar que fazer ao homem? É desesperante ver uma pessoa a dispor-se à humilhação da maneira que ele se dispõe só porque não tem nada que fazer. Dói-me o coração ver alguém a vender o amor próprio e a dignidade só porque precisa de sobreviver. Sempre que há uma eleição lá vem o Santana que nem rato espreitar o furo a ver se arranja algo que fazer durante uns mesitos, mesmo sabendo que vai ser humilhado, enxovalhado, gozado e derrotado.

Não se riam! O homem também tem sentimentos! Chega de vê-lo a candidatar-se a eleições como se não fosse nada connosco. Estamos a destruir o Pedro com a nossa indiferença. Que sociedade fria e cruel é esta que vê alguém em pleno sofrimento e age como se nada fosse e, se for preciso, ainda participa na chacota. E chamam-lhe nomes! Coitado! Não sei como conseguem dormir de noite.

Quando o Santana perdeu as eleições para o PSD ainda tive a esperança que este tormento acabasse, que ele, finalmente, arranjasse um emprego decente e honesto, que, finalmente, encontrasse um rumo... Aliás, sempre que ele perde umas eleições eu tenho essa esperança. Até à próxima eleição, até ver o Santana colocar-se mais uma vez, qual menino de 8 anos franzino, de pernas tortas, de calções com suspensórios e óculos num recreio repleto de rufiões de 14 anos já com barba, no meio da zaragata só para sobreviver.

E eu sei que neste momento, vocês estão: "sim, de facto é triste, mas o que podemos fazer? É mau mas a vida continua...". Sim, é mau, mas a vida não continua. Pelo menos a vida como a conhecemos. A vida não pode seguir o seu curso normal quando há um homem, de carne e osso, a passar pelo sofrimento que o Pedro passa. A vida é mais do que mandar umas postas de pescada e ver o telejornal e acreditar que todos os males só acontecem aos outros. Imaginem que têm um Santana Lopes na família. Iam gostar desta situação? Pois, o Santana também tem família e não podemos olhar para isto como se nada fosse. Quanto à vossa pergunta, eu não me esqueci dela. Mas pelos vistos vocês esqueceram-se e eu vou ter que repeti-la. Esses cérebros de minhoca não dão para mais do que gozar com o pobre do Santana, não é? Vocês perguntaram-me o que é que podem fazer.

Podem fazer muito. Para começar dêem um emprego ao homem. "Ah, mas eu não tenho empregos para dar, quem me dera ter para mim e não sei quê...". Lá estão vocês com a vossa má vontade. É óbvio que a maioria de vocês não tem um cargo de administrador ou de dirigente desportivo para lhe oferecer. Compreendo e nem vou entrar por aí. Mas de certeza que, se se juntarem e discutirem a sério esta questão, sem a galhofa habitual com que falam do Santana, lá descobrem que um de vocês tem um cano roto em que o Santana podia dar um jeitinho (diz que o homem tem jeito para tapar buracos...), ou um interruptor para mudar ou o sifão entupido ou uma casa para pintar...

De certeza que, agora no Inverno, algum de vocês teve necessidade de limpar a chaminé... Lembraram-se do Santana? Claro que não! Nem sei porque é que pergunto... Só se lembram dele quando é para gozar, agora quando é para limpar chaminés "ah vou chamar o Serafim, que ele faz melhor serviço", "pois, mas o Serafim tem um Opel Corsa e foi de férias a Benidorm...", "Ah, pois, não sei, é capaz". Enfim... Não me enganam com essa atitude.

E se discutissem esta questão um pouco melhor ainda chegavam à conclusão que, pelo menos um ou dois de vocês conhecem alguém que precisava de uma senhora para ir lá a casa dar umas horinhas por semana a passar a ferro e a limpar os azulejos da cozinha uma vez por mês. Mas porque é que tem que ser "uma senhora"? Não pode ser o Santana? "Ah, mas ele não fica bem de avental". Pois, nem sei como responder a algo tão fútil... Eu digo-vos como é que ele não fica bem: Ele não fica bem se continuar a ser humilhado da maneira que é! O avental dar-lhe-ia uma dignidade que ele, neste momento, não tem!

Todos conhecem alguém que teve um filho bebé e que até gosta de sair à noite de vez em quando mas não tem ninguém que fique com ele e até pagava uns tostões mas está mesmo complicado para arranjar uma babysitter? Ouvi alguém dizer Santana? Espero que sim... (para quem não percebeu, é mesmo uma ameaça...)

De certeza que qualquer um de vocês tem um amigo de um amigo que tem uns contactos na Destak que o conseguia pôr a distribuir jornais num semáforo qualquer? Toda a gente conhece alguém que conhece um indíviduo que tem uma churrasqueira que está sempre a precisar de alguém para assar frangos. Vão-me dizer que o Santana não servia para isso? Pode não ser muito bom político, nem trapezista, nem neurocirurgião, mas a assar frangos conseguia ser minimamente competente e era sempre menino para animar a malta com umas histórias do Sá Carneiro ou da Cinha Jardim. Vocês têm é má vontade, desculpem lá que vos diga!

De certeza que, pelo menos um de vocês conhece alguém que emprestou dinheiro que nunca mais viu, e que até anda a pensar numa maneira de cobrá-lo e que, por acaso, até tem um fraque encostado do último Carnaval e que está sempre a dizer "É pá, já tenho o fraque, só faltava o cobrador..."? Eu conheço alguém que até fica muito bem de fraque... É preciso dizer mais? Parece que sim porque vocês nem assim percebem... Estou a falar do Santana que não é entroncado, nem é africano mas daria um excelente cobrador de fraque. Quantos de nós gostariam de ser perseguidos por um cobrador de fraque? Agora pergunto, quantos de nós gostariam de ser perseguidos pelo Santana Lopes vestido de fraque? Ui! Escusam de ir a correr pagar as dívidas, só estou a colocar uma hipótese... Se bem vos conheço, com a vossa má vontade, nem vos passou pela cabeça dar este biscate ao Santana, apesar de ser uma excelente ideia...

Na parte que me toca já ando a tentar arranjar-lhe uns biscatezitos... Conto que vocês façam o mesmo. É uma questão de imaginação. Troquem os contactos aí na caixa de comentários, juntem-se para tomar um cafézinho, criem uma associação (porque não "Associação dos Amigos do Santana"?), façam um single de solidariedade, umas rifas, um leilão, umas pulseirinhas de borracha cor-de-laranja, arranjem uns amigos sem braços para pintar uns postais com a boca... Não sei! Mas qualquer coisa serve para salvar um homem que faz questão de estar sempre à beira do abismo... E de cair do abismo e de se partir todo e de se voltar a meter à beira do abismo e assim sucessivamente... Até que algum de nós o ajude... Ajudem-me a ajudar o Santana! Juntem-se a mim no movimento:

Save Santana Lopes!


PS Já repararam na minha pinta a colocar links para o público que nem um maluco? Não digam a ninguém...

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Aqui vai disto:

Ponto 1

Basta! Já esperei tempo demais. Não sou muito de entrar em euforias mas confesso que esperava ter acordado num novo Mundo no dia 5 de Novembro.

Esperava, no dia 5 de Novembro, acordar, sair da cama, abrir a janela, ser bafejado por um sol radiante, enquanto observava uma manada de cavalos selvagens a correr por um prado verdejante com um majestoso arco-íris como pano de fundo. Anjos tocavam harpa, anunciando-me que o Mundo tinha acabado de chegar a uma nova era. Em vez de cavalos vi carros a buzinar. Em vez de um prado verdejante vi o asfalto cinzento e os passeios repletos de cocó de cão do costume. Em vez de um arco-íris um outdoor gigante da Popota. Em vez de bafejado por um sol radiante, fui insultado por um grupo de miúdos a caminho da escola que estranharam o pranto de quem viu o Mundo cair a seus pés (sou capaz de mandar berros muito estridentes quando o Mundo cai a meus pés). Foi isto que vi da minha janela no dia 5 de Novembro...

Por momentos pensei: "Não estarei eu a pedir demais? Ainda não houve tempo. Talvez amanhã consigas ver os cavalos da tua janela. Talvez amanhã possas banhar-te nas águas límpidas do riacho que passará em frente da tua casa, exactamente no mesmo sítio onde hoje está aquele descampado com armazéns abandonados para onde os drogados vão e que a câmara nunca mais vem demolir. Dá um tempinho. Amanhã verás a mudança". Fui paciente e esperei. No dia seguinte a mesma coisa. Nem saí de casa. A seguir, o mesmo. Nada de cavalos, nada de prados verdejantes... Jurei que o meu próximo banho seria naquele riacho. Mas nada de riacho, nada de banho.

Mas decidi esperar pacientemente. Afinal foi-me prometida mudança e eu costumo acreditar nas promessas que me fazem. Mas hoje, finalmente explodi. E num acto de revolta resolvi... bem... vim escrever para o blog (não sou muito de actos extremos. Sonho um dia ter a coragem de, em actos de revolta ligar para o fórum da TSF).

Durante meses, um senhor chamado Barack Hussein Obama andou a prometer-nos mudança. Durante meses emocionou-nos com os seus discursos e fez-nos acreditar que, com ele, o Mundo seria um lugar melhor. Os portugueses acreditaram em ti, Barack. Não que devessem, visto que não tens obrigação nenhuma em relação a eles.Mas acreditaram.

Quando te insultavam, presenteando-te com insultos tão terríveis como "socialista", nós revoltávamos-nos contigo (aliás a conotação negativa que a a palavra "socialismo" tem nos EUA tem a ver com o nosso Partido Socialista, não é?). Quando confirmávamos que estavas à frente do teu adversário nas sondagens (quem? Aquele cujo único papel foi tornar a tua vitória ainda mais brilhante? Aquele vilão rídiculo e insignificante que só serviu para realçar a grandeza do herói.) regozijávamos contigo.

Ganhaste as eleições... E mudança, nada...

Ficarei à espera de alguém que, tal como tu, me faça acreditar... Provavelmente, tal como tu, irá desiludir-me...

Com tudo isto, acho que consegui ser das primeiras pessoas a deitar abaixo o Obama! E a mostrar-me desiludido por este não corresponder às expectativas. Daqui a um mês ou dois outros se seguirão. E ele ainda nem tomou posse...

Ponto 2

Já que falo do Barack Obama aproveito para dizer-vos que foi graças a mim que ele ganhou. Há uns meses, ainda este não tinha ganho as primárias, num momento de rara maturidade resolvi adquirir isto:


E com isto contribuí com 1 dólar para a campanha do novo Presidente dos EUA. Para além do investimento que fiz (hoje uma action figure do Roosevelt vale, certamente, uma fortuna. Imaginem quanto não valerá esta daqui a umas dezenas de anos. Os meus netos vão ser milionários), permitiu-me dar o contributo necessário para a vitória de Obama. Não contribuí para a campanha de Al Gore, ele perdeu. Não contribuí para a campanha de John Kerry, ele perdeu. Contribuí para a campanha do Obama, ele ganhou.

Podem agradecer-me pelo Mundo melhor onde hoje vivemos...

De nada...

Ponto 3

A internet e a evolução do nível de vida permitiu-nos, entre outras coisas, comunicar mais do que nunca. Tudo o que é informação e comunicação está mais acessível, o que, à partida, parece uma coisa boa. Infelizmente não é, porque somos obrigados a ouvir aquelas pessoas que até há pouco estavam fechadas em casa a enviar as suas mensagens de ódio por pombo correio, a gritá-las pela janela ou entre dois copos de vinho branco com gasosa na tasca de um qualquer bairro. Já nessa altura chateavam, mas nunca, como hoje estamos tão vulneráveis a eles.

Eles estão em todo o lado: nas caixas de comentários das notícias dos jornais on line (então nos de desporto...), nas televisões, nas revistas, nos blogues... É impossível fugir deles...

Hoje, por acidente, ouvi um industrial qualquer do Norte de Portugal no Fórum da TSF a defender a avaliação dos professores porque "há alguns que deviam ir presos".

Não fazia a mínima ideia que uma das consequências do processo de avaliação dos professores seria colocá-los na prisão. A menos que numa aula assistida este mandasse um tiro a um aluno, acho que essa não é uma das consequências previstas.

No entanto achei interessante esta hipótese. Acho que impedir os professores mal avaliados de progredirem na carreira não é castigo suficiente. Logo imaginei uma série de castigos a que se deveriam submeter os professores que fossem classificados com Insuficiente:

  • Pena de morte (nada mau para começar)
  • 4 anos no Tarrafal
  • uma semana seguida a ouvir o novo CD do André Sardet (eu trocava esta pela pena de morte...)
  • Um fim-de-semana romântico com Maria de Lurdes Rodrigues (que melhor motivação para um professor se esforçar para ser bem classificado do que evitar um castigo destes?)
  • ...

Podem dar sugestões...


P. S. Decidi colocar na barra lateral a aplicação dos seguidores. Próximo passo: criar um culto.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Na casa de Saddam


Neste fim-de-semana tive a oportunidade de ver a mini série da BBC "House of Saddam" sobre a vida do ditador iraquiano que todos nós conhecemos e, nalguns casos, admiramos (esta é para vocês meus leitores sunitas! Para não dizerem que eu me esqueci de vocês).

A série é muito interessante e muito boa não só historicamente mas também artísticamente. Se quiserem posso emprestar-vos. É uma mistura de série histórica com Sopranos e, em algumas partes, com o "Música no Coração" (a parte em que a mulher de Saddam e as filhas são obrigadas a fugir devido à invasão americana é muito parecida com o fim do "Música no Coração") e tem, de facto, muita qualidade.

O único político português sobre quem se poderia fazer algo do género seria, talvez, o Major Valentim Loureiro: "House of Valentim". Só que, neste caso, seria uma mistura de série histórica, com Sopranos e, nalgumas partes com um teledisco dos Ban e um anúncio da Worten (por causa daquilo dos electrodomésticos... era uma piada...).

Aprendi mesmo muito com a série "House of Saddam", nomeadamente que Saddam falava fluentemente Inglês, embora com um leve sotaque iraquiano. Assim como quase todos os iraquianos que apareciam no filme. Desconhecia que a língua oficial do Iraque fosse o Inglês e a única vez em que ouvi uma língua diferente foi quando um militar americano interrogou um dos guarda-costas de Saddam em árabe. Este respondeu-lhe na mesma língua. Fê-lo por boa educação visto que, momentos antes, conversava animadamente com Saddam em Inglês.

De salientar que o referido guarda-costas de Saddam era extremamente parecido com o Prof. Neca (talvez fosse mesmo o Prof. Neca... quem sabe se numa das suas emigrações para o Médio Oriente ele não terá sido guarda-costas de Saddam? Ninguém sabe... Aliás, ninguém sabe sequer onde é que ele está agora... talvez esteja em Guantanamo com o Artur Jorge...).

A série deixou-me a imaginar como seria se, por artes mágicas, eu trocasse de lugar com Saddam (imaginando que este ainda era rei e senhor do berço da civilização). Numa bela manhã eu acordaria no lugar do tirano e este, por sua vez, acordaria no meu lugar.

Teria a sua piada ver o Saddam lá na empresa, a aturar ditadores bem piores do que ele, a ter que tirar fotocópias, a ter que fazer powerpoints e a ter que levar com o ar condicionado numa temperatura que um esquimó classificaria de "fria como o caraças" e que me permite, nos tempos mortos, dedicar-me à construção de bonecos de neve, a fazer corridas de trenó e a transformar copos de sumo de limão em Calipos... Não me parece que o Saddam tivesse estofo para ser estagiário e, muito provavelmente, passado uma hora estaria a chorar que nem um menino curdo cuja família tenha sido chacinada por armas químicas. Qual enforcamento qual quê! Castigo a sério seria pôr o Saddam no meu lugar!

Quanto a mim, acordaria nas calmas num dos palácios de Saddam, numa cama bem confortável e pensaria cá para comigo:

- Olha, estou no lugar do Saddam! - visivelmente surpreendido, pensaria nas consequências que este facto teria no meu futuro imediato - Porreiro! Já não tenho que entregar aquele relatório! - e pensaria, satisfeito no pobre Saddam apanhado de surpresa no meu lugar a sofrer as terríveis consequências da não entrega do referido relatório.

Virava-me para o lado e faria aquilo que sempre faço quando acordo no lugar de um ditador: continuava a dormir. O bom de acordar no lugar de um ditador é que, a fasquia está tão baixa que, por muito pouco que façamos, será sempre bem melhor do que aquilo que o nosso antecessor fez. Não iria matar curdos, nem opositores, nem os meus genros. Não tem muito a ver com a minha personalidade... Só o facto de dormir mais um bocadinho antes de açoitar o malandro do meu filho Uday que se safou demasiado impunemente de assassínios e violações e de deixar de chacinar opositores e povoações inteiras de curdos seriam vistos pela comunidade internacional como grandes progressos...

E é quando, perdido nestes devaneios, me vêm acordar:

- Sua eminência, sua eminência, precisa de acordar, nem imagina o que é que aconteceu...

- Calma... como é que te chamas?

- Mohamed, senhor. Aqui todos nos chamamos Mohamed.

- OK, Mohamed... dou-te... sei lá... um milhão de dólares se me deixares dormir mais 5 minutos...

- Sim, sua eminência...

Passados 5 minutos:

- Sua eminência, sua eminência, precisa de acordar, nem imagina o que é que aconteceu... Mas primeiro gostaria de receber o meu milhão de dólares... se fosse possível...

- Faço-te já uma transferência bancária... Diz lá então o que se passou...

- Um grupo de rebeldes infiltrou-se na televisão e disse coisas horríveis sobre a sua pessoa... - Mohamed olha para baixo, com um ar culpado, não escondendo o medo da ira do seu líder.

- Calma, Mohamed... Não pode ser assim tão mau... Mas foi sobre mim ou sobre a minha pessoa? - a língua árabe tem destas maravilhosas chalaças e permite-nos, mais do que o português, este tipo de humor inteligente e elaborado característico de empregados de mesa.

- Sobre si, sua Eminência... Eles disseram que... e estou só a citar, Sua Eminência.... eles disseram que a Sua Eminência "cheirava mal dos sovacos e tem sempre ranho no nariz" - ao dizer isto Mohamed esconde-se debaixo da cama presidencial.

- Ah! Ah! Ah! Isso tem muita graça... Eu sabia que esta minha sinusite me iria trazer problemas... Quanto aos sovacos, com 50 ºC o que é que eles queriam? Se me quiserem recomendar um desodorizante que o façam, é que eu já tentei tudo... E que mais disseram eles?

Um Mohamed incrédulo com uma resposta nada habitual do seu senhor responde-me:

- Não disseram mais nada, Senhor... É que...

- "É que" o quê? Desembucha lá, Mohamed...

- Eles foram decapitados...

É neste momento que eu caio em mim e vejo que ser tirano não tem mesmo grande piada e que prefiro de longe ser estagiário...

(O meu objectivo era continuar esta história e desenvolver uma série de ideias que tenho mas, sinceramente, não me apetece... Além disso, como é muito pouco provável eu acordar no lugar de quem quer que seja, tenho que fazer o tal relatório... Mas daria uma bela comédia do Ralph Schneider... Pode ser que continue esta saga mais tarde...)

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sobre a homossexualidade na extrema-direita e algumas premissas para musicais de La Féria...





Quando olhava para os Village People achava sempre que faltava lá qualquer coisa. E muitas vezes olhei para eles, caros amigos... Quer como artistas, quer como exemplos para a vida... O índio dos Village People foi, desde cedo, o meu role model e é a minha segunda figura paterna (a primeira é, obviamente, o Carlos Castro). No entanto, sempre achei que faltava qualquer coisa. Um índio, um polícia, um motoqueiro, um cowboy, um militar, um operário da construção civil... Um grupo inquestionavelmente completo e harmonioso mas, na minha cabeça, longe da perfeição... Faltava-lhes uma pequena coisa para serem o tecto da Capela Sistina do disco sound. E ontem eu descobri... Depois de saber que Jorg Haider era o Sugar Daddy do seu delfim no BZOe (partido de extrema-direita austríaco do qual Haider era líder) eu descobri o que é que faltava nos Village People: um elemento das SS.

A história de Haider é enternecedora. E não, não estou a falar daquela parte em que ele se despistou a 140 km/h. Estou a falar do romance proibido do qual foi protagonista, uma espécie de Romeu e Julieta ou, nesta caso, Romeu e Júlio, passado no mais improvável dos cenários: os meandros da extrema-direita aústriaca.

Melhor mesmo era se Haider, em vez de ter mantido um romance com Stefen Petzner, tivesse mantido um romance com Francisco Louçã. Aí é que o nível de carga dramática do caso upa upa (deixo esta dica ao La Féria para o seu próximo musical... E de graça... Estou disposto a não ganhar nada com ela só para ter oportunidade de assistir a este inusitado musical...).

Mas não se pode ter tudo e, felizmente, a vida não é um musical do La Féria. Quando muito é uma novela da TVI, dada a quantidade de Paulos Pires com que me tenho cruzado ultimamente na rua: é o Paulo Pires brasileiro, o Paulo Pires inglês, o Paulo Pires sabichão, o Paulo Pires pedinte, o Paulo Pires cowboy, o Paulo Pires índio, o Paulo Pires veterano do Ultramar, o Paulo Pires modelo e actor...

No outro dia sonhei com uma pequena aldeia em que todos os habitantes eram Paulos Pires, todos iguais mas cada um com as suas características próprias. Comunicavam num idioma próprio em que todos os substantivos e verbos eram a palavra "Paulo Pires" ("- Ó Paulo Pires Sabichão, paulopira na esponja e anda paulopirar-me o carro!" "- Paulopira um bocado, Paulo Pires Tuning, agora estou a paulopirar um paulopivro policial..."). Tinham ainda um arqui-inimigo que os ia importunar de vez em quando. Arqui-inimigo esse que tinha um gato, cujo alimento preferido era Paulo Pires... Acho que já chega, já devem ter chegado lá. Isto é a aldeia dos estrumpfes (que esta semana fizeram 50 anos) só que em vez de estrumpfes, é habitada por Paulos Pires... Acho que a partir de agora vou escrever este blog em paulopirês. Enfim, outra grande ideia para um musical do La Féria...

E depois desta divagação, que tem lugar assegurado no Top 10 das divagações mais estúpidas em blogs com a palavra corta-unhas no nome, volto ao tema inicial: o romance de Jorg Haider. Este caso, para além de comprovar a minha teoria de que o pessoal de extrema-direita é apenas um grupo de pessoas fofinhas que quer apenas fazer o amor uns com os outros permite-nos fazer uma reflexão nunca antes feita sobre os grupos neonazis.

Primeiro, Haider, confesso admirador de Hitler, ter-se-ia tornado num prisioneiro de Auschwitz se tivesse o azar de ter feito as brincadeiras que fez em 1940. Já dizia o Hitler: "pior do que ser judeu é ser um líder de um partido de extrema-direita que pratica o coito com o seu número 2... Mesmo que esse número 2 seja tão ou mais jeitoso do que o Joseph Goebells... E eu bem sei aquilo que me tenho que esforçar para resistir aos encantos daqueles peitorais e daqueles braços semi-musculados... nem com muito músculo, nem com pouco... nem muito rijos, nem muito flácidos... mesmo no ponto... Com excepção daquele dia na sala de bilhar e daquele fim-de-semana prolongado no chalé das montanhas de Berchtesgaden nunca mais se passou nada...".

Segundo, permite-nos imaginar o que vai na cabeça de um tipo de extrema-direita, o que, até aqui, era impossível dada a profundidade das suas brilhantes mentes... Imaginem um comício:

Discurso de Haider: Os valores da família para aqui... A segurança dos austríacos para acolá... E os imigrantes não sei quê, não sei que mais...

Pensamento de Haider: Hmmm... aquele rapazinho ali da primeira fila é bem jeitoso... E aquele ar conservador... São os piores... Será que ele aceitará ir tomar um copo comigo amanhã? Sheisse! Amanhã não posso, já combinei ir fazer sauna com aquele imigrante ilegal argentino... Não passa de hoje, vou convidá-lo para vir comigo à biblioteca fumar um charuto e ler o Mein Kampf... de joelhos... Ai! Que maluca!

Permite-nos também, tirar conclusões acerca da maneira como se sobe nos partidos de extrema-direita. Até hoje sempre achei que os critérios que levavam alguém a progredir nestas organizações eram a média do número de pauladas em Africanos por noite, o estilo saudação romana, o brilho da cabeça, a originalidade das tatuagens... Critérios justos, objectivos e bem enquadrados na filosofia destes grupos... Mas afinal os únicos paus envolvidos neste processo não são usados para bater em africanos.

E com esta piada finalizo esta paulopiresca reflexão. Não vos maço mais com estilos de vida alternativos... A sociedade está a evoluir mas ainda não está preparada para lidar com estas questões... Um homossexual de extrema direita... O que virá a seguir? Um político inteligente? Uma feminista dona de casa? Uma freira a praticar parkour?

P.S. Só queria deixar um pedido de desculpas ao meu pai, que lê este blog... A minha figura paterna não é o Carlos Castro. Era só uma piada...

P. P. S. Depois de ter usado uma imagem de Haider em tronco nu ou de um indíviduo muito parecido com Haider em tronco nu num post acho que já fiz tudo o que havia para fazer na blogosfera...

sábado, 20 de setembro de 2008

Saddam, Ahmadinejad, Kim Jong Ill e... Zapatero

A relutância de McCain em adimitir um possível encontro com Zapatero fez-me pensar na possibilidade de a nossa querida e bela Península Ibérica pode vir a ser alvo da atenção mundial como um local onde se passeia livremente pelos corredores do poder, um maníaco de um calibre de um Kim Jong Ill ou de um Ahmadinejad ou então que McCain não faz a mínima ideia de quem é Zapatero.

Obviamente que me inclino mais para a segunda hipótese, no entanto não deixa de ser curioso este avôzinho continuar a acusar Obama de inexperiência, incapacidade para lidar com crises e ignorância ao nível de política internacional...

Gostava que perguntassem a McCain se ele seria capaz de se encontrar com José Sócrates...

PS: Aproveito para dizer que isto do blog estar branco não é engano. Nunca tinha lido os meus posts no blog até o ter experimentado ontem e, de facto, aquele fundo preto e aquela formatação de texto era completamente atrofiante. Sei que vou perder aqueles visitantes que aqui vinham por causa do espectacular fundo preto, mas conto compensar isso com um aumento do número de visitantes que realmente vêm ler o que escrevo.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Salazar / Diogo Morgado



Li na visão que Diogo Morgado foi escolhido para fazer o papel de Salazar na mini-série/filme “A Vida Privada de Salazar”. Isto dito assim não quer dizer nada. OK! Já era altura de, também nós, vendermos o nosso ditadorzeco e, na opinião de muitos, o maior português de todos os tempos. Os alemães fizeram-no de maneira soberba em “A Queda” e os americanos na pessoa de Oliver Stone estão prestes a fazê-lo através do filme “W”. Já era altura de nós, portugueses, fazermos algo do género. Mas pensando em Diogo Morgado o que é que nos vem à cabeça? É um modelo, que ganhou notoriedade aos 22 anos quando fez de uma espécie de Lolita masculina de 15 que se apaixonava por Ana Padrão, que recentemente tem entrado nos Malucos do Riso… Pensamos em muita coisa, menos em Salazar…

Quando me falaram sobre esta série sobre Salazar, pensei sempre em algo que nos passasse a imagem decrépita de um merceeiro, que o destino colocou à frente de um país, que nunca saiu de Portugal, que tinha uma relação erótica dúbia com uma governanta, possivelmente para disfarçar a sua homossexualidade, que nunca trocou de botas… Imaginava uma série um pouco menos interessante do que uma série de documentários sobre a reprodução de moluscos bivalves… No entanto, eis que tudo muda… O Diogo Morgado vai fazer de Salazar? Veio-me logo à cabeça uma série tipo “Morangos com Açúcar” (da qual sou grande fã), cheia de glamour, que transforma o tiranozito num galã, uma espécie de Johnny Depp, mas mais cool, com uma governanta igual à Soraia Chaves e que vai tomar uns copos com o seu amigo e confidente Cardeal Cerejeira (interpretado por aquele miúdo que fazia de Rodas nos Morangos com Açúcar), onde falam de gajas, de doenças venéreas, de “amandar” umas bombas paraa Guiné, da última freira que o Cerejeira engravidou e da voz de velha de Salazar que, indiscutivelmente, lhe permite engatar imensas gajas…

Isto foi a minha primeira ideia… No entanto acho que a meia dúzia de intelectuais de direita e de figuras do clero que se insurge contra este tipo de coisas no nosso país iria insurgir-se ainda mais e, como todos sabemos, ninguém quer que eles se insurjam, porque se eles se insurgem vão-se embora e depois quem é que nós vamos gozar? Por isso acho que a escolha de um actor bonito para o papel de Salazar (um homem que em termos de beleza está entre o escaravelho e o jacaré) representa uma grande oportunidade de recriar o verdadeiro e incompreendido herói português. Um pouco à imagem de Vasco da Gama n’”Os Lusíadas”. Um herói que as crianças vão querer seguir e acerca do qual os intelectuais de direita vão ter sonhos húmidos.

Imagino um Salazar a enfrentar a sua grande némesis Álvaro Cunhal (interpretado pelo tipo que faz de Tonecas) numa luta corpo a corpo, da qual sai vencedor inquestionável, livrando o país da terrível ameaça vermelha que, qual destino cruel, irá regressar (“Hás-de voltar a ouvir falar de mim” dirá o Álvaro Cunhal/Luís Aleluia humilhado pela derrota, em jeito de despedida como qualquer vilão da banda-desenhada) e Salazar, qual herói piedoso, poupa-o a uma morte cruel, ignorando que estará assim a encaminhar Portugal para esse fatídico e inevitável destino: o 25 de Abril. Tal como todas as grandes tragédias, também a história da nossa nação está constantemente sob uma ameaça que a impede de seguir o grandioso caminho que a espera, no tempo de Salazar era o Comunismo, hoje é o défice…

Imagino as juras de amor impossível entre Salazar/Diogo Morgado e a sua bela governanta (Soraia Chaves), que recusando-se a pôr a sua felicidade pessoal à frente do bem comum e do destino do nosso império, faz o derradeiro sacrifício de um herói, que abdica do amor terreno em prol da glória universal. Sem abdicar de a ter ao seu lado como sua governanta (alguém tinha que tratar das peúgas do nosso ditador, não? Salvar o Mundo não é compatível com este tipo de tarefas mundanas…) e de umas tórridas noites de amor, para captar um público mais ávido por esse tipo de cenas (apesar da sua áurea de imortalidade, o nosso herói não deixa de ser um Homem como todos nós… e ter a Soraia Chaves ali ao lado e não fazer nada… enfim… vocês sabem…).

Imagino um sábio Almirante Américo Thomaz (interpretado por Camilo de Oliveira ou por Guilherme Leite) a acalmar um inquieto Salazar perante a ameaça do facínora General Humberto Delgado (interpretado por Luciana Abreu) que promete retirar o império português da sua rota gloriosa em direcção à glória Mundial. “Nós venceremos esse patife” dirá Américo Thomaz, “o povo está connosco!”. Permitindo a todos os portugueses conhecer a verdade por detrás dessa eleição: “Sim, nós tivemos umas eleições tão democráticas como as inglesas… e ganhámos!” dirá um Diogo Morgado/Salazar emocionado com a vitória ao som de uma música do Vangelis.

Imagino um herói irascível e incompreendido que, perante as atrocidades cometidas pelos terroristas das frentes de libertação das colónias, resolve libertar o povo ultramarino dessa ameaça, em prol de um império português unido, forte e maior do que a Europa.

Imagino um Salazar embevecido e emocionado numa parada da Mocidade Portuguesa perante o auspicioso futuro de uma grande nação, enquanto pega ao colo numa criança que lhe oferece uma flor e lhe agradece por tudo o que fez por ela, metáfora de um país inocente, puro e leal que reconhece o seu grandioso líder como a única pessoa capaz de fazer cumprir o destino que ele merece.

Imagino, no final, um mesquinho e desprezível Spínola (interpretado por um inspirado José Raposo) a sabotar a fatídica cadeira de Salazar, qual calcanhar de Aquiles, deitando por terra os portentosos desígnios de uma grande nação, daí para a frente entregue à escumalha sem valores que tantas vezes o nosso herói derrotou. A única maneira de parar os grandes heróis é a traição e as suas mortes inglórias são apenas o reflexo da evidência da sua invencibilidade.

Paulo Portas, Jaime Nogueira Pinto e Mário Machado ficariam muito orgulhosos deste relato da vida do nosso ditador de meia tigela. Afinal, se este vai ser interpretado por um galã, também a sua história merece mais glamour do que a sua história verdadeira, a de um velho decrépito, homossexual latente, com aspirações a merceeiro... Além disso, se optarem por este caminho, terei muito que escrever no blog, o que tem sido muito difícil…