sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Vamos odiar um bocadinho...


Ontem, ao abrir a revista Sábado, fiquei estupefacto. É que, precisamente no momento em que estava a abrir a revista um corcunda dirigiu-se a mim e, com a maior das educações, diz-me:

- Meu caro amigo, pediram-me para lhe informar que, ao contrário daquilo que julgava, as idiossincrasias características de cada um de nós não são mais do que uma maneira paradoxal de, através da diferença, nos tornarmos ainda mais semelhantes.

- Pois claro, meu cavalheiro. - acedi eu antes de lhe dar um valente pontapé naquela zona que está entre a coluna vertebral e a omoplata direita que, diga-se de passagem, é extremamente difícil de identificar num marreco. É assim que eu costumo tratar os deficientes físicos que me abordam na rua com comentários sem sentido. Algo normal no meu dia-a-dia mas que não deixa de me causar uma certa estupefacção. Por mais que tente não me consigo habituar.

Continuei a actividade que estava a desempenhar no momento em que fui abordado pelo corcunda e acabei de abrir a revista Sábado. E li uma frase ainda mais imbecil do que aquela que havia sido proferida pelo já referido transeunte com um problemazito nas costas. A frase era de Margarida Rebelo Pinto o que, só por si, nos permite antever algo de realmente estúpido. No entanto não poderia deixar de partilhar convosco o nobre pensamento desta ilustre criadora de calços para móveis.

Vocês podem dizer que eu estou a ser demasiado severo com a senhora, que não é assim que se tratam as pessoas especiais e que, apesar de tudo ela tem contribuído muito para a felicidade de muita gente, nomeadamente de pessoas cujo mobiliário necessite de calços. Eu concordo e, em situações normais, limitar-me-ia a ir visitá-la ao jardim zoológico, como faço todos os anos no 3.º domingo de Fevereiro. No entanto, uma pessoa que me faz uma declaração de ódio do calibre que ela me fez só merece ser tratada assim. Acabaram-se os amendoins, Margarida!

Ela disse, então, o seguinte:

"Sou snobe e elitista. É endémico, instintivo e mais forte do que eu. Detesto aquelas pessoas que dizem "vermelho" e "bom apetite". Sou snobe, não queque. Também não sou dondoca. Escrevo todos os dias das 8h às 12h"

Não percebi exactamente o que ela quis dizer com isto e não faço a mínima ideia do que é "dondoca" nem o que é que isso tem a ver com o facto de ela ter um extenuante dia de trabalho de 4 horas. Aquilo que eu retirei desta brilhante citação é que ela detesta pessoas que dizem "vermelho" e "bom apetite". E aí, Margarida, pisaste o risco. Lamento dizer-te mas meteste-te com as pessoas erradas. Somos muitos, os que temos esse incómodo e subversivo hábito de usar a palavra "vermelho" e a expressão "bom apetite" e sei que falo por todos quando digo: "estás bem tramada!". Já sabia que incomodávamos muita gente com esta atitude mas não merecíamos esta declaração de guerra. Principalmente da pessoa que inventou esse "Ser poeta é ser mais alto" da literatura para tias: a expressão "cabelinho à foda-se" (pior do que uma pessoa que tenha cabelinho à foda-se, só mesmo a expressão "cabelinho à foda-se").

Quando alguém me pergunta, para testar a minha cultura benfiquista, qual é a cor do Benfica eu respondo com orgulho e convicção: "Vermelho!". Normalmente, a única reacção que obtenho quando digo isto é um "Muito bem, acertaste" ou, no programa de televisão certo, 10.000 €. Só que se tivesse esta ousadia à frente da Margarida Rebelo Pinto era muito provável que levasse com um salto agulha no topo da cabeça e um balázio no meio dos olhos.

Apesar de não usar muito a expressão "Bom apetite!", já que habitualmente desejo que as pessoas tenham uma crise de refluxo gástrico depois das refeições, estou solidário com esta malta. Já me disseram muitas vezes "bom apetite", nomeadamente em restaurantes e, com excepção daquele indivíduo que me desejou bom apetite com cara de quem parecia que me estava a desejar uma bela diarreia, nunca reagi mal. Antes pelo contrário... No entanto, que nenhum destes pobres seres se atreva sequer a lançar semelhante impropério à Margarida Rebelo Pinto... Nem quero imaginar a cena... Saltos agulha a perfurar olhos e foie gras no ar... E isto é só um preliminar...

Margarida, podes não concordar, mas também somos seres humanos. Não, nem todos temos vidas tão interessantes como as personagens que retratas nos teus livros. Eu, por exemplo, por mais que tente, e Deus sabe que tenho tentado, nunca hei-de ser uma divorciada. Não, nem todos passamos nas nossas vidas por episódios tão espectaculares que mereçam ser plagiados de uns livros para os outros. Mas, unidos, lutaremos contra esse flagelo que tu personificas. Por mais que nos tentem impedir diremos sempre "vermelho", até ficares "vermelha de raiva". Desejaremos sempre "bom apetite" nem que, para isso, tenhamos que escrever um livro intitulado "bom apetite", que, ainda assim, será um título bem melhor do que "Sei lá" ou "Português Suave" (porque não SG Ventil, Margarida? O catarro é o mesmo...). É óbvio que não provocará situações hilárias como aquelas que pretendeste egendrar quando chamaste ao teu livro "Sei lá". Esta situação...

- Como é que se chama o teu livro, Zé?
- Ensaio Sobre a Cegueira.

...nunca será tão hilariante como esta situação:

- Como é que se chama o teu livro, Margarida?
- Sei lá.

- A sério, como é que se chama o teu livro?

- Sei lá.

- Lá estás tu com as tuas coisas. Como se não bastasse passares o dia a babar-te à janela e a insultar os transeuntes... Vai mas é trabalhar!

Um tanto ou quanto infantil mas hilariante...

Pois, Margarida, cuidado com as guerras que crias... Nem imaginas aquilo que uma pessoa que diz "vermelho" é capaz de fazer...

Umas horas mais tarde olhei para a capa da Visão e percebi a frase da Margarida Rebelo Pinto. O tema da reportagem era "Sobreviver a um AVC". E quem estava na capa? A pobre Margarida, que teve um AVC aos 41 anos... Deve ter deixado sequelas...

P. S. Agora a sério, eu nunca li a Paula Bobone e não percebo mesmo qual é o mal de dizer "vermelho" ou "bom apetite"... Serão o "caralho" ou o "foda-se" da nova geração? Alguém me explica?

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sobre a homossexualidade na extrema-direita e algumas premissas para musicais de La Féria...





Quando olhava para os Village People achava sempre que faltava lá qualquer coisa. E muitas vezes olhei para eles, caros amigos... Quer como artistas, quer como exemplos para a vida... O índio dos Village People foi, desde cedo, o meu role model e é a minha segunda figura paterna (a primeira é, obviamente, o Carlos Castro). No entanto, sempre achei que faltava qualquer coisa. Um índio, um polícia, um motoqueiro, um cowboy, um militar, um operário da construção civil... Um grupo inquestionavelmente completo e harmonioso mas, na minha cabeça, longe da perfeição... Faltava-lhes uma pequena coisa para serem o tecto da Capela Sistina do disco sound. E ontem eu descobri... Depois de saber que Jorg Haider era o Sugar Daddy do seu delfim no BZOe (partido de extrema-direita austríaco do qual Haider era líder) eu descobri o que é que faltava nos Village People: um elemento das SS.

A história de Haider é enternecedora. E não, não estou a falar daquela parte em que ele se despistou a 140 km/h. Estou a falar do romance proibido do qual foi protagonista, uma espécie de Romeu e Julieta ou, nesta caso, Romeu e Júlio, passado no mais improvável dos cenários: os meandros da extrema-direita aústriaca.

Melhor mesmo era se Haider, em vez de ter mantido um romance com Stefen Petzner, tivesse mantido um romance com Francisco Louçã. Aí é que o nível de carga dramática do caso upa upa (deixo esta dica ao La Féria para o seu próximo musical... E de graça... Estou disposto a não ganhar nada com ela só para ter oportunidade de assistir a este inusitado musical...).

Mas não se pode ter tudo e, felizmente, a vida não é um musical do La Féria. Quando muito é uma novela da TVI, dada a quantidade de Paulos Pires com que me tenho cruzado ultimamente na rua: é o Paulo Pires brasileiro, o Paulo Pires inglês, o Paulo Pires sabichão, o Paulo Pires pedinte, o Paulo Pires cowboy, o Paulo Pires índio, o Paulo Pires veterano do Ultramar, o Paulo Pires modelo e actor...

No outro dia sonhei com uma pequena aldeia em que todos os habitantes eram Paulos Pires, todos iguais mas cada um com as suas características próprias. Comunicavam num idioma próprio em que todos os substantivos e verbos eram a palavra "Paulo Pires" ("- Ó Paulo Pires Sabichão, paulopira na esponja e anda paulopirar-me o carro!" "- Paulopira um bocado, Paulo Pires Tuning, agora estou a paulopirar um paulopivro policial..."). Tinham ainda um arqui-inimigo que os ia importunar de vez em quando. Arqui-inimigo esse que tinha um gato, cujo alimento preferido era Paulo Pires... Acho que já chega, já devem ter chegado lá. Isto é a aldeia dos estrumpfes (que esta semana fizeram 50 anos) só que em vez de estrumpfes, é habitada por Paulos Pires... Acho que a partir de agora vou escrever este blog em paulopirês. Enfim, outra grande ideia para um musical do La Féria...

E depois desta divagação, que tem lugar assegurado no Top 10 das divagações mais estúpidas em blogs com a palavra corta-unhas no nome, volto ao tema inicial: o romance de Jorg Haider. Este caso, para além de comprovar a minha teoria de que o pessoal de extrema-direita é apenas um grupo de pessoas fofinhas que quer apenas fazer o amor uns com os outros permite-nos fazer uma reflexão nunca antes feita sobre os grupos neonazis.

Primeiro, Haider, confesso admirador de Hitler, ter-se-ia tornado num prisioneiro de Auschwitz se tivesse o azar de ter feito as brincadeiras que fez em 1940. Já dizia o Hitler: "pior do que ser judeu é ser um líder de um partido de extrema-direita que pratica o coito com o seu número 2... Mesmo que esse número 2 seja tão ou mais jeitoso do que o Joseph Goebells... E eu bem sei aquilo que me tenho que esforçar para resistir aos encantos daqueles peitorais e daqueles braços semi-musculados... nem com muito músculo, nem com pouco... nem muito rijos, nem muito flácidos... mesmo no ponto... Com excepção daquele dia na sala de bilhar e daquele fim-de-semana prolongado no chalé das montanhas de Berchtesgaden nunca mais se passou nada...".

Segundo, permite-nos imaginar o que vai na cabeça de um tipo de extrema-direita, o que, até aqui, era impossível dada a profundidade das suas brilhantes mentes... Imaginem um comício:

Discurso de Haider: Os valores da família para aqui... A segurança dos austríacos para acolá... E os imigrantes não sei quê, não sei que mais...

Pensamento de Haider: Hmmm... aquele rapazinho ali da primeira fila é bem jeitoso... E aquele ar conservador... São os piores... Será que ele aceitará ir tomar um copo comigo amanhã? Sheisse! Amanhã não posso, já combinei ir fazer sauna com aquele imigrante ilegal argentino... Não passa de hoje, vou convidá-lo para vir comigo à biblioteca fumar um charuto e ler o Mein Kampf... de joelhos... Ai! Que maluca!

Permite-nos também, tirar conclusões acerca da maneira como se sobe nos partidos de extrema-direita. Até hoje sempre achei que os critérios que levavam alguém a progredir nestas organizações eram a média do número de pauladas em Africanos por noite, o estilo saudação romana, o brilho da cabeça, a originalidade das tatuagens... Critérios justos, objectivos e bem enquadrados na filosofia destes grupos... Mas afinal os únicos paus envolvidos neste processo não são usados para bater em africanos.

E com esta piada finalizo esta paulopiresca reflexão. Não vos maço mais com estilos de vida alternativos... A sociedade está a evoluir mas ainda não está preparada para lidar com estas questões... Um homossexual de extrema direita... O que virá a seguir? Um político inteligente? Uma feminista dona de casa? Uma freira a praticar parkour?

P.S. Só queria deixar um pedido de desculpas ao meu pai, que lê este blog... A minha figura paterna não é o Carlos Castro. Era só uma piada...

P. P. S. Depois de ter usado uma imagem de Haider em tronco nu ou de um indíviduo muito parecido com Haider em tronco nu num post acho que já fiz tudo o que havia para fazer na blogosfera...

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Contribuinte feliz

Não podia ter começado a trabalhar em melhor altura. É uma óptima sensação sentir que tenho um papel activo no desenvolvimento da nossa sociedade, contribuindo, através do meu trabalho e do pagamento dos meus impostos, para a competitividade do nosso país e, principalmente, para a criação de melhores condições para aqueles que precisam. É por isso que digo que não podia ter começado a trabalhar em melhor altura do que esta que estamos a atravessar. É que agora eu sinto que o dinheiro dos meus impostos vai para quem realmente precisa.

Não sei se vocês, que também trabalham, sentem o mesmo. Mas o êxtase que sinto é tão grande que não cabe dentro de mim. O que leva a que transborde de vez em quando, fazendo-me soltar uns gritos histéricos em alturas não muito apropriadas (como no outro dia em que estava a assistir, empolgado, a uma partida de xadrez), ou levando-me a sentir uma vontade incontrolável de pegar numa cesta e ir apanhar fambroesas. E este êxtase que me atingiu que nem um raio tem um motivo muito claro, como já disse. Saber que o dinheiro dos meus impostos está a ser utilizado em prol da mais nobre das causas: emendar a cagada que os capitalistas andaram a fazer.

Eu tenho um fraco por banqueiros. Nada de homoerótico, nem nada que se pareça (embora ache o Jardim Gonçalves um homem bastante charmoso. E o Champalimaud? Aquilo é que era um homem!). É uma coisa paternal. Acho mesmo fofinho quando eles pegam em dinheiro e emprestam a pessoas que sabem que não o vão pagar. E depois, quando pegam no dinheiro que sabem que não vão receber e o emprestam a outras pessoas que também não vão pagar. Que doçura! E digam lá se também não ficam embevecidos quando os fofinhos dos capitalistas pegam nesse dinheiro inexistente e respectivos juros e o vendem a outros capitalistas igualmente fofinhos que, por sua vez, vão emprestar a quem não lhes vai pagar. Digam lá se isto não é mesmo cutxi-cutxi?

É como aqueles miúdos de 6 anos que nos espatifam o carro. Eles sabem que fizeram asneira e nós não podemos deixar de os recriminar. No entanto, ficamos sempre enternecidos e acabamos sempre por pensar: "este puto é mesmo levado da breca. Ainda vai longe". É por isso que me dá tanto prazer contribuir para ajudar os banqueiros. Eu sei que o que eles fizeram está errado. Vamos ser severos? Sim, senhor! Mas vamos condená-los? Claro que não! Eles não pensam. Devemos castigar o cãozinho que fez cocó no meio da sala? Claro que sim, tem que ser educado para não o repetir. Devemos condená-lo? Claro que não! É a sua natureza. É um animal irracional, que não distingue o bem do mal, o certo do errado, que reage por impulsos.
Com os capitalistas é exactamente a mesma coisa. Alguém que confie plenamente num sistema económico liberal completamente auto-regulado pensa? Eu diria que não... É uma ideia tão absurda que não poderia ter sido pensada por um ser racional. É por isso que é com todo o gosto que contribuo para limpar o seu cocó.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Quem quer vender a alma?


Os reality shows já não são novidade nenhuma, assim como também não é novidade que a Teresa Guilherme seja a figura de proa da introdução de todo o lixo em Portugal (não só o televisivo... acho que 1/3 de todos os resíduos tóxicos, sólidos e líquidos, existentes em Portugal é produzido por ela). Por muito baixo que desçamos, eis que surge a Teresa Guilherme para nos provar que para a baixeza não há limite. Enquanto tivermos a Teresa Guilherme podemos sempre acreditar que pior é sempre possível. Quando ela surgiu com o Big Brother todos achávamos que não há nada mais baixo do que nos deixarmos filmar durante 24 horas por dia e, com isso, expormos a nossa vida e a nossa família para podermos usufruir de uns míseros, fortuitos e decadentes 15 minutos de fama. Minutos esses que nos podem abrir muitas portas como as portas do hospital psiquiátrico ou as portas da prisão. Quando achávamos que o Big Brother era a degradação de todos os valores da nossa sociedade eis que surge a Teresa Guilherme para nos provar que o Big Brother é uma simples festinha na cabeça quando comparado com o pontapé no escroto que estamos prestes a levar.

O "Momento da verdade" apanhou os portugueses de surpresa. Principalmente os clientes daquele merceeiro que admitiu que os roubava e a sua mulher, que jamais pensaria que iria expor a violência doméstica de que é vítima em directo na TV.

Confesso que fiquei extremamente revoltado. Ver alguém a admitir na televisão que bate na mulher é degradante... Se há algo que não se deve expor é a violência doméstica. É algo para ser usufruído no conforto e na privacidade do lar e para ser disfarçado com óculos de sol e falsos sorrisos… Admitir publicamente a violência doméstica é um atentado a uma das mais enraizadas e fortes tradições do nosso país. A violência doméstica é uma instituição. Uma instituição só equiparável ao próprio casamento. Tão equiparável quanto, na maior parte das vezes, indissociável. Creio que é à violência doméstica que os opositores do casamento de pessoas do mesmo sexo se referem quando dizem que a legalização do mesmo vem prejudicar a "instituição" casamento. De facto, violência doméstica entre pessoas do mesmo sexo não tem assim tanta piada. Um dos pontos fortes que os defensores desta referem e que deixa de existir nos casos do casamento entre pessoas do mesmo sexo é aquela questão da subjugação do mais fraco pelo mais forte. Como uma encenação da selecção natural de Darwin debaixo do nosso tecto. Pôr duas pessoas do mesmo sexo à porrada iria ser como uma rixa num bar ou uma briga de miúdas.

É por isso que oferecer dinheiro ao tradicional homem português para ele admitir que bate na mulher é descer muito baixo. E obrigá-lo a admitir isto depois de ter assumir que por 250.000 € era capaz de ter uma relação homossexual é ainda mais baixo. É um paradoxo. Então um homem tão machão, tão tipicamente português, que seduz as mulheres dos amigos, que aldraba os clientes e que anda com rolos de dinheiro no bolso era capaz de ter uma relação homossexual? É destruir um mito, destruir um mito essencial para a nossa identidade como portugueses. Nestes tempos de crise, em que estamos a milhas de distância de outros países da Europa, põem o típico português a admitir que era capaz de se prostituir com outro homem? Nestes tempos em que a única coisa a que nos podemos agarrar para sentir alguma esperança no nosso futuro e para melhorarmos a nossa auto-estima em relação aos maricas dos nossos parceiros europeus é a convicção de que, apesar de estarmos na merda, somos uns machões, vêm dizer-nos que isso é um mito? Vêem dizer-nos que só batemos na mulher porque somos uns frustrados que queríamos era ser pagos para estar com homens? Vêm dizer-nos que temos a nossa sexualidade reprimida por uma sociedade conservadora e com os seus valores distorcidos? Vêm dizer-nos que somos tão cobardes e submissos no dia-a-dia que temos que descarregar em quem é, supostamente, mais fraco?

Por favor, não destruam esse mito!

P.S. Agora um bocadinho mais a sério... É assustador haver uma empresa que pague dinheiro a alguém para revelar todos os seus sórdidos segredos... É assustador alguém revelar os seus sórdidos segredos para ganhar meia dúzia de tostões... É assustador alguém acreditar que isso vai dar audiências... É assustador isso ter audiências...
Não quero ser moralista, nem tão pouco defender a censura. Acredito plenamente na liberdade de expressão. No entanto, sinto arrepios só de pensar no conceito do Momento da Verdade. Sinto arrepios quando vejo alguém disposto a tudo para ganhar dinheiro. Senti arrepios quando me disseram que alguém foi à televisão admitir que tinha sexo desprotegido com dezenas de mulheres à frente da mulher que supostamente ama e de quem tem uma filha (Um homem que tem tantos tomates que até se dispõe a dizer isso na televisão não tinha tomates para ter sido honesto com a mulher antes de ter destruído a sua vida? ). Senti arrepios quando vi um homem a admitir que batia na mulher. Porque é que não pegam no dinheiro que dariam a um homem que admite em público que bate na mulher (como que a premiar a sua honestidade/brutalidade) e financiam a luta contra este abominável crime? Não sei se é só de mim mas custa-me muito ver alguém ganhar dinheiro por admitir que bate na mulher. Numa situação normal esse indivíduo deveria ser condenado, não recompensado...
Nunca vi nada tão decadente como isto e acho incrível ver as pessoas a aceitarem tão passiva e pacificamente este programa. Longe de mim pensar que se pudessem organizar protestos ou revoluções, mas contava, pelo menos, que o boicotassem.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Cavaleiro em final de demanda

E como faço anos amanhã (dia 26 de Setembro) posso permitir-me a umas lamechices sem me sentir tão culpado e envergonhado como da última vez que coloquei este post on-line. É a minha prenda para todas as pessoas que aqui refiro e que me acompanharam ao longo destes últimos 5 anos na Faculdade...

O texto começava assim:


Pois é, vou de férias. Não é como as férias que tenho tido até agora, fechado em casa a trabalhar. Vou mesmo de férias. As minhas últimas férias como estudante... É por isso que, envolvido nesta melancolia, deixo o meu post mais pessoal, acompanhado de um vídeo, que ilustra, de certo modo e por alguns motivos, a minha passagem pela faculdade. Foi feito quando ainda estava no primeiro ano, no âmbito de um trabalho para a cadeira de Epistemologia. Este vídeo marca então o início de um ciclo que agora está a acabar.

Apesar de parecer, depois deste primeiro parágrafo, que este não é um post humorístico, ou seja fora do espírito que tenho vindo a imprimir neste blog, é capaz de ser o post com mais piada que já escrevi. É uma história real, um episódio inesquecível por ter sido uma das situações em que me senti mais envergonhado na vida.

Passo então a contar a história. Foi-nos pedido que fizéssemos um trabalho sobre Thomas Kuhn e sobre a teoria das revoluções paradigmáticas. Muito basicamente, Kuhn defendia que a ciência evoluia através de revoluções que marcavam a passagem de uns paradigmas para outros, o que faz com que um paradigma actual seja, pela sua inadequação, completamente incompatível com o paradigma actual.

O meu grupo (constituído pela Carmen, pelo Freddy, pela Sara e pela Inês) reuniu-se e teve uma série de ideias com o objectivo de tornar este trabalho o mais criativo possível, já que a Professora nos dava liberdade para isso. Por exemplo, todo o trabalho seria apresentado por uma voz off que seria uma invocação de Kuhn por parte de uma vidente, que o interrogava e o fazia explanar as suas ideias. O Thomas Kuhn seria um fantasma com muito mau feitio e uma grande queda para as graçolas. Mais uma ideia aqui, outra ideia acolá e acabei por sugerir algo extremamente disparatado, absurdo e completamente fora daquilo que deve ser um trabalho do Ensino Superior:

- E que tal um de nós ir vestido de cavaleiro da Idade Média para a Estação de S. Bento? Para provar a ideia de que os paradigmas antigos estão desenquadrados relativamente aos paradigmas actuais... Tipo, hoje em dia ninguém anda vestido de cavaleiro da Idade Média... A não ser que seja maluco...

Esperava com esta ideia, obter algumas gargalhadas acompanhadas de um "És mesmo maluco! Achas que iriamos fazer isso?". No entanto acabei por receber gargalhadas acompanhadas de um "És mesmo maluco! Isso é mesmo boa ideia! Podíamos fazer isso!".

E eu, por orgulho, em vez de dizer: "Estava a gozar! Acham que alguém seria capaz de passar por tanta humilhação?", concordei que era uma boa ideia. E, para corresponder às expectativas dos meus amigos que me achavam maluco, acabei por me oferecer para ir para a Estação de S. Bento vestido de Cavaleiro da Idade Média. Nada de mais!

Fomos comprar toda a indumentária (armas medievais, barbas postiças e assim), até que chegou o grande dia em que eu, completamente sóbrio, decidi ir para a Estação de S. Bento vestido de Cavaleiro Medieval.

Chegámos os quatro à estação e eu e o Freddy fomos até à casa-de-banho preparar as coisas. Entrámos os dois num daqueles cubículos da casa-de-banho em que se paga 50 cêntimos, com o objectivo de conseguir alguma privacidade.

Estava eu quase vestido de Cavaleiro Medieval quando arrombam a porta da casa-de-banho e entra por lá dentro um Segurança com um Rottweiller.

- O que é que vocês estão a fazer aí? - gritou a besta (o Segurança, não o cão, esse limitou-se a rosnar ameaçadoramente).

- Ahhh... estávamos a fazer um trabalho para a escola! - disse o Freddy, numa casa-de-banho da estação à beira de um tipo vestido de cavaleiro medieval, algo que pode ser normal em Amesterdão mas que, no Porto é, no mínimo, esquisito.

- Mas vocês são malucos! - "Sempre a mesma coisa... Vêm para aqui praticar a sodomia e não chamam aqui o chefe... Ai é assim? Então não há sodomia para ninguém!" pensou a besta. - Só pode ficar uma pessoa na casa-de-banho! - acrescentou ele.

- OK!

Obviamente que saiu o Freddy, munido com a câmara para esperar por mim. Não se livrou dos olhares de todos os indíviduos que enchiam os urinóis da casa-de-banho, àquela hora de ponta. Olhares que pareciam dizer: "Olha um gajo que estava na casa-de-banho com outro gajo!".

Passado pouco tempo saí eu. Os indivíduos que tinham olhado ameaçadoramente para o Freddy voltaram a sua atenção para mim: "Estes Cavaleiros Medievais são sempre a mesma coisa... Não passam sem a boa e velha sodomia", pensaram eles.

Depois de sair da casa-de-banho veio o pior: estava o Freddy à minha espera com uma câmara. E o que é que ele filmou? Um tipo vestido de Cavaleiro Andante, com umas longas barbas ruivas, montado no seu cavalinho de pau...

Circulei um pouco pela estação, interagi um pouco com a Inês que estava à minha espera (parte da nossa encenação, visto que o vídeo iria ser narrado depois). E voltei para a casa-de-banho para me voltar a mudar. Os meus colegas ficaram lá fora a regozijarem com o sucesso do trabalho e, claro, a gozarem comigo.

Cheguei à casa-de-banho e reparei que não tinha moedas de 50 cêntimos. Fiquei cerca de 2 minutos ao alto numa casa-de-banho bastante movimentada à espera que se lembrassem de mim. Neste período, que me pareceram cerca de duas horas e 40 minutos, várias pessoas entraram e saíram na casa-de-banho e viram a minha triste figura pensando com os seus botões: "É do álcool ou está um tipo vestido de cavaleiro medieval na casa-de-banho?" ou "Que paradigma tão desenquadrado do paradigma vigente! Thomas Kuhn haveria de achar piada à representação simbólica da pertinência da sua teoria!". Fiquei assim até uma alma caridosa ter ido avisar os meus amigos que eu estava à sua espera na casa-de-banho.

E foi esta a história deste vídeo e deste trabalho!

Uma história marcante do meu percurso académico e, claro, do meu percurso de vida. Passado tanto tempo (cerca de 4 anos) aquilo que me orgulha mais é ter continuado a ser grande amigo do pessoal do meu grupo: a Carmen, o Freddy, a Inês e a Sara.

E, neste momento em que a saga deste cavaleiro está a chegar ao fim há imensas recordações que gostaria de acrescentar a esta. Se esta história marca o início de um percurso que está a chegar ao fim, muito se passou pelo meio... E foi nesse meio que passei grandes momentos da minha vida! Foi nesse meio que conheci algumas das pessoas mais importantes da minha vida! Foi nesse meio que cresci e que me transformei na pessoa que sou hoje!

Não podia esquecer a grande amizade que sinto pelo Tiago e pela Luana (a dupla maravilha) e as nossas tentativas para mudar o Mundo através da AE (juntamente com outras pessoas como o Freddy, a Raquel, a Andreia, a PT, a Catarina, a Tânia (a Pres), a Andreia, a G., o Daniel(o Tesoureiro)... entre muitos outros...). Não mudámos o Mundo mas pelo menos eu saí de lá com a crença de que, com pessoas assim, era possível fazê-lo. O inter rail que fizemos juntos em que conheci grande parte da Europa e que foi uma experiência tão marcante que não morrerei sem voltar a fazer outro (neste caso tenho que te agradecer, Andreia... Pois,.. como se lesses isto...). As casas que partilhámos: tanto a mansão da Areosa (grande demais para nós, para o Xupi e para todos os ácaros, animais invertebrados, baratas crocodilos e cabeças de gado com que a partilhávamos), como a casa de Paranhos (ao pé da do Ministro das Finanças que tantas ideias nos roubou, como aquela do IVA a 20%...). A nossa incapacidade para lidar com situações formais (quando todos estavam de fato e gravata, estávamos nós de mochila e de sapatilhas... como qualquer estudante...). Os fins-de-semana em Moura Morta (em que outro sítio seria eu tão bem recebido?). As aventuras culinárias (no final até aprendeste alguma coisa... eu continuo especialista em idas ao restaurante...). E poderia dizer tanto sobre a nossa amizade e sobre o que passámos juntos que quanto mais disser, mais ficará por dizer, por isso não me alongo, apenas acrescento que valeu a pena ter ido parar à FPCEUP só para vos ter conhecido! Ah! Não me posso esquecer que as únicas vezes que fui ver o Benfica foi com o Tiago... É muito significativo!

Tenho que refeir também a maltini: Daniel, Puss, Freddy, Sara, Inês, Bob, Pinky e Carmen (uma amizade que em boa hora renasceu, tinha que dizer isto!). Nada teria sido o mesmo sem vocês. Poderia enumerar todos os jantares, festas e viagens... Não o vou fazer... É um orgulho ser amigo de pessoas como vocês. Ter a certeza que posso contar com a vossa amizade permite-me olhar para o futuro de uma maneira muito mais optimista! Tudo o que dissesse para além disto soaria banal...

Não está de acordo com o meu feitio abrir-me desta maneira, num espaço tão acessível (aquelas três pessoas que vêm parar aqui acidentalmente através da pesquisa "como cortar as unhas?", "Diogo morgado+salazar" ou "como é possível fazer tanto mal às pessoas?") mas neste momento, apesar de não ter a certeza se vou publicar isto ou não, sinto que é inevitável escrever o que estou a escrever... As recordações surgem em catadupa conheci tanta gente, fiz tanta coisa, agora que está a chegar ao fim gostava de fazer justiça a tudo isso... Sei que é impossível, Mas porque não experimentar? Tudo o que vivi merece esse esforço...

Lembro-me das festas, dos jantares, das conversas até altas horas, dos trabalhos... Lembro-me de um amor falhado, da melancolia de um corta-unhas sem unhas para cortar (que estúpida metáfora), da estupidez de alguém que desperdiça o amor de alguém tão espectacular como eu (perdoem-me a presunção... mas é verdade... um bocadinho de marketing também não faz mal a ninguém...)... Lembro-me de pessoas que ficarão no meu coração para sempre: a PT, o Joshua, a minha Madrinha, o Xupi, a Catarina, a G, a Li, a Tânia, a Raquel, a Lipa... Sei que estou a ser tremendamente injusto com muita gente só pelo simples facto de não os referir. Espero que me perdoem! Não me consigo lembrar de tudo!

Lembro-me da praxe, esse pequeno laboratório de comportamento humano, e de tudo o que aprendi com ela, nomeadamente que o fundamentalismo aliado a uma grande dose de conformismo/carneirismo pode estar na origem de muitos males da humanidade. Incentivou-me de facto a questionar ainda mais e a revoltar-me ainda mais com as injustiças! O lado bom de algo mau...

Lembro-me de uma nostálgica e frenética viagem de finalistas a Lanzarote! Até consegui conhecer o José Saramago! E na sua própria casa (um grande feito de um simples mortal que, por momentos, cheirou o Olimpo. E posso dizer-vos que cheirava a livros!).

Lembro-me de uma Assembleia Geral em que depois de questionarem os nossos princípios e tudo aquilo em que acreditamos assisti ao nascimento de um grande líder na pessoa do Tiago e a um discurso emocionado só ao alcance de uma pessoa de um tão grande humanismo como o Freddy. Como um simples mortal, fiquei calado a assistir ao salvamento da minha honra por estas duas grandes pessoas!

Lembro-me da malta do bar e das ofertas desinteressadas do Sr. Zé que receberia sempre com algum incómodo.... Lembro-me também da Claúdia da AE, do Ricardo, do Prof. Carlos Gonçalves e de todas essas caras que fazem a Faculdade e com quem aprendi tanto...

Foram tantos momentos, tantas caras, tantas recordações... Com este texto consegui quebrar todas as regras que tinha estabelecido para este blog como por exemplo: nada de lamechices e nada de assuntos pessoais... Enfim, senti uma vontade incontrolável de escrever isto, provavelmente arrepender-me-ei, mas está feito! Espero que os meus amigos leiam isto, já que é sobretudo para eles...

E pronto, depois de assegurar que este testemunho fica para a posteridade nesta grande lixeira que é a blogosfera, vou para o Alentejo! Até breve!




P. S. O vídeo só por si não tem grande piada... Apesar disso tenho um certo receio que este vídeo se torne um viral... Por um lado trazia-me muitas visitas ao blog, por outro lado podia conseguir tornar-me tão famoso como aquele miúdo que fazia o truque do Star Wars... Ou seja, só tinha a perder... Ao menos estou irreconhecível no vídeo... Porquê esta música? Apeteceu-me...

domingo, 21 de setembro de 2008

A música (?) de João Pedro Pais


Uma música do artista João Pedro Pais foi escolhida para tema da nova novela da TVI. Esperava mais de João Pedro Pais visto que uma pessoa que estudou na Casa Pia, o que o levou a frequentar os círculos mais restritos da alta sociedade, tem o dever de ambicionar algo mais do que fazer música para telenovelas.

Mas temos que fazer pela vida e há que dar um desconto ao João Pedro visto que, neste momento, a sua idade já não o permite frequentar os ambientes privilegiados a que estava habituado nos tempos da Casa Pia.

De qualquer maneira não podia passar indiferente ao regresso deste hino não sabe bem a quê de João Pedro Pais que a TVI resolveu reciclar, intitulado “Mais que uma vez”.
Admiro muito o processo criativo de João Pedro Pais. Partindo do exemplo da música “Mais que uma vez”, este parece consistir basicamente em fazer uma lista de palavras e juntá-las de uma maneira completamente aleatória. É então este Jackson Pollock da música ligeira portuguesa que homenageio aqui, transcrevendo e comentando a letra da sua música “Mais que uma vez”.

Mais que uma vez - João Pedro Pais


Da próxima vez, vou estar atento à tua fisgada
Encruzilhar-me na tua bancada
Ficar num canto e não me mexer.


João Pedro Pais entra em grande nesta música garantindo que vai estar atento à “tua fisgada”. Não se percebe bem a quem é que ele se está a referir. Será que ele se está a referir à nossa fisgada ou à fisgada de outra pessoa qualquer a quem ele dirige a música? Se se está a dirigir a mim não tenho nenhuma fisgada e, muito menos uma bancada onde ele se possa encruzilhar. O que é também um grande conceito, esse de alguém se encruzilhar numa bancada… Quanto a “ficares num canto e não te mexeres”, é o melhor que tens a fazer JP (posso chamar-te JP, não posso?). É a única maneira que tens de te protegeres de alguém que não goste assim tanto que estejas atento à sua fisgada… Há pessoas que não reagem muito bem a esse tipo de ameaças. Experimenta dizer isso a alguém em Nápoles...

Mais uma vez, vou seguir todos os teus caminhos
Fugir fingindo que me vês sorrindo

P'ra te fitar quando eu puder

Confesso que não percebo bem esta estrofe. Depois de nos garantir que estará atento à nossa fisgada, oferece-se para nos perseguir, para fugir enquanto finge que nós o vemos sorrindo e para nos fitar quando puder. É algo demasiado abstracto para conseguir ser percebido… É algo que nem um esquizofrénico paranóide usando um colete de forças diria… Mas dito com uma guitarra na mão e com aquela vozinha de anjo do JP até parece algo romântico… Agora que penso nisso, acho que não parece... Ao menos o colete de forças contextualizaria um pouco esta frase... Dito com uma guitarra na mão parece bem mais maluco...

Quero ser, personagem de banda desenhada
Onde me assumo numa cena errada
E em que todos me vão descobrir

Não sei exactamente que personagem de banda desenhada é que o JP quer ser… Ao que parece é uma personagem que estaria a precisar de sair do armário… O Incrível Hulk? O Tintim? O Lucky Luke? O Batman? Agora que penso nisso talvez seja o Robin, o companheiro do Batman… É o único que me estou a lembrar que poderia ter algo a assumir… Escusado será dizer que não encontro ligação às estrofes anteriores… Parece que no meio daquela maluqueira toda o João Pedro se lembrou que queria ser uma personagem de banda desenhada... Era bem pior se este se lembrasse que seria boa ideia ir passear para o shopping montado num elefante... Ao menos, o querer ser personagem de banda desenhada até pode ter o seu lado positivo, pode ser que ele se lembre de pôr uma capa aos ombros e se atire de um prédio ou que tente parar uma locomotiva com as mãos... Essas coisas que as personagens de banda desenhada costumam fazer...

Quero ficar um pouco mais dentro do teu casulo
Faço de conta, que sou teu e tu és meu assunto
Onde me entrego e tu te dás a conhecer

Depois de se encruzilhar na nossa bancada, ou na bancada de outra pessoa qualquer a quem João Pedro Pais se dirige, pessoa essa que, neste momento, deve estar bastante assustada e a quem eu aconselharia a pedir uma ordem de restrição ao tribunal, João Pedro Pais diz quer “ficar um pouco mais dentro do teu casulo”. Isto leva-nos a pensar que, se calhar, João Pedro Pais está a dirigir-se a um bicho da seda… É isso! Agora tudo faz mais sentido… Podemos dizer o que quisermos a um bicho da seda que a única coisa que ele vai fazer é construir o seu casulo, comer folhas de amoreira, fazer cocó, transformar-se numa borboleta, pôr ovos e morrer… Acho que a única maneira de esta música de João Pedro Pais fazer sentido é dirigida a um bicho da seda… É que este está-se a cagar para aquilo que o João Pedro Pais está a cantar, assim como o próprio João Pedro Pais… Acho que é uma teoria bastante plausível…

Que ninguém vá, onde vou
Nunca estás, onde estou
Que ninguém fale, de quem falou

Nunca digas quem eu sou

Este é o refrão mais espectacular da música pop portuguesa desde o “Soltem os prisioneiros” dos Delfins. Se para o refrão dos Delfins a nossa reacção era:
- Mas quê? Os pedófilos também, Miguel Ângelo? E os traficantes de droga? Então e queres que solte também o serial killer de Santa Comba Dão? OK, é na boa, todos menos o Vale e Azevedo…
Para o refrão desta música de João Pedro Pais a nossa reacção é:
- What the fuck?
João Pedro Pais começa por ordenar que ninguém vá para onde ele vai, deixando um certo secretismo a pairar no ar. A que sítios é que ele se estará a referir? Provavelmente a um sítio especial, onde ele goste de estar sozinho, para reflectir e pensar na vida e em bichos da seda… Ou então a um sítio especial da sua infância… Talvez a casa de Elvas… Não sabemos… A única coisa que sabemos é que ele não quer partilhar esse sítio com ninguém… Novamente em jeito de ordem, João Pedro Pais exige “que ninguém fale de quem falou”. Eu espero que obedeçam mesmo à ordem dele, já que se há mensagem que esta música passa é que o seu autor é menino para nos mandar uma machadada na cabeça caso não lhe obedeçamos… No entanto, não percebo a quem ele se refere, logo não há maneira nenhuma de evitar falar de quem falou… Na dúvida é melhor não falar em ninguém à beira de João Pedro Pais… Aquela ameaça final “nunca digas quem eu sou” podia muito bem ser rematada com algo do género:
- Nunca digas quem eu sou… senão eu enfio-te uma granada na boca…
Ou então:
- Nunca digas quem eu sou… ou eu amarro-te a uma cama de espinhos e obrigo-te a ouvir as minhas músicas durante o resto da tua vida…
Este JP consegue mesmo convencer-nos a obedecê-lo. Depois desta ameaça jamais direi quem ele é… jamais direi que o João Pedro Pais é um músico medíocre, um praticante de luta greco-romana razoável e, possivelmente, um esquizofrénico paranóide… Ooops!

Da próxima vez vou querer toda a tua atenção
Vou esperar que me estendas a mão
E que me deixes cair a seguir.

Nesta quadra JP descreve-nos aquilo que para ele é obter a atenção de uma pessoa. Para João Pedro Pais, o máximo que ele pode esperar de alguém que lhe dedica toda a sua atenção é que ela lhe estenda a mão e o deixe cair a seguir… Terá sido o que o Sr. Embaixador fez quando o, outrora pequeno, João Pedro fez 14 anos?

Mais que uma vez puseste à prova o teu sexto sentido
Depois dás o dito por não dito
Como eu gostava de te compreender...

Que raio de pessoa é esta a quem João Pedro Pais se dirige? Uma pessoa que por mais do que uma vez põe à prova o seu sexto sentido e, como se não bastasse, ainda dá o dito por não dito? Shame on you! Isso não se faz… Das duas uma ou pomos à prova o sexto sentido ou assumimos o que dizemos, mas fazer isto ao rapaz? Depois não admira que ele fique assim… Será que por andar a ouvir João Pedro Pais estou a ficar como ele? Em termos de coerência, este último parágrafo quase que pode equiparar-se a algo que ele diria.

Quero ser, a solução do teu problema
Participando nesse mesmo esquema
Que só tu sabes entender

Eu aqui a dizer mal do JP mas o rapaz afinar só quer resolver o problema da pessoa a quem dirige a música… Se, como tenho vindo a assumir, a pessoa a quem ele dirige a música somos nós ouvintes, eu aproveito para dizer ao João Pedro Pais que grande parte dos meus problemas estariam resolvidos se ganhasse o Euromilhões ou se ele deixasse de cantar… Se queres mesmo participar neste esquema, faz isso, que o meu problema fica resolvido… Atenção, a minha vida não é tão desinteressante que o meu maior problema seja a música do João Pedro Pais. A questão é que eu ponho-me a pensar em que é que o ele poderia contribuir para resolver os meus problemas e, de facto, a única coisa que me vem à cabeça é ele deixar de cantar… Mas não faço assim tanta questão… Só estava a ser bem educado perante tanta solicitude da parte dele em resolver os meus problemas…

Queria ter, só um pouco desse teu talento
Tiro as vogais e ponho os acentos
Estou preparado p'ro que der e vier

João Pedro, não sei a que talento te referes... Se é comigo que estás a falar não me lembro assim de grandes talentos… Eu sou muito forte a beber finos de penalty, a imitar chimpanzés e, quando era miúdo, jogava relativamente bem ao berlinde… Se te estás a referir a alguém mesmo talentoso acho que é a coisa mais inteligente que disseste nesta música. De facto, reconheceres a tua falta de talento demonstra uma grande humildade e honestidade. Reconhecer é o mais difícil, só te falta mesmo dar o passo seguinte: deixar a música. Estou contigo nessa luta! Desejo-te toda a força para conseguires concluir esse desafio profissional com sucesso!
Gostei bastante do verso que ele meteu ali no meio para rimar com talento: “tiro as vogais e ponho os acentos”. Fantástico! É a única coisa que posso dizer! Não consigo imaginar verso mais estúpido acabado em “entos” ou "ento"… Posso dar alguns exemplos:
“Fecho os olhos e conto até quinhentos”
“Fico à espera de termos muitos rebentos” “Corto o cabelo como o Paulo Bento”
“Encho um balão que depois rebento”
De qualquer maneira, nada do que eu possa inventar chega aos calcanhares de “tiro as vogais e ponho os acentos”…

sábado, 20 de setembro de 2008

Saddam, Ahmadinejad, Kim Jong Ill e... Zapatero

A relutância de McCain em adimitir um possível encontro com Zapatero fez-me pensar na possibilidade de a nossa querida e bela Península Ibérica pode vir a ser alvo da atenção mundial como um local onde se passeia livremente pelos corredores do poder, um maníaco de um calibre de um Kim Jong Ill ou de um Ahmadinejad ou então que McCain não faz a mínima ideia de quem é Zapatero.

Obviamente que me inclino mais para a segunda hipótese, no entanto não deixa de ser curioso este avôzinho continuar a acusar Obama de inexperiência, incapacidade para lidar com crises e ignorância ao nível de política internacional...

Gostava que perguntassem a McCain se ele seria capaz de se encontrar com José Sócrates...

PS: Aproveito para dizer que isto do blog estar branco não é engano. Nunca tinha lido os meus posts no blog até o ter experimentado ontem e, de facto, aquele fundo preto e aquela formatação de texto era completamente atrofiante. Sei que vou perder aqueles visitantes que aqui vinham por causa do espectacular fundo preto, mas conto compensar isso com um aumento do número de visitantes que realmente vêm ler o que escrevo.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Guerra na Geórgia e Hollywood


Dizem que a invasão da Geórgia por parte da Rússia pode gerar uma situação de desequilíbrio no panorama político mundial. A questão essencial aqui é: o que é que isto quer dizer? Como declaração de interesses devo começar por afirmar que não sei! Antes que venham para aqui dizer que eu sou uma besta de um ignorante que devia levar uma bastonada meio dos dentes eu admito: sou uma besta de um ignorante que devia levar uma bastonada no meio dos dentes. É inadmissível que eu venha para aqui citar factos que desconheço e nunca saberei, explicar.

Saltando então esta parte e voltando à questão do desequilíbrio geopolítico que eu, lamentavelmente, não sei explicar, devo dizer que apesar desta imperdoável ignorância sei que é algo de bastante grave.

Enquanto estamos apreensivos, e com razão, com a vaga de crime e com o lançamento de um CD do José Castelo Branco não nos conseguimos aperceber do regresso dos fantasmas da Guerra Fria. O que, para os mais desatentos, pode ter enormes repercussões ao nível dos filmes de Hollywood.

Isto de os americanos se terem tornado amiguinhos dos russos é uma treta. Quem é que, como eu, não ansiava o regresso de Rambo àquilo que ele sabe fazer melhor? Ou seja, dar porrada aos comunistas. Nem que para isso tenha que se aliar aos freedom fighters do Afeganistão, os mujahedins, também conhecidos como talibans (nada mau para uma besta de um ignorante). Para os mais desatentos (sim, este texto é dedicado a vocês, a quem tudo passa ao lado, que não se aperceberiam do fim do Mundo nem que o Cavaco Silva se dirigisse a vossa casa todo nu e o anunciasse através de um número musical envolvendo leões e porquinhos da Índia e com tradução simultânea em linguagem gestual feita por um José Hermano Saraiva vestido de palhaço… "um dia normal em Sacavém" diriam vocês, seus distraídos...), no seu último filme, John Rambo rebentava o canastro às forças opressivas da Birmânia ou do Myanmar ou lá o que é.

Apesar de rebentar o canastro a quem quer que seja ser uma coisa boa, opor o Rambo a birmaneses é algo extremamente preocupante... É como querer parar um Boeing 747 com o corpo (o que é extremamente difícil, posso garantir-vos por experiência própria!). Ora vejamos, eu, que em termos de massa corporal sou 1/100 do Stallone sou capaz de desancar 50 birmaneses antes do pequeno-almoço.

Não há nada melhor do que poder voltar a ver o Rambo ou o Chuck Norris a lutar contra os comunistas. OK! Para aqueles que queriam mandar-me uma bastonada nos dentes pela minha ignorância eu digo-vos que já sei que a União Soviética acabou e sei que o comunismo na Rússia acabou em 1989 (ou terá sido ontem?), mas para um fã de filmes de acção, lutar contra russos é a mesma coisa do que lutar com comunistas! Quem gosta destes filmes percebe-me! Por isso, doravante, referir-me-ei aos russos como "comunistas", "demónio vermelho", "Seguidores do anticristo", "papa-crianças" ou "as hemorróidas do capitalismo". Um fã de filmes de acção não quer saber da dialéctica do materialismo, nem da opressão do povo pelo grande capital. Um fã de filmes de acção é uma pessoa de gostos simples que deseja apenas 3 coisas: porrada, bombas e cadáveres a amontoarem-se em pilhas cada vez maiores ao som de rajadas de metralhadora. As 3 coisas mais belas que a natureza tem para nos oferecer!

Já aqui referi a coligação entre o Rambo e os talibans contra o demónio comunista… Isto só quer dizer uma coisa: o facto de os russos terem voltado a ser os inimigos representa o fim da guerra contra o terrorismo (e o reinício de uma outra guerra bem mais interessante que pode levar, por exemplo, ao Holocausto nuclear, não é Sra. Palin?)! Se há coisa que os fundamentalistas islâmicos e os rednecks americanos têm em comum é que odeiam comunistas. Ou seja, em pouco tempo vamos ver Bush em amena cavaqueira com o Bin Laden, elogiando-se mutuamente e trocando discretos beijinhos na boca sem ninguém ver. No fundo, como há uns anitos atrás. Depois do 11 de Setembro esse relação esfriou um bocado (algo me diz que o relacionamento de Bin Laden com Ayman Al-Zawhahiri teve a ver com isso, pelo menos Bush e Osama deixaram de ir tantas vezes ao cinema, como quando o Bin Laden tinha uma relação aberta com George Bush Sr.). Agora limitam-se a trocar SMS's no Natal, nos anos um do outro ou quando a bebedeira de um deles os leva a reviver os momentos nostálgicos do passado (todas as sextas e quartas à noite). O ódio a esses comunistas ateus vai salvar-nos!

Eu sei que a União Soviética acabou e não sei quê… mas acham que o Bush sabe?

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Vagas de qualquer coisa


À falta de uma vaga de incêndios os jornalistas resolveram criar este ano uma “vaga de crime”. Desconheço qual será a “vaga” do próximo ano… Quem sabe uma “vaga de dinheiro” ou uma “vaga de gelado de baunilha e chocolate”? Ou então uma “vaga de vitórias do Benfica”? Desde que me lembro que peço uma vaga destas a Deus, ao Pai Natal, ao Génio da Lâmpada ou a quem quer que seja o responsável por ouvir os meus desejos, nomeadamente quando apago as velas do meu bolo de aniversário ou quando como a primeira passa na passagem de ano. As tristes evidências, e é escusado reflectir muito sobre elas, mostram que não tenho sido ouvido… Por outro lado nunca desejei uma vaga de incêndios ou uma vaga de crimes e ciclicamente elas acontecem… Será que se eu começar a desejá-las elas param? Vou experimentar. Acho que a minha próxima lista de desejos na Passagem de ano vai ser: supremacia do FCP no futebol português, uma vaga de crime na Primavera, uma vaga de incêndios no Verão, a derrota do Barack Obama (isto vou ter que desejar no meu aniversário porque na Passagem de Ano as eleições já aconteceram), o acentuar do aquecimento global, uma longa e próspera carreira musical para o André Sardet, três novos livros da Alexandra Solnado, não ganhar o primeiro prémio do Euromilhões e, se ainda tiver créditos, um acentuar da fome e dos conflitos a nível global… Desejava também uma caminha nova para o Marco Fortes que foi, para mim, o grande protagonista deste Verão! Este foi o meu momento Miss Universo, mas não é sobre isto que vou falar…


Acho piada a este conceito de vaga de crime. Como se, de repente, devido a qualquer estranho factor como o alinhamento de Vénus com Júpiter os criminosos que estão sentadinhos no seu sofá a ver as Tardes da Júlia, com as suas pantufas do Alf calçadas e o seu pijaminha da Hello Kitty vestido enquanto comem gomas em forma de ursinho (não sei porquê gosto de imaginar criminosos neste preparo) lembram-se e vão todos desatar a cometer crimes violentos… Não sei se é por causa das tardes da Júlia ou por causa do açúcar das gomas em forma de ursinho mas dá-lhes um flash que os leva a pousar o leitinho chocolatado, a pegar na caçadeira de canos cerrados e a correr desalmadamente para uma dependência bancária ou para uma bomba de gasolina… É assim que eu imagino uma vaga de crime.


Se num momento temos a percepção que vivemos num país que é um autêntico paraíso, sem criminalidade, sem pobreza, com boa comida, pessoas simpáticas e com uma medalha de ouro no triplo salto no momento seguinte, devido a estes devoradores de gomas, estamos em Chicago nos anos 30, em que a bala é a única lei. Serão estes vorazes comedores de gomas os responsáveis por atear incêndios nos anos anteriores? Serão eles os responsáveis pela vaga de pedofilia em 2003? Será que estes malandros são os responsáveis pela vaga do desaparecimento da Maddie do ano passado? Será que foram eles os responsáveis pela vaga de gaffes do Mário Lino? Que malandros…


E o que é engraçado nestas vagas é que elas não se sobrepõem… Enquanto há uma vaga de pedofilia não há vagas de incêndios ou quando há o desaparecimento de uma Maddie deixam de haver vagas de carjacking… Ou quando o Benfica despede um treinador deixam de haver vagas de pedofilia (a não ser que o Benfica tenha despedido o seu treinador por este ser pedófilo)… E nem falemos de uma vaga de computadores Magalhães, deixamos de ser um país de alcoólicos desempregados e ignorantes que batem na mulher para ser um dos países mais avançados na área da tecnologia.


Só porque a hora do telejornal é preenchida por notícias sobre a mesma temática (crime, pedofilia, computador Magalhães, etc.) não quer dizer que haja uma vaga do que quer que seja… Se os telejornais passassem uma hora a falar da cirrose do Sr. Armindo isto só queria dizer uma coisa: o Sr. Armindo tem cirrose. Não quer dizer que haja uma vaga de cirrose… É possível passar uma hora a falar sobre aquilo que quisermos… E são isto as vagas (excepção feita às vagas de incêndio… que têm as suas particularidades, se por um lado é mais fácil acontecerem no Verão e são um problema gravíssimo que merece a maior das atenções, por outro lado um dos motivos que levam a que sejam tão acentuadas é a atenção que lhes é dada durante a silly season, que faz com que muito boa gente comece a levar fósforos e bidões de gasolina para o mato para colocar a sua terrinha na televisão).


No que diz respeito à vaga de crime acho particular piada à reacção das pessoas. A típica reacção à tuga que, normalmente, tem solução para tudo, nomeadamente matar esses filhos da puta. É claro que esta solução tem nuances dependendo da vaga de que estamos a falar: a solução para a vaga de incêndios costuma ser “amarrar esses filhos da puta a uma árvore e deixá-los arder” e a solução para a vaga de pedofilia normalmente passa por “castrar os filhos da puta e metê-los na prisão para serem enrabados até morrerem”. Peço desculpa por estar constantemente a usar a expressão filhos da puta, mas é assim que nós, portugueses, gostamos de catalogar todos aqueles que matam, violam, ateiam incêndios, roubam, fogem aos impostos, não dão pisca antes das ultrapassagens ou apitam jogos de futebol (o que faz com que a percentagem da população portuguesa que está inserida na categoria “filhos da puta” seja cerca de 99,99% ou seja todos os portugueses menos eu e todos os que lêem este blog). Normalmente, depois de referir a atrocidade que faria ao filho da puta que cometeu a filha da putice que o afecta no momento, o português passa para o segundo nível da conversa: “isto no tempo do Salazar é que era bom, pelo menos não havia nada disto” ou “era preciso era um Salazar em cada esquina”. E é assim que os tugas resolvem os seus problemas, gostava de saber o que é que os portugueses fariam no tempo do Estado Novo aos filhos da puta que os exploravam, que os oprimiam e que os mandavam para a guerra… “Era metê-los no Campo de Ourique…” como dizia o outro…


A nossa sorte é que dizemos aquilo da boca para fora… Cão que ladra não morde e duvido que, na hora da verdade, fôssemos capazes de amarrar um incendiário a um pinheiro, regá-lo de gasolina: “Arde, filho da puta!”. Eu, pelo menos, não era capaz de o fazer e rogo tantas pragas aos incendiários como os demais. E, tal como eu, ninguém o faria, a não ser que tivesse graves distúrbios psicológicos. Só o dizemos porque sabemos que dificilmente estaremos em posição de fazer o que quer que seja em relação a esses filhos da puta


Mas há portugueses que estão nessa posição, nomeadamente os que estão governo. E aí é que está o problema… Não podendo queimar, esfolar ou empalar os filhos da puta responsáveis pelas atrocidades cometidas, os portugueses esperam de quem governe que faça isso por eles… E se a nossa sociedade evoluiu ao ponto de ser unânime que a tortura chinesa, o empalamento ou os autos de fé não são muito boa ideia, as soluções que os nossos políticos dão para a vaga de crime não são muito diferentes das propostas dadas nas tascas por esse país fora (a democracia no seu melhor)… Infelizmente para alguns políticos não é possível ressuscitar uns quantos Salazares para serem colocados em cada esquina, primeiro porque isso é muito Salazar e era capaz de ficar feio, segundo porque não é possível ressuscitá-lo… Acho mesmo piada ao conceito de colocar um Salazar em cada esquina… Se me dessem a hipótese de colocar o que quer que fosse em cada esquina não escolheria, obviamente, um Salazar… Talvez uma Scarlett Johanssen em cada esquina resolvesse muitos problemas…


Não podendo recorrer a estes métodos, as soluções que as mentes iluminadas que povoam o panorama político do nosso país apresentam para as vagas de crime passam pela severidade para com os criminosos, pelo aumento de Segurança, pelo armamento da polícia, pela contratação de mais polícias, pela mudança da lei, que é demasiado branda…


Tenho perfeita consciência que há muito a fazer nestas área, só que a minha escassa inteligência não me permite reflectir aprofundadamente sobre isso… Apesar das minhas óbvias limitações cognitivas, penso que os problemas são bem mais profundos do que parecem… Recuso-me a aceitar que o culpado pela vaga de criminalidade é um ministro que tomou posse há 3 anos, esta ideia parece-me tão estúpida quanto as pessoas que exigem a demissão do mesmo… Porque é que ninguém culpa os Ministros da Educação pelas vagas de crime? Porque é que ninguém fala do aumento do desemprego? Porque é que ninguém fala da percentagem enorme de população que vive abaixo do limiar da pobreza? Estes problemas são tão complexos que pensar que podem ser resolvidos através da contratação de meia dúzia de polícias é ridículo… Mas isto sou eu que não tenho a mente brilhante de um Luís Filipe Menezes ou de um Paulo Portas…Por isso é preciso relativizar um pouco o que eu digo. Eles devem saber o que estão a dizer, ao contrário de mim, que sou um bocado atrasado e não uso gravata…


E é isto… Tantos rodeios para uma ideia tão simples…


Para finalizar, vou falar sobre algo mais positivo… Não se pode dizer que seja positivo do tipo “Fogo! Isto é mesmo positivo!”, mas pronto, não é necessariamente negativo, está ali naquele meio termo… Pesquisem no youtube “Nelson Évora” e vejam o primeiro vídeo que aparece: a grandeza dos portugueses noutra perspectiva (dica da Inês).


E, já agora, espero que tenham tido umas boas férias! A ver pelas notícias, se não foram feitos reféns, se não foram vítimas de carjacking, se ninguém usou C-4 para assaltar o vosso carro blindado na auto-estrada, se não utilizaram a linha do Tui e se não foram à Quarteira tiveram umas excelentes férias!

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Hesitações e irritações

Onde está este texto anteriormente estava outro texto... Depois de dormir sobre o assunto decidi retirar esse outro texto... Pode ser que o volte a publicar, pode ser que não... Entretanto vou falar de uma coisa que me irrita muito: o último euro do depósito da gasolina. Por exemplo, vamos abastecer gasolina e predefinimos 20 euros. Tudo corre bem até chegar aos 19 euros, a partir dos 19 euros abranda, o que nos deixa numa expectativa estúpida: por um lado está quase, por outro lado está a demorar mais do que os outros 19 euros... é irritante!

Outra questão é quando estamos num grupo de 3 ou mais pessoas, dizemos alguma coisa e, ao não perceber o que dissemos, uma dessas pessoas, em vez de nos dizer "Não percebi. Importas-te de repetir?", vira-se para a outra pessoa "O que é que ele disse?", tipo tradutor.

Eu estou ali! Será que querem passar a mensagem de que aquilo que digo é tão imperceptível que já nem vale a pena pedir para repetir? Porque é que não chamam um especialista em línguas mortas? Falamos todos português, não é preciso tradução nenhuma! O que eu achava piada era se o "tradutor" lhe respondesse em coreano, aí sim estaria a traduzir e tornava a conversa mais interessante. Imaginemos o seguinte diálogo entre a pessoa A, B e C:

A: Aquela cena dos reféns foi mesmo chata...
B: O que é que ele disse? - para a pessoa C.
C: Disse que a cena dos reféns foi mesmo chata....
B: Ah! Diz-lhe que eu também concordo... E já que ele não nos percebe, não achas que aquela camisa cor-de-rosa não favorece nada a sua cor dos olhos.

Não sei se já passaram por isto. A mim já aconteceu algumas vezes e é o mais próximo que eu já me senti de um chimpanzé... Coitados dos bichos! Podem estar a querer dizer a coisa mais profunda sempre que, para nós, soará sempre a bichos... Deve ser revoltante para um chimpanzé estar a discorrer sobre semiótica e ouvir a resposta: "Olha que fofinho... Tão giro... Vamos vesti-lo como uma pessoa e ensiná-lo a separar o lixo! Ou então pômo-lo a jogar bilhar, tiramos uma foto e fazemos postais...".

Outra coisa que me irrita são as pessoas que levam bebés para a Loja do Cidadão por causa de um Decreto-Lei XPTO que lhes dá prioridade no atendimento. É que fico sempre com a sensação de que só levam os pobres bebés para passarem à frente dos outros: "Olha para mim, nem preciso de tirar senhas!". Porque é que não deixam os bebés em casa e os poupam àquele ambiente... Devia ser proibido levar para lá bebés, quanto mais premiar quem os leva! Por outro lado, parece-me uma óptima razão para ter filhos...

Irrita-me também o SMSês. Aquela mania de trocar s's por x's e o's por u's... A palavra "xoxinhu" tem exactamente os mesmos caracteres que palavra "sózinho". Não é nenhuma abreviatura, é apenas estúpido! Não lhes permite ganhar espaço nenhum nas mensagens! Qual é a diferença entre ctg e ktg? A merda do capa! Faz-me lembrar aquelas cantoras de música popular que trocam o nome Cátia (um nome já de si belíssimo) por Kátia. E porque não Carlos por Karlos? Ou Constantino por Konstantinu? Ao menos o Joakim sempre tem uma razão para o fazer, ganha um caracter... Vocês só ganham um nome mais parvo!

Não gosto nada de casamentos... "Ai, vai ser o dia mais feliz da minha vida!". E o que acaba por acontecer é, em pleno Agosto, ficarem duas horas de pé a tirar fotografias com pessoas que não conhecem, vestidos de uma maneira completamente inapropriada para Agosto (já nem falo da estética), enquanto um bando de glutões enche o bandulho às nossas custas (eu falo por mim, quando vou a casamentos como o equivalente à ração anual de um agregado familiar constituído por 4 pessoas do Guatemala)... Alguém tem que ser muito perturbado para considerar isto o dia mais feliz da sua vida... Só se for pelas prendas... Ainda assim, de quantos jarros de cristal precisamos nós para sermos completamente felizes? Por favor...

Irrita-me o eufemismo usado para descrever a brejeirice do pinto da costa: "fina ironia". Se aquilo é "fina ironia", como é que descrevemos o acto de escarrar para o chão? Como um requintado acto de cavalheirismo? A par da sua flatulência (ou devo dizer ruído corporal de fino recorte?) a sua fina ironia é algo com que este hábil e sagaz dirigente desportivo (ou devo dizer corrupto?) nos brinda mais frequentemente...

Irrita-me que o Presidente da República faça tão poucas comunicações ao país... Principalmente à hora da "Tertúlia cor-de-rosa". Interessa-me mais o estatuto jurídico da Região Autónoma dos Açores do que a vida amorosa do Cristiano Ronaldo. Por falar nisso, Cristiano, não sei se sabes mas elas só estão contigo pelo dinheiro. Espero não magoar os teus sentimentos, mas não é pela tua personalidade... Pronto, não chores... Apesar de tudo é melhor do que viver do Rendimento Mínimo...

Irrita-me o computador Magalhães pelo precedente que abre. Será que agora vamos passar a baptizar os nossos electrodomésticos com os nomes das nossas figuras históricas? Será que daqui a uns anos vamos ter, na nossa cozinha, o frigorífico Vasco da Gama, a máquina de lavar roupa Adamastor ou a torradeira Padeira de Aljubarrota?

Outra coisa que me dá cabo dos nervos é o horóscopo... Gostava mesmo de ler o horóscopo da semana da minha morte. Será que vai dizer que "grandes mudanças se avizinham" ou "prepare-se porque vai mudar de casa brevemente"? Duvido muito...

Detesto a televisão generalista que, de generalista, só tem o lixo que oferece. Porque é que se dão ao trabalho de pôr telejornais nos intervalos das novelas, dos talk shows duvidosos e dos concursos?

Odeio monarquia, nobreza e sangue azul... Só a consanguinidade justifica que alguém acredite que é superior a outras pessoas só por ter nascido na família x ou y.

Detesto os asteróides que, a qualquer momento, podem destruir o planeta Terra. Deixem-nos destruir o nosso Planeta à vontade! O espaço é tão grande vão "orbitar" para outro lado! Já não chega o que fizeram aos dinossauros?

Dão-me vómitos as sondagens do Correio da Manhã que hoje me perguntam se "a vitória no tribunal de Carla Baía sobre Isméria foi justa". Quem? O quê? Porque é que me estão a perguntar isto? Quais os efeitos da minha resposta? Se eu disser que não o juiz vai rever o veredicto?

Gosto um bocadinho do Vasco Pulido Valente... Não gosto nada! Acho-o detestável!

Enfim, tinha que escrever algo do género para compensar a lamechice pegada que postei aqui ontem e que acabei por retirar... Por uma questão de equilíbrio.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Eu quero Portugal em todo o lado!

O Senegal, as Ilhas Maurícias e a Guiné Equatorial, argumentando proximidade histórica e geográfica, pretendem juntar-se à CPLP. Embora ache estranho alguém querer juntar-se a um clube que gira em torno da Língua Portuguesa e tem como um dos seus principais feitos o Acordo Ortográfico não é sobre isso que vou falar. A candidatura do Senegal, das Ilhas Maurícias e da Guiné Equatorial deu-me uma ideia que poderia revolucionar Portugal. Partindo do princípio que estes países, onde se fala tanto português como em Vladivostok ou num estaleiro da construção civil em Ermesinde, podem entrar para a CPLP, acho que, com um bocadinho de jeito conseguíamos entrar na Commonwealth (não me importava de conduzir à esquerda ou de adoptar o sistema métrico...), na OPEP, no Conselho de Segurança da ONU ou tornarmo-nos no 51º estado dos Estados Unidos (já mandam em nós e mandam, qual era o mal de nos deixarem votar no Obama?).

Podiamos inscrever Portugal na Opus Dei, na Maçonaria, no Clube de fãs do Tony Carreira. ou como sócio do Benfica.. Seríamos uma espécie de oposto da Suíça e estaríamos nos clubes todos. E só vejo vantagens:

1) Acabávamos com o desemprego visto que, para assegurarmos a nossa participação nestes clubes todos teríamos que mobilizar população toda para isso:

- O que é que tu fazes?

- Eu? Eu sou o embaixador de Portugal no Clube Disney...

- Pois eu sou o representante de Portugal nos Alcoólicos Anónimos!

2) Deixava de haver crime visto que, se todos tivéssemos imunidade diplomática, estaríamos inimputáveis, logo os nossos crimes não contariam.

3) Deixavam de haver Portugueses em Portugal, visto que andaríamos todos, em diáspora, a tratar da nossa representação externa, o que é positivo visto que ainda ganhávamos uns trocos se vendêssemos isto aos Holandeses (que não tarda nada ficam sem país) ou aos Espanhóis.

4) Deixávamos de gastar dinheiro em casa, comida e carro visto que, como diplomatas, teríamos todos direito a residencia oficial, viatura oficial, a jantares e almoços em hotéis de 5 estrelas e, todos esses privilégios de que usufruem os diplomatas (como férias em paraísos tropicais durante todo o ano).

Só tínhamos a ganhar! Espero que este texto chegue ao Sócrates...

Ga(y)to *


Um indivíduo, chamado José Correia e conhecido como Zé Pistoleiro, mandou um tiro a uma vizinha. Uma história perfeitamente normal não fosse o Zé Pistoleiro estar a tentar acertar no seu vizinho homossexual, por achar que este teria tido contactos sexuais com o gato, tornando-o homossexual. É uma história preocupante, para não dizer alarmante e que nos faz questionar toda a nossa existência. Primeiro, como é que dão a alcunha de “Zé Pistoleiro” a um tipo destes? É como chamar Zé Macho ao José Castelo Branco, a Gostosona à Manuela Ferreira Leite ou Animal Vertebrado ao Valentim Loureiro. É de esperar que um tipo chamado Zé Pistoleiro acerte no homossexual que sodomizou o seu gato e não na vizinha, que não tem nada a ver com o assunto…


Segundo, revolta-me que esta história esteja a ser encarada pelos meios de comunicação social como ridícula e insólita. Acho que devíamos fazer justiça ao Zé Pistoleiro que, apesar de estar longe de ser um Lucky Luke, é um exemplo para todos nós. Este homem foi preso por defender a honra do seu gato, logo a sua honra: “Antes ser preso do que permitir que um homossexual toque no meu gato”. Fez, pelo gato, algo que muitos não fariam por um filho e isso é de elogiar. Isto para não falar no incómodo que seria, para um homem, peço desculpa, um Homem, do calibre do Zé Pistoleiro ter que levar com olhares lascivos e provocantes de um gato homossexual, que se bamboleia pela casa, cheio de plumas e lantejoulas e o observa no banho, enquanto solta uns estridentes: “Ai fiiiiilha, fico loooouca com esses peitoraiiiis!” (não que eu saiba que os homossexuais costumem dizer isto, foi o que um amigo de um amigo meu que já viu um homossexual me disse). Seria, como devem compreender, insuportável. Eu não aguentava, vocês aguentavam? Ainda para mais, quando é perfeitamente possível que, como Homem que é, o Zé Pistoleiro goste de beber uns copos… E como é que um Homem como Zé Pistoleiro consegue apanhar as suas bebedeiras à vontade quando sabe que tem, em casa, um homossexual à espreita para o tentar apanhar num momento de vulnerabilidade. Os homossexuais, tal como os gatos são matreiros (também foi o tal amigo de um amigo meu que me disse) e, este para além de homossexual é um gato, o que faz com que duplique o seu nível de matreiricidade.


É normal que Zé Pistoleiro defenda a honra do seu gato. Todos os homens querem ter um gato macho, com quem possam ir tomar uns copos e falar sobre gajas. Ninguém quer ter um gato que passe a vida a decorar-nos a casa, que seja especialista em cuisine française e que esteja sempre às compras com a mulher… Não há carteira que aguente… Zé Pistoleiro, estou contigo, mas inscreve-te em aulas de tiro!


* Repararam que ao colocar y entre parêntesis no meio da palavra Gato dei um duplo sentido à mesma? É um Gato, que é gay, logo "Ga(y)to"... Acho que podia ganhar a vida a fazer títulos para o 24 horas...

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Salazar / Diogo Morgado



Li na visão que Diogo Morgado foi escolhido para fazer o papel de Salazar na mini-série/filme “A Vida Privada de Salazar”. Isto dito assim não quer dizer nada. OK! Já era altura de, também nós, vendermos o nosso ditadorzeco e, na opinião de muitos, o maior português de todos os tempos. Os alemães fizeram-no de maneira soberba em “A Queda” e os americanos na pessoa de Oliver Stone estão prestes a fazê-lo através do filme “W”. Já era altura de nós, portugueses, fazermos algo do género. Mas pensando em Diogo Morgado o que é que nos vem à cabeça? É um modelo, que ganhou notoriedade aos 22 anos quando fez de uma espécie de Lolita masculina de 15 que se apaixonava por Ana Padrão, que recentemente tem entrado nos Malucos do Riso… Pensamos em muita coisa, menos em Salazar…

Quando me falaram sobre esta série sobre Salazar, pensei sempre em algo que nos passasse a imagem decrépita de um merceeiro, que o destino colocou à frente de um país, que nunca saiu de Portugal, que tinha uma relação erótica dúbia com uma governanta, possivelmente para disfarçar a sua homossexualidade, que nunca trocou de botas… Imaginava uma série um pouco menos interessante do que uma série de documentários sobre a reprodução de moluscos bivalves… No entanto, eis que tudo muda… O Diogo Morgado vai fazer de Salazar? Veio-me logo à cabeça uma série tipo “Morangos com Açúcar” (da qual sou grande fã), cheia de glamour, que transforma o tiranozito num galã, uma espécie de Johnny Depp, mas mais cool, com uma governanta igual à Soraia Chaves e que vai tomar uns copos com o seu amigo e confidente Cardeal Cerejeira (interpretado por aquele miúdo que fazia de Rodas nos Morangos com Açúcar), onde falam de gajas, de doenças venéreas, de “amandar” umas bombas paraa Guiné, da última freira que o Cerejeira engravidou e da voz de velha de Salazar que, indiscutivelmente, lhe permite engatar imensas gajas…

Isto foi a minha primeira ideia… No entanto acho que a meia dúzia de intelectuais de direita e de figuras do clero que se insurge contra este tipo de coisas no nosso país iria insurgir-se ainda mais e, como todos sabemos, ninguém quer que eles se insurjam, porque se eles se insurgem vão-se embora e depois quem é que nós vamos gozar? Por isso acho que a escolha de um actor bonito para o papel de Salazar (um homem que em termos de beleza está entre o escaravelho e o jacaré) representa uma grande oportunidade de recriar o verdadeiro e incompreendido herói português. Um pouco à imagem de Vasco da Gama n’”Os Lusíadas”. Um herói que as crianças vão querer seguir e acerca do qual os intelectuais de direita vão ter sonhos húmidos.

Imagino um Salazar a enfrentar a sua grande némesis Álvaro Cunhal (interpretado pelo tipo que faz de Tonecas) numa luta corpo a corpo, da qual sai vencedor inquestionável, livrando o país da terrível ameaça vermelha que, qual destino cruel, irá regressar (“Hás-de voltar a ouvir falar de mim” dirá o Álvaro Cunhal/Luís Aleluia humilhado pela derrota, em jeito de despedida como qualquer vilão da banda-desenhada) e Salazar, qual herói piedoso, poupa-o a uma morte cruel, ignorando que estará assim a encaminhar Portugal para esse fatídico e inevitável destino: o 25 de Abril. Tal como todas as grandes tragédias, também a história da nossa nação está constantemente sob uma ameaça que a impede de seguir o grandioso caminho que a espera, no tempo de Salazar era o Comunismo, hoje é o défice…

Imagino as juras de amor impossível entre Salazar/Diogo Morgado e a sua bela governanta (Soraia Chaves), que recusando-se a pôr a sua felicidade pessoal à frente do bem comum e do destino do nosso império, faz o derradeiro sacrifício de um herói, que abdica do amor terreno em prol da glória universal. Sem abdicar de a ter ao seu lado como sua governanta (alguém tinha que tratar das peúgas do nosso ditador, não? Salvar o Mundo não é compatível com este tipo de tarefas mundanas…) e de umas tórridas noites de amor, para captar um público mais ávido por esse tipo de cenas (apesar da sua áurea de imortalidade, o nosso herói não deixa de ser um Homem como todos nós… e ter a Soraia Chaves ali ao lado e não fazer nada… enfim… vocês sabem…).

Imagino um sábio Almirante Américo Thomaz (interpretado por Camilo de Oliveira ou por Guilherme Leite) a acalmar um inquieto Salazar perante a ameaça do facínora General Humberto Delgado (interpretado por Luciana Abreu) que promete retirar o império português da sua rota gloriosa em direcção à glória Mundial. “Nós venceremos esse patife” dirá Américo Thomaz, “o povo está connosco!”. Permitindo a todos os portugueses conhecer a verdade por detrás dessa eleição: “Sim, nós tivemos umas eleições tão democráticas como as inglesas… e ganhámos!” dirá um Diogo Morgado/Salazar emocionado com a vitória ao som de uma música do Vangelis.

Imagino um herói irascível e incompreendido que, perante as atrocidades cometidas pelos terroristas das frentes de libertação das colónias, resolve libertar o povo ultramarino dessa ameaça, em prol de um império português unido, forte e maior do que a Europa.

Imagino um Salazar embevecido e emocionado numa parada da Mocidade Portuguesa perante o auspicioso futuro de uma grande nação, enquanto pega ao colo numa criança que lhe oferece uma flor e lhe agradece por tudo o que fez por ela, metáfora de um país inocente, puro e leal que reconhece o seu grandioso líder como a única pessoa capaz de fazer cumprir o destino que ele merece.

Imagino, no final, um mesquinho e desprezível Spínola (interpretado por um inspirado José Raposo) a sabotar a fatídica cadeira de Salazar, qual calcanhar de Aquiles, deitando por terra os portentosos desígnios de uma grande nação, daí para a frente entregue à escumalha sem valores que tantas vezes o nosso herói derrotou. A única maneira de parar os grandes heróis é a traição e as suas mortes inglórias são apenas o reflexo da evidência da sua invencibilidade.

Paulo Portas, Jaime Nogueira Pinto e Mário Machado ficariam muito orgulhosos deste relato da vida do nosso ditador de meia tigela. Afinal, se este vai ser interpretado por um galã, também a sua história merece mais glamour do que a sua história verdadeira, a de um velho decrépito, homossexual latente, com aspirações a merceeiro... Além disso, se optarem por este caminho, terei muito que escrever no blog, o que tem sido muito difícil…

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Será que Hugo Chavez andou a ler este blog?

É que a sua Igreja Católica Reformada faz-me lembrar um certo post...
Hugo, se realmente tiraste esta ideia do blog, exijo-te, no mínimo, o cargo de Cardeal e uns quantos barris de petróleo... Isto de arranjar emprego está-me a dar a volta à cabeça de tal maneira que até a hipótese do clero está em cima da mesa... Pensando melhor, podes esquecer o cargo de Cardeal, não estou tão desesperado!

(Repararam como eu, subtilmente, reciclei um post antigo para compensar a falta de tempo para actualizar o blog?)

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Amy Waxhouse

(lá vou eu bater outra vez na Amy mas, como não tenho mais nada para escrever, tem que ser)

Amy Winehouse vai ter a sua estátua de cera no Madame Tussauds, em Londres... Podiam esperar mais um mês ou dois e, em vez de ter uma Amy Winehouse de cera, tinham a Amy Winehouse embalsamada...

(mais uma à la Carlos Borrego...)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Mugabe e os aspiradores


Mugabe é um tirano, Mugabe massacra o seu próprio povo, Mugabe é responsável pela situação económica desastrosa daquele que foi em tempos considerado o “celeiro de África”… Tudo isto são factos! Mas também é um facto que Mugabe sabe fazer uma campanha eleitoral eficiente.

A sua principal mensagem é simples, directa e eficiente: “Ou votas em mim ou morres!”.

Não imagino motivo mais convincente para se votar em alguém do que este. Acho que, perante isto, poucos são os que se arriscam não votar em Mugabe. É que, ainda por cima, o homem cumpre as suas promessas! Não é cá como os nossos políticos… Se o Sócrates me viesse com este argumento eu apenas respondia: “Pois, pois… tal como baixaste os impostos…”.

Imaginemos a seguinte conversa entre os responsáveis da campanha de Mugabe:

- Então que mensagem é que queremos passar?

- E que tal: “Vota Mugabe! Criaremos 150 000 novos empregos!”

- Ah! Ah! Com esse argumento só estaríamos a fazer o nosso líder passar por mentiroso… Nós queremos passar a imagem de que Mugabe é credível…

- Pois… E que tal se passássemos a mensagem de que vamos baixar a inflação? Não é difícil… Se baixássemos de 1.000.000 % para 999.999 % já estaríamos a fazer qualquer coisinha…

- Mas tu és maluco? Não vamos dar falsas esperanças às pessoas… Temos que lhes dar algo em que elas se possam acreditar, temos que lhes provocar emoções fortes, temos que lhes fazer sentir que têm obrigatoriamente que votar em Mugabe… Temos que criar o nosso próprio “Yes, we can!”…

- Pois… E que tal “Vota Mugabe! Mugabe não é canibal”?

- É uma boa ideia… Mas não vamos mentir às pessoas…

- Espera aí! Tive uma ideia! E que tal: “Vota Mugabe, senão morres!”. Não é impossível de cumprir, é uma mensagem simples e vai fazer-nos ganhar muitos votos… De facto, apelarmos ao instinto básico de sobrevivência das pessoas elas não têm outra hipótese… A vitória é garantida!

- Porreiro, pá!


De facto usar a morte para vender produtos é imbatível. Eu quero lá saber dos 150.000 empregos, eu quero é que me deixem viver!

O engraçado é que este tipo de tácticas também é aplicável no campo não político. A Nike podia fazer o anúncio mais espectacular do Mundo, se a Adidas nos dissesse que morríamos se não comprássemos os seus produtos não tínhamos hipótese…

Imaginem os seguintes slogans e vejam se não vos faziam ir correr para o supermercado:

“Se queres viver usa Pasta Medicinal Couto”

“Compra Bacalhau Pascoal ou levas um tiro nos cornos”

“Salsichas Nobre: se não as comeres… Morres!”

“Vodafone: se não usares os nossos telemóveis, bem que podes ir ver se apanhas rede debaixo da terra…”

“Se não quer que o seu bebé conheça o Criador antes de começar a andar, compre-lhe fraldas Dodot… Já!”

“Coca-cola: E se o menino quer continuar a viver, tem de beber este copo até ao fim… e vai acima e vai abaixo e vai ao centro…”

“Brise: Gostas de respirar, não gostas?”

“Mercedes: Ou compras um ou és atropelado por um, agora escolhe…”

“Óleo de fígado de bacalhau: Aqui o que interessa não é se gostas ou não, é se queres viver ou não…”

“Evax: Sentes-te viva, sentes-te bem!”

“Super Bock: Não beber Super Bock mata!”


Bem, acho que já estou a exagerar um bocado… Já devem ter percebido a ideia… Contudo a sua eficiência não é um dado adquirido. Não basta insinuar, há que cumprir. Para isto funcionar teria que haver uma forte ideia de uma morte iminente. Não é como o tabaco em que as pessoas lêem que o tabaco mata e ainda se dão ao luxo de continuar a fumar: “Olha para mim a fumar, não morro, pois não? Ah! Ah! Ah! Lá vai mais um prego para o meu caixão...”. Se houvesse um sniper escondido a alvejar todos aqueles que sacassem do seu cigarrinho queria ver se continuavam a fumar… Acabava-se com esse flagelo do tabagismo... Acho que a essência da campanha de Mugabe está aí… É que se não votas nele, podes morrer mesmo… O único problema é que se votares, é muito provável que também acabes por morrer…

Para finalizar, devo admitir que, há bem pouco tempo, usaram este argumento comigo. Passo a contar a estória. Veio um senhor cá a casa fazer uma demonstração de uns aspiradores XPTO. Sem qualquer compromisso, até lhe estávamos a fazer um favor ao deixá-lo fazer a sua apresentação… Para nós foi perfeito, para além de ajudarmos o homem, não conseguíamos imaginar um programa mais fascinante do que passar duas horas a ouvir falar de aspiradores…

Fiquei espantado com a capacidade do objecto. Era, de facto, fantástico e fiquei a saber que o local onde habito é pouco diferente de uma pocilga e, também, que partilho a cama com uma civilização de ácaros (é incrível, os bichos conseguiram-me levar para a cama e nem “Amo-te” disseram… Nem sequer uma prendinha, nem um jantar à luz das velas… Nada! Senti-me um bocado violado…) Isto para a minha mãe foi um grande choque, mas não é o suficiente para desembolsar 2500 euros num aspirador… Ok! Está sujo, mas nem sequer se vê… Não basta isso para nos fazerem estoirar 2500 euros… Foi o argumento final do homem que quase nos convenceu a hipotecar a casa (a nossa imunda habitação) para adquirir a tal engenhoca. É que o senhor, com toda a naturalidade de quem invade a casa de um estranho, depois de discorrer durante duas horas sobre as qualidades de um aspirador, fez questão de nos dizer que ao optarmos por não comprar o dito aspirador, estávamos a correr risco de vida. Íamos acabar por ser vítimas de homicídio dos nossos amiguinhos microscópicos (não lhes chega meterem-se na nossa cama e no nosso sofá contra a nossa vontade, ainda querem matar-nos). Esteve quase, quase, quase a convencer-nos… Se ele se tivesse feito acompanhar de um ácaro armado de metralhadora era muito provável que o tivesse conseguido…