terça-feira, 9 de outubro de 2012

God is watching you. He is also smelling you. That's part of his job...

Real porn is also God's porn

Como ateu faz-me alguma confusão a forma pacífica como muitas pessoas aceitam que estão a ser observadas permanentemente.

É que estão mesmo. Ou acham que a omnisciência de Deus é interrompida quando estão a dançar o "I will survive" em frente ao espelho da casa de banho (nunca fiz isso)?

Não considero Deus o tipo de público ideal para a maior parte das coisas que faço em privado. E até em público. Aliás, sentir-me-ia bastante intimidado se o conhecesse pessoalmente (para começar não saberia como cumprimentá-lo: dois beijinhos? Aperto de mão? Vénia? Deglutição de hóstia? Sacrifício humano? Nunca se sabe...). Quem acredita em Deus deveria considerar inútil usar roupa à frente do resto da Humanidade. A partir do momento que Deus já os viu em todas as situações embaraçosas possíveis e imagináveis porquê ter vergonha de nós, reles colónia de formigas ao pé d'Ele?

Concluindo, troco bem a ideia de uma vida eterna por alguma privacidade... E aqui fica o meu contributo idiota para a discussão de uma questão importante.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Nomes

As filhas da Luciana Abreu e do Yannick Djaló têm uma vantagem em relação às outras crianças. Se conseguirem preencher o cabeçalho dos exames tudo o resto parecerá fácil por comparação.

É por isso que para garantir que os nossos filhos tenham sucesso no nosso sistema educativo devemos baptizá-los com algo útil como a lista dos rios de Portugal, as Leis de Newton ou a tabuada dos 7. Assim, ao memorizarem o próprio nome estão a adquirir conhecimento. Pensem nisto, nunca uma pessoa teve sucesso por decorar "Pedro Silva". E "Sérgio Duarte" nunca foi sequer uma opção de resposta no "Quem Quer Ser Milionário". Por outro lado, uma criança chamada H2O nunca se vai esquecer da forma química da água e garantirá sempre o centro das atenções em noites de copos. A quantidade de piadas... E o sucesso que um indivíduo chamado Esternocleidomastoideu fará junto das mulheres? Terá à sua disposição toda uma multiplicidade de diminutivos como "Toideu", "Mastinho" ou "Cleidy".

sexta-feira, 16 de março de 2012

A dicotomia ditador-homossexual, segundo o ditador da Bielorrúsia Alexander Lukashenko


Esse ser execrável chamado Alexander Lukashenko, conhecido por ser o ditador da Bielorrúsia e o dono do melhor bigode ditatorial desde que Saddam Hussein foi deposto, segundo a revista Moustache (a revista mais lida por quem usa bigode, nomeadamente ditadores, jogadores de futebol dos anos 80 e hipsters), disse aquela que pode ser a frase do ano: "Antes ditador, que homossexual", equiparando a condição de ditador a uma orientação sexual.


Esta frase foi utilizada para fazer passar o ditador bielorusso por uma besta intolerante e ignorante. O que é verdade. No entanto, vou dar-lhe o benefício da dúvida e partir do princípio de que as suas palavras revelam algo mais profundo do que uma incompreensão absurda do conceito de orientação sexual (não revelam, é só um exercício).


Na minha opinião, esta frase poderia então terminar de duas maneiras:


"Antes ditador que homossexual... acreditem! Eu sei do que falo. Fui homossexual durante 5 anos e foi por isso que me tornei ditador. Aquilo não era vida para ninguém. Sempre de ressaca, uma vida social imparável e horas incontáveis de pedicure... Ainda bem que deixei de ser homossexual... Não tenho saudades absolutamente nenhumas daquele tempo, nem do Joaquin, o panamiano cruel que despedaçou o meu coração. Foi-se embora depois de uma noite escaldante de paixão e de vãs promessas de amor eterno, como viria a descobrir depois. Nem um bilhete deixou. Ainda dizem que os ditadores são maus. Comparado com o que o Joaquin me fez, aquilo que eu faço ao povo bielorrusso é uma brincadeira de criança, uma criança com a alma ferida e que só faz o que faz para chamar a atenção. No fundo, só queria que gostassem de mim."


"Antes ditador que homossexual... Enfim... Eu digo isto, mas na verdade, às vezes questiono-me se não será melhor eu abandonar isto de ser ditador que só dá chatices, mudar de guarda-roupa, descobrir um novo amor (de preferência alto, musculado e africano), abrir um negócio de compotas biológicas em São Francisco e ir a manifestações... Talvez adoptar..."

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Facadas nas costelas dos clássicos do cinema


Imagina que és um assistente do Leonardo Da Vinci e decides desenhar uns Ray Ban na Mona Lisa enquanto o mestre dorme.

O exercício é simples e pode ser jogado por toda a família na véspera de Natal ou por casais de swingers como quebra-gelo.

Se eu fosse produtor de Hollywood o que é que poderia fazer para assassinar os maiores clássicos do cinema?

Clube de Combate - Mudava um pouco o conceito do filme. Em vez de um Clube de Combate com pretensões de se tornar um movimento paramilitar anarquista, Tyler Durden (Brad Pitt) convence o narrador sem nome (Edward Norton) a criar uma delegação local dos Caça Cigarros (ou dos escuteiros) para mudar o Mundo através de boas acções.

The Shining - Em vez dos fantasmas das gémeas, o miúdo podia cruzar-se com um dinossauro cor-de-rosa e, em vez de se tornar um assassino psicopata que quer matar a família com um machado, Jack Nicholson torna-se testemunha de Jeová.

(Ter uma testemunha de Jeová à porta pode ser bem mais enfadonho do que ter um familiar a perseguir-nos com um machado. E mais assustador. Uma pessoa que nos quer matar com um machado não fala do fim do Mundo, vai logo directa ao assunto)

Taxi Driver - O taxista Travis Bickle torna-se sócio do Benfica e passa a ter mais com que se preocupar do que a degradação moral da sociedade.

Lista de Schindler
- A banda sonora seria composta pelos Scorpions ou pelos Aerosmith (a "Final Countdown" dos Europe poderia surgir nos momentos de maior tensão). As cenas do filme poderiam ser intercaladas com momentos de stand up comedy de humoristas judeus como Woody Allen ou Seinfeld. No genérico final não faltariam os indispensáveis bloopers.

Padrinho - Para assassinar este clássico bastava escolher Steven Seagal para o papel de Vito Corleone e Rob Schneider ou Myke Tyson para o papel de Michal Corleone.

Twelve Angry Men - Em vez de uma reunião de doze jurados, o filme seria sobre uma reunião de condomínio com um único ponto na ordem de trabalhos - permitir ou não que o vizinho do 4.º esquerdo faça uma marquise.

Casablanca - Transformava este filme numa comédia romântica em que o carismático e atormentado gerente do night club Rick's (Humphrey Bogart) seria uma mistura entre o estalajadeiro René de "Allo Allo" e o apatetado Hugh Grant.

Citizen Kane - Charles Foster Kane (Orson Welles) deixava de ser um barão da comunicação social para ser um industrial da área do tratamento de resíduos e Rosebud deixava de ser um trenó e passava a ser o descapotável da Barbie.

Psycho - A mãe de Norman Bates (que está morta) tem um caso romântico com o Bernie (do "Fim de semana com o morto"). Norman Bates não suporta a pressão de ter que lidar por um lado com os caprichos homicidas da mãe e, por outro lado com o espírito boémio do padrasto (que resiste muito bem ao álcool e nunca parece cansado) e vai estudar Fisioterapia para a República Checa. Morre de coma alcoólico numa discoteca enquanto ouve Venga Boys.

Tudo Bons Rapazes - Este filme passa a ser mesmo sobre bons rapazes que bebem leite antes de ir para a cama, vão à missa todos os domingos e atravessam sempre na passadeira. Pisam um bocado o risco quando se juntam para ver o filme do Tomás Taveira, que julgavam ser um filme sobre arquitectura. Confessam-se, penitenciam-se, rezam umas Avé Marias e fica tudo bem.

(Vão aos encontros da juventude a Madrid ver o Papa, mas cedo descobrem que aquilo é badalhoquice demais para eles)

O Bom, o Mau e o Vilão - Acrescentava uma nova personagem. Passava a ser "O Bom, o Mau, o Vilão e o Decorador de Interiores". No final juntavam-se para formar uma banda tipo Village People.

Condenados de Shawshank - Acrescentaria algum realismo a este filme no que diz respeito à vida na prisão: lutas de gangs, facadas nas costas, vazamento de olhos com colheres de café, o Morgan Freeman a ser sodomizado no chuveiro por supremacistas brancos e saraus de música clássica.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

A sabedoria


Não ponhas o carro à frente dos bois...

...a não ser que uma manada de bois corra na tua direcção e isso seja a única maneira de te protegeres. E um carro pode não ser suficiente... Se possível, tenta pôr outras coisas à frente dos bois. Um iate de 300 metros ou uma réplica exacta da Estátua da Liberdade podem salvar-te a vida.

Filho de peixe sabe nadar.

Mas não tem a capacidade de compreender provérbios, logo não se vai sentir tocado pelo elogio.

O que não mata, engorda.

E o que engorda pode eventualmente matar por rebentamento. Logo, o que não mata, também mata.

Quem tem cu tem medo.

É verdade. A operação de extracção de cu tornou-se comum em pessoas que pretendem levar a cabo acções que impliquem muita coragem, como subir o Evereste ou lutar contra um urso polar. A ausência de cu anula o efeito paralisante que o medo pode ter neste tipo de situações. Tem algumas desvantagens como por exemplo, tornar extremamente doloroso o acto de sentar.

O ladrão volta sempre ao local do crime.

Para quê? Este pedaço de sabedoria popular terá dado origem a quantos polícias incompetentes?

Morto por morto, antes a velha que o porco.

Discordo. Se é para optar, prefiro que morra algo a partir do qual se possa fazer rojões.

Quem tem boca vai a Roma.

Este provérbio originou a criação de uma nova política alfandegária em Roma, que impede a entrada de pessoas sem boca (e pinipons) nesta cidade. Pessoas sem boca (e pinipons) que queiram visitar Roma têm de o fazer clandestinamente. O que não é muito difícil, já que todos os caminhos vão lá dar.

Mulher que assobia, ou capa porcos ou atraiçoa o marido.

Não tem qualquer rima e é uma afirmação categórica do tipo "Se A então B ou C", logo, deve ser verdade. É o tipo de provérbio que dito com um tom de sabedoria nos vai fazer passar por especialistas em comportamento feminino e que nos permitirá fazer sucesso numa festa de talibans.

A cavalo dado não se olha o dente.

Este provérbio não deve ser interpretado como um incentivo a que analisemos a dentição de todos os cavalos que não nos sejam oferecidos. Deixemos essa preocupação para os dentistas de cavalos.

Em Coimbra, um lavrador a quem ofereceram um cavalo, observou-lhe os dentes, tal como é recomendado pela sabedoria popular, e prescreveu-lhe um aparelho fixo. O aparelho fixo afectou profundamente a vida deste cavalo, que se tornou alvo de gozo entre os seus parceiros e pouco apetecível para as fêmeas. Veio-se a descobrir que o cavalo afinal não precisava de um aparelho fixo. Precisava apenas de uma limpeza. Mas o dano estava feito e um aparelho fixo para cavalos não é nada barato. É quase tão caro como um T2 em Ermesinde.

Tudo está bem, quando acaba bem.

Tanto quanto é possível aplicar um verbo no presente ("está") a algo que acabou, ainda que bem.

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer.

O meu amigo Rogério deita-se cedo e acorda cedo todos os dias. Mas nem isso o fez crescer, nem, tão pouco, lhe deu saúde. O Rogério é anão, sofre de asma e tem alergia aos amendoins.

O último a rir é quem ri melhor.


O meu amigo João é sempre o último a rir porque é sempre o último a perceber as piadas. E mesmo quando não as percebe, ri-se por imitação. Além disso como sofre dos adenóides tem um riso que vai puxar demais à garganta e termina sempre com um rosnar suíno. Diria que o João é a pessoa que tem o pior riso do Mundo quer no que diz respeito ao timing, quer no que diz respeito à estética. É uma pessoa extremamente irritante no cinema.


sexta-feira, 6 de maio de 2011

A conversa mais irrelevante de sempre


Aqui há uns tempos estava a passear, descontraidamente, numa rua deserta. E ouço uma voz atrás de mim.

- Olha! Desculpa lá...

Olhei para trás, um tipo completamente aleatório chamava alguém. Como não havia mais pessoas à minha volta, era muito provável que essa pessoa quisesse mesmo falar comigo.

Eu não tenho nada contra pessoas até porque a maior parte dos seres com quem interajo são pessoas. E dessas interacções, por vezes, acontecem coisas boas. Se não existissem essas interacções, perderíamos tudo aquilo por que vale a pena viver neste mundo... Outras vezes acontecem merdas que gostaríamos que não acontecessem. Quem já foi abordado por testemunhas de Jeová sabe do que estou a falar. E ser abordado por alguém desconhecido na rua não costuma ser um bom prenúncio. Tudo pode acontecer. Um assalto, divulgação de novas religiões, inquérito, solicitação de horas, assuntos relacionados com droga, encontrar o amor da nossa vida. Todas as hipóteses são válidas, mas umas são mais prováveis que outras. Principalmente as hipóteses dentro do campo que vai do muito negativo ao neutro.

Parei e o homem veio ter comigo. Não deu para fugir, nem para ignorar... O embate ia mesmo acontecer. Restava esperar que não me ocupasse muito tempo para eu o poder esquecer e seguir com a minha vida que, pode não ser perfeita, mas tinha até aquele momento um grande aspecto positivo, ele não fazia parte dela. Só que ele, naquele momento, sem eu lhe pedir absolutamente nada, aquela pessoa decidiu que isso ia acabar. Ele ia entrar na minha vida.

Sobre a sua aparência, lembro-me apenas que tinha uma cabeça com olhos, nariz e boca, pelo menos um braço, duas pernas e tudo o resto que seria de esperar que uma pessoa tivesse. Não tinha nada que o destacasse como cabeça de atum, cornos ou uma semelhança incrível com uma celebridade (como por exemplo o actor brasileiro Paulo Betti). O que é pena, porque assim poderia sempre tirar algo desta interacção: uma história.

O que não é muito, mas no mundo em que vivo uma boa história para partilhar pode tornar-me o herói da noite no meu grupo de amigos.

- Sabem com quem falei hoje? Com um sósia do actor brasileiro Paulo Betti!
- Espectáculo! Mais uma rodada em tua homenagem. Tens sempre as histórias mais incríveis!

Ocuparia pelo menos um capítulo da minha autobiografia. Mas, infelizmente, a pessoa em questão era um gajo médio e ninguém vai contar uma história sobre um gajo médio.

- Uma vez falei com um tipo absolutamente normal.

Isto não é história.

A não ser que...

...esse tipo absolutamente normal se tenha dado ao trabalho de me abordar, em pleno dia, numa rua deserta, para me dizer uma das coisas mais estúpidas que uma pessoa alguma vez disse a outra (pelo menos desde que há registo)...

- Essa t-shirt... – disse-me ele. Ah! Eu tinha uma t-shirt da banda punk Ramones - ...é dos Ramones.
- Sim... – disse eu.
- Uma vez ouvi-os e eles não são grande coisa, pois não?

A sério? Não gostas de Ramones? E decides ter essa conversa com uma pessoa sobre a qual a única coisa que sabes é que gosta o suficiente de Ramones para possuir e usar uma t-shirt dessa banda? Se precisavas mesmo de manifestar a tua opinião sobre uma banda que só ouviste uma vez podias ter escolhido entre os milhares de pessoas com quem te cruzas que estão a usar outro tipo de t-shirts (há vários tipos de t-shirts: do Benfica, pólos da Lacoste, Hello Kitty, etc.). Podias até ter-me abordado num dia em que não estivesse a usar essa t-shirt. E aí teríamos uma conversa constrangedora sobre os Ramones. Uma conversa do tipo "não percebo porque me vieste dizer isso, deves ter problemas, vou fazer um comentário, sair de fininho e esperar nunca vir a ter um filho como tu". Mas não podias aguentar, não era? Há quanto tempo é que não conseguias dormir por causa disso? Querias um debate?

“Se há duas coisas que eu tenho a certeza nesta vida é que os Ramones não são nada de especial e que alguém tem mesmo que saber que é essa a opinião que tenho deles... Depois disto já posso morrer em paz..."

O que é que esperavas que eu te dissesse?

“Tens razão. Não prestam. Eu tenho a mania de usar t-shirts de bandas que não gosto porque acho que isso é a melhor maneira de mostrar ao Mundo o quanto não gosto delas. Digo-te uma coisa: se também comprares uma t-shirt de Ramones, podemos fundar um clube dedicado ao tema "Não gostar de Ramones". Olha, até podemos formar um casal, visto que temos tanto em comum. Queres casar comigo? Esperei toda a vida para te conhecer. Como é que te chamas? Não interessa! Vamos fazer amor!”

Qual foi o sinal que eu te dei que te levou a tomar a decisão de ter essa conversa comigo? Viste-me a existir, a respirar e a andar e, nesse momento, pensaste que eu tinha que ouvir umas verdades.

Como é que é o teu dia típico? Das 8 às 10 levas o teu carro a uma concentração de motards e dizes-lhes que andar de carro é bom, mais seguro, amigo do ambiente e confortável e que as motas são para pessoas irresponsáveis que têm complexos com o tamanho do seu pénis. Das 10 à hora de almoço estás à porta da Igreja perguntar às pessoas que saem da missa se acreditam em Deus e a ficar surpreendido quando elas te dizem que sim. Passas a tarde a dizer a toxicodependentes que a droga é muito sobrevalorizada. E à noite vais ao Estádio da Luz mostrar a tua incredulidade aos adeptos de futebol por eles não partilharem a tua opinião de que o desporto que elas gostam consiste apenas em 22 homens a correr atrás de uma bola. Se te perguntarem o que é que fazes na vida, o que é que respondes? Que a tua profissão é ter o máximo de conversas que não levam a lado nenhum?

Havia maneira mais explícita de mostrar que tenho uma opinião favorável sobre os Ramones do que usar uma t-shirt com a palavra Ramones? Mesmo assim precisavas de confirmar? Se visses um tipo com um cartaz a apelar à morte dos bielorrussos ias perguntar-lhe o que é que ele achava sobre a Bielorrússia? Se consegues interpretar sinais explícitos dessa maneira imagino o que é que fazes com sinais subtis. Deves fazer muito sucesso com as mulheres. Quando elas dizem que não gostam de ti, geralmente não gostam mesmo. A dificuldade em interpretar esses sinais subtis (sim, porque não há nada mais subtil do que “não”. Imagino que mesmo mulheres com t-shirts com a tua cara seguida das palavras "este gajo é merda" achas que tens hipóteses) pode tornar-te um violador. E depois, o que vais dizer no tribunal?

- Quando ela disse “não”, eu pensei que fosse “sim”. O Meritíssimo sabe como é que é, não sabe?
- Não... E condeno-o a pena máxima!
- Isso quer dizer que estou livre?

Um conselho que talvez venha a salvar a vida a alguém. Quando uma pessoa chora de dor é porque lhe dói alguma coisa. Nesse momento, talvez seja mais sensato parares.

Já não tenho mais nada a dizer sobre ti. Mas o Benfica perdeu ontem e precisava de descarregar em alguém. Não sei porquê, lembrei-me de ti quando tive esta conversa com uma pessoa:

- Então? Está tudo bem?
- Não...
- Porquê?
- O Benfica perdeu...
- OK! Mas e contigo, está tudo bem?

quinta-feira, 10 de março de 2011

A demagogia na óptica de um energúmeno



Aquele a que muita gente se refere como esfíncter hemorróidico de avestruz e a que outros, com mais receio de polémicas. chamam Miguel Sousa Tavares (MST) resolveu presentear-nos com mais uma brilhante opinião. É sempre positivo quando isso acontece já que as opiniões de MST, quando não são copiadas, são sempre hilariantes. Desta vez, MST aventurou-se pelo comentário político-social, tendo como ponto de partida o Festival RTP da Canção que, como sabemos, foi vencido por uma dupla de comediantes.

Olhando para a lista de vencedores deste Festival em anos anteriores, é fácil concluir que este certame dificilmente despertaria algum tipo de interesse a alguém que goste de música e que não seja masoquista ("Senhora do Mar (negras águas)" de Vânia Fernandes (2008) faz maravilhas em eventos S&M). A vitória dos Homens da Luta este ano é por isso uma lufada de ar fresco para este Festival porque ainda que, tal como a esmagadora maioria dos vencedores de edições anteriores, estes não produzam música de elevada qualidade, pelo menos, têm algum talento.

Aparentemente, para MST o festival da Eurovisão em Dusseldorf é uma oportunidade para agradarmos aos contribuintes alemães e levar a que estes nos emprestem dinheiro. Admito que estes pudessem ficar muito bem impressionados com "Baunilha e Chocolate" de Tó Cruz (1995), "Foi Magia" de Sofia Vitória (2004) ou "Dança Comigo (Vem ser feliz)" de Sabrina (2007). Admito ainda que, tendo em conta o refinado gosto musical que caracteriza os contribuintes alemães, a solução melhor para a economia portuguesa seria naturalizarmos o David Hasselhoff e escolhê-lo para nos representar na Eurovisão. No entanto, só MST poderia acreditar que a representação portuguesa na Eurovisão é determinante para o futuro da nossa economia (quem diria que com uma imaginação destas MST tinha que plagiar um romance fraquinho para ganhar uns trocos?). Segundo MST a salvação da economia portuguesa poderia passar por boas participações portuguesas nos Jogos Sem Fronteiras ou no Sequim D'Ouro. Não deixa de ser curioso verificar que, para MST, os alemães são como ele próprio: bestas sem sentido de humor.

A escolha dos Homens da Luta, segundo MST, pode levar a que, em última instância, os "deolindos" (um povo imaginário que vive nas unhas dos pés do MST?) sigam um líder maluco, graças a ideias demagógicas como a manifestação de 12 de Março. Ainda que concorde com algumas das causas dos precários, MST põe uma geração de jovens qualificados que não tem oportunidades nem perspectivas de futuro no mesmo saco em que põe os demagogos que defendem a demissão de todos os políticos. Para quem tem tanto medo de demagogia, MST não poderia ser mais coerente. Nada a que não nos tenha habituado.

Aparentemente, para MST, todos os movimentos que começam na rua acabam com um ditador. Estaria a referir-se ao movimento pelos direitos civis dos negros americanos, à luta das mulheres pelo direito ao voto ou ao movimento que depôs uns quantos ditadores no Norte de África?

Eu vou à manifestação no dia 12. É a minha obrigação cívica para com a minha geração. Não quero demitir todos os políticos, nem tão pouco defendo um regime ditatorial. Quero apenas exercer o meu direito à liberdade de expressão. À liberdade de expressar algo em que acredito (algo que não poderia fazer com um ditador). Não somos todos Homens da Luta?

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O elo perdido entre "Voltei, voltei" de Dino Meira e "Vem Devagar, Emigrante" de Graciano Saga



A vida do emigrante português foi sempre uma temática muito explorada pela música popular portuguesa. A ideia romântica de um povo em êxodo, espalhado por países ricos a exercer profissões de baixo estatuto, com grandes dificuldades e espírito de sacrifício tem alimentado vários artistas, mostrando-nos que o romantismo, embora bonito, nem sempre é fácil de digerir. E provoca azia.

O momento do regresso à pátria ainda que fugaz provoca todo o tipo de emoções e é alvo de orações durante todo um ano de sofrimento. Ano que começa a 1 de Setembro e acaba a 31 de Julho. Portugal, um país de descobridores, marcado pela saudade, pelo desejo constante de regresso.

Um país de viajantes, com o coração em Portugal e o corpo num subúrbio em Paris (e podia ser Goa, Mombaça, Japão... os tempos mudam o sentimento é o mesmo). Viajantes que trocaram as caravelas por Renaults 5 em segunda mão e Roulotes.

E é esse o tema central das duas obras que analiso aqui: "Voltei, voltei" de Dino Meira e "Vem devagar Emigrante" de Graciano Saga.

Comecemos por "Voltei, voltei". Dino Meira passou fugazmente por este Mundo. Deixou-nos com apenas 43 anos, o que faz dele o Jim Morrison da música portuguesa. Não só pela qualidade lírica mas também porque Jim Morrison quando morreu tinha o aspecto de um emigrante português de 43 anos de idade (e, que eu saiba, nunca carregou um saco de cimento na vida). Será sempre conhecido pelos hits "Voltei, voltei", "Meu querido mês de Agosto", "Juli Juli Julia", "Adeus Paris, até Lisboa", "Zum zum zum", "Viver viver amar amar" e "Oh Michelle". Era possuidor de uns frondosos caracóis e a sua tendência para a repetição de vocábulos indiciava uma certa gaguez (cf. "Voltei, voltei", "Juli Juli Julia", "Zum, zum, zum" e "Viver viver amar amar").



Na música "Voltei, voltei" Dino Meira expressa um sentimento de ansiedade relativamente ao seu regresso à Terra Mãe. Dino Meira "já não suportava ficar longe" do seu lar. Já estava cansado de ser explorado, do frio do país e das pessoas, das baguetes, da Torre Eiffel, de tudo. "Tanto pediu esse milagre" que, eis que chega Agosto e toca a fazer as malas. É a hora do regresso.

E, depois de tanta ansiedade, chega a Portugal! O que, nas palavras de Dino Meira, é um "milagre". Um "milagre", repito e deixo tempo para pensar...........................................................................................................

A não ser que Dino Meira tenha regressado de França montado num unicórnio ou a bordo de um tapete voador, é bem complicado descortinar a que é que ele se está a referir quando equipara a sua chegada a Portugal a um "milagre". É este o grande enigma de Dino Meira. Qual é o seu "milagre"?

Será que o sacrifício de estar emigrado em França era tão grande que até Agosto, esse extraordinário acontecimento de 31 dias que se verifica todos os anos logo a seguir a 31 de Julho, parece obra do nosso Senhor? Parece-me que esta é a interpretação mais óbvia. Mas algo me diz que o autor de "Arrebita" e de "O Homem vestido de branco" era dado a outras subtilezas.

Não estou a ver Dino Meira, que por debaixo daquela carapinha era guardião de uma sólida e vigorosa massa encefálica, a rezar a Nossa Senhora no dia 31 de Julho para que no dia seguinte apareça 1 de Agosto e ele possa, por amor de Deus, regressar à terrinha. Ele era mais complexo do que isso. Mesmo correndo o risco de abusar de referências aos belos caracóis desta personagem, não posso deixar de afirmar que a profundidade da sua alma era de tão difícil penetração como o emaranhado dos seus caracóis (reza a lenda que os caracóis de Dino Meira possuiam o dom da imunidade aos piolhos. Eram tão labirínticos que estes morriam à fome antes que pudessem degustar o couro cabeludo do artista). Mas isso não me deteve. O desafio era grande mas posso anunciar que, depois de muita reflexão e de noites perdidas a ouvir em loop esta obra emblemática da música produzida por homens brancos que usam afro, consegui quebrar o enigma de Dino Meira, ou como este é conhecido em meios mais eruditos, o Enigmeira.

A chave para a explicação do "milagre" está no refrão, que todos trauteamos com agrado mas a cuja densidade poucos prestam atenção:

"Voltei, voltei, voltei de lá.
Ainda ontem estava em França e agora já estou cá"

Pois, o grande "milagre" de Meira era ter conseguido chegar vivo depois de andar que nem um Fangio pelas estradas de três países e pelos Pirinéus. O sofrimento era muito, as saudades ainda mais. E é o peso de tudo isto no acelerador que fez com que o emigrante ontem estivesse em França e hoje em Portugal. E isto com quase 2000 km no bucho é milagroso.

Segundo o Google Maps, hoje em dia é possível fazer a viagem Paris Lisboa em 16 horas e 26 minutos. Mas muito mudou desde os anos 80, em termos de parque automóvel e de qualidade das estradas. E quando ouvimos esta música não pensamos num BMW a circular numa auto-estrada, pensamos num Renault 5 com 8 ocupantes a circular numa estrada nacional, com o tejadilho cheio de bagagem e paragens ocasionais para emborcar vinho tinto com gasosa. Fazer França-Portugal nestas condições em 24 horas é milagre, como nos diz Dino Meira. E é milagre que tanto emigrante tenha sobrevivido a esta tentativa de genocídio musical. Ainda hoje fico fascinado com a taxa de sobrevivência de viagens entre França e Portugal com esta cassete no auto-rádio.

Esta constatação levou a que um obscuro, mas não menos brilhante, artista surgisse para salvar os nossos emigrantes de uma morte na estrada.



Esse artista é Graciano Saga, autor do hit "Porque choras, criancinha?", que inaugurou todo um género musical que pode ser classificado como goth pimba. Este vem criar o antídoto para "Voltei, voltei" (completando a díade da Segurança Rodoviária da música Pimba). Esse antídoto é "Vem Devagar Emigrante". Já muito foi dito sobre esta anúncio de serviço público em forma de música popular, por isso vou contar a versão resumida.

A exemplo do apelido do autor, esta música narra a saga de um emigrante sem nome, que fazia uma viagem entre a Alemanha (país que transpira sensatez e racionalidade, ao contrário da França que transpira suor através de axilas peludas) e Portugal, possivelmente a ouvir Dino Meira, com o objectivo de visitar o seu pai que estava às portas da morte. O pathos ditou que o emigrante acabasse por falecer antes do seu pai, bem como a sua mulher e o seu "filhinho" numa estrada em Espanha (ou talvez em Benavente, fica a dúvida) na sequência de um choque frontal. As causas apontadas são o cansaço de horas de viagem e, como o uso da palavra "devagar" no título parece indicar, o excesso de velocidade. Esta tragédia culminou com a morte por desgosto do "paizinho" ao saber da notícia.

Incrivelmente toda a gente morre nesta música, menos o narrador que fica aqui para avisar todos os emigrantes dos perigos da estrada e do risco que correm se se continuarem a sujeitar às mensagens subliminares de Dino Meira. "Há tempo para cá chegar" diz Graciano.

Estas duas músicas surgem-nos como o yin yang da música pimba de prevenção rodoviária. Enquanto Dino Meira tenta puxar os emigrantes para uma morte certa ao volante, Graciano Saga pretende incutir regras e incentivá-los ao cumprimento do código da estrada, no que diz respeito ao excesso de velocidade e à necessidade de paragens de descanso, algo essencial em viagens longas. Para citar o velho ditado citado por Graciano Saga: "Mais vale um minuto na vida do que perder a vida num minuto". E eu acrescento este velho ditado: "Não há país mais belo que Portugal, principalmente se não estivermos estropiados devido a um choque frontal".

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Um Presidente falador




Se eu não me candidato a Presidente da República, e por mais do que uma vez isso já me foi sugerido (principalmente por objectos inanimados e carraças falantes), é porque não tenho carisma, não fui abençoado com o dom da oratória e porque possuo a profundidade de pensamento de uma Ruth Marlene ou de um pelicano com Alzheimer.

Aparentemente, este tipo de características não são obstáculos para Cavaco Silva, o que não deixa de ser uma esperança para mim, já que há carraças bastante persuasivas e pedaços de ardósia que colocam argumentos bastante convincentes a favor de uma eventual candidatura minha à Presidência da República. E como outra das minhas características que me levam a pensar que jamais me deveria a candidatar a este cargo é a pouca firmeza das minhas convicções, é bastante provável que um piaçaba me venha a convencer a embarcar numa aventura destas. E como almocei feijoada à transmontana com molho de iogurte tenho passado bastante tempo com piaçabas.

A verdade é que ser Presidente da República não é muito difícil. A prova disso é que há pessoas que conseguem avaliar positivamente o mandato de Cavaco Silva sem se rirem. Inclusivamente, há pessoas que apoiam Cavaco Silva como se fosse uma coisa normal, sem que os seus amigos e familiares os tentem encaminhar para opções mais saudáveis, como heroína, a IURD, o bestialismo ou o clube de fãs do Tony Carreira.

Ser Presidente da República exige apenas uma grande competência: saber gerir silêncios. Gerir silêncios, como quem está para dizer alguma coisa importante mas acaba por não dizer. Tendo isto em conta, diria que os candidatos ideais à Presidência da República seriam bons exemplos de gestores de silêncio: um mimo, uma raposa morta e o Malato amordaçado.

A minha tese segundo a qual saber gerir silêncios é a única competência exigível ao detentor daquilo a que se convencionou chamar o mais alto cargo da Nação (já que todos sabemos que ser o número 10 do Benfica é o mais alto cargo da Nação) pode fazer com que muita gente avalie como positivo o mandato de Cavaco Silva. De facto, algumas das decisões mais correctas de Cavaco foram decisões do tipo:

Diálogo interior: "Como é que é? Comento isto ou não? É melhor não. Vou ficar calado que dá menos trabalho".

Isto leva à ideia errónea de grande parte das pessoas segundo a qual o Professor Cavaco é um homem ponderado, um homem de tabus, um homem que sabe estar calado. Mas enganam-se...

Cavaco falou quando quis celebrar o dia da raça a 10 de Junho. Não que não seja importante que se crie um dia da raça em que cada pessoa se vista de acordo com a sua raça de cães predilecta (seria a oportunidade de que tenho estado à espera para finalmente estrear o meu fato de chiuhahua), julgo que era a isso a que Cavaco se referia. Mas desde a escola primária que eu sei que 10 de Junho é o dia de Portugal e das comunidades, o que me coloca à frente de Cavaco numa eventual corrida à Presidência.

Cavaco falou sobre o estatuto dos Açores. Desconheço o que quer que seja sobre esta questão e um Presidente não devia perder tempo com estas inutilidades. Quando eu for Presidente vou preocupar-me apenas com coisas que sejam importantes para os portugueses como presunto, a vida privada de pessoas que não interessam a ninguém e filosofia alemã do século XIX.

Cavaco falou quando promulgou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, fazendo questão de dar a entender que era contra. Embora seja uma posição preconceituosa, intolerante, mais próxima da Idade Média do que de uma sociedade em que somos todos iguais perante a lei é uma posição à homem. E isso é sempre de elogiar. No entanto, fazer coisas à homem é algo que está sempre associado a alguma insegurança sexual (case in point: Zezé Camarinha). É paradoxal, mas a homofobia é uma coisa bem mais homossexual do que uma parada do Orgulho Gay.

Cavaco falou quando quis defender o seu assessor que, lembre-se, andou a soprar boatos de escutas para jornais. Disse que o seu e-mail estava "vulnerável" e sobre quanto isso o preocupou. O que em termos de discurso político é equivalente àquelas janelinhas do anti-virus que aparecem no canto inferior direito.

Cavaco falou quando faltou ao funeral do único Prémio Nobel da Literatura português. Justificou a sua ausência por estar nos Açores na sequência de uma promessa que tinha feito aos netos. Faltar ao funeral até é compreensível, a não ser que Cavaco tivesse na manga algum dito espirituoso e profundo sobre a perda deste grande vulto da nossa literatura ou um número de sapateado surpreendente, o que duvido, a sua presença é perfeitamente evitável. A questão é: levar os filhos aos Açores? Eu não tenho nada contra os Açores, mas isso é o equivalente em viagens a dar meias com raquetes no Natal. E um Presidente que dá meias com raquetes aos netos o que é que tem para dar aos portugueses? Uma caixa de Ferrero Rocher e umas ceroulas?

Cavaco Silva foi muito bom Presidente, excepto quando falou. Se tivesse trocado a maior parte das suas intervenções por canto gregoriano em falsete, dança do ventre ou qualquer combinação das três actividades anteriores teria sido o melhor Presidente de sempre. Assim não...

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Sugestões natalícias para a vossa cara-metade

O Natal está a chegar e, se bem conheço os meus românticos leitores, é hora de surpreender a cara-metade, quer seja a namorada ou o namorado, quer seja a empregada de mesa cuja mão roça ao de leve na nossa quando nos está a entregar o troco, quer seja aquela pessoa especial que nos faz subir a uma árvore todas as noites para a observar com uns binóculos com infra-vermelhos enquanto troca de roupa e vê a telenovela... Toda a gente com o mínimo de experiência em relações sabe que o segredo para as manter é dar prendas, a santíssima trindade: aniversário, dia de S. Valentim e Natal. Falhem uma delas e põem em causa toda a estabilidade que esse relacionamento possa ter.

Deixo então uma lista de sugestões para prendas de Natal que surpreenderão e salvarão a vossa relação com essa pessoa que faz com que a vossa vida valha a pena e com quem querem passar a próxima eternidade (já pensaram em dizer isto àquela colega de trabalho que vos diz bom dia todos os dias e que de há duas semanas para cá deixou de usar aliança? Um pouco de sinceridade nunca fez mal a ninguém e estas palavras bonitas caem sempre bem).


Sugestão 1 - Kit casaco de peles Do It Yourself (DYI)




Este kit, que consiste num conjunto de facas e numa gaiola com um vison vivo, é o último grito da moda feminina. Não é novidade para ninguém que as mulheres adoram casacos de pele, principalmente as vegetarianas que só o são por inveja de quem possui casacos de peles, mas todos sabemos que melhor do que comprar um casaco de peles é fazer o nosso próprio casaco de peles (eu que o diga, que no outro dia matei duas toupeiras para fazer umas luvas e um flamingo para fazer um daqueles chapéus à chefe dos índios... o que me dizes a isto, índio dos Village People?)... Quando compramos um casaco de peles ignoramos todo o bonito processo que este teve que atravessar até chegar às nossas mãos (a fase da matança e a fase do escalpe são maravilhosamente agradáveis de executar). O kit casaco de peles DIY, que inclui um animal vivo e os instrumentos necessários para elaborar o casaco, vem colmatar a nossa necessidade de conhecer todo este ciclo de produção e tornar mais especial a experiência de envergar um casaco de peles. Ultrapassa e dá três voltas de avanço ao prazer de usar o casaco de malha que nos levou 6 meses a tricotar (e que bonito é esse casaco com o seu padrão cinzento e castanho e com flores nos ombros).

Este presente traz como oferta uma segunda intenção. Já que muitas mulheres podem ter dificuldades em confeccionar o seu primeiro casaco de peles sozinhas, é uma óptima desculpa para um programa romântico a dois, atirando para canto a demodée matança do porco.


Sugestão 2: Proporcionar-lhe uma daquelas experiências que mudam a vida

Quem passa por experiências traumáticas geralmente torna-se uma pessoa diferente. A vida passa a ter outro sabor. Dá-se mais valor às pequenas coisas (como elaborar o nosso próprio casaco de peles). Ganhamos desculpa para enveredar por toda a espécie de vícios que até então nos estavam vedados por sermos pessoas com uma vida perfeitamente normal. Garantimos entrada em tudo o que é terapias de grupo. É por isso que dificilmente imagino melhor prenda do que proporcionar a alguém uma experiência deste género.

Tudo depende da vossa criatividade. Vale tudo desde que tenha impacto e seja traumatizante. Dou-vos alguns exemplos:

- fazer passar a nossa cara metade por um estado de coma prolongado (eg. atropelando-a), proporcionando-lhe uma experiência de quase morte (aquela luzinha é imperdível) e um revigorante sono que pode ir dos 5 aos 40 anos;
- pagar a uns bandidos para se fazerem passar por extraterrestres, abduzirem a vossa mais que tudo e combinar as coisas de maneira a que sejam vocês próprios os grandes salvadores. Não só será uma experiência traumática como ela vos ficará eternamente grata por a terem salvo daqueles venusianos nojentos. Só não esperem que ela vá ver o ET convosco depois disto.

Se a vossa relação com ela é a de stalker-vítima, estão no bom caminho. Ela não vos vai esquecer... nem aos vossos postais escritos com letras recortadas do jornal...


Sugestão 3: Um dispositivo de micção feminino
Este dispositivo, que já foi considerado por pessoas insuspeitas, como o nosso Presidente da República, como a grande invenção do século XXI, veio revolucionar a vida de todas as mulheres. Com esta espécie de funil anatomicamente adaptado as mulheres passam a deter esse super-poder, até agora exclusivamente masculino, de urinar de pé. Este dispositivo faz mais pela emancipação feminina do que a pílula, o micro-ondas e o detergente em pó juntos. É uma boa prenda porque é útil, mostra que nos preocupamos com os seus problemas reais (já perdi a conta às vezes em que mulheres conhecidas e desconhecidas partilharam comigo a sua mágoa de serem obrigadas a urinar sentadas, atirando-me à cara que "eu nem sabia a sorte que tenho por ser homem e poder urinar em todo o lado e não precisar de estar em filas para a casa-de-banho, que muitas vezes até está vomitada") e vem obedecer aos seus desejos mais profundos, que, ao contrário do que normalmente acontece apesar da nossa extremamente apurada sensibilidade, não nos passaram despercebidos. Por outro lado dá-nos um pretexto para abordarmos a questão das necessidades fisiológicas da nossa namorada à frente de toda a família, o que é impagável, hilariante e digno de ser partilhado no Conan O'Brien, caso algum dia tenhamos oportunidade de lá ir (o segredo para termos uma vida interessante é só fazermos coisas que sejam dignas de serem partilhadas no programa do Conan O'Brien). Oferecer um dispositivo destes a uma desconhecida também não é de desprezar, já que, ao fazê-lo, nos tornamos imediatamente no homem mais sensível com que esta mulher se cruzou.

Sugestão 4: Sortido de brinquedos

Este brinquedo (cocó para usar na cabeça, para levar a corridas de cavalos ou para tornar mais fácil a superação do estádio anal, "controlar o esfincter é fácil, 80% de força de vontade e 20% de skill"):


Ou então este (peixe cor-de-rosa de brincar para ela fingir que está a comer peixe):


Ou, talvez, este (cabeça de camelo gigante, para se poder gabar a todos os seus amigos: "Eu tenho uma cabeça de camelo gigante e vocês não"):


Porquê? Não sei explicar... Se calhar é por serem brinquedos espectaculares, que vos farão subir uns pontos na escala da consideração delas... Podem jogar pelo seguro conjunto "Livro+perfume", mas lembro-vos que a vossa subida no ranking é proporcional à criatividade que mobilizaram na escolha da prenda e um chapéu em forma de cocó não é de desprezar.


Sugestão 5: Vídeo de vocês próprios com um barrete, uns óculos parvos e um cachecol a tapar a cara a fazer karaoke do hit de 1997 "Alane" do artista camaronês Wes (1.º lugar na Áustria, França, Bélgica e Holanda)

É irresistível, marcante e prometo-vos que ficarão irreconheciveis para a polícia. Está provado que cantar em bantu é a chave para o coração de 80% das mulheres (o coração das restantes 20% abre-se com cantonês... Para quando uma música do Julio Iglesias em Cantonês e Bantu? Será devastador...).

Fica aqui o vídeo e a letra para poderem treinar.





Wes - Alane

Son déri sang / Mini sondé
Bika mi sanga / ga minitou / mi pa mi tcho andou mi pao yé
Son déri sang / Minimi so bébi sondé..é
Bika misanga ganimitou / mi pa mi tcho andou mi pao yé

Alanné mba yi woma... wé / Ho tou sondé / Ho ma... yé
Alanné mba yi woma... wé / Ho tou sondé / Ho ma... yé

We ya senga / Has wéhé
Wanna wéndé lambo / hé hé hémentourek !
Hé hi yé yé yé (bis)

Son déri sang / hou hou hou hou hou / Mini sondé
Bika mi sanga / ga minitou / mi pa mi tcho andou mi pao yé

Alanné mba yi woma... wé / Ho tou sondé / Ho ma... yé
Alanné mba yi woma... wé / Ho tou sondé / Ho ma... yé

We ya senga wé / Has wéhé
Wanna wéndé lambo / hé hé hémentourek !
Hé... hi yé yé yé

Né ma ka ni kaso
Né ma pa ni kaso / Né ma pa sé pa
Né ma ka ni kaso / Né ma pané ka
Né ma pa ni kaso / Né ma pa sé pa
Né ma ka ni kaso / Né ma pané ka
Né ma pa ni kaso / Né ma pa sé pa
Né ma ka ni kaso / Né ma pané ka

Alanné mba yi woma... wé / Ho tou sondé / Ho ma... yé
Alanné mba yi woma... wé / Ho tou sondé / Ho ma... yé
Alanné mba yi woma... wé / Ho tou sondé / Ho ma... yé
Alanné mba yi woma... wé / Ho tou sondé / Ho ma... yé

We ya senga / Has wéhé
Wanna wéndé lambo / Yé yé yein
We ya senga / Has wéhé
Wanna wéndé lambo / hé hé hémentourek !

Né ma pa ni kaso / Né ma pa sé pa
Né ma ka ni kaso / Né ma pané ka
Né ma pa ni kaso / Né ma pa sé pa
Né ma ka ni kaso / Hé... hi yé yé yé


Para já não me lembro de mais sugestões. São livres para deixarem as vossas, sendo que garantidamente não são tão eficazes como as minhas. Para a minha cara metade organizei um cabaz de Natal que reúne estas 5 e um bacalhau. Finalizo com a sugestão:

Sugestão 6: Bacalhau

Para quem não sabe o bacalhau é um peixe que existe em abundância na Noruega. Nós, portugueses, gabamo-nos das 500 mil maneira que inventámos para confeccionar este peixe (Bacalhau à Braz, Bacalhau à Gomes Sá, Bacalhau com Natas...). Tradicionalmente é o prato preferido da maior parte das famílias na ceia natalícia (o sacrifício final das crianças antes de receber as prendas... "Querem as prendas? Comam o bacalhau."). É sempre uma prenda a ter em conta.

terça-feira, 21 de julho de 2009

O terror dos flamingos


Para quem não sabe, o Pacheco Pereira tem um programa de televisão da Sic Notícias onde, pura e simplesmente, diz o que lhe vai na real gana. E nunca é de desprezar o que vai na real gana do Pacheco Pereira. É por isso que acho que a Sic Notícias devia mudar-se para o apartamento do Pacheco Pereira (PP). Por um lado poupava imenso trabalho ao PP, que deixava de ter a maçada de despir o seu robe de seda para se deslocar a Carnaxide (e ninguém quer que o PP dispa o seu robe de seda). Por outro lado permitia-nos a nós, comuns mortais, um acesso mais facilitado à sabedoria do PP e, principalmente, à sua vida íntima. A Sic Notícias seria um misto de canal de notícias com reality show da vida de PP. Imaginem a seguinte situação:

Pivot da Sic Notícias: O primeiro-ministro José Sócrates anunciou mais uma medida de combate ao desemprego... Esperem aí, o PP deve querer dizer alguma coisa sobre isto... Ó PP o que é que achas disto?

...

Pivot da Sic Notícias: Ele agora não pode... Está a fazer amor... Esperem 5 minutos que ele já vem dizer alguma coisa sobre esta notícia, enquanto estiver a fumar a sua cigarrilha pós-coital...

E isto leva-nos a outra questão... Será que no meio de tantas leituras, tanta indignação, tantas crónicas o PP faz amor? Faz.

E esta é uma questão essencial, como diria PP. É que todos sabemos que não há nenhum homem ou mulher que seja digno(a) de fazer amor com PP...

Então faz amor com quê?

Outra questão essencial, admiro a coragem de quem a fez... A única criatura no planeta suficientemente nobre e sublime para fazer amor com PP é o flamingo. É esta a minha opinião desde a primeira vez que vi o PP. Ele é um flamingofucker, passo o neologismo . E se o PP é um flamingofucker o Paulo Rangel é um pelicanofucker, passo o neologismo. Mas isso é toda uma outra questão que, para já, não vou explorar.

Passados 5 minutos de o pivot da Sic Notícias, sentado na sala de estar de PP a desempenhar a sua função de nos informar sobre o que se passa no Mundo, interromper aquilo que o PP estava a fazer com um flamingo (chamado Ernesto), PP chega ao "estúdio", senta-se na sua poltrona, cheio de penas cor-de-rosa coladas ao seu corpo suado (no fundo vemos o flamingo a passar com um ar cansado vestindo apenas uma camisa do PP) e enquanto fuma a sua cigarrilha, mostra-se indignado com a notícia que o pivot acabou de dar. E nós não só levamos a sério alguém que acabou de comer um flamingo como também partilhamos da sua indignação, ou não fosse o actual Governo o culpado do estado lastimoso em que nos encontramos (apenas o actual Governo é o culpado pelo estado lastimoso em que nos encontramos, nunca o último. Razão pela qual o chamado eleitorado flutuante, vulgo eleitorado acéfalo, intercala sempre o seu voto entre estas duas opções, punindo sempre o actual governo e recompensando o saudoso trabalho do anterior, que, lembre-se, foi fortemente punido nas últimas eleições por ser o culpado de todos os males do país... a beleza da democracia... que, como disse Churchill (ou terá sido o taxista que me trouxe no outro dia do Via Rápida?) é o pior sistema político com excepção de todos os outros, visto que, ao contrário de todos os outros, que dependem apenas de uma ou duas pessoas estúpidas, geralmente de bigode, este depende de milhões de pessoas estúpidas).

Enquanto a Sic Notícias não se muda para a casa do PP as únicas e poucas (ironia) maneiras de ter acesso à enorme sabedoria de PP são a Quadratura do círculo, as crónicas no Público, as crónicas na Sábado, o seu blog e o seu novo Progama Ponto/Contraponto (e há quem diga que o PP é uma voz incómoda que muitos querem calar... que faria se não fosse?). E foi neste último programa, que tive a sorte de ver ontem, que PP nos presenteou com a mais brilhante e iluminada análise de um outdoor já alguma vez feita no exterior de um táxi.

Ponto prévio - os outdoors: quem é que baseia o seu sentido de voto num outdoor? Só os estúpidos... Daí a importância destes instrumentos de campanha... É que são os estúpidos que ganham as eleições. Posto isto, ao dar tanta importância aos outdoors, considerando-os um objecto digno da sua douta análise, o magnânime pensador PP é um reles e estúpido português igual a todos nós (sim, também eu voto com base em outdoors. Por exemplo, votei no BE nas eleições europeias porque era o único que tinha outdoors com gajas boas e só não votei no PSD porque tinha lá o Paulo Rangel, esse pelicanofucker ou pelicanófilo, passo o neologismo... mas isso são outras histórias...). E o facto de o PP ser um reles e estúpido português só é novidade para o próprio PP que se acha maior do que todos os outros reles e estúpidos portugueses (esta é a diferença entre os intelectuais e o povo para além do cachimbo... Sim, também estou a falar de ti, José Gil...)... Principalmente quando fala da cegueira dos reles e estúpidos portugueses em relação ao futebol. E não é por PP não gostar de futebol, ao contrário do que pensam as pessoas que interpretam as suas acutilantes opiniões sobre este desporto desta forma. O PP até gosta muito de futebol mas como na escola primária, devido à sua descoordenação motora, o mandavam sempre à baliza, zangou-se com o desporto e resolveu ir para a biblioteca escrever livros sobre o Álvaro Cunhal. Perdeu-se um guarda-redes medíocre, ganhou-se um programa televisivo chamado Quadratura do Círculo... O balanço é trágico... Se os seus colegas soubessem tê-lo-iam deixado jogar a avançado pelo menos 5 minutos... Mas ninguém gosta de perder...

("Os meninos não gostam de mim..." diria um choroso e inconsolável PP de 14 anos à sua mãe "Pois não! És gordo, estúpido, chato, tens a mania que és melhor do que os outros e, ainda por cima, não sabes jogar à bola... Serias um bom pisa-papéis se não fosses tão feio... Se te ouço falar outra vez do Álvaro Cunhal levas com um pau de marmeleiro nas costas que te f..." responder-lhe ia a sua mãe).

Mas estava eu a falar sobre a análise de PP a um outdoor. O outdoor em questão era o outdoor de José Sócrates. Segundo PP, este outdoor é, e passo a citar, "ofensivo para todos aqueles que acreditam na igualdade de género". Como só consigo ver os programas do PP de costas para a televisão* não vi o outdoor do PS na altura. Mas, pelas palavras de PP, esperava um outdoor em que um José Sócrates, de camisola interior de alças, com um garrafão de vinho numa mão e um cinto na outra, açoita violentamente uma mulher, prostrada no chão, como metáfora da maneira como este vai atacar a crise. De facto, seria um cartaz bastante machista e tipicamente português. Por isso, foi com espanto que passei por uma rotunda e vi isto:



E a questão essencial é: será que existem substâncias alucinogénias no traseiro do flamingo? Se sim arranjem-me já 4 ou 5 flamingos para levar para Paredes de Coura. Se não, não deviam deixar o PP andar por aí à solta nem, tão pouco, ter um programa de TV... Segundo PP, o olhar embevecido da mulher esverdeada que aparece ao lado de José Sócrates demonstra a misoginia de quem elaborou este cartaz, passando a mensagem de uma subserviência das mulheres em relação ao charme do Primeiro-ministro... E, perante isto, eu pergunto: "Misoginia, onde estás tu, minha querida?" (eu e a misoginia temos uma relação muito íntima...). Estou mesmo a ver o criativo que elaborou o cartaz a ter o seguinte diálogo com um indíviduo chamado "Man":

- Man, e se metêssemos uma gaja verde a olhar embevecida para o José Sócrates? Isto passa a mensagem de que as gajas gostam do José Sócrates, o que leva as outras gajas a gostarem do José Sócrates...

- Isso não é um pouco misógino? - perguntaria, o sempre sábio e esclarecido, Man.

- Mi... O quê? Eu acho que é, tipo, genial... o Sócrates, uma gaja verde...


- Então faz lá isso... Estou-me a cagar... Só quero é receber o meu...


- Man?

- Diz...

- Tive uma ideia... E se puséssemos o Sócrates a salvar a gaja verde do Hulk, tipo, estás a ver? A gaja é verde, por isso o Hulk, que também é verde, gosta dela e quer levá-la mas o Sócrates não deixa...

- Mas o Hulk é bom, isso faria o Sócrates passar por mau da f... Mas porque é que eu me dou ao trabalho? Esquece isso! Já te estás a esticar. Mete lá a gaja verde a olhar para o Sócrates que o Pá está-me a mandar uma SMS para irmos ter com ele àquele sítio do outro dia, comer chouriço assado...

- Ya, Man... tá-se bem...

Até compreendo a revolta de Pacheco Pereira perante tão vil e rasteira machadada na luta pela igualdade de género... Não por esta fazer sentido, mas porque que não há muito para dizer sobre os outdoors (o que é que há para dizer sobre um cartaz com um slogan e a cara de um tipo?) e, como é parvo, teve que inventar qualquer coisa parva para dizer... É a cena dele... Isso e flamingos...



* Não é pelo seu aspecto asqueroso... é apenas por gostar de o imaginar a dizer as coisas que diz vestido de duende, montado num flamingo mágico, num Mundo feito de gomas e marshmallows.


P. S. Para quem não sabe, apesar de ainda não ter publicado nada, escrevo noutro blog, que tem um registo mais sério do que este (se estão à espera de encontrar pornografia de flamingos e Pachecos Pereiras desenganem-se), e que partilho com os meus amigos e sagazes pensadores da actualidade: Freddy, Daniel e Bob. Visitem-no:

www.ydiossincrasias.blogspot.com

sábado, 2 de maio de 2009

É um pássaro? É um avião? Não! É o Alberto João!


Tenho muita admiração pelo político (e pelo homem) que é Alberto João Jardim. Tanta admiração que acho que deviam enfiá-lo num frasco gigante de formol para, assim, conservarem melhor este portento da espécie humana que é o Presidente do Governo Regional da Madeira. Pelo bem das gerações futuras.

Muitas vezes ouvimos as pessoas do Continente (e as do Pingo Doce, embora menos frequentemente) a falar mal do Alberto João Jardim. Quantas vezes não ouvimos dizer que ele é um ditador, que ele é prepotente, que ele é rude, que ele parece um orangotango hermafrodita que foi abusado sexualmente em criança por um grupo de chimpanzés e que, por isso, foi entregue pela sua família biológica a um grupo de hienas?

Confesso que já estou farto disto! Parem de o comparar a um orangotango!

As pessoas da Madeira elegeram-no democraticamente. E quem melhor do que as pessoas da Madeira para conhecer o Alberto João? Ao fim ao cabo são vizinhas dele. Se escolhem votar nele há tantos anos, ainda que sob ameaça de perder o emprego e de ver a sua família cair em desgraça se não o fizerem, é porque ele até é competente (já para não falar dos seus outdoors). E não, não é assim tão parecido com um orangotango, embora concorde que pelos seus modos, bem que podia ter sido adoptado por um casal homossexual de hienas.

O último ataque de que este grande estadista foi vítima tem a ver com a acusação de que gastou meio milhão de euros em viagens "secretas".

Perante um título destes a tendência é pensar que o Alberto João andou a gastar o orçamento do Executivo em viagens "secretas" ao Brasil ou à Tailândia por motivos turísticos. E se fosse? Todo o justo merece o seu descanso... E há alguém mais justo do que Alberto João Jardim?

E não é "justo" da mema maneira que uma calças de cabedal de tamanho 32 ficam justas a uma pessoa que veste o 44.

Embora deva lamentar que não possamos vestir a pele do Alberto João Jardim. Se o pudéssemos fazer, não só chegaríamos à conclusão de que esta não é, de todo, justa (teriamos que subir um bocado as bainhas e estreitar a cintura) mas também, e principalmente, compreenderíamos o que é estar, literalmente, na pele deste grande estadista (e não é fácil... principalmente durante o Carnaval).

Mas não... O Alberto João Jardim não foi ao Brasil nem, tão pouco, à Tailândia. É falacioso tirar este tipo de conclusões sem uma reflexão prévia sobre o conceito de "viagens secretas". E levanto a seguinte questão para que possamos fazer uma espécie de brainstorming... Que razões é que levam alguém a fazer viagens "secretas"? Podem responder... Não tenham medo... Façam de conta que o Alberto João Jardim não lê este blog...

Prostituição.

Pedofilia.

Uma amante.

Gastronomia.

Porquê Gastronomia? Isso é mesmo ridículo! Quem faria uma viagem "secreta" por motivos gastronómicos? Porque é que alguém haveria de esconder isso?

Se fosse antropófago...

Bem visto... Mas devo dizer-vos uma coisa. Todas as vossas razões são ridículas e vão de encontro à ideia falaciosa de que há qualquer tipo de má intenção de Alberto João Jardim por detrás das suas viagens "secretas".

Só há um motivo pelo qual imagino um homem como Alberto João Jardim viajaria secretamente e esse motivo é salvar o Mundo. E não se pode querer salvar o Mundo sem gastar dinheiro... Peço desculpa a todos os indíviduos de óculos do Tribunal de Contas que criticaram o meio milhão de euros que o Executivo da Madeira gastou em viagens secretas, peço desculpa por esse dinheiro não ter sido investido em material de escritório, computadores ou comida para os pobres. Salvar o Mundo não é uma coisa assim tão importante pois não?

Pois eu digo-vos isto, os meus pedidos de desculpa são irónicos. E declaro com todas as minhas forças: deixem o Alberto João Jardim em paz. Deixem-no fazer ao Mundo o que ele fez à Madeira. Não viveriamos num Mundo melhor se, tal como os madeirenses, tivéssemos acesso gratuito a um jornal diário com crónicas do Alberto João Jardim? Este Mundo não seria um local bem mais respirável se, tal como os madeirenses, toda a gente tivesse acesso a um fogo de artíficio tão magnânime na passagem de ano?

Será que vamos criticar o único super-herói que temos só porque uns indivíduos de óculos do Tribunal de Contas nos dizem para o fazer?

Devemos é ter orgulho no Alberto João Jardim que, de dia, é o calmo, sensato e bondoso Presidente do Governo Regional da Madeira e, à noite, depois de vestir o seu fato de licra e de vestir as suas cuecas por cima desse fato de licra, coloca uma capa e um capacete de gladiador e, na sua banana voadora, vai salvar o Mundo, livrando-nos de todos esses bastardos e maltrapilhos que o assombram.

Conseguir isto por meio milhão de euros é uma pechincha, senhores do Tribunal de Contas.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A que é que corresponde um ano de corta-unhas em anos humanos?



O dia 11 de Abril é um dia muito especial... Porque foi o dia em que nasceu Léo-Paul Desrosiers, famoso romancista do Quebeque? Também e já esperava que me atirassem à cara... Mas há algo de muito mais importante que aconteceu neste dia. O dia 11 de Abril está para o Mundo como o dia 11 de Setembro está para o terrorismo ou está para a blogoesfera como o dia em que nasceu Jesus Cristo está para o nosso calendário. Porque foi neste dia, 11 de Abril de 2008, que este blog foi criado (actualização da data de hoje no meridiano da blogoesfera: 13/1/1 d. CuM (depois de Corta-unhas melancólico).

Um post sobre o Mário Machado (que início tão auspicioso...) serviu para inaugurar este espaço que marcou indelevelmente a vida de todos os que por aqui passaram. Este blog fez 1 ano no passado dia 11 de Abril. Um ano em que dei tudo de mim, um ano em que vos fiz chorar de alegria, um ano em que vos fiz chorar de tristeza, um ano em que a vossa rotina diária deixou de ser "acordar-tomar pequeno-almoço-tomar banho-trabalhar-jantar-dormir" para passar a ser "acordar-ler o corta-unhas melancólico-ficar inconsciente de tanto rir-recuperar a consciência-voltar a ficar inconsciente com a recordação do post-voltar para a cama e rezar a Deus para que aqui o vosso amigo escreva outra coisa no dia seguinte, mas se não fizer não faz mal eu volto a ler o último post porque vou sempre descobrir novas nuances e interpretações".

Este último dia 11 de Abril foi um dia histórico que não podia deixar de assinalar. Com 13 dias de diferença. é certo. Mas assinalei-o e estou muito agradecido a mim mesmo por isso.Apesar de tanto tempo de atraso fui também a única pessoa a fazê-lo. Nenhum de vocês (sim, vocês os 2, estou a falar convosco...) se lembrou de me felicitar pelo primeiro aniversário deste blog. Nem um fogo de artifício, nem um mega concerto com as minhas bandas preferidas, nem um almoço na Mealhada (e vocês sabem muito bem que eu adoro leitão...). Nada! Nem uma SMS... E não ter o meu número não é desculpa. Se vocês precisassem, como já aconteceu, que eu vos ajudasse com alguma questão relativa a processos criminais eram meninos para me ligar. Sabem da minha influência e sabem que uma palavra minha pode fazer parar o Mundo caso eu o entenda (a propósito, a razão de o hemisfério norte estar virado para cima e de o hemisfério sul estar virado para baixo tem a ver com o simples facto de não me apetecer viver num hemisfério que implicasse que eu andasse sempre de cabeça para baixo... É perigoso porque concentra demasiado o sangue na cabeça e se eu quisesse andar sempre assim limitava-me a fazer o pino).

Enfim... Vou-me deixar de parvoíces e falar um bocado a sério. Este blog fez um ano e há uma conclusão que posso tirar: ainda não cheguei ao 100.º post, o que é vergonhoso. De qualquer maneira nunca pensei que conseguisse aguentar uma coisa destas tanto tempo e a escrever com alguma (não muita) frequência. Foi algo que me deu imenso gozo e, modéstia à parte, fiquei orgulhoso quando acabei de escrever alguns posts (não muitos...). Descobri o gosto pela escrita e descobri um hobby que me faz sentir bem.

Mais do que isso o blog permitiu-me tomar contacto com o Mundo da blogoesfera (talvez a palavra Mundo seja um bocado exagerada quando estamos a falar de blogoesfera, prefiro usar a palavra "coisa")... permitiu-me tomar contacto com esta "coisa" da blogoesfera. Até ter um blog achava que a blogoesfera era uma espécie de reino absolutista do Pacheco Pereira. Mas não é... Acho que aquilo que mais me motivou para não desistir de actualizar o blog passadas duas semanas foram os comentários que fui tendo de "desconhecidos" (até então) que alimentavam o meu ego com críticas positivas, que permitiram enriquecer a minha perspectiva sobre determinados assuntos (recordo com nostalgia aquele anónimo que me mandou para o "caralho que me foda", passo o vernáculo, a propósito de algo que escrevi sobre o João Pedro Pais), que me faziam rir, e que me deixavam muitas vezes agarrado ao e-mail à espera de comentários (quão doentio é isto?). É escusado estar com coisas. Por muito que me dissesse que escrevo apenas pelo prazer de escrever (e em parte é verdade) estaria a mentir se não dissesse que gosto muito de receber comentários. Principalmente porque tenho a sorte de as poucas pessoas que passam por aqui serem extremamente interessantes (sendo que os blogs de algumas delas fazerem agora, de certo modo, parte da minha vida... É engraçado...). É um privilégio ter as vossas visitas!

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Apenas um oceano os separa...

De uma maneira estranha acho estes dois discursos bastante semelhantes:

O discurso de Obama na Convenção do Partido Democrata de 2004 que marca o momento onde este se tornou mundialmente conhecido e onde partiu da história da sua família para louvar os EUA:



E o discurso de Tino de Rans no Congresso do PS:



Embora o discurso de Obama seja emocionante e o discurso do Tino de Rans seja... coiso, ambos fazem referência às suas origens humildes, ambos são extremamente elogiosos para o líder do Partido em questão (John Kerry no caso de Obama e António Guterres no caso de Tino de Rans), ambos foram ovacionados constantemente e o discurso de ambos culminou com toda a gente a gritar o seu nome. Resta acrescentar que, após estes discursos, ambos tornaram-se figuras incontornáveis na política dos seus respectivos países: Barack Obama acabou por tornar-se Presidente dos EUA e Tino de Rans lançou o grande êxito "Pão, pão".

Será que Tino de Rans é o Barack Obama português? Ou Barack Obama é o Tino de Rans americano?

Depois disto fica o orgulho de ter sido das primeiras pessoas a colocar Barack Obama e Tino de Rans no mesmo patamar...

domingo, 5 de abril de 2009

Big Marco is Watching You - Manifesto


Devido a uma falta de inspiração que me tem afectado ultimamente, possivelmente relacionada com a inalação de quantidades absurdas de pólen, tenho presenteado os meus 2 leitores (entre os quais eu me incluo orgulhosamente) com ideias peregrinas susceptíveis de mudar a nossa maneira de estar no Mundo. Substituir a nossa consciência pela plateia do Preço Certo e associar à mudança da hora uma mudança de espaço são as mais relevantes. Poderia acrescentar muitas outras que caem todos os dias na sarjeta devido ao facto de cometer essa terrível falha (para a Humanidade, claro, já que a mim tanto se me dá) de não andar constantemente acompanhado por um escravo que transcreva tudo o que eu digo durante as parcas 24 horas que constituem um dia. Um apanhador de pérolas, como eu gosto de lhe chamar.

Não podia, no entanto, deixar de juntar ao meu rol de inovações esta última que me assola a mente há muitos anos, já que para além de ser algo passivel de mudar o Mundo é uma ideia revestida daquilo que de mais bonito tem a natureza humana, a gratidão, a lealdade e o reconhecimento dos méritos de outrém.

Mandar o José Mourinho para Itália não paga nem uma pequena fracção da gratidão que temos para com este país por nos ter confiado o seu bem mais precioso. A pessoa a que me refiro (embora o termo "pessoa" seja demasiado redutor para definir esta entidade que nos transcende a todos pelo seu talento, pelas suas características humanas e pela sua beleza divina) podia, facilmente, ser grande em Itália, no Mundo, naquele planetazinho que está prestes a ser descoberto e onde estão muito mais avançados do que nós ou no Paraíso, mas escolheu-nos a nós. Escolheu presentear Portugal com a sua presença, tornando-nos um povo mais feliz, embora nunca verdadeiramente digno dele. Até por aí se vê o seu altruísmo fora do normal. Mesmo não sendo dignos de partilhar o seu espaço geográfico, ofereceu-nos tudo o que tinha de melhor.

A pessoa a que me refiro é Marco de Camillis e, apesar de ter a consciência que nós, Portugueses, por muito que tentemos, jamais conseguiremos retribuir-lhe devidamente tudo o que ele fez pelo nosso povo, venho aqui propor um pacote de medidas para demonstrar a nossa gratidão a este vulto da dança, que nos escolheu como receptores da sua magia, ensinando-nos a dançar, alternando entre o austero e o caloroso nos devidos momentos e conseguindo ser severo como um pai quando precisamos e doce como uma taça de aletria quando merecemos. Sobretudo, foi o melhor amigo que este país poderia ter tido.

Na vida de um homem, chega a altura em que nos deparamos com uma causa pela qual vale a pena morrer, o sentido da vida como muitos lhe chamam. Eu encontrei a minha, lutar para mostrar a nossa gratidão à melhor pessoa (mais uma vez sublinho os limites deste termo quando aplicado a algo tão grandioso como Marco de Camillis) que este Universo já viu. Marco, este que morreria por ti, saúda-te!

Nunca a cidade de Roma, conhecida pela sua monumental história e por ser um dos berços da civilização tal como a conhecemos tinha assistido a algo tão grandioso como aquilo que se passou em determinado dia de 1966, o nascimento do pequeno Marco de Camillis (na biografia que pode ser lida no seu site oficial não discrimina o dia de 1966 em que Marco nasceu, o que é compreensível dado que não se pode restringir a um só dia algo de tão magnânimo como a vinda ao Mundo deste Ser). Este acontecimento marcou de forma intensa este país que teve um pouco de dificuldade para lidar com algo tão fenomenal. Uma coisa é ser o epicentro de um Império que domina o Mundo, outra coisa é ser o local que Deus escolheu para mostrar ao Mundo a derradeira prova da sua existência, uma metáfora viva que ultrapassa a própria perfeição, um talento para dançar/coreografar tão intenso que conseguiu ofuscar todos os feitos atingidos pelo Homem até então. O que até aí tinha sido grandioso passou a mediano a partir do momento em que um Marco de Camillis recém nascido presenteou toda a multidão que se juntou nesse dia de 1966 para contemplar o inaudito milagre do seu nascimento, com um pas de deux perfeito. Nada de tão belo tinha sido visto até então e só a grandiosidade dos seus feitos subsequentes permitiu às pessoas relativizar esse pas de deux (que por si só bastaria para colocar o pequeno Marco no Olimpo dos coreógrafos) e encará-lo como um simples "gugu dadá" no percurso conducente à grandeza protagonizado por Marco de Camillis.

Esse mesmo Marco de Camillis que nos escolheu como palco para a sua arte. Foi com ele que nos emocionámos quando trabalhava humilde e afincadamente com o ingrato objectivo de pôr os canastrões da Operação Triunfo a moverem-se com maior ligeireza. Um trabalho ingrato para estes jovens, dado que a obsessão de todo o aprendiz em superar o seu mestre transformava-se no seu caso, num misto de frustração e devoção que se revelava nos momentos em que olhavam embasbacados para os movimentos sublimes de Marco e se resignavam à sua condição de comuns mortais.

Mas foi no momento em que Marco começou a ensinar danças de salão às nossas celebridades que finalmente percebi a dimensão do fenómeno a que me era dado o prazer de assistir todos os Sábados à noite. É com emoção que recordo o cha-cha de Marta Melro, o hip-hop do Girafa, a maneira desenvolta com que aquele rapaz que fazia de Zé Milho nos Morangos com Açúcar se abanou ao ritmo do fox-trot, os movimentos harmoniosos de Nuno Markl a dançar o tango, a coreografia magistral que deu o 8.º lugar (nada mau!) a Sónia Araújo na final europeia do Dança Comigo... Momentos perfeitos que por si só dão sentido a esta vida! Coreografias vindas directamente do céu para serem interpretadas por comuns mortais. E como as danças de salão devem ser praticadas a 2, a única maneira de se tornarem ainda mais gloriosas seria se fossem interpretadas por dois Marcos de Camillis. É óbvio que isto não passa de uma utopia, este Mundo é pequeno e reles demais para merecer a benção de ter dois Marcos de Camillis. Contudo, vêm-me lágrimas aos olhos só de pensar na possibilidade de contemplar dois Marcos a dançarem o tango. Desculpem o ritmo embargado deste manifesto, mas estou a falar de algo que me toca mesmo cá dentro.

O que é que o nosso pequeno Portugal fez para merecer isto? Nada. O que é que o nosso país pode fazer para retribuir a Marco de Camillis tudo o que ele lhe deu? Nada que faça o mínimo de justiça a este Homem.

Eu sei que é ingrato e imagino que a vossa revolta não seja mais pequena do que a minha. Apesar de ser impossível agradecer devidamente a Marco de Camillis, podemos sempre tentar, aplicando na prática tudo aquilo que ele nos ensinou. Podemos não ser perfeitos, podemos não conseguir atingir os nossos objectivos, podemos até ouvir uns berros com sotaque italiano por isso, mas devemos sempre tentar... Tenho a certeza que era isto que Nuno Markl e Carlos Lopes tinham em mente quando subiram ao palco do Dança Comigo para demonstrar uma total inépcia para a dança. Apesar de terem provado o néctar da pedagogia Marco de Camilliana não o conseguiram transformar em nada a que se possa chamar dança. No entanto, como o aprendiz que se pune com vergastadas por não conseguir absorver os ensinamentos do mestre, Carlos Lopes e Nuno Markl subiram ao palco como que a mostrar: "A culpa disto não é do Marco de Camillis, a culpa é minha, que não sou digno de respirar o mesmo ar que este respira, e com isto faço hara-kiri público para gáudio de todos vós que não resistem em soltar gargalhadas, quais flechas assassinas que se cravam no meu coração. Mereço tudo isto e pior! Faço este sacrifício por ti, Marco".

Proponho então uma série de medidas para demonstrar, ainda que de forma bastante simbólica, a nossa gratidão a Marco de Camillis:

O mês em que se celebra o aniversário de Marco de Camillis deverá passar a ser conhecido como Dia de Marco de Camillis e da Nação. Nesse mês decorrerão festividades ininterruptas e cada dia será dedicado a um estilo de dança. TODOS os portugueses deverão participar. Sentado num trono de ouro maciço revestido de diamantes de 200 m de altura e com um sistema de massagens, Marco de Camillis deverá assistir a esta exibição dos portugueses e terá o direito natural de fuzilar todos aqueles que não cumprirem os seus apertados requisitos de qualidade no que diz respeito à perfeição de execução. Todas as pessoas deverão oferecer a Marco de Camillis um presente (mínimo 1000 €). Sendo que nenhum desses presentes pode ser um serviço de louça da Vista Alegre nem, tão pouco, roupa. Marco de Camillis veste-se bem de mais para que escolham roupa por ele. Se estiverem a pensar dar-lhe roupa mais vale darem-lhe um cheque que ele depois escolhe. Os portugueses poderão até juntar-se em família, trocar presentes entre si e organizar festas e jantares em homenagem a Marco. Marco de Camillis será livre de invadir qualquer um destes jantares e a ele deverá ser dado o melhor lugar e a melhor posta de bacalhau se for caso disso. Terá direito de prima nocte sobre todas as mulheres portuguesas e também sobre todos os homens. Poderá fazer amor com quem quiser e a(s) pessoa(s) que for(em) escolhida(s) para tal será(ão) invejada(s) por toda a gente, já que isso será a maior honra a que alguém pode aspirar. Aliás, para alguém fazer amor com Marco de Camillis terá que tirar uma licenciatura e um mestrado para aprender as melhores maneiras de o satisfazer. Não se satisfaz o Mestre do pé para a mão. O feriado, até aqui conhecido como Natal, passará a ser algo equivalente ao Dia dos Finados. Nada deverá ofuscar o Dia de Marco de Camillis e da Nação.

A capital de Portugal até agora conhecida como Lisboa deverá mudar o nome para Camillia, Camilópolis, S. Camiliburgo ou Camiligrado. A cidade do Porto deverá passar a ser conhecida como Nova Roma em homenagem ao local onde Marco de Camillis nasceu e a cidade de Coimbra deverá ser conhecida como Nova Génova, em homenagem ao local onde este perdeu a virgindade, aos 7 anos, com um grupo de 20 mulheres suecas, com quem esteve a fazer amor ininterruptamente durante 5 dias seguidos e que acabaram completamente extenuadas contrastando com um impávido e sereno Marco de Camillis, que estava tão fresco como quando começou, embora menos virgem. As restantes freguesias do país deverão mudar o nome para algo relacionado com Marco de Camillis. Proponho que a minha terra natal, Ovar, mude o nome para Rumba. Se, assim o decidir, Marco de Camillis poderá mudar o nome de Portugal para Reino Unido do Camilistão ou para Portugallo, para se adequar melhor ao seu sotaque.

A população portuguesa deverá ser toda esterilizada, de maneira a que todos os novos portugueses sejam clones de Marco de Camillis.

O penteado e a barba oficial do país serão iguais aos envergados por Marco de Camillis (só aí subiríamos cerca de 87% em sensualidade). Esta regra deverá ser seguida não só pelos homens mas, também, pelas mulheres e Portugal deverá estabelecer um novo Acordo línguistico que permita mudar a fonética das palavras portuguesas de modo a que a maneira correcta de as pronunciar seja com o belo sotaque italiano de Marco de Camillis. Teremos 1 ano para aprender a executar correctamente este sotaque, sob pena de sermos fuzilados. Castigo mais do que justo para quem não compreende que tudo isto é para nosso bem.

Proponho que Portugal pressione diplomaticamente a Suécia (pressão essa que pode ter a forma de invasão militar caso eles não cooperem) de maneira a que a Academia deste país crie um novo Prémio Nobel, o Prémio Nobel da Fixeza (coolness) ou o Prémio Nobel Marco de Camillis, para ser entregue todos os anos a Marco de Camillis pelos seus feitos em prol da Humanidade. Todos os outros Prémios Nobel deverão ser também entregues a Marco de Camillis, a não ser que ele decida oferecer um Prémio Nobel da Química como prenda de aniversário a uma das suas concubinas.

O hino de Portugal deixará de ser cantado e passará a ser apenas coreografado por Marco de Camillis. Nos jogos de futebol e nas paradas militares, assim que começar o hino, cada pessoa deverá procurar um par e começar a dançar o hino. Por respeito à obra de Marco de Camillis, se o número de pessoas em questão for ímpar, a pessoa que sobrar deverá ser fuzilada por não ter interpretado devidamente o hino. Isto levará a que a selecção portuguesa passe a jogar apenas com 10 jogadores, visto que um jogador acabará por ser sempre fuzilado por falta de par. Isto não causará quaisquer problemas, visto que uma equipa constituída por 10 clones do Marco de Camillis poderá derrotar facilmente qualquer equipa do Mundo. Jogará também um futebol muito mais harmonioso.

Se fizerem questão que o hino continue a ser cantado, algo que não deve afectar muito Marco de Camillis visto que a música é uma das suas paixões, não haverá qualquer tipo de problema. Proponho a seguinte letra:

Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis.

Refrão
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis.

Experimentem aplicar esta letra ao actual hino de português e vejam se não fica bem mais bonito.

Será construída uma estátua de ouro maciço com 10 km de altura no lugar do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém. Será também construída uma ilha artificial no Oceano Atlântico maior do que o território português com a forma da cara do Marco de Camillis. Só assim poderei almejar cumprir o meu sonho de criança, que é morar na ponta do nariz do Marco de Camillis. Pois é, fica aqui esta revelação: desde pequenino que o meu sonho é ser uma catota ou um macaco do nariz, como preferirem, do Marco de Camillis. Desde pequeno que invejo as suas excrescências nasais devido à sua proximidade com este Ser supremo.

Jamais isso acontecerá, a não ser que, tal como espero, alguém me desintegre até ficar do tamanho de um macaco do nariz, me pinte de verde e coloque no nariz do Marco de Camilllis. Enquanto isso não acontecer vou ter que me contentar em habitar o seu nariz na ilha artificial com a forma da sua cara. Nada mau!

No meio de tanta crise e de tanta mediocridade, é sempre bom termos algo a que nos agarrarmos. Marco de Camillis deu-nos isso e tornou-se na pessoa mais importante da vida de cada um de nós. É importante mostrarmos a nossa gratidão, ainda que esta seja insuficiente. É por isso que lutarei até à morte por esta causa.

Avé Marco de Camillis!

P.S. Devo acrescentar que apesar de genial esta ideia não é original. Roubei-a desavergonhada e descaradamente, qual vampiro, de uma conversa que tive com uns amigos.

"É este tipo de conversas que tens com os teus amigos?"

Sim!