terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

O país dos Doutores


Descobri algo em que nunca tinha reparado mas que me irrita um bocadinho. Pelo menos o suficiente para vir aqui escrever sobre isso. Pessoas que, quando estão a citar algo que alguém lhes disse, em discurso directo, dizem o seu próprio nome. Isso não vos irrita? Ah! Não perceberam... Então vou explicar melhor... Imaginem que alguém disse ao Rufino que era melhor ele aproveitar agora, que ainda lhe sobram alguns trocos, para ir comprar, finalmente, o busto de Napoleão para pôr em cima da lareira. Imaginem que o Rufino quer descrever esta conversa a outra pessoa qualquer... ao João António, por exemplo...

- Ele disse-me: "Ó Rufino, se calhar é melhor aproveitar agora, que ainda te sobram alguns trocos, para ir comprar, finalmente, o busto de Napoleão para pôr em cima da lareira", e foi o que eu fiz...

E o João António responde, por exemplo:

- Não pode ser, Rufino... Ele, a mim, disse-me: "Tem cuidado com o Rufino, João António... Vê se ele não estoura o dinheiro todo na porcaria do busto de Napoleão...".

Já é um bocado estúpido tentar recriar textualmente a conversa. Se não o vamos conseguir nem devemos tentar, é para isso que serve o discurso indirecto. Mas pôr a outra pessoa, que estamos a citar literalmente, a dizer o nosso próprio nome é completamente absurdo e irrelevante, já que a partir do momento em que estamos a falar de algo que nos foi dito é escusado estarmos a pôr o nosso nome lá pelo meio... É como se estivéssemos a sublinhar que a pessoa que estamos a citar até sabe o nosso nome. E, mais do que isso, trata-nos com tanta familiaridade que até faz questão de usar o nosso primeiro nome na conversa. Pior do que isso seria se o Rufino dissesse:

- Ele disse-me: "Ó Professor Doutor Rufino..."...

Aí, eu diria ao Rufino, ou melhor, ao Professor Doutor Rufino, que até nem é mau tipo, para pôr o busto de Napoleão num sítio que eu cá sei...

"Mas que sítio?"

No cu...

Porque pior do que as pessoas que põem os outros a tratarem-nos pelo próprio nome são as pessoas que exigem que lhes chamem Doutor ou Professor ou Engenheiro...

Porque é que o Amílcar, que até era conhecido como Pívias na adolescência (entretanto evoluiu para Pivz, alcunha essa que ainda usa no messenger), há-de exigir a outra pessoa que o trate por "Doutor", só porque andou 7 anos a pagar propinas numa privada qualquer? Em que país, para além de Portugal, é que é mais prestigiante tratar alguém por "Doutor" ou "Engenheiro" do que pelo nome próprio? São pessoas que preferem escudar-se num suposto prestígio que lhes instituíram, do que assumirem uma identidade própria. O que é sintoma de que, provavelmente, não a têm.

"O que é que disse, Dr. Sérgio? Não percebi nada... Dá-me a ideia que o Senhor Doutor está armar-se em intelectual..."

Eu explico-te, apesar de me estares a provocar com isso do "Doutor Sérgio"... Deixa-me dizer-te que tens muita graça... Isso é por eu ainda não ter acabado o curso? Ou é por eu ter acabado de criticar as pessoas que exigem ser tratadas por "Doutor"? Para a próxima vez parto-te os dentinhos...

Ao exigir que as tratem pelo seu grau académico, as pessoas estão a mostrar que valem pouco mais do que isso... Antes de ser Doutor Sérgio eu era o Sérgio. E, darei sempre primazia ao meu lado "Sérgio" do que ao meu lado de "Doutor Sérgio".

"Mas o Dr. Sérgio ainda não acabou o curso."

Só estava a explicar-te, que foi o que me pediste, ó Dr. "Vozinha-estúpida-dentro-da-minha-cabeça-que-pelos-vistos-já-acabou-o-Doutoramento"...

"Não é Doutor, é Engenheiro... Tirei a licenciatura de Engenharia de Minas na FEUP..."

Olha a grande coisa! E o que é que fazes agora? Porque é que em vez de estares numa mina, a fazer aquilo para que estudaste, estás dentro da minha cabeça a chatear-me por dá cá aquela palha? Não estavas melhor a trabalhar na secção de frescos do Continente?

"Já mandei para lá o meu Curriculum Vitae, mas tenho habilitações a mais... Também não gosto de estar na sua cabeça, ó Dr. Sérgio. Não fui eu que escolhi estar aqui... Mas não arranjei melhor... A única vantagem é que isto é bem arejado"

Tenho ali um anti-psicótico de que és capaz de gostar, ó Senhor Engenheiro de Minas... Vê lá se te calas que já estás a meter nojo...

O que me irrita mais é que o argumento que estas pessoas usam para serem tratadas pelo seu grau académico é a necessidade de manter as distâncias e de se darem ao respeito. Até espumo de raiva quando ouço este argumento... Metaforicamente, é claro. Não me ficava nada bem espumar de raiva em frente ao Senhor Engenheiro... Aliás, a minha reacção normal, quando ouço este argumento é:

- Com certeza, Senhor Engenheiro - enquanto olho para o chão, faço uma vénia e saio da sala silenciosamente para não perturbar o sossego do Senhor Engenheiro e, antes de sair, ainda faço questão de perguntar - Precisa de alguma coisa Senhor Engenheiro? Um cafézinho?

Mas agora que estou entre amigos e não preciso de ser tão cobarde ou submisso posso dizer o que realmente penso sobre este argumento e espumar de raiva à vontade (não muito alto porque o Senhor Engenheiro está na sala ao lado e ainda me ouve). Que raio de respeito é que vocês querem manter com esta porcaria do grau académico? Fique sabendo "Senhor Engenheiro" que enquanto finjo beber os seus belos ensinamentos e opiniões sobre o que nos rodeia, enquanto me esforço para ser a pessoa que se ri mais alto das suas piadas, enquanto dou tudo por tudo para preparar o café como o Senhor Engenheiro gosta, estou realmente a pensar em como seria bom esvaziar as piscinas do Slide & Splash, untá-lo de banha de porco e atirá-lo do Kamikaze (e isto é quando estou bem disposto). Fique sabendo, Senhor Engenheiro, que a distância que tanto gosta de criar só serve para que outros potenciais "Senhores Engenheiros" o queiram pôr a milhas. Fique sabendo que o respeito não se consegue com distância, consegue-se com proximidade, honestidade, genuinidade e com um hálito mais agradável, meu grande bisonte albino e hermafrodita... (acho que já me estou a esticar... Amanhã vou ter que caprichar nos cafés e nas fotocópias para compensar esta falha...)

Como defesa, arranjei um estratagema que é fazer questão de tratar todos os "Doutores" e "Engenheiros" que conheço apenas pelo grau académico. O que fica extremamente ridículo... E dá-me um gozo tremendo... É tão bizarro tratar alguém só por Doutor. Do tipo:

- Ó Doutor, isto não me parece assim tão bem porque não sei quê, não sei que mais...

É que, com essa atitude, eles só conseguem isto: que eu os trate como uma sopeira hipocondríaca trata o médico de família... "Ó Doutor isto, ó doutor aquilo...". É o que os Doutores merecem...

O pior destas coisas é que, por causa da cagança de meia dúzia de "Doutores" e "Engenheiros", as pessoas, na dúvida, começam a tratar toda a gente por "Doutor" e "Engenheiro". O que acaba por sobrar para tipos como eu, que odeiam quando são tratadas por "Doutor" e "Engenheiro".

"E que ainda por cima não acabaram o curso"


Já paravas com isso, ó Engenheiro Donaldim! Graças às tuas intervenções, este post parece um número de ventriloquismo...

"Isso faz de ti aquele senhor careca que costuma estar na árvore das patacas"

Nem sei que te diga... Agora até tiveste piada... Nem te vou perguntar onde é que o Donaldim esconde a mão do senhor careca...

Concluindo, detesto que me chamem Doutor. Gosto de pensar que valho muito mais do que o meu grau académico...

"Isso é porque não tens nenhum..."

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Desafio (finalmente)

Finalmente desafiaram-me para alguma coisa! Já tenho o blog há não sei quanto tempo (é verdade, não sei mesmo há quanto tempo) e, não sei porquê, fui sempre ostracizado no que diz respeito a este tipo de coisas... Será por causa do meu mau aspecto? Imagino que sim... Muitas lágrimas foram choradas por causa de ninguém me lançar desafios... Até que a lothlorien resolveu quebrar esta conspiração, fazendo do dia de ontem o dia mais feliz da minha vida: o dia em que me lançaram um desafio, integrando-me, deste modo, nesta grande família que é a blogoesfera. Nem tenho palavras para lhe agradecer, de tão emocionado que estou... O desafio é contar seis coisas aleatórias sobre mim, o que é mau, visto que eu estava a pensar contar coisas sequenciais. A aleatoriedade é um factor de complexidade um pouco dificil de contornar, mas vou tentar... Fico contente por serem 6 coisas... Se tivesse que contar mais de 53 coisas sobre mim acho que não tinha nada a dizer...

E aqui vão elas:

1. Tenho um blog.
2. Nunca fui ao shopping vestido de papaia.
3. Sou capaz de suster a respiração durante 30 segundos... Talvez mais...
4. Tenho um bilhete de identidade com fotografia e tudo... embora ache que ela não me favoreça muito...
5. Faço, pelo menos, três refeições por dia.
6. Se passar três noites seguidas sem dormir fico com sono.

Estas 6 coisas podem transformar-se em apenas uma que não é segredo para ninguém que já passou por aqui mais de duas vezes: gosto de me armar em parvo. Mas vou abrir uma excepção por um bocadinho e dizer 6 coisas a sério:

1. Enquanto petiz, pratiquei os seguintes desportos: canoagem, taekwondo, vela, natação, basquetebol, vóleibol, ténis... E o meu desporto preferido é futebol... Nunca me destaquei muito em nenhum deles, mas gostei de todos, com excepção do ténis (por causa do ambiente, o desporto é engraçado)...
2. Fui presidente da Associação de Estudantes da minha faculdade. Sobre isto, devo dizer, como minha defesa, que não sou, nunca fui, nem hei-de ser membro de nenhum partido político... nem testemunha de Jeová... o que nos leva para a terceira coisa:
3. Não sou baptizado e sou ateu convicto. Não preciso de nenhum estímulo externo nem da recompensa de uma vida eterna para fazer aquilo que considero correcto... Faço-o apenas porque tem de ser...
4. Já fui a casa do José Saramago e já jantei com o Maestro António Vitorino d'Almeida.
5. Tive a sorte de ver algumas das minhas bandas preferidas ao vivo: Pearl Jam, Muse, Queens of the Stone Age e Metallica.
6. Já passeei pela estação de S. Bento vestido de cavaleiro da Idade Média (vídeo e história aqui).

E sobre mim acho que não há mais nada a dizer...

O próximo passo é desafiar outros... Desafio então a Ana Malhoa, o pessoal da Google, o Nuno Markl, a Wikipedia, o Pacheco Pereira e aquele puto que foi filmado a imitar, de forma divinal, o Luke Skywalker...

Agora a sério, não vou desafiar ninguém em especial... Quem achar piada que faça o desafio! Até porque algumas pessoas que poderia desafiar já o fizeram...

sábado, 31 de janeiro de 2009

Quem foi o responsável pelo casting?



Eu tinha avisado que isto era estúpido...

O quê? Fazer uma mini-série centrada nas aventuras sexuais do nosso ditador seminarista e homossexual latente em potência?

Sim, também...

Escolher o Diogo Morgado para fazer o papel do nosso ditadorzeco?

Sim... Vamos ver o que isto de aplicar a fórmula "O Crime do Padre Amaro" ao Estado Novo dá...

Muitos podem pensar que esta atitude da minha parte é só ressabianço por não terem escolhido o Luís Aleluia (Tonecas) para o papel do Salazar. Admito que não gostei disso e que ainda dói cá dentro... Mas a questão não é essa! Só a ideia de imaginar o Salazar/Diogo Morgado enrolado com a Soraia Chaves dá-me uma volta ao estômago... A minha única consolação é que o próprio tirano das botas, ao ver-se enrolado com a Soraia Chaves, teria um enfarte do miocárdio (não sem antes se benzer três vezes).

É nestas alturas que eu gostava de acreditar na vida depois da morte. Se eu acreditasse que o Salazar estava a ver esta série lá de baixo do Inferno como forma de tortura até eu ficaria agarrado ao televisor... Pathos...

A ver pelo crescente sucesso televisivo que o Salazar tem tido ultimamente se, depois disto, o Diogo Morgado se candidatar a qualquer cargo político é bem capaz de conseguir... Basta fazer a voz de velha do Salazar e é vitória garantida. Se o nosso primeiro-ministro foi considerado o 6.º mais charmoso do Mundo, imaginem o que não seria se o Diogo Morgado fosse eleito Presidente da República... A nossa política ganharia todo um novo fôlego: "Somos incompetentes, corruptos e prepotentes... mas giros que nos fartamos...". Acho que é disto mesmo que a nossa política precisa...

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Porque nunca irei ser realizador

Deixei-me contagiar pela febre dos Óscares e deixo aqui finais alternativos e/ou possíveis sequelas para alguns filmes:



"A Vida é Bela" - Quem não gostou d'"A Vida é Bela" de Roberto Benigni? Estou certo que é o filme preferido de muito boa gente e, deixo a questão, qual o contexto mais adequado para umas graçolas em italiano? Adivinharam! Um campo de concentração durante a 2.ª Guerra Mundial! É que não consigo imaginar um sítio mais castiço para mandar umas piadas! Só de pensar num Campo de Concentração fico logo com vontade de me atirar de um penhasco às gargalhadas que é algo, diga-se, que faço muito habitualmente quando estou a ver o Preço Certo...
Como hipótese para um final alternativo deixo a questão: e se o miúdo, depois daquilo tudo, morresse? Depois da paixão assolapada do pândego do Roberto Benigni pela Principessa, depois de nos ter conquistado com a sua luta para transformar o Campo de Concentração numa experiência positiva para o seu filho, seria hilariante se o miúdo não sobrevivesse. Deixando-nos a seguinte mensagem: "Tipo, a vida é assim, nem sempre os nossos esforços são recompensados, mas divertimo-nos à grande enquanto durou, não foi? Tentas para a próxima vez que te levarem para um campo de concentração. Oportunidades não vão faltar... Era o que normalmente acontecia nos Campos de Concentração, as pessoas morrerem.. E bastante, diga-se de passagem... Às vezes, por muito boas intenções que tenhamos, há esforços que são inglórios...". Além disso, uma mensagem começada pela palavra "tipo" nunca é de desprezar. Melhor do que isso só uma mensagem começada por "É assim".




"Fight Club" - Em vez do final dramático deste filme, não seria mais engraçado se a personagem sem nome do Edward Norton chegasse a um acordo com Tyler Durden (Brad Pitt) em que de dia ele era o Edward "sem nome" Norton e, à noite, o Tyler "muito mais interessante e um pouco menos avariado do capacete" Durden. Isto poderia dar origem a uma sequela muito engraçada, intitulada, por exemplo "As aventuras e desventuras de um maluco que vale por dois" ou "Loucura a dobrar" ou "Fight Club 2: o fim da macacada". Adoraria alugar este filme no clube de vídeo! Já estou a imaginar estes dois malucos a combaterem o crime com o doido do Tyler Durden a armar toda a espécie de disparates à noite para o Edward Norton levar com as consequências durante o dia... Ou o Edward Norton apaixonado por uma rapariga e o Tyler Durden a fazer de tudo para aquilo não resultar... Que galhofa!




"América Proibida" - Não concordo com o homícidio, no final, da personagem de Edward Furlong (spoiler alert! Ah! Já veio tarde... Desculpem lá, ok?). Em vez disso, acho que o Edward Furlong (o irmão mais novo) devia juntar-se ao negro que lhe mandou um balázio (lembro que o irmão deste rapaz foi assassinado de uma forma brutal pelo ex-skin head (Edward Norton, quem mais) e irmão mais velho de Edward Furlong (daí a revolta do rapaz...)). E para que é que se juntariam estes dois? Para formarem uma parelha de combate ao crime! Nesta sequela Edward Furlong e o seu amigo negro metiam-se em toda a espécie de sarilhos e, por acidente, vir-se-iam envolvidos num plano para acabar o Mundo, orquestrado por uma organização secreta comandada por um tipo narcoléptico e fanhoso com uma paixão assolapada por columbofilia. Enqunato isso, andariam por aí a fumar charros e a meterem-se com miúdas, sem muito sucesso, claro. O gordo (aquele skin head que depois fez do irmão estúpido do Earl no "My Name is Earl") podia ir entrando de vez em quando para fazer umas asneiras e para lançar, indiscriminadamente, aquela que poderia ser a sua catch phrase: "Mas que droga, meu chapa!" ou "Vamo' dar um fora nisso, cara?" (até já imagino uma dobragem em brasileiro como eu gosto).




"Titanic"
- Acho que o Leonardo DiCaprio devia ter morrido logo no início para nos poupar 3 horas de sacrifício. Uma marreta na cabeça ou raiva serviam muito bem.




"Jurassic Park"
- Sei que este já tem muitas sequelas, mas deixo aqui esta ideia para quem quiser pegar nela. Um Velociraptor, prestes a comer uma criança, olha bem para ela e sente uma compaixão tal que não consegue concretizar a refeição. Esta súbita percepção por parte dos dinossauros de que são capazes de ter sentimentos altruístas em relação a outrém desencadeia um rápido e inesperado processo de evolução, criando condições para sobreviverem ao próprio homem (comendo-o, por exemplo). Passados milhões de anos, um douto dinossauro descobre genes humanos conservados em âmbar e decide replicar a já extinta espécie humana, com fins científicos e lúdicos, visto que um dos seus objectivos é a criação de um parque temático para que as crianças dinossauros pudessem aprender algo sobre o Mundo... E é aí que os problemas começam... Perigosos e sedentos homens a atacar dinossauros, os perigos de querer fazer o trabalho de Deus, os dilemas éticos de tentar recriar algo que a Natureza se encarregou de extinguir... Caro realizador de Hollywood que lês este blog, pensa nisso...




"Sozinho em Casa"
- Outra sequela deste glorioso filme mas, desta feita, Macaulay Culkin já tem 45 anos e, ainda traumatizado por ter ficado duas vezes sozinho em casa quando era miudo, continua a viver em casa dos pais e não os larga onde quer que eles vão. Já sem o espírito engenhoso dos seus 8 anos, Macaulay Culkin é posto de novo à prova quando os seus pais morrem e os ladrões de sempre resolvem aproveitar a oportunidade para finalizar aquilo que deixaram a meio nos outros filmes... E conseguem, da maneira mais dolorosa possível para Macaulay Culkin... Mais não digo... "Sozinho em Casa: para sempre"




"Um Porquinho chamado Babe"
- Espécie de drama da 2.ª Guerra Mundial, protagonizado por animais. É preciso dizer mais alguma coisa? Claro que é! A acção passa-se na Mealhada. "A Lista de Babe" seria um bom nome...




"Música no Coração"
- Depois da fuga da Áustria, o patriarca dos Von Trapp resolve arranjar emprego num hotel isolado com fama de ser assombrado nos confins da Suíça para poder dedicar-se à vontade à escrita. Além disso, não deixa de ser uma boa maneira de levar esta irritante família para um sítio onde possam cantar sem chatear ninguém... Só que as coisas dão para o torto quando o pai se passa da cabeça e desata a matar toda a gente à machadada, incluindo o Filipe La Féria que resolveu aparecer para dizer olá. E não é que conseguimos simpatizar com este anti-herói, que não pára de gritar "Calem-se com essa merda! "Dó, ré, mi, fá, sol... Já nem vos posso ouvir! Há 5 anos que ando com esta música estúpida na cabeça! Já sei que as colinas estão vivas, não precisas de repetir isso 1427 vezes por dia com essa voz esganiçada, sua vaca! Já percebi porque é que te expulsaram do convento! Se eu soubesse que era para isto tinha ido para a frente soviética seu bando de gente loira, estúpida e irritante!"? Quem não teria um surto psicótico se tivesse que viver naquela casa? Guilty! (Eu sei que vocês perceberam: Shinning meets Música no Coração).




"Sexto Sentido"
- Neste caso mudaria um pouco o sentido ao filme. O miúdo, convencido de que vê gente morta tenta convencer o Bruce Willis de que ele está mesmo morto. Para tal espeta-lhe uma faca no coração... E não é que o gajo está vivo? Grande final, não? Andamos o filme todo a pensar que ele está morto e ele, afinal, está vivo! Ou estava...


E é só, não me lembrei de mais filmes! Deixo aqui um desafio para vocês (sim, vocês os 4), e se dessem ideias de filmes e finais alternativos para os mesmos? Era engraçado, não?


P. S. Não queiram saber como nem porquê e peço-vos que não me perguntem, mas hoje descobri que o coelho é uma ave...

domingo, 25 de janeiro de 2009

"O Crocodilo que Voa - entrevistas a Luiz Pacheco"


Não costumo fazer muitas citações no blog, prefiro ser eu o autor dos meus posts, mas não podia deixar de falar de um livro que ando a ler, que é o que está na fotografia. Como se pode ler, consiste num livro de entrevistas do grande Luiz Pacheco e tem pérolas como:

Respondendo a uma pergunta sobre o sítio mais estranho onde fez amor:

"Vamos restringir isto ao acto sexual, a uma ligação carnal; e como eu sou bissexual, temos de distinguir entre o coito, a cópula e a aproximação carnal, sexual, entre macho e fêmea. Já experimentei as duas modalidades e, às vezes, não se percebe qual das duas dá mais resultado. Desde que haja cumplicidade, ou vai com jeito ou com sabão, ou vai com mulher ou com homem, com um efebo;o lugar mais esquisito pode ser a cama. É o comum, não é? Suponhamos que estou na cama com uma cadela e estou a masturbar a cadela. Isto pode ser muito esquisito para a cadela, porque elas, geralmente, coitadas!, não têm estas comodidades, e para mim, quem me vir de fora, pode achar estranho. Pode ser um caso de extrema gravidade e, como estou a responder com muita seriedade, digo-te que já me aconteceu isso. Estava tão isolado e desesperado, que já fiz com uma cadela. Uma cadela é um bicho bonito e um cão também. Já estive na cama com uma cadela, e com mulheres que eram muito mais cadelas do que a outra, na cama. Também deitei com rapazes, prostitutas que eram mais cães do que os cães."

(posteriormente disse que a questão da cadela era mentira... Mentira ou não, quem assumiria uma coisa dessas?)

Sobre uma das mulheres:

"E a Papuça d'Arrebol, sabe quem é esta gaja? É uma rapariga que viveu comigo, tenho dois filhos dela. Quem lhe chamava Papuça d'Arrebol era o Cesariny para gozar comigo. No outro dia perguntei ao meu filho: sabes quem é a Papuça de Arrebol? É a tua mãe! Ficou assim um bocado baralhado..."

(bela coisa para se dizer a um dos 8 filhos e de uma das raparigas menores com quem se casou, ou não casou, nem sei...)

Respondendo a uma pergunta em que o jornalista o questionava sobre o escrever para ganhar dinheiro:

"Você não estava muito melhor num baile de Carnaval a esfregar a gaita com essas gajas todas? E está aqui a gramar um maluco!"

(sem comentários)

Sobre a sua fama:

"Repare nas minhas calças: sou o gajo das calças curtas. Porquê? Porque não mando fazer um fato desde 1957 ou 1958! E por acaso tinha um bom alfaiate, mas o último fato não paguei e nunca mais lá fui... "O gajo anda de calças assim para provocar, para se mostrar original.". Não é! Eu vejo aí é calças a três e quatro contos, e eu ia dar três contos por um par de calças? Jamais de ma vie, porra!"

(3 ou 4 contos por umas calças é um balúrdio (a entrevista é de 1996)... Ainda bem que o Pacheco nunca entrou numa Levi's, nem numa Salsa... Mas estou contigo nessa, Pacheco! A roupa é muito cara!)

Sobre as suas condenações:

"Estupro é: um gajo dava uma foda e apanhava com um processo. Depois tive outro por rapto e estupro, esse era pior. Por causa dele apanhei alguns meses. Foi com a mãe do Paulo. Um tipo, depois de preso, podia negar: "Não, não fui eu, foi engano. Não era para lhe ir à cona, era só para mexer no umbigo..." Mas eu disse logo: "Fui eu!".

(É incrível a abertura com que ele fala de temas que, para outras pessoas, seriam um bocadinho incómodos...)

Sobre uma história no mundo da tradução (documentada por um vídeo no Youtube):

"Estava então a escrever como negro e a traduzier o Dicionário Filosófico (de Voltaire) para a Presença, mas quem assinava a tradução era o Bruno da Ponte. Eu tinha de o fazer porque era a única fonte de dinheiro, e numa parte ele refere-se a um daqueles malucos profetas da Bíblia que faziam uma espécie de pão com excremento de vaca. Eu estava chateado e o que é que fiz? Escrevi: "Nota do tradutor: é o que chamariamos hoje deliciosas sandes de merda."(risos) Esqueci-me, e aquilo lá saiu em nota do tradutor, que era o Bruno da Ponte. Ele ficou um bocado magoado."

Mensagem para as novas gerações:

"Puta que os pariu!"

(Obrigado, Pacheco! Como um dos alvos desta tua mensagem também te mando para a puta que te pariu! Sei que não te ofendes...)

Pela vossa vida, leiam este livro! Cada vez que o abro encontro pérolas destas e estou mesmo no início. Nem imaginam a dificuldade que tive em escolher estas citações para vos mostrar já que, por mim, transcreveria o livro todo, sem problemas... Não referi nada aqui dos seus famosos insultos aos escritores da nossa praça, porque tinha tanto por onde escolher que nunca mais acabava isto. Mas é hilariante a maneira como ele ridiculariza génios que nós consideramos intocáveis como Vergílio Ferreira, José Saramago, António Lobo Antunes ou José Cardoso Pires...

É uma personalidade singular da nossa história e, segundo dizem, muito talentosa (eu nunca li nada dele mas estou curioso). O livro de entrevistas é hilariante e uma bela maneira de conhecer esta personagem que mais parece ficcionada do que real.

De referir ainda a bela introdução do organizador do livro, João Pedro George.

Deixo-vos o vídeo com a história das "sandes de merda".



quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Welcome

Já viram este videoclip dos Radiohead? É fabuloso. Não fabuloso como o Alex o Fabuloso, mas fabuloso como um pôr-do-sol à beira mar num final de tarde de Verão (que cliché!)



A pequena M&M nasceu hoje. Tenho a certeza que vai ter uma infância como o menino da esquerda, para crescer e ajudar a construir um Mundo em que crianças não tenham que passar pelos sacrifícios do menino da direita... Vai ser o meu orgulho!

Da mesma maneira que espanquei o ano de 2008, dou agora um forte abraço e um bejo no meio da testa ao ano de 2009 por esta grande alegria.

É fantástico ser aos 23 anos, pela primeira vez, irmão de alguém!


(aproveito e contribuo, desta singela maneira, para a campanha pela causa que este vídeo de uma das minhas bandas preferidas defende... De qualquer maneira é inevitável, perante a enorme felicidade do nascimento de uma criança privilegiada pelo meio onde nasceu, reflectir sobre as dificuldades por que passam tantas crianças por esse Mundo fora que não tiveram a sua sorte... Daí a escolha do vídeo... Arrepia, não arrepia?)

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

United States Obamerica ou são todos iguais, mas a mim não me enganam eles...




Hoje fui à tomada de posse do Obama. Para quem acompanhou a transmissão televisiva eu era aquele individuo de panamá amarelo e olhar céptico da quinta fila. Não partilho desse entusiasmo todo à volta de Obama. Como já disse aqui, fui um fiel apoiante do novo Presidente dos EUA durante as eleições mas, daí para cá, só me tem desiludido... Tanto que a minha maior esperança era que o novo Presidente dos EUA tivesse um ataque de diarreia a meio do juramento que o obrigasse a deixar toda a população mundial em suspenso enquanto ia ali "arrear o calhau". Seria um momento bem mais histórico do que a viagem de comboio de Lincoln ou o discurso de Kennedy. Um momento que seria quase tão histórico como quando essa velha glória do Benfica, o Tavares, pediu para ser substituído aos 15 minutos de um Milão-Benfica para ir... vocês sabem...

Dica para os rapazes que lêem este blog na esperança de aprender alguma coisa que lhes permita ter algum do meu sucesso junto do sexo feminino (quem não se enquadrar neste tipo de população pode passar à frente):

Usem o máximo de vezes que puderem a expressão "arrear o calhau" junto das mulheres. Elas adoram! Não há nada de que uma mulher goste mais do que de um homem que não tenha pudor em falar das suas necessidades fisiológicas. Tentem mantê-las actualizadas sobre as vezes que vão à casa-de-banho e sobre os resultados dessa ida, se possível documentados com fotografias. Elas gostam de saber estas coisas.

Conversa entre um jovem casal:

Ele: Sabes, Márcia, às vezes, quando olho muito tempo para o sol fico a ver tudo vermelho. Acho que é porque gosto de ti. Tipo, por tu seres o sol da minha vida e por o vermelho ser a cor do amor, tás a ver? É que, não sei se sabes, curto bué de ti. - aprendam, rapazes. O "curto bué de ti" é o "amo-te" do século XXI. Um "amo-te como o c******" ou um "gramo-te bué da totil" também fica bem...

Ela: Ai, Cajó, és tão romântico! Também curto bué de ti... mas bués mesmo...

Ele: Espera aí um bocadinho Márcia... É que tenho que ir arrear o calhau... Aquela alheira com ovo está a fazer das suas...

Ela: (risinho tímido) Adoro quando falas assim, Cajó!

Passados 20 minutos (o Cajó, obviamente, não se esqueceu de levar a Bola debaixo do braço, ou não fosse ele um autêntico cavalheiro).

Ele: Ah! Esta soube-me mesmo bem... Nem imaginas como aquilo ficou... De que é que estávamos a falar?

Ela: Esquece o que estávamos a falar... Quero saber tudo, Cajó! Conta-me!

Ele: (Cajó descreve exaustivamente a sua ida à casa-de-banho. É escusado continuar este diálogo porque é óbvio que a Márcia já está no papo...)


Voltando ao Obama. Irrita-me todo este burburinho à volta dele, quase como se se tratasse de um Messias. Vejam só que ele já é Presidente há quase 5 horas e ainda não fez nada: ainda há desemprego nos EUA, o aquecimento global ainda continua a atacar a Gronelândia em força, em Gaza ainda chovem misseis e, da última vez que fui verificar, ainda chovia lá fora... Pior do que não ter feito nada, é o facto de o Sr. Presidente a esta hora já estar com uma monumental borracheira e a vomitar por todo o lado... É este o vosso Messias? É este individuo que, em vez de estar a salvar o Mundo, está a beber como se fosse sexta à noite no Seminário, que é a esperança da Humanidade? Acho que, se o Mundo depende deste senhor, bem que podemos ir para a rua preprarmo-nos para o apocalipse e aproveitar a última semana da nossa vida para fazer tudo aquilo que não fizemos até hoje como comer macarrão com morcela e Corneto de Morango ou imitar um orangotango com sarna numa repartição de finanças (esta é provável que já tenham feito. Quem não fez não sabe o que perde).

Tenham cuidado com os Messias que escolhem... vejam só o que aconteceu ao Cristianismo...

Mas há um aspecto em que tem que se dar o devido mérito a Obama. Ele é, de facto, o primeiro Presidente afro-americano dos EUA. Algo que eu pretendia ser num futuro próximo. Aliás, tinha um plano infalível para me tornar o primeiro afro-americano a tornar-se Presidente dos EUA que só não deu certo devido a esta antecipação de Obama. Era um plano perfeito que consistia, basicamente, em duas fases:

Fase 1: tornar-me afro-americano
Fase 2: tornar-me Presidente dos EUA

Concluídas estas fases, tornar-me-ia no primeiro Presidente afro-americano dos EUA. Frustrado este plano, resta-me levar em frente o meu outro plano, que fará de mim o primeiro canalisador do Burkina Faso a tornar-se Presidente dos EUA. Por motivos óbvios, não revelarei as 3 fases deste meu magnífico plano.

E é tudo. Ah! Parabéns Presidente Obama!

Thank you very much!

Olha-me este! O que é que estás a fazer aqui, Barack? Não leste o que eu escrevi? Porque é que em vez de estares a salvar o Mundo, estás a ler um blog parvo, escatológico, cujo autor é uma pessoa execrável (mas que compensa esta falha de carácter por gostar muito de borboletas), e que, ainda por cima, está escrito numa língua que não dominas?

Because I'm fuckin' drunk...

Logo vi, para vires parar aqui tinhas que estar muito bêbado... Não tens uma crise para resolver? Já és presidente há 5 horas e ainda se torturam pessoas em Guantanamo! És uma vergonha, sabes?

Yeah! Fuck Guantanamo! I just wanna drink. Do you want a beer, man?

Não tens emenda... Vamos lá a isso então...

E foi esta a primeira participação de Obama, como Presidente, neste blog... Espero que tenham gostado apesar do bafo a vinho tinto...



(a parte em itálico está em letras pequeninas para ninguém ler... Envergonho-me daquilo...)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Era metê-los num barco... Não era, Policarpo?





Não me vou juntar ao coro de críticas às palavras de D. José Policarpo. São estes momentos que exigem de nós muita serenidade. É também nestes momentos que não devemos desatar a rebentar com tudo só porque não concordamos com alguma coisa, como os Muçulmanos. Acho que D. José Policarpo não devia tomar a parte pelo todo. Só porque conheceu casos concretos de jovens que passaram maus bocados por terem casado com Muçulmanos não quer dizer que todos os Muçulmanos sejam um mau partido. Acho que choraria de alegria se uma filha minha se juntasse ao harém do emir do Dubai. De certeza que sobraria algum para mim e isso nunca é de desprezar...

"Como é que conseguiste comprar um jacto particular?"

"Vendi a minha filha ao emir do Dubai..."


Sonhos

Mas, apesar de tudo, os preconceitos são muito maus.

Por exemplo, uma vez conheci uma rapariga que resolveu casar-se com esquimó e passou o resto da vida a cheirar a peixe, a viver num iglu, a matar focas e, ainda por cima, o máximo de intimidade que conseguia ter com o seu marido era aquela coisa do nariz (pode ser muito excitante ao princípio mas imagino que depois se torne muito monótono...). A partir daí ganhei um preconceito tal contra os esquimós que, sempre que tinha oportunidade, aconselhava as jovens portuguesas a não se casarem com nenhum... Só Deus sabe quantas relações não terei eu arruinado com as minhas palavras... (isto foi quando eu deixei de aconselhar as jovens a não se casarem com portugueses depois de conhecer um português que batia na mulher e outro que não participava na divisão das tarefas domésticas... Só me deixei disto quando me virei para os esquimós...)

Arrependi-me desta minha atitude quando fui preso por motivos que não vou divulgar por ainda estarem em segredo de justiça e o único amigo que tive foi um esquimó que tratava da roupa da prisão comigo.

No início, o ambiente era um pouco tenso, comigo a atirar-lhe chinelos e outras coisas à cabeça, mas, gradualmente, fui-me habituando à presença do Xytkoptkl (o que, no dialecto esquimó do Sul da Gronelândia, significa "o Kayak Emplumado" ou "o Rinoceronte Perneta", dependendo da maneira como pronunciamos a letra "o"). Até um dia, em que ele contou uma daquelas piadas como só os esquimós sabem contar e eu ri-me descontroladamente durante duas horas. A partir daí ficámos melhores amigos. A piada era a seguinte:

- Onde é que os esquimós guardam o frigorífico?
- Em lado nenhum, está tanto frio que eles não precisam... - respondi eu, julgando que me tinha safado da armadilha.
- Não. Guardam-no na cozinha!

Perceberam? É que os iglus não têm cozinha! Hilariante... Descobri que graças aos preconceitos que a nossa sociedade tem para com os esquimós ele estava preso injustamente, ou pelo menos com uma pena completamente desproporcional ao crime que tinha cometido que foi matar uma garoupa no Oceanário com um harpão e violar a Amália... A lontra, não a do Panteão Nacional. Já todos sabemos que os juízes ficam sempre de pé atrás quando aparece um esquimó no seu tribunal (sempre que desaparece uma canoa o principal o principal suspeito é sempre um esquimó, nem que haja 20 testemunhas que garantam que foi o José Cid todo nu a fugir com ela pelo Rio Mondego abaixo!). Também sabemos que, por serem socialmente desfavorecidos, não têm dinheiro para financiar advogados caros, tendo que se ficar pelo José Maria Martins ou por oficiosos...

E foi esta a minha história com o meu amigo esquimó. Um pouco parecida com aquela história do filme "América Proibida", mas eu sou o Edward Norton e aquele afro-americano que está com ele na prisão é o esquimó. Devia processá-los, não? Conclusão: actualmente aconselho toda a gente que tenha essa oportunidade a casar com um esquimó.

Hoje só sou racista em relação ao pessoal do Liechtenstein. Não consigo perceber se são suiços, se são alemães, se são austríacos... Decidam-se de uma vez por todas! Não gosto de gente que não se decide: ou são uma coisa ou são outra... E se querem ser país arranjem uma coisa melhorzinha. Acham esse território em condições? Se querem saber o que é um território em condições olhem para a Rússia, por exemplo. Ou para o Canadá. Só para referir dois. Um terreno que dê para contornar no período entre o jantar e a telenovela não é um país... Vocês são um aviãozinho de papel armado em Boeing 747! Até gostava de saber o que é que vocês fazem no Verão. Nós ficamos a ver a Volta a Portugal, e vocês? Quantas voltas ao Liechenstein vêem? Para aí 500... Ou mais...

"Tchii! Que grande festa! O que é que se passa hoje?" "É um grande dia! Hoje é a Volta ao Liechenstein em bicicleta!" "Espectáculo! Vamos ficar para ver!" Passados 5 minutos "Bem, vamos embora!" "Também acho! Vamos ali ao Norte do país beber uma cervejinha!" "Ao Norte do país? Tu deves estar é maluco. Estamos no extremo Sul!" "Deixa-te disso, são só 10 minutos a pé..."

Ainda por cima dão um nome ao "país", que é para não lhe chamar outra coisa, que é impossível de pronunciar. É como quem diz: "somos um país irrelevante mas vamos dar-lhes um nome que eles não vão esquecer". O que é que a palavra "Liechenstein" vos faz lembrar? A mim faz-me lembrar um oficial das SS a mandar um judeu para a câmara de gás! E isso não é muito bom para o turismo...

- LIECHENSTEIN!!!! SCHNELL!!!


É que eu até me esquecia de vocês se Portugal não fosse jogar aí de vez em quando, para vos dar 7 ou 8. É que nem no futebol prestam! Podiam ser na mesma um país irrelevante se, ao menos, prestassem para o futebol, como Portugal. Mas é que nem isso! Nem assim justificam a vossa existência!

Só porque um príncipe qualquer armado em esperto herdou um monte e decidiu fazer um país isso não faz de vocês nada. Quando muito faz de vocês estúpidos. Seria a mesma coisa se eu me lembrasse de decretar que a minha rua era uma nação independente, que eu era um rei e os meus vizinhos irem na conversa. Os meus vizinhos seriam estúpidos se o aceitassem porque sabem que a primeira coisa que eu faria era escravizá-los. É por isso que o golpe de estado na minha rua não funciona, não tenho o apoio do povo... Mas dou-lhes esse mérito de não se deixarem dominar por mim... Mérito esse que não dou ao Liechenstein!

Se, algum dia, uma filha minha aparece com um namorado do Liechenstein é o maior desgosto da minha vida...

Apesar de ter este ódio visceral em relação ao Liechenstein e de aconselhar todas as moças a fugir dessa gente, tenho a perfeita noção de que é uma atitude única e exclusivamente baseada na ignorância e sei também que se algum dia fosse preso com um indíviduo do Liechenstein talvez mudasse de ideias... Já ouvi dizer que eles têm umas anedotas de Luxemburgueses deliciosas...

É por isso que lanço uma sugestão ao D. José Policarpo: ir para a prisão e ser ajudado por um Muçulmano na tarefa de tratar a roupa interior ou ter uma filha e prometê-la aos 2 anos a um chefe de tribo da Mauritânia. De certeza que havia de mudar a sua opinião acerca dos nossos irmãos Muçulmanos e ainda se ia rir desta situação toda com o seu genro. Num momento de descontracção, durante o apedrejamento de uma adúltera.

Lembro aqui este post que fiz há muito tempo para quem tiver paciência. É sobre a reforma da igreja e dos seus intervenientes. E é a brincar... Apesar de poder dar para reflectir.

P. S. 2 dias, 2 posts... É capaz de ser um record... E este tem o título mais ridículo que se possa imaginar...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

As maravilhas da tecnologia


Olá a todos! Estão a ouvir-me aí no fundo? Sim? OK! Só pedia aos da frente para não cochicharem tanto porque isso vai incomodar o pessoal que está lá atrás e vai-me obrigar a falar mais alto do que o que devia e eu não posso gastar muito a voz... Num dia normal não me importaria de gastar a voz. Mas hoje é um dia especial porque vou participar no Campeonato Nacional de Canto Tirolês... Eu e o José Figueiras. Apareçam! Vamos estar com uns daqueles calções com suspensórios, com um daqueles chapéus da Baviera e, no meu caso particular, com um daqueles óculos com nariz e bigode incorporados, não vá alguém conhecer-me... Já foi suficientemente incomodativo para a minha família quando descobriram que eu era um heterossexual, que de vez em quando bebia Coca Cola e que já tinha experimentado cerveja... Nunca mais entrei na igreja de cabeça erguida...

No outro dia fiquei surpreendido quando, ao abrir a revista Maria...

Lá estão vocês! Só porque só lêem de Proust e de Foucault para cima um homem não pode ler a revista Maria? Já não posso acompanhar as peripécias do Artur Albarran à vontade, sem ouvir as vossas boquinhas... Deixem-se disso, por favor!

Onde é que eu ia? Abri a revista Maria e qual não é o meu espanto quando, numa das páginas publicitárias reservada a anúncios para débeis mentais, encontrei uma invenção fantástica: um teste de gravidez por SMS. Ainda pensei que tivéssemos que colocar um pouco de urina no telemóvel, mas não, basta mandar uma mensagem para um número de 4 dígitos e está feito (conclusão: enchi o telemóvel de urina escusadamente).

Mandei uma mensagem e confirmei que não estava grávido. Foi um alívio!

(Agora a sério, fiquei depois a pensar se o público alvo de uma iniciativa destas eram os parvos como eu, que abrem de vez em quando a revista Maria... E não mandei a mensagem, obviamente, mas pensei nisso...)

Não pude deixar de imaginar um casal adolescente, o Quinzinho e a Marlene, nervosos à espera de uma mensagem que não confirmasse os seus temores de uma gravidez acidental... O alívio de receberem uma mensagem a dizer "Você não está grávida, tente de novo!" ou lá o que é que eles respondem a quem recorre aos seus serviços e 9 meses de crescimento ininterrupto da barriga da Marlene culminariam num saudável rebento com poucas hipóteses genéticas de vir a ser um indíviduo brilhante.

"A barriga está a crescer? Devem ser gases... Grávida não está porque nós já fizemos o teste!"

Melhor que este teste só o termómetro do amor, graças ao qual já acabei muitas relações. Não queria estar a fazer contas mas ora bem... tive duas relações... uma relação acabou porque ela não gostou muito da ideia de ter uma relação comigo para além da relação de duas pessoas que se encontraram uma vez na fila do Supermercado, a outra acabou graças ao termómetro do amor,... pelo menos foi o que ela me disse depois de pagar a conta do Supermercado e antes de fugir a correr... ou seja, 50% das relações que eu tive acabaram graças ao termómetro do amor. Acho que isto é um indicador bastante seguro do sucesso deste teste...

É por isso que, adoptei este hábito de não levar para diante nenhuma relação que tenha menos de 85% no termómetro do amor. Se já sabemos que não vai dar certo, para quê continuar? É isso e o mal-me-quer, bem-me-quer! Nunca falha! Até porque se começarmos a arrancar as pétalas por bem-me-quer, vai acabar em bem-me-quer... Felizmente descobri este truque a tempo de o trocar pelo termómetro do amor! Não sei o que faria sem algo que me indicasse que valeria a pena seguir em frente com uma relação ou não...

Acho também piada àquele teste que agora está muito em voga que nos diz qual a data da nossa morte. Deu-me muito jeito saber que não posso marcar nada para depois do dia 2 de Fevereiro de 2022. Já sabem, tudo o que for depois dessa data não contem comigo!

Há uns tempos vi também na televisão a publicidade a um software para o telemóvel que nos permitia, através de fotografias, identificar o tamanho da copa de uma mulher. Não deve ter tido grande sucesso porque nunca mais ouvi falar de tal coisa, o que é estranho tendo em conta a utilidade desta ferramente e o facto de esta estar a competir num mundo em que os testes de gravidez por telemóvel são um sucesso.

Acho que nunca tinham inventado nada tão útil desde aquele toque do Crazy Frog (confesso que um dia em que não ouça 50 vezes esse toque é um dia péssimo para mim... o Crazy Frog é o meu melhor amigo... Nos momentos maus, basta ouvir aquela voz calorosa e cristalina para tudo mudar... Além disso o seu abraço terno e um tanto ou quanto viscoso não deixa ninguém indiferente...Vocês sabem...). Aquele famoso problema que todos temos quando chegamos à beira de uma rapariga, que é o de não sabermos qual é o tamanho da sua copa deixa de existir a partir desse momento! Quantos momentos de embaraço não passámos nós por não sabermos o tamanho da copa de uma rapariga? Como eu vos compreendo, meus amigos...

Rapazes, fica aqui este conselho gratuito que vai certamente mudar a vossa vida. Não há nada que impressione mais uma rapariga do que um rapaz que consiga adivinhar o tamanho da sua copa. Não percam tempo com ginásio, roupas bonitas, palavreado fino, bom hálito, flores e perfumes caros! Façam o download deste programa, fotografem a rapariga dos vossos sonhos, dirijam-se a ela, na fila do Supermercado por exemplo, e digam-lhe:

- Desculpa lá, mas tenho estado a reparar em ti há algum tempo e não podia deixar de vir falar contigo... Tu és C 42, não és?

ou apenas:

- C 42!

Não falha! É sucesso garantido! Vai ser como se o cupido lhe tivesse acertado com a seta! Aprendam que eu não duro sempre...

Então e aqueles jogos em que temos que tentar comer mais bananas do que um macaco oponente, ou fazer mais flexões que um indivíduo que está ao nosso lado ou marcar uns penalties? Dizem que oferecem um toque de telemóvel... Não posso confirmar se isso é verdade porque farto-me de tentar ganhar esses jogos e nunca consigo. São muito complexos! Uma vez estive quase, quase a conseguir comer mais bananas do que o outro macaco, mas no último segundo ele ultrapassou-me. Tanta complexidade e jogos tão desafiantes fazem-me pensar que o prémio é algo de muito especial... Se não fosse, se o objectivo deles fosse só o de nos impingir publicidade indesejada, faziam uma coisinha mais simples para toda a gente conseguir.

Até logo!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Algumas coisas



"Quando odeias alguém, odeias nessa pessoa algo que é parte de ti. Aquilo que não faz parte de nós não nos incomoda"

Herman Hesse

"Olha que... Foda-se!"

Marco Borges (concorrente do Big Brother 1)

Imagino que estejam completamente abismados com a minha classe em começar um post com duas citações, e que citações. Imagino também que já se estejam a perguntar sobre o que é que eu vou escrever. Eu gostava de vos dizer mas, neste preciso momento, não faço a mínima ideia. Decidi que iria escrever algo para o blog, arranjei duas citações, que é algo absolutamente imprescindível se não soubermos o que vamos escrever, e aqui estou eu à frente do computador a tentar descortinar alguma coisa interessante para vos dizer. Mas não sai nada...

(silêncio incómodo)

Então e o advogado de defesa do Carlos Cruz foi dizer que as acusações do seu cliente são "fantasias de adolescente"? Tem a sua razão, sim senhor... Não se lembram dos vossos tempos de adolescente em que, depois de verem o "1,2,3", se iam deitar e sonhar com o Carlos Cruz? E que lascivos esses sonhos... Não se lembram de forrar as paredes dos vossos quartos com posters do Carlos Cruz? Acho que é um comportamento típico dos adolescentes, fantasiar com o Carlos Cruz, fantasiar que somos órfãos, que vivemos numa instituição, que este nos vem visitar e... Quem nunca passou por isso não sabe o que é a adolescência!

Então e este título: "Guerra irá definir quem será o primeiro-ministro de Israel". Acho muito bem! Até aqui tem sido o povo israelita a decidir e não tem dado muito bom resultado. Ao menos ao escolherem uma entidade isenta e objectiva como a Guerra para eleger o primeiro-ministro pode ser que as coisas mudem. Toda a gente já parte do princípio que a situação no Médio Oriente nunca vai mudar, por isso ao menos que se experimentem novas alternativas... Quem sabe se a solução não virá do local mais inesperado? Até agora, aquilo a que chamam guerra está 500-10 para os israelitas (500 palestinianos mortos para 10 israelitas, mais coisa menos coisa). É um autêntica cavazada. Fazendo uso de gíria futebolística inspirada em gíria de guerra eu diria que os palestinianos estão a ser massacrados... Vá lá! Acabem lá com isso!


Aproveito para acrescentar alguma coisa de útil a este post completamente inútil. A imagem de cima faz parte da obra "Palestina" de Joe Sacco, uma espécie de correspondente de guerra que usa a banda desenhada para passar a sua mensagem. Para além de Joe Sacco ser um artista genial, com uma perspectiva única sobre as coisas e que usa um meio que permite uma versatilidade que outros não permitem (a banda desenhada), esta obra, já com uns anitos, oferece-nos uma perspectiva única sobre o conflito israelo-palestiniano. Os desenhos são muito expressivos, tem um ritmo espectacular e a história é... aquilo que sabemos... ou então não sabemos assim tão bem... Entretanto já escreveu graphic novels igualmente geniais sobre a guerra na Jugoslávia. Recomendo vivamente (Já pareço aquele Professor que aparece aos domingos à noite na televisão. Já não me lembro é muito bem do nome dele. Vitor? Anselmo? Dêem-me lá uma ajuda...).

Este livro aparece frequentemente na pobrezinha secção de banda desenhada da Fnac caso o queiram adquirir (que pretensão a minha, a de julgar que sou tão importante para quem quer que seja que lê isto para os fazer gastar dinheiro em livros...). Para além disso, ofereço-me também para emprestar os dois volumes em português que possuo a quem estiver interessado! Não fazendo eu mais do que a minha obrigação visto que é uma história que urge divulgar...

Além disso, se quiserem posso oferecer-vos um exemplar que tenho da obra do já referido neste post Ricardo Sá Fernandes, "O Caso de Camarate", que comprei só porque estava a 3 euros e que provavelmente nunca irei ler... Ainda vou fazer um passatempo no blog para me livrar desse livro, mas acho que nem assim... (bela ideia para um post, é pena este já estar a acabar)

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

2009: não te ponhas a pau que eu não quero...


10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... 0!

Já posso? Então aqui vai.

Se eu pudesse, pegava no ano de 2008, barrava-o de Tulicreme e atirava-o para um ninho de formigas assassinas, enquanto o pontapeava nos zeros (2008), principalmente no da direita que é o mais sensível. Esperava que as formigas, as vespas e as ratazanas, que entretanto chegariam ao local, fizessem o seu trabalho com o Tulicreme e com as zonas mais sensíveis do corpo de 2008, nomeadamente as verilhas e aquela parte atrás dos joelhos, só para dar dois exemplos, pegava nele, prendia-lhe um gancho à parte de cima da cabeça, amarrava uma ponta de uma corda ao gancho e a outra ponta ao pescoço de uma avestruz. A seguir, pedia a um amigo meu que é um Índio Sioux (o Arranca Tampas na Madrugada) para, com um x-acto, cortar, bem cortadinho pelo picotado, o escalpe a 2008 e mandava um pontapé à avestruz. Enquanto esta pitoresca ave corria às voltas com a tampa de 2008, despejava duas garrafas de vodka no crânio desprotegido do maldito ano em que se realizaram os Jogos Olímpicos de Pequim e deitava fogo. Encostava-me a uma árvore, a saborear o restinho da garrafa de vodka, a apreciar a agonia e o desespero do maldito ano que vem logo a seguir a 2007. Há coisas pelas quais vale a pena viver...

Para descansar um bocadinho, colocava este ano que passou numa sala de privação sensorial, toda branca com paredes almofadadas. Amarrava-o a uma cadeira e colocava uma televisão à sua frente. Aí, o ano em que foi eleito o Primeiro Presidente Negro dos EUA, seria obrigado a assistir, durante 24 horas por dia, durante 6 meses, a um talk show em que a Maya, o Cláudio Ramos, o Fernando Mendes, o Manuel Luís Goucha e o Miguel Sousa Tavares discutem pesca, curling e a vida romântica do Cristiano Ronaldo, com banda sonora de André Sardet e com um cenário com a imagem de Jorge Nuno Pinto da Costa todo nu, a ver-se tudo e, colocado de maneira a que, em cada close up do Cláudio Ramos se consiga ver com muito, e quando digo muito é mesmo muito, detalhe as partes íntimas do Presidente do FCP. Tanto quanto é possível descortiná-las, obviamente. O José Castelo Branco podia ir aparecendo de vez em quando para fazer um strip e para rezar o terço (intercaladamente ou simultaneamente) para desenjoar um bocadinho.

Depois de tudo isto, vestia o ano de 2008 de Bob Marley, com pintura e tudo, e mandava-o para um comício do PNR. Deixava os carecas fazerem o seu trabalhinho e, para finalizar, arranjava um caixão revestido a pregos e enterrava o ano de 2008 vivo.

"Ah, então vais deixá-lo morrer assim. Coitado, não se deve enterrar ninguém vivo... Já devias saber isso!". É verdade. Eu sei. Têm toda a razão. Ele não mereceria o acto de misericórdia de o deixar morrer. Arranjava maneira de este ter sempre o mínimo de oxigénio e alimentava-o por via intravenosa. Deixava-o estar lá um ano. Assim, enterrado vivo, na escuridão, sem se mexer e em contacto permanente com aguçados pregos. É coisa para doer. Depois deixava-o ir embora e dizia-lhe:

- É para aprenderes! Nunca mais te metas comigo!

2009, considera isto um aviso. Eu sei que ainda mal começaste e que ainda muita coisa pode acontecer. Se te portas mal, é isto que te faço... No mínimo...



Um pouco doentia e macabra, esta descrição. Concordo. Mas fez-me bem vingar-me deste malfadado ano, que correu mal do primeiro ao último segundo.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ler



Achei curiosa esta notícia do público, em que António Lobo Antunes afirma que "os livros em Portugal são indecentemente caros". Tem toda a razão! E é por isso que, quando tenho a oportunidade de ir a outros países, entro em tudo o que é livraria que nem um maluquinho. Pensando bem, não é preciso ir a outros países para entrar em livrarias que nem maluquinho, mas quem viaja comigo sofre um bocado com isso. De resto acho que até consigo ser boa companhia. Mas sou um bocado obssessivo em relação a livros e o pouco que ganho vai, invariavelmente, parar aos cofres da Fnac.

Enfim, ao menos não gasto em droga... Se é que se pode dizer que os livros não são como uma droga...

Achei também piada à declaração de António Lobo Antunes porque, ainda este ano, quando lhe fui pedir um autógrafo na Feira do Livro do Porto (cidade a que ele está muito agradecido, como volta a referir na notícia, por o ter apoiado na sua luta contra o cancro), o "sacana" olhou para o preço do seu próprio livro, que estava prestes a autografar, e disse o seguinte:

- Pagaste 22,5 euros (já não me lembro bem do preço) por isto?!

Ao que eu respondi:

- Vale o preço... - E acrescentei - Acho mesmo que vale, embora não caísse mal se fosse um bocadinho mais barato... Se mo quiser oferecer... - Não disse esta última parte... Ou pelo menos não deve ter sido esta a mensagem que ele entendeu dos grunhidos que soltei, típicos de quando estamos ao pé de alguém que admiramos... E não, não foram berrinhos histéricos... Isso foi mais quando fui ver os Tokyo Hotel... É mentira! Apanhei-vos!).

Acho que os livros são a melhor companhia não-humana que se pode ter. Adoro aquela sensação melancólica, de quando estou a acabar um livro. Ter, por um lado, pena de o estar a acabar e por outro lado aquela curiosidade de conhecer o final. Sinto também uma certa ansiedade em relação ao livro que se segue: "que livro vou começar a ler? (e a lista é tão grande) Será que vou gostar tanto dele como do anterior? (geralmente gosto sempre dos livros que leio... gostar tanto de ler permite-me 99% das vezes fazer as escolhas acertadas). Parafraseando Miguel Esteves Cardoso numa entrevista à RTP: "uma pessoa que gosta de ler nunca se vai sentir sozinha". E é verdade. Quando tudo corre mal, sei que aquele livro vai estar à minha espera. Aquelas personagens. Aqueles locais. Aquelas histórias. Tudo isto vai compensar qualquer coisa de mal que esteja a acontecer. Nem que seja por a personagem principal ser ainda mais desgraçada que nós, qual Candide. Ou por a mensagem ser tão inspiradora que nos dá um sentido para a vida, fazendo-nos desdramatizar todas as ninharias do dia-a-dia. Ou por o autor ser tão talentoso que nos sentimos privilegiados por estar ali, em primeira fila, a admirar a sua arte. Ou por nos identificarmos tanto com as personagens que os seus sucessos são os nossos sucessos.

Há tantas maneiras através das quais os livros nos fazem sentir bem que, enumerá-las todas, seria algo impossível.

Se me acontecesse alguma coisa que me impedisse de ler seria mesmo muito infeliz.

Sei que este post não tem piada nenhuma (não que os outros tenham, mas, para que saibam, esforço-me por isso), mas é um assunto que teria que referir até para justificar o estilo que adoptei aqui neste blog. Por gostar tanto de ler é que só escrevo disparates depretensiosos. Por gostar tanto de ler e por apreciar tanto o trabalho dos verdadeiros escritores jamais poderia ambicionar sequer chegar aos seus calcanhares. Não está ao alcance de todos. É por isso que só escrevo disparates. Aquilo que está ao alcance de todos é apreciar este trabalho infinito (já pensaram que vamos morrer sem ler tudo o que há para ler, sem visitar todos os locais que há para visitar, sem ver todos os filmes que há para ver, sem conhecer todas as pessoas que vale a pena conhecer?). E, se houver alguém que torça um bocado o nariz à leitura que se sinta minimamente inspirado ao ler este post fico mesmo muito contente. Aquilo que lhe posso dizer é que, se conseguir aprender a gostar de ler, vai ganhar um superpoder: não só vai conseguir voar, como vai conseguir teletransportar-se, como vai ganhar o dom da ubiquidade, como vai ganhar o poder da invisibilidade... Tudo aquilo que desejarmos, tudo aquilo que quisermos ser, os livros dão-nos. É preciso algum esforço, claro. Mas compensa.



Lado B do post. Quando estava tudo tão bonito, eis que surge o outro lado da moeda:

Segunda parte um tanto ou quanto alucinada


Bom triénio de 2009-2012! Prefiro desejar "bons triénios" visto que poupa-me o trabalho de desejar "bom ano" todos os anos. Algo que é extremamente cansativo e inútil! É óbvio que desejo um bom ano àquelas pessoas a quem desejaria um bom ano. Acho que ninguém é má pessoa ao ponto de desejar que alguém tenha um "mau ano" (e se houver ao menos que se aproveite o final do ano para isso. Não vamos ser hipócritas). Àquelas pessoas a quem não desejaria um bom ano, não vou desejar um bom ano de certeza. Primeiro, porque não frequentam os meus círculos (só fui uma vez à Assembleia da República) e segundo porque não sou hipócrita

Agora que penso nisso às vezes sou um bocadinho. Agora que penso um bocado nisso, esta mania de ter que desejar bom ano a tudo o que mexe por esta altura obriga-nos a sermos hipócritas... Não por desejarmos que essas pessoas tenham maus anos mas porque, às vezes, desejamos bom ano, mesmo estando-nos perfeitamente a marimbar para isso (bela palavra, "marimbar").

Já sabia que iam ter essa reacção. Não façam esse olhar moralista, como quem diz "Ah! Eu não sou hipócrita. Eu, quando desejo um bom ano a alguém estou mesmo a senti-lo". Dou-vos mais uma oportunidade, pensem um bocado: é mesmo verdade que estão genuinamente preocupados que as pessoas a quem desejam um bom ano tenham um bom ano? Eu sabia... Vocês não conseguem aguentar... Basta abanar-vos um bocadinho que descosem-se logo... Ao menos podiam ser mais firmes nas vossas convicções...

Algum dia conseguiriam enganar-me com essa atitude? Algum dia, algum de vocês, se deu ao trabalho de, passados, por exemplo, 6 meses, de terem desejado um bom ano a alguém, irem confirmar se essa pessoa está mesmo a ter um bom ano? Fazem-no com as pessoas que importam, até numa frequência de tempo menor., obviamente. E aí nada contra. Mas não vão, a meio do ano, por exemplo no dia 30 de Junho, preocupar-se em ligar ao indíviduo do telemarketing, que vos tentou vender o pacote Telefone+TV+Internet da Clix e a quem, por acaso, desejaram um bom ano para saber se, realmente, e tal como o tinham desejado, o ano do tipo está a correr bem... Ele até pode, e batam na madeira, ter morrido. E vocês vão estar despreocupados, na vossa vidinha, sem sequer saberem que o vosso desejo de bom ano caiu no saco roto da entidade responsável por garantir que os nossos desejos são atendidos. Essa entidade, que, ou por ser inexistente, ou por ter desígnios próprios e incompreensíveis, é por si só uma razão para acharmos que não vale a pena desejar o que quer que seja a alguém. É que vale apenas pela intenção. O poder, propriamente dito, é inexistente. A não ser que estejamos a esfregar uma lâmpada mágica.

E aí não vamos desejar um bom ano ao tipo do telemarketing. Vamos desejar, obviamente, 5,5 milhões de desejos (não se deixem enganar quando encontrarem uma lâmpada e não estourem logo os desejos em dinheiro, gajas e vida eterna. Desde que descobriram este furo, os Génios da Lâmpada nunca foram os mesmos... "Se ao menos tivéssemos escrito um contrato", pensam eles "Mas não... Basta esfregar... Como fomos tão crentes? Como conseguimos acreditar tão cegamente que toda a Humanidade era tão estúpida como o Aladino? Tantos anos fechados numa Lâmpada mágica deviam ter feito de nós Génios mais vividos, mais matreiros... Mas não... Somos uns Génios da Lâmpada tão ingénuos como um bando de girinos acabados de nascer... Se calhar mais um bocado...").

Mas nem por isso vamos deixar de desejar um bom ano a toda a gente. E também não é por isso que vão deixar de nos retribuir. São as convenções sociais... Como a convenção social de ter que dar prendas no Natal quando ficaria muito mais barato e poupava-nos muita confusão, se déssemos as prendas no Dia de Reis... Não podemos viver sem elas, nem sem as questionarmos. É que se não o fizéssemos estávamos a fugir à convenção social básica para um jovem que é a de questionar todas as convenções sociais. E agora dei um nó na cabeça: "se , para um jovem, é uma convenção social questionar todas as convenções sociais. Devo questioná-las ou não?". É o "quem nasce primeiro? O ovo ou a galinha?" das convenções sociais.

Pensem nisso e, quando tiverem uma resposta, mandem um toque que eu tenho um tarifário bem jeitoso, graças ao fantástico operador de telemarketing que mo arranjou, a segunda melhor pessoa do Mundo, logo a seguir ao CEO da Fnac (já agora, se estiver a ler isto, um chequezito Fnac de 1 milhão de euros até que vinha a calhar... Pense nisso... Eu nem me importava de gravar um anúncio a dizer que "a Fnac é que é e não sei quê"... Fica no ar a ideia...).

E é tudo!

Um sincero, bom triénio! Lá para o meio de 2011 eu faço um follow up do vosso triénio, ver se ele está à altura, deste meu grande desejo: que vocês tenham o triénio mais maravilhoso que é possível alguém ter!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

5 segundos de avanço...


Quando vi o título de capa da Visão desta semana assustei-me... "Será que descobriram um vídeo caseiro do Marcelo Caetano na intimidade", pensei eu. Como se não estivessem a acontecer coisas suficientemente más por esse Mundo fora ainda íamos ter que levar com um vídeo porno do substituto de Salazar vestido de empregada doméstica e a ser açoitado por uma matrona vestida de inspector da PIDE... Afinal não era... Nem tudo é tão mau quanto parece...

É incrível o efeito que uma ambulância provoca no trânsito em hora de ponta. É muito semelhante ao efeito que o Moisés provocou no Mar Vermelho (pelo menos como eu o imagino). É impressionante a maneira como estas criam espaço onde ele não existe...

Hoje em dia, o mais próximo que podemos estar de alguém que adivinha o futuro é estar a ver um jogo de futebol na televisão ao pé de alguém que está a ouvir o mesmo jogo no rádio. É das coisas mais execráveis que se podem fazer a alguém! E, mais importante do que isso, faz-me prezar cada vez mais o livre arbítrio em que firmemente acredito. Basta os tipos estarem 5 segundos adiantados em relação a nós para estragarem completamente a experiência de ver um jogo de futebol: em relação às coisas más retiram-nos toda a esperança, já sabemos por antecipação que o Luisão não vai conseguir tirar a bola em cima da linha de golo ou que o Quim não vai defender aquele penalty. A desilusão é ainda maior visto que estamos a assistir à inevitabilidade da desgraça, a um esforço inútil e inglório "podes sair daí, Quim, não vais defendê-la". As coisas boas perdem a piada toda visto que antes daquele lançamento lateral já sabemos que a jogada vai acabar o golo, retirando-nos a emoção (quase) orgásmica de um golo da nossa equipa. As pessoas que fazem isto são umas bestas e mereciam ser protagonistas de um filme porno com o Marcelo Caetano! Os cafés onde estas pessoas estão deviam ter um aviso de "spoiler alert".

Por outro lado, provam-nos que o livre arbitrio é essencial para a nossa felicidade.

Que piada tem a vida se já soubermos o que vai acontecer com 5 segundos de avanço?

Triste de quem não dá o livre arbítrio como garantido: fatalistas em relação ao futuro, refreados em relação às emoções.

(No café onde eu estava a ver o jogo, houve uma besta que estava a ouvir rádio que se lembrou de anunciar, numa jogada a meio campo, o golo do Benfica. Se por um lado o tipo consegiu estragar-me o prazer de apreciar devidamente o golo da minha equipa, por outro lado deixou-me ainda mais desiludido quando a jogada acabou por não dar em nada... Poucas vezes odiei tanto uma pessoa como naquela altura... Logo a seguir outra besta encarregou-se de anular um golo limpo ao Benfica e, diga-se de passagem, consegui odiá-lo ainda mais... O livre arbítrio é bom, mas devemos ter cuidado ao usá-lo... Não podemos ter a pretensão de querer mudar o passado... A bola estava lá dentro, eu sei que a vontade do árbitro era defendê-la ele próprio, não conseguiu... Nem tudo corre como nós quremos... É assim a vida... Deixava passar e estava tudo bem... Quis abusar do livre arbítrio e foi o que deu...)

A gerência deseja a todos os frequentadores deste estabelecimento um Feliz Natal, se não nos virmos antes! (imaginem que isto está escrito numa montra com aqueles sprays de neve artificial e com umas luzinhas à volta que é para ficar mais bonito)

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Cantinho de solidariedade natalícia



Post para ser lido ao som de "If You Don't Know Me By Now" dos Simply Red ou "My Heart Will Go On" de Celine Dion

Como estamos no Natal e como já estou um bocado farto que isto seja o "antro de maledicência" a que estão habituados resolvi dedicar este pequeno espaço à caridade. Acho que todos devemos tentar contribuir para um Mundo melhor. Mesmo...

Sei que não vou mudar muita coisa com isto, mas pelo menos tento e isso é que é importante. Se, por um lado admito que o faço com uma certa motivação egoísta, a de não me sentir tão mal perante as situações terríveis que este Mundo me proporciona porque fiz a minha parte (culpem-me por ser humano). Por outro lado se todos fizessem algo (tal como eu) e tentassem alertar as consciências para os dramas da sociedade, este Mundo não estaria no estado em que está.

Sei que, pelo menos, os 3 leitores deste blog vão ficar sensibilizados (talvez fosse mais eficiente eu mandar uma SMS a cada um, mas vale a tentativa). Eu vou fazer por isso. E o caso é tão dramático que é impossível ficarmos indiferentes.

A causa para a qual vos venho alertar é o desemprego, nomeadamente o desemprego do Santana Lopes. Ninguém tem nada para dar que fazer ao homem? É desesperante ver uma pessoa a dispor-se à humilhação da maneira que ele se dispõe só porque não tem nada que fazer. Dói-me o coração ver alguém a vender o amor próprio e a dignidade só porque precisa de sobreviver. Sempre que há uma eleição lá vem o Santana que nem rato espreitar o furo a ver se arranja algo que fazer durante uns mesitos, mesmo sabendo que vai ser humilhado, enxovalhado, gozado e derrotado.

Não se riam! O homem também tem sentimentos! Chega de vê-lo a candidatar-se a eleições como se não fosse nada connosco. Estamos a destruir o Pedro com a nossa indiferença. Que sociedade fria e cruel é esta que vê alguém em pleno sofrimento e age como se nada fosse e, se for preciso, ainda participa na chacota. E chamam-lhe nomes! Coitado! Não sei como conseguem dormir de noite.

Quando o Santana perdeu as eleições para o PSD ainda tive a esperança que este tormento acabasse, que ele, finalmente, arranjasse um emprego decente e honesto, que, finalmente, encontrasse um rumo... Aliás, sempre que ele perde umas eleições eu tenho essa esperança. Até à próxima eleição, até ver o Santana colocar-se mais uma vez, qual menino de 8 anos franzino, de pernas tortas, de calções com suspensórios e óculos num recreio repleto de rufiões de 14 anos já com barba, no meio da zaragata só para sobreviver.

E eu sei que neste momento, vocês estão: "sim, de facto é triste, mas o que podemos fazer? É mau mas a vida continua...". Sim, é mau, mas a vida não continua. Pelo menos a vida como a conhecemos. A vida não pode seguir o seu curso normal quando há um homem, de carne e osso, a passar pelo sofrimento que o Pedro passa. A vida é mais do que mandar umas postas de pescada e ver o telejornal e acreditar que todos os males só acontecem aos outros. Imaginem que têm um Santana Lopes na família. Iam gostar desta situação? Pois, o Santana também tem família e não podemos olhar para isto como se nada fosse. Quanto à vossa pergunta, eu não me esqueci dela. Mas pelos vistos vocês esqueceram-se e eu vou ter que repeti-la. Esses cérebros de minhoca não dão para mais do que gozar com o pobre do Santana, não é? Vocês perguntaram-me o que é que podem fazer.

Podem fazer muito. Para começar dêem um emprego ao homem. "Ah, mas eu não tenho empregos para dar, quem me dera ter para mim e não sei quê...". Lá estão vocês com a vossa má vontade. É óbvio que a maioria de vocês não tem um cargo de administrador ou de dirigente desportivo para lhe oferecer. Compreendo e nem vou entrar por aí. Mas de certeza que, se se juntarem e discutirem a sério esta questão, sem a galhofa habitual com que falam do Santana, lá descobrem que um de vocês tem um cano roto em que o Santana podia dar um jeitinho (diz que o homem tem jeito para tapar buracos...), ou um interruptor para mudar ou o sifão entupido ou uma casa para pintar...

De certeza que, agora no Inverno, algum de vocês teve necessidade de limpar a chaminé... Lembraram-se do Santana? Claro que não! Nem sei porque é que pergunto... Só se lembram dele quando é para gozar, agora quando é para limpar chaminés "ah vou chamar o Serafim, que ele faz melhor serviço", "pois, mas o Serafim tem um Opel Corsa e foi de férias a Benidorm...", "Ah, pois, não sei, é capaz". Enfim... Não me enganam com essa atitude.

E se discutissem esta questão um pouco melhor ainda chegavam à conclusão que, pelo menos um ou dois de vocês conhecem alguém que precisava de uma senhora para ir lá a casa dar umas horinhas por semana a passar a ferro e a limpar os azulejos da cozinha uma vez por mês. Mas porque é que tem que ser "uma senhora"? Não pode ser o Santana? "Ah, mas ele não fica bem de avental". Pois, nem sei como responder a algo tão fútil... Eu digo-vos como é que ele não fica bem: Ele não fica bem se continuar a ser humilhado da maneira que é! O avental dar-lhe-ia uma dignidade que ele, neste momento, não tem!

Todos conhecem alguém que teve um filho bebé e que até gosta de sair à noite de vez em quando mas não tem ninguém que fique com ele e até pagava uns tostões mas está mesmo complicado para arranjar uma babysitter? Ouvi alguém dizer Santana? Espero que sim... (para quem não percebeu, é mesmo uma ameaça...)

De certeza que qualquer um de vocês tem um amigo de um amigo que tem uns contactos na Destak que o conseguia pôr a distribuir jornais num semáforo qualquer? Toda a gente conhece alguém que conhece um indíviduo que tem uma churrasqueira que está sempre a precisar de alguém para assar frangos. Vão-me dizer que o Santana não servia para isso? Pode não ser muito bom político, nem trapezista, nem neurocirurgião, mas a assar frangos conseguia ser minimamente competente e era sempre menino para animar a malta com umas histórias do Sá Carneiro ou da Cinha Jardim. Vocês têm é má vontade, desculpem lá que vos diga!

De certeza que, pelo menos um de vocês conhece alguém que emprestou dinheiro que nunca mais viu, e que até anda a pensar numa maneira de cobrá-lo e que, por acaso, até tem um fraque encostado do último Carnaval e que está sempre a dizer "É pá, já tenho o fraque, só faltava o cobrador..."? Eu conheço alguém que até fica muito bem de fraque... É preciso dizer mais? Parece que sim porque vocês nem assim percebem... Estou a falar do Santana que não é entroncado, nem é africano mas daria um excelente cobrador de fraque. Quantos de nós gostariam de ser perseguidos por um cobrador de fraque? Agora pergunto, quantos de nós gostariam de ser perseguidos pelo Santana Lopes vestido de fraque? Ui! Escusam de ir a correr pagar as dívidas, só estou a colocar uma hipótese... Se bem vos conheço, com a vossa má vontade, nem vos passou pela cabeça dar este biscate ao Santana, apesar de ser uma excelente ideia...

Na parte que me toca já ando a tentar arranjar-lhe uns biscatezitos... Conto que vocês façam o mesmo. É uma questão de imaginação. Troquem os contactos aí na caixa de comentários, juntem-se para tomar um cafézinho, criem uma associação (porque não "Associação dos Amigos do Santana"?), façam um single de solidariedade, umas rifas, um leilão, umas pulseirinhas de borracha cor-de-laranja, arranjem uns amigos sem braços para pintar uns postais com a boca... Não sei! Mas qualquer coisa serve para salvar um homem que faz questão de estar sempre à beira do abismo... E de cair do abismo e de se partir todo e de se voltar a meter à beira do abismo e assim sucessivamente... Até que algum de nós o ajude... Ajudem-me a ajudar o Santana! Juntem-se a mim no movimento:

Save Santana Lopes!


PS Já repararam na minha pinta a colocar links para o público que nem um maluco? Não digam a ninguém...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Algo vai mal no murroalho!


Isto do Mundo está a funcionar muito mal. No outro dia ouvi uma voz que me disse o seguinte:

- Vai reunir um casal de cada espécie de animais existentes na Terra, constrói uma arca de madeira e espera que chova… Vá! Andor!

Não sei o que isto quer dizer mas, obviamente, fiz ouvidos de mercador Até porque nessa altura estava a discutir a obra de Nietzsche com o meu amigo Saul (sim, vocês conhecem-no, o pequeno Saúl, do "bacalhau quer alho"… Hoje em dia é um nihilista convicto depois de descobrir que o animismo do qual era adepto e que o fazia acreditar que o bacalhau tinha vontade própria ao ponto de querer literalmente alho era só uma grande partida que lhe pregavam para o obrigar a vestir-se de Quim Barreiros… Só uma partida como estas pode levar alguém a vestir-se de Quim Barreiros de livre vontade… Isto é válido para o próprio Quim Barreiros…).

Embalado pelo tom da conversa respondi à voz:

- Tu não és Deus! Deus morreu!

- Morri? Então não estou aqui a falar contigo?

- Quem é que me diz que o facto de eu estar a ouvir a Sua voz não são alucinações devidas à feijoada à transmontana que comi ao almoço, que tão mal me caiu?

- Não é não… Queres ver?

BAM! Pulverizou o pequeno Saúl com um raio… Mesmo à minha frente…

- Eh lá! Grande truque… Mas, obviamente, não chega… - disse eu – Eu sempre avisei o Saúl que não devia sair à rua com tanto metal, mas ele sempre fez questão de andar vestido como o Homem de Lata do Feiticeiro de Oz… Dizia-lhe: "Saul, não saias à rua com tanto metal que ainda vais ser pulverizado por um raio…". Ele não me ligava. Preferia usufruir dos benefícios que essa indumentária lhe trazia junto do sexo feminino. Agora não sei que lhe faça, está ali pulverizado…

- Sérgio, não sei o que queres que te faça mais… Peço-te por favor! Anda lá, constrói a arca…

- Primeiro, quem é o Sérgio? Depois quem és Tu para me dares ordens?

- Sérgio és tu…

- Ah, pois sou… E a segunda pergunta?

- Sou Deus…

- Isso não chega… Boa tarde e passe bem…

- OK! Já que não me podes ajudar vou ali falar com o Fernando Ribeiro dos Moonspell.

- Força! Acho que não podes escolher melhor profeta…

Pela minha experiência, entre Deus e um operador de Telemarketing não há qualquer diferença. É preciso mandá-los calar 1500 vezes antes que eles nos deixam em paz. Ao menos os operadores de telemarketing ainda têm coisas interessantes para nos oferecer como o Canal Benfica, instalações grátis da Meo ou telefone + TV + internet por 49,99 €. Se o melhor que Deus pode fazer por nós é mandar-nos atrás de animais e construir uma arca gigante bem que pode começar a dizer adeus à sua profissão. Não me parece que é assim que ele vai chamar pessoas à boa e velha Igreja… É que o ópio do povo já não é o que era, pelo menos comparado com a televisão.

No entanto, se há lição que podemos retirar deste acto divino, chamemos-lhe assim, é que isto só lá vai com um dilúvio. É que isto do Mundo está a funcionar mesmo muito, muito mal… É que eu nem sei se lhe hei-de chamar Mundo, é que chamar Mundo a este Mundo é, tendo em conta as diferenças existentes, uma injustiça para com o Mundo de há uns tempos atrás. Como tal, vou passar a referir-me a este Mundo como murroalho. É um nome bem mais apropriado ao sítio onde hoje vivemos. E, já agora, isto do Murroalho está a funcionar muito mal!

Todos os dias acordamos neste Murroalho que Deus nos deu e ficamos a pensar: o que raio vai ser de nós? É o aquecimento global, é o crime, é a corrupção, é a falta de respeito para com os direitos humanos básicos da esmagadora maioria da população mundial, é o Sr. Capitalismo que sempre nos garantiu acesso incondicional a bens supérfluos e a gasolina no carro que está a dar o badagaio, sou eu que estou para aqui a escrever isto em vez de fazer qualquer coisa de útil para a sociedade… Eu sei lá… Mais valia começar isto de novo. É que não estou a ver solução nenhuma para o murroalho…

É possível começar de novo? Ou isto do murroalho é um daqueles erros irreversíveis?

O que é que fazemos ao Murroalho? Não sei... Talvez, mandá-lo pró...

(tocam as tarolas e eis que chegámos ao clímax de um texto sem sentido)

P.S. Sou só eu que penso que o verdadeiro Manoel de Oliveira foi trocado aos 50 anos por um Manoel de Oliveira supelente de 20 anos e assim sucessivamente até ao ponto em que o Manoel de Oliveira que supostamente vai fazer 100 anos amanhã é um jovem de 50? Ou isso ou ele é filho de uma tartaruga, o que, a ver pelo ritmo dos seus filmes, é bem provável... É que o homem está bem conservado demais para ser verdadeiro...

Agora a sério, é emocionante ver uma pessoa daquela idade com tanta lucidez e tanto dinamismo... Algo me diz que ainda vai fazer filmes durante muito tempo...

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Diálogo de solitária

- De onde vem a vida? - perguntei eu a mim mesmo.
- Muito boa pergunta! - acabei por dizer à minha pessoa - Mas não sei responder a isso, caro amigo... É que se soubesse não perguntava...
- Eu tenho essa mania de fazer perguntas complicadas.
- Pois... És um malandreco. - repliquei eu.
- Como é que sabes? Nem sequer me conheces... - respondi eu ao meu interlocutor, eu próprio.

- Será que se saísse daqui as coisas melhoravam? - voltei a perguntar-me.
- Talvez... Mas não saias... - respondi-me.
- Então e porquê? - inquiri-me, não escondendo um ar intrigado.
- É que eu não quero ficar sozinho.