Sejam felizes. Nada mais importa. Aliás, num mundo ideal teria obrigatoriamente de existir uma força policial que garantisse que os nossos níveis de felicidade estão de acordo com a norma. Nem que para isso tivesse que usar a força.
Todas as minhas incursões no mundo das técnicas de relaxamento acabam comigo a ficar ansioso por não estar suficientemente calmo. Geralmente acabam comigo a gritar na cara do instrutor de Yoga:
- EU QUERO RELAXAR! RELAXA-ME! EU NÃO CONSIGO IMAGINAR QUE ESTOU NUMA PRAIA DESERTA! A PRAIA QUE EU IMAGINEI ESTÁ CHEIA DE GENTE A FAZER BARULHO E A ATIRAR-ME AREIA E A COMER ROJÕES COM BATATAS FRITAS E CÃES A URINAR EM TODO O LADO... PORQUE É QUE AS PESSOAS TRAZEM ANIMAIS PARA UMA PRAIA CHEIA DE GENTE? EU TAMBÉM NÃO CONSIGO IMAGINAR AS DIVERSAS PARTES DO MEU CORPO, A CABEÇA QUE IMAGINEI NÃO ERA A MINHA E AS PONTAS DOS MEUS DEDOS DOS PÉS TAMBÉM NÃO SÃO ASSIM! AS QUE EU IMAGINEI TINHAM AS UNHAS PINTADAS! OLHA PARA AS MINHAS! PARECE-TE QUE EU TENHO AS UNHAS PINTADAS? QUEM É QUE PENSAS QUE EU SOU? EU SÓ QUERO RELAXAR! JÁ, IMEDIATAMENTE QUE É PARA ISSO QUE TE PAGO! AGARREM-ME ANTES QUE EU LEVE TUDO À FRENTE! AAHHHHHH!...
Talvez devesse procurar um programa de Técnicas Indutoras de Ansiedade. Não me parece que conseguisse ficar nervoso por não estar a conseguir ficar suficientemente nervoso.
A minha primeira reflexão política remonta a umas férias no Gerês. Tinha 9 ou 10 anos e estava na sala de estar da pensão. A televisão estava ligada e estava a dar o telejornal. Enquanto passava uma notícia sobre uma campanha para acabar com o trabalho infantil um senhor começou a gesticular em frente à televisão contra a iniciativa. A recordação é um bocado nebulosa mas, pelo que percebi, segundo esse senhor, o trabalho infantil era uma benção e a maneira ideal de criar homens a sério e de levar este País para a frente. Fiquei com a impressão que essa tinha sido a realidade dele e como resultou bem (ou não estivesse ele a passar umas férias no Gerês) tinha a opinião de que todos deviam passar por isso. "Não lhes faz mal nenhum, bem pelo contrário" dizia ele.
E eu fiquei um pouco assustado.
"Este homem quer que eu vá trabalhar", pensei. "Eu não quero ir trabalhar, eu não quero ir para as obras nem coser sapatos, eu quero brincar e ir à escola e aprender. Mas por outro lado, também quero ser um homem a sério e levar este país para a frente, se possível ser jogador de futebol. Mas cientista ou vendedor de gelados também não seria mau de todo". Isto num futuro longínquo, claro. Porque quando temos 10 anos, a ideia de sermos adultos é tão irreal como o Pai Natal (depois, por volta dos 13 anos, quando começamos a olhar para raparigas com outros olhos, aparece o acne para nos lembrar de que o futuro está mais próximo do que nós pensamos e que a vida não será tão idílica como imaginamos).
E foi essa uma das primeiras vezes em que tomei consciência de que nem todos tinham a mesma sorte do que eu, nem todos tinham a mesma liberdade do que eu para brincar e para ter uma vida despreocupada, cuja única responsabilidade era levar a escola a sério (o que, para miim, até era divertido). Havia miúdos da mesma idade do que eu que trabalhavam e passavam fome e eram vítimas de violência e não iam passar férias ao Gerês… Naquela altura tomei consciência da minha própria inocência e do privilégio que ela constituía. E não era eu que estava mal. ao contrário do que o outro senhor pudesse pensar, era a realidade que estava mal. E percebi que se há alguma coisa por que vale a pena lutar é para que todos os miúdos tenham a mesma sorte do que eu.
Lembro-me de sair da sala um pouco melancólico e perceber que se o senhor que vociferava em frente à televisão tivesse tido as oportunidades que eu tive em vez de ter estado a trabalhar, talvez tivesse chegado à mesma conclusão.
Se alguém ler isto e achar piada ao exercício pode partilhar a sua primeira reflexão política aqui ou no facebook.
Estou a pensar em abrir um curso de empreendedorismo intitulado:
"Estás desempregado? A culpa é tua, meu grande palhaço. Tua e da tua falta de atitude. Até parece que não queres ser feliz!"
O nome é um bocado grande, mas estou a trabalhar nisso (há sempre a hipótese de lhe chamar "You suck").
Alguns módulos:
- Todos podemos ser o Steve Jobs (e se não fores a culpa é tua) (4 horas)
- Queres dinheirinho? Até parece que a felicidade não te chega (4 horas)
- Vamos empreender e criar coisas extremamente inovadoras (4 horas)
- História do empreendedorismo: o post it, a Via Verde, os Descobrimentos e todas essas cenas inovadoras que mudaram o Mundo (2 horas)
- Respeitinho é muito bonito e o chefe é sempre o maior (4 horas)
- Desenvolver uma atitude irreverente e rebelde: gesticular, arregaçar as mangas da camisa, escolher um bom penteado e defender o status quo (1,5 horas)
Dá direito a certificado e a um milhão de euros depoisitados na tua conta bancária no prazo de um ano *.
* Se não tiveres um milhão de euros na conta bancária após este período de tempo tens todo o direito de apresentar uma reclamação a ti próprio. A culpa é sempre tua.
Com que então a Kate Middleton está grávida... Em termos de importância, isto é uma espécie de 11 de Setembro para a imprensa cor-de-rosa. Além disso é uma boa desculpa para a Kate fazer topless.
Pessoalmente, fico contente, acho que o que
faz falta neste Mundo é mais um beto com cara de cavalo (se sair à mãe, pelo menos fica bem de vestido).
Deixo os meus parabéns e desejos sinceros que a criança cresça saudável e que, no futuro, abdique de ser monarca para poder escolher a sua profissão. Cabeleireiro de cães ao domicílio, por exemplo.
Gostava também que a criança fosse um leão, por uma vez seria possível alguém acumular os títulos de Rei da Selva e de mascote do Sporting com o de Rei de Inglaterra. Infelizmente, mesmo com aqueles genes manhosos isso não é possível. O que é possível é a criança ser educada por um javali e um suricate, o que parece ser um ambiente mais saudável para a educação de uma criança do que a Família Real. Se tiver que deixar um conselho é este... Entreguem a criança a um javali e a um suricate. É uma fórmula que já deu bons resultados. Pelo menos nunca vi o Simba metido em escândalos.
(Este blog está no Facebook, se gostarem, gostem :) )
No seu podcast WTF, Marc Maron entrevista diversos comediantes, alguns dos quais conhece há muitos anos e aborda com eles os mais variados assuntos. É capaz de nos provocar umas gargalhadas e ensinar-nos muito acerca do processo criativo dos comediantes e sobre as diversas formas de construir uma carreira no competitivo mundo da comédia americana.
Mas este podcast é muito mais do que isso. Aliás, este lado de WTF é secundário perante o que este podcast realmente é.
Mas para perceber o que quero dizer com isso talvez seja necessário conhecer um pouco Marc Maron. Maron não é o tipo de comediante que estejamos habituados a ver em Portugal, não se disfarça de matarroano, o seu registo é maioritariamente autobiográfico, com algum humor político pelo meio, e tem uma tonalidade tendencialmente negativa. A sua comédia vive dos seus problemas pessoais e se é hilariante nalguns momentos, noutros é como um soco no estômago. Marc Maron é, nas suas próprias palavras, narcisista, neurótico, alcoólico e toxicodependente em recuperação (sóbrio há 12 anos, diga-se), hipocondríaco, invejoso e arrogante. E isso reflecte-se na sua comédia, na raiva, no ressentimento, na revolta. Mas é hilariante na mesma!
O podcast surgiu em 2009 enquanto fazia o luto do seu segundo divórcio e da perda do seu emprego na rádio Air America, um momento complicado na vida de Marc Maron que, perante o desmoronamento da sua vida pessoal e profissional, perspectivava aos 46 anos um futuro incerto. Nesta fase de transição, o podcast bissemanal realizado a partir da sua garagem tornou-se uma intervenção sobre si próprio (esta expressão é dele). O podcast inclui quase sempre um monólogo semi-improvisado sobre o seu dia-a-dia em que nos é dado a conhecer um bocadinho do mundo de Marc (ao fim de 10 horas de podcasts começamos a conhecer Marc Maron melhor do que conhecemos alguns amigos) e as agora famosas entrevistas a outros comediantes. E estas entrevistas são qualquer coisa.
Não sei qual é a razão, se é a personalidade de Marc Maron que o leva a partilhar muito da sua vida, se é um elo especial tipo "tu é que me compreendes" à fuzileiro entre comediantes, se é o talento de entrevistador de Marc Maron mas o facto é que o ambiente criado nas entrevistas torna-se muito íntimo e os entrevistados acabam por revelar muito sobre eles próprios. E espantem-se, nem uma vez Marc Maron formula a pergunta "o que dizem os teus olhos?".
Há momentos emocionantes neste podcast como o momento em que Robin Williams fala dos seus problemas com as drogas (quem diria? Oh captain, my captain…) ou o momento em que Louis CK se emociona ao falar do nascimento da filha. E o mais importante não são estas revelações bombásticas sobre a vida de celebridades. É que quase que passa ao lado que as revelações são bombásticas e que se tratam de celebridades, o mais importante é a envolvente da conversa e a caixa de ressonância que ela se pode tornar para os nossos próprios problemas. São pessoas como nós, que também têm problemas e que também tiveram que lutar para os superar. A comédia é uma forma de catarse e, na minha opinião, o melhor humor, como qualquer forma de arte, tem que vir de dentro, ter algum conflito e causar um impacto visceral para além da gargalhada (a gargalhada que soltamos ao ver um indivíduo a levar com uma bola de ténis nos testículos é completamente diferente da gargalhada que damos ao ver um episódio de "The Office" ou de "Louie"). Estas entrevistas desconstroem este processo e tornam-nos mais conhecedores quer do mundo da comédia, quer da vida em geral.
A maneira como Marc Maron lida com os seus defeitos, ao assumir a inveja do sucesso de amigos que chegaram mais longe do que ele, o facto de ser uma pessoa com uma personalidade difícil (em muitas entrevistas Marc Maron aproveita para pedir desculpa ao entrevistado por um ou outro momento em que este teve uma atitude desagradável em relação a ele), os seus traumas de infância são grandes estímulos para pensarmos nos nossos próprios defeitos e naqueles momentos em que nós também somos bestas. Eu sei que sou.
É por isso que o melhor elogio que posso fazer este podcast é que desde que me começou a acompanhar principalmente em viagens de carro, sinto que cresci como pessoa. Um dos grandes ensinamentos de Marc Maron é que, às vezes a melhor resposta para os problemas da vida é um grande WTF, quer um WTF enraivecido de indignação perante as grandes injustiças deste mundo ou, até as pequenas irritações do dia-a-dia, quer o WTF de resignação, um "que se foda, a vida continua, não vale a pena chatear-me demasiado". São atitudes contrastantes, que às vezes aparecem associadas e que são expressas na perfeição através da expressão What The Fuck.
"Tough shit: Life Advice From a Fat, Lazy Slob Who Did Good" é o novo livro do realizador Kevin Smith. É um misto de episódios autobiográficos, conselhos de auto-ajuda e piadas sobre o órgão sexual masculino. Acima de tudo é indispensável para geeks de comédia e altamente recomendado para cinéfilos em geral.
Kevin Smith conta a sua história de vida até agora passando por várias fases, infância e juventude como um geek de New Jersey, ascensão meteórica no mundo do cinema independente e recente anúncio de fim de carreira cinematográfica. Durante a narrativa somos confrontados com histórias do meio cinematográfico como a sua relação de amor-ódio com o mítico mogul do cinema Harvey Weinstein e a sua desilusão com o Bruce Willis (que o ex-fã Kevin Smith considera uma besta depois de ter trabalhado com ele no flop "Copped Out"); homenagens aos seus ídolos (destacando-se George Carlin, John Hughes, Quentin Tarantino e o jogador de hóquei no gelo Wayne Gretzky); conselhos de vida (o típico e falacioso "façam como eu, persigam os seus sonhos e lutem por eles, que vão conseguir", não que as intenções de Kevin Smith não sejam boas mas, convenhamos, já todos conhecemos estas "lições", a realidade é complexa demais para se considerar que o "desejar com muita força" e, até, o talento e o trabalho são as únicas variáveis que influenciam o sucesso/insucesso de alguém… são indispensáveis, mas há muitas outras); a bonita história de amor dele e da sua mulher Jennifer Schwalbach ("Skinny good-looking chicks rarely choose the corpulent fella unless you're watching a sitcom."); o tardio consumo de cannabis; as dificuldades relacionadas com excesso de peso (que, entre outras coisas, levaram a que fosse expulso de um avião recentemente e à inevitabilidade de ter que ficar sempre por baixo durante o sexo, situação cujo cenário descreve do seguinte modo: "Hell, had she realized all a fat man's gonna offer in bed is the Snoopy's Doghouse (he lies down, someone climbs on top of him, and he gets fucked), she likely would've run screaming from her apartment."), e muitas, muitas piadas sexuais.
Apesar de estar constantemente a depreciar o seu talento Kevin Smith é especial (e ele sabe-o, é só um mecanismo de defesa, não sejamos ingénuos). É um excelente comunicador que vive agora de inúmeros podcasts (nos quais estou viciado e que podem ser encontrados neste site) e de concorridas sessões de Q&A/stand up comedy que vem fazendo há alguns anos e onde reflecte durante horas sobre tudo um pouco (por exemplo, aqui fala de Tim Burton, felizmente a internet está repleta de vídeos destes momentos de contacto directo com os fãs de Kevin Smith). Acima de tudo, é um erro desvalorizar a obra cinematográfica que hoje permite a Kevin Smith viver de mandar umas bocas (e digo isto do modo mais elogioso possível, o homem eleva o mandar uns bitaites sobre tudo e todos a uma forma de arte sublime).
Se hoje é moda ser geek, muito se deve a Kevin Smith. Com "Clerks" (um filme auto-financiado e, mais tarde, adquirido pela Miramax, que se centra na rotina de dois empregados de uma loja de conveniência que passam a vida a ter diálogos "quentintarantinescos" sobre Star Wars e… pilas) Kevin Smith abriu as portas do cinema independente ao tipo de comédia que vemos hoje Judd Apatow a fazer com ganhos na ordem das centenas de milhões de dólares. Uma pessoa abre um site de humor instantâneo tipo 9gag e 90% das piadas parecem vindas de um filme de Kevin Smith! Com "Chasing Amy" mostra uma grande maturidade conseguindo misturar comédia com cenas mais sentimentais e essas merdas e com "Dogma" (o penúltimo dos filmes que realizou no "View Askewniverse") consegue fazer um filme brilhante sobre religião. Não sendo revolucionário como "A Vida de Brian", tem igualmente muito mérito, é basicamente ensaio íntimo de Kevin Smith sobre a sua própria fé. Teve alguns flops, como Jersey Girl, que nunca vi ou o mediano "Zack and Miri Make a Porno" em que tentou surfar a onda de blockbuster à Judd Apatow (que ironicamente ele próprio criou) mas nem o wonderboy de Apatow Seth Rogen o safou de um relativo fracasso de bilheteira. No meio disto tudo, mostrou ser um tipo com uns grandes tomates, que nunca teve medo de arriscar em prol daquilo em que acreditava, como por exemplo quando abdicou de uma carreira confortável a realizar blockbusters para a Warner Bros com o fim de realizar o seu projecto pessoal e último filme "Red State", um filme completamente diferente daquilo a que nos habituou e que distribuiu de um modo totalmente independente. Se tudo isto não bastasse, a dupla que formou com o seu amigo de muitos anos Jason Mewes, Jay e Silent Bob, tem o seu lugar bem seguro na história do cinema.
É de admirar a ascensão improvável de Kevin Smith, que passou de cinéfilo inveterado a trabalhar numa loja de conveniência a nome maior do cinema independente. Nunca esqueceu as origens e procura incluir sempre que possível os seus amigos de infância nos seus projectos, o que é uma prova tremenda de lealdade e gratidão (gratidão não necessariamente desinteressada... será que sem a ajuda do seu amigo Jason "Jay" Mewes a interpretar uma versão de si próprio o seu sucesso seria o mesmo? Há sobretudo um grande mérito de Smith em ter identificado o potencial humorístico deste stoner desbocado). Este livro é como ter uma conversa bem humorada e inspiradora com um tipo porreiro, com quem dá vontade de ir tomar um copo que, por acaso, conseguiu subir em Hollywood.
Para quem nunca ouviu falar do facebook é uma rede social em que as pessoas criam perfis e interagem umas com as outras, seja através de chat ou através de partilhas de conteúdos. As pessoas podem gostar das coisas umas das outras e de coisas em geral (como marcas, bandas, filmes, meios de comunicação social e serial killers).
Criem então um perfil no facebook e façam like na minha página. Se não gostarem daquilo podem sempre apagar o perfil.
Sabes aquela imagem clássica do anjinho e do diabinho que aparecem nos momentos mais difíceis das pessoas para as ajudar a escolher o melhor caminho a seguir? Em que o anjinho sugere um caminho abençoado pelo bem e em que o diabinho sugere um caminho perverso e a pessoa fica ali indecisa a pesar os prós e os contras e a decidir qual das duas opções é mais vantajosa.
Não acho esta metáfora credível como representação dos diferentes processos de decisão que temos que enfrentar nas nossas vidas. É muito redutora. Representa uma escolha entre o preto e o branco num Mundo cheio de cinzentos. É a imagem do maniqueísmo que nos leva a colocar rótulos em tudo, sem conhecer as diversas perspectivas e diferentes pontos de vista. Esta dicotomia anjinho/diabinho é a razão pela qual é impossível ter uma conversa racional neste Mundo!
O que eu gostava mesmo era que andássemos sempre acompanhados pelo público do Preço Certo. Sempre que tivéssemos que tomar uma decisão difícil como "o que vamos comer logo à noite?", "devo convidar a rapariga que gosto para sair embora ela seja casada com o meu irmão?", "devemos matar a nossa mulher e o respectivo amante que acabámos de apanhar em flagrante e, se sim, como o vamos fazer?", as diversas pessoas da plateia gritariam a sua opinião, permitindo-nos tomar a decisão correcta. No meio daquela cacofonia está, algures, a verdade. A vida é, no fundo, uma montra final.
Imaginemos a seguinte situação:
A tua mulher está gravemente doente. Para se salvar precisa urgentemente de determinado medicamento. Só que há um problema: tu és pobre e não tens dinheiro para o comprar. A única solução é assaltar a farmácia. O que é que fazes? Assaltas a farmácia visto que é essa a única maneira de salvares a tua amada? Ou não enveredas por essa opção criminosa, colocando assim a vida da tua mulher em perigo?
O que é que o anjinho e o diabinho diriam disto? Ficariam com um nó na cabeça, não? Qual das duas decisões execráveis agradaria mais ao diabinho? Matar a tua mulher ou levar-te a cometer um crime? Mas se esta questão fosse colocada à plateia do Preço Certo terias toda uma série de respostas que te levariam a pensar nas implicações morais das diferentes opções e agir da maneira mais fundamentada e correcta possível.
E perante este dilema seríamos confrontados com vários tipos de respostas:
"Não assaltes a farmácia porque corres o risco de ir preso"
"Assalta a farmácia! És demasiado incompetente para ficares a tomar conta dos teus filhos sozinho!"
"A vida humana é um valor universal que não deve ser posto em risco de maneira nenhuma. Assalta a farmácia! É o melhor que podes fazer!"
"Diz à tua mulher que vais assaltar a farmácia, simula a tua morte e foge para as Bahamas. Assim, ela pode comprar os medicamentos com o dinheiro do seguro de vida e tu ganhas uma vida muito melhor."
"És feio e cheiras a Tulicreme fora do prazo!"
"Não assaltes a farmácia. Aceitar que há um motivo para fazer algo do género é abalar os alicerces da nossa sociedade e pôr em perigo tudo aquilo em que acreditamos: a propriedade privada"
"O último gajo que falou é um fascista! Não lhe ligues! Assalta a farmácia e mata o farmacêutico. Já que vais cometer um crime ao menos ficas de barriga cheia!"
"Vai mas é trabalhar, malandro!"
"Veste-te de Chewbacca, invade a Assembleia da Republica e ameaça que, se não te derem os medicamentos, rebentas com aquilo tudo!"
"Ó meu senhor, mas porquê vestido de Chewbacca?"
"Então não se vê? Por uma questão de credibilidade..."
E aqui aparecia o Fernando Mendes a dizer que já tinha passado muito tempo e que tínhamos que fazer a nossa opção final. E faríamos! Só que bastante mais informados...
E é isto... A sabedoria da plateia do Preço Certo é tudo o que precisamos para fazer o que está correcto.
(Reedição de texto antigo que tive que apaguei mas que faço questão de que continue aqui)
Como ateu faz-me alguma confusão a forma pacífica como muitas pessoas aceitam que estão a ser observadas permanentemente.
É que estão mesmo. Ou acham que a omnisciência de Deus é interrompida quando estão a dançar o "I will survive" em frente ao espelho da casa de banho (nunca fiz isso)?
Não considero Deus o tipo de público ideal para a maior parte das coisas que faço em privado. E até em público.
Aliás, sentir-me-ia bastante intimidado se o conhecesse pessoalmente (para começar não saberia como cumprimentá-lo: dois beijinhos? Aperto de mão? Vénia? Deglutição de hóstia? Sacrifício humano? Nunca se sabe...). Quem acredita em Deus deveria considerar inútil usar roupa à frente do resto da Humanidade. A partir do momento que Deus já os viu em todas as situações embaraçosas possíveis e imagináveis porquê ter vergonha de nós, reles colónia de formigas ao pé d'Ele?
Concluindo, troco bem a ideia de uma vida eterna por alguma privacidade... E aqui fica o meu contributo idiota para a discussão de uma questão importante.
As filhas da Luciana Abreu e do Yannick Djaló têm uma vantagem em relação às outras crianças. Se conseguirem preencher o cabeçalho dos exames tudo o resto parecerá fácil por comparação.
É por isso que para garantir que os nossos filhos tenham sucesso no nosso sistema educativo devemos baptizá-los com algo útil como a lista dos rios de Portugal, as Leis de Newton ou a tabuada dos 7. Assim, ao memorizarem o próprio nome estão a adquirir conhecimento.
Pensem nisto, nunca uma pessoa teve sucesso por decorar "Pedro Silva". E "Sérgio Duarte" nunca foi sequer uma opção de resposta no "Quem Quer Ser Milionário". Por outro lado, uma criança chamada H2O nunca se vai esquecer da forma química da água e garantirá sempre o centro das atenções em noites de copos. A quantidade de piadas... E o sucesso que um indivíduo chamado Esternocleidomastoideu fará junto das mulheres? Terá à sua disposição toda uma multiplicidade de diminutivos como "Toideu", "Mastinho" ou "Cleidy".
Esse ser execrável chamado Alexander Lukashenko, conhecido por ser o ditador da Bielorrúsia e o dono do melhor bigode ditatorial desde que Saddam Hussein foi deposto, segundo a revista Moustache (a revista mais lida por quem usa bigode, nomeadamente ditadores, jogadores de futebol dos anos 80 e hipsters), disse aquela que pode ser a frase do ano: "Antes ditador, que homossexual", equiparando a condição de ditador a uma orientação sexual.
Esta frase foi utilizada para fazer passar o ditador bielorusso por uma besta intolerante e ignorante. O que é verdade. No entanto, vou dar-lhe o benefício da dúvida e partir do princípio de que as suas palavras revelam algo mais profundo do que uma incompreensão absurda do conceito de orientação sexual (não revelam, é só um exercício).
Na minha opinião, esta frase poderia então terminar de duas maneiras:
"Antes ditador que homossexual... acreditem! Eu sei do que falo. Fui homossexual durante 5 anos e foi por isso que me tornei ditador. Aquilo não era vida para ninguém. Sempre de ressaca, uma vida social imparável e horas incontáveis de pedicure... Ainda bem que deixei de ser homossexual... Não tenho saudades absolutamente nenhumas daquele tempo, nem do Joaquin, o panamiano cruel que despedaçou o meu coração. Foi-se embora depois de uma noite escaldante de paixão e de vãs promessas de amor eterno, como viria a descobrir depois. Nem um bilhete deixou. Ainda dizem que os ditadores são maus. Comparado com o que o Joaquin me fez, aquilo que eu faço ao povo bielorrusso é uma brincadeira de criança, uma criança com a alma ferida e que só faz o que faz para chamar a atenção. No fundo, só queria que gostassem de mim."
"Antes ditador que homossexual... Enfim... Eu digo isto, mas na verdade, às vezes questiono-me se não será melhor eu abandonar isto de ser ditador que só dá chatices, mudar de guarda-roupa, descobrir um novo amor (de preferência alto, musculado e africano), abrir um negócio de compotas biológicas em São Francisco e ir a manifestações... Talvez adoptar..."
Imagina que és um assistente do Leonardo Da Vinci e decides desenhar uns Ray Ban na Mona Lisa enquanto o mestre dorme.
O exercício é simples e pode ser jogado por toda a família na véspera de Natal ou por casais de swingers como quebra-gelo.
Se eu fosse produtor de Hollywood o que é que poderia fazer para assassinar os maiores clássicos do cinema?
Clube de Combate - Mudava um pouco o conceito do filme. Em vez de um Clube de Combate com pretensões de se tornar um movimento paramilitar anarquista, Tyler Durden (Brad Pitt) convence o narrador sem nome (Edward Norton) a criar uma delegação local dos Caça Cigarros (ou dos escuteiros) para mudar o Mundo através de boas acções.
The Shining - Em vez dos fantasmas das gémeas, o miúdo podia cruzar-se com um dinossauro cor-de-rosa e, em vez de se tornar um assassino psicopata que quer matar a família com um machado, Jack Nicholson torna-se testemunha de Jeová.
(Ter uma testemunha de Jeová à porta pode ser bem mais enfadonho do que ter um familiar a perseguir-nos com um machado. E mais assustador. Uma pessoa que nos quer matar com um machado não fala do fim do Mundo, vai logo directa ao assunto)
Taxi Driver - O taxista Travis Bickle torna-se sócio do Benfica e passa a ter mais com que se preocupar do que a degradação moral da sociedade. Lista de Schindler - A banda sonora seria composta pelos Scorpions ou pelos Aerosmith (a "Final Countdown" dos Europe poderia surgir nos momentos de maior tensão). As cenas do filme poderiam ser intercaladas com momentos de stand up comedy de humoristas judeus como Woody Allen ou Seinfeld. No genérico final não faltariam os indispensáveis bloopers.
Padrinho - Para assassinar este clássico bastava escolher Steven Seagal para o papel de Vito Corleone e Rob Schneider ou Myke Tyson para o papel de Michal Corleone.
Twelve Angry Men - Em vez de uma reunião de doze jurados, o filme seria sobre uma reunião de condomínio com um único ponto na ordem de trabalhos - permitir ou não que o vizinho do 4.º esquerdo faça uma marquise.
Casablanca - Transformava este filme numa comédia romântica em que o carismático e atormentado gerente do night club Rick's (Humphrey Bogart) seria uma mistura entre o estalajadeiro René de "Allo Allo" e o apatetado Hugh Grant.
Citizen Kane - Charles Foster Kane (Orson Welles) deixava de ser um barão da comunicação social para ser um industrial da área do tratamento de resíduos e Rosebud deixava de ser um trenó e passava a ser o descapotável da Barbie.
Psycho - A mãe de Norman Bates (que está morta) tem um caso romântico com o Bernie (do "Fim de semana com o morto"). Norman Bates não suporta a pressão de ter que lidar por um lado com os caprichos homicidas da mãe e, por outro lado com o espírito boémio do padrasto (que resiste muito bem ao álcool e nunca parece cansado) e vai estudar Fisioterapia para a República Checa. Morre de coma alcoólico numa discoteca enquanto ouve Venga Boys.
Tudo Bons Rapazes - Este filme passa a ser mesmo sobre bons rapazes que bebem leite antes de ir para a cama, vão à missa todos os domingos e atravessam sempre na passadeira. Pisam um bocado o risco quando se juntam para ver o filme do Tomás Taveira, que julgavam ser um filme sobre arquitectura. Confessam-se, penitenciam-se, rezam umas Avé Marias e fica tudo bem.
(Vão aos encontros da juventude a Madrid ver o Papa, mas cedo descobrem que aquilo é badalhoquice demais para eles)
O Bom, o Mau e o Vilão - Acrescentava uma nova personagem. Passava a ser "O Bom, o Mau, o Vilão e o Decorador de Interiores". No final juntavam-se para formar uma banda tipo Village People.
Condenados de Shawshank - Acrescentaria algum realismo a este filme no que diz respeito à vida na prisão: lutas de gangs, facadas nas costas, vazamento de olhos com colheres de café, o Morgan Freeman a ser sodomizado no chuveiro por supremacistas brancos e saraus de música clássica.
...a não ser que uma manada de bois corra na tua direcção e isso seja a única maneira de te protegeres. E um carro pode não ser suficiente... Se possível, tenta pôr outras coisas à frente dos bois. Um iate de 300 metros ou uma réplica exacta da Estátua da Liberdade podem salvar-te a vida.
Filho de peixe sabe nadar.
Mas não tem a capacidade de compreender provérbios, logo não se vai sentir tocado pelo elogio.
O que não mata, engorda.
E o que engorda pode eventualmente matar por rebentamento. Logo, o que não mata, também mata.
Quem tem cu tem medo.
É verdade. A operação de extracção de cu tornou-se comum em pessoas que pretendem levar a cabo acções que impliquem muita coragem, como subir o Evereste ou lutar contra um urso polar. A ausência de cu anula o efeito paralisante que o medo pode ter neste tipo de situações. Tem algumas desvantagens como por exemplo, tornar extremamente doloroso o acto de sentar.
O ladrão volta sempre ao local do crime.
Para quê? Este pedaço de sabedoria popular terá dado origem a quantos polícias incompetentes?
Morto por morto, antes a velha que o porco.
Discordo. Se é para optar, prefiro que morra algo a partir do qual se possa fazer rojões.
Quem tem boca vai a Roma.
Este provérbio originou a criação de uma nova política alfandegária em Roma, que impede a entrada de pessoas sem boca (e pinipons) nesta cidade. Pessoas sem boca (e pinipons) que queiram visitar Roma têm de o fazer clandestinamente. O que não é muito difícil, já que todos os caminhos vão lá dar.
Mulher que assobia, ou capa porcos ou atraiçoa o marido.
Não tem qualquer rima e é uma afirmação categórica do tipo "Se A então B ou C", logo, deve ser verdade. É o tipo de provérbio que dito com um tom de sabedoria nos vai fazer passar por especialistas em comportamento feminino e que nos permitirá fazer sucesso numa festa de talibans.
A cavalo dado não se olha o dente.
Este provérbio não deve ser interpretado como um incentivo a que analisemos a dentição de todos os cavalos que não nos sejam oferecidos. Deixemos essa preocupação para os dentistas de cavalos.
Em Coimbra, um lavrador a quem ofereceram um cavalo, observou-lhe os dentes, tal como é recomendado pela sabedoria popular, e prescreveu-lhe um aparelho fixo. O aparelho fixo afectou profundamente a vida deste cavalo, que se tornou alvo de gozo entre os seus parceiros e pouco apetecível para as fêmeas. Veio-se a descobrir que o cavalo afinal não precisava de um aparelho fixo. Precisava apenas de uma limpeza. Mas o dano estava feito e um aparelho fixo para cavalos não é nada barato. É quase tão caro como um T2 em Ermesinde.
Tudo está bem, quando acaba bem.
Tanto quanto é possível aplicar um verbo no presente ("está") a algo que acabou, ainda que bem.
Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer.
O meu amigo Rogério deita-se cedo e acorda cedo todos os dias. Mas nem isso o fez crescer, nem, tão pouco, lhe deu saúde. O Rogério é anão, sofre de asma e tem alergia aos amendoins. O último a rir é quem ri melhor.
O meu amigo João é sempre o último a rir porque é sempre o último a perceber as piadas. E mesmo quando não as percebe, ri-se por imitação. Além disso como sofre dos adenóides tem um riso que vai puxar demais à garganta e termina sempre com um rosnar suíno. Diria que o João é a pessoa que tem o pior riso do Mundo quer no que diz respeito ao timing, quer no que diz respeito à estética. É uma pessoa extremamente irritante no cinema.
Aqui há uns tempos estava a passear, descontraidamente, numa rua deserta. E ouço uma voz atrás de mim.
- Olha! Desculpa lá...
Olhei para trás, um tipo completamente aleatório chamava alguém. Como não havia mais pessoas à minha volta, era muito provável que essa pessoa quisesse mesmo falar comigo.
Eu não tenho nada contra pessoas até porque a maior parte dos seres com quem interajo são pessoas. E dessas interacções, por vezes, acontecem coisas boas. Se não existissem essas interacções, perderíamos tudo aquilo por que vale a pena viver neste mundo... Outras vezes acontecem merdas que gostaríamos que não acontecessem. Quem já foi abordado por testemunhas de Jeová sabe do que estou a falar. E ser abordado por alguém desconhecido na rua não costuma ser um bom prenúncio. Tudo pode acontecer. Um assalto, divulgação de novas religiões, inquérito, solicitação de horas, assuntos relacionados com droga, encontrar o amor da nossa vida. Todas as hipóteses são válidas, mas umas são mais prováveis que outras. Principalmente as hipóteses dentro do campo que vai do muito negativo ao neutro.
Parei e o homem veio ter comigo. Não deu para fugir, nem para ignorar... O embate ia mesmo acontecer. Restava esperar que não me ocupasse muito tempo para eu o poder esquecer e seguir com a minha vida que, pode não ser perfeita, mas tinha até aquele momento um grande aspecto positivo, ele não fazia parte dela. Só que ele, naquele momento, sem eu lhe pedir absolutamente nada, aquela pessoa decidiu que isso ia acabar. Ele ia entrar na minha vida.
Sobre a sua aparência, lembro-me apenas que tinha uma cabeça com olhos, nariz e boca, pelo menos um braço, duas pernas e tudo o resto que seria de esperar que uma pessoa tivesse. Não tinha nada que o destacasse como cabeça de atum, cornos ou uma semelhança incrível com uma celebridade (como por exemplo o actor brasileiro Paulo Betti). O que é pena, porque assim poderia sempre tirar algo desta interacção: uma história.
O que não é muito, mas no mundo em que vivo uma boa história para partilhar pode tornar-me o herói da noite no meu grupo de amigos.
- Sabem com quem falei hoje? Com um sósia do actor brasileiro Paulo Betti!
- Espectáculo! Mais uma rodada em tua homenagem. Tens sempre as histórias mais incríveis!
Ocuparia pelo menos um capítulo da minha autobiografia. Mas, infelizmente, a pessoa em questão era um gajo médio e ninguém vai contar uma história sobre um gajo médio.
- Uma vez falei com um tipo absolutamente normal.
Isto não é história.
A não ser que...
...esse tipo absolutamente normal se tenha dado ao trabalho de me abordar, em pleno dia, numa rua deserta, para me dizer uma das coisas mais estúpidas que uma pessoa alguma vez disse a outra (pelo menos desde que há registo)...
- Essa t-shirt... – disse-me ele. Ah! Eu tinha uma t-shirt da banda punk Ramones - ...é dos Ramones.
- Sim... – disse eu.
- Uma vez ouvi-os e eles não são grande coisa, pois não?
A sério? Não gostas de Ramones? E decides ter essa conversa com uma pessoa sobre a qual a única coisa que sabes é que gosta o suficiente de Ramones para possuir e usar uma t-shirt dessa banda? Se precisavas mesmo de manifestar a tua opinião sobre uma banda que só ouviste uma vez podias ter escolhido entre os milhares de pessoas com quem te cruzas que estão a usar outro tipo de t-shirts (há vários tipos de t-shirts: do Benfica, pólos da Lacoste, Hello Kitty, etc.). Podias até ter-me abordado num dia em que não estivesse a usar essa t-shirt. E aí teríamos uma conversa constrangedora sobre os Ramones. Uma conversa do tipo "não percebo porque me vieste dizer isso, deves ter problemas, vou fazer um comentário, sair de fininho e esperar nunca vir a ter um filho como tu". Mas não podias aguentar, não era? Há quanto tempo é que não conseguias dormir por causa disso? Querias um debate?
“Se há duas coisas que eu tenho a certeza nesta vida é que os Ramones não são nada de especial e que alguém tem mesmo que saber que é essa a opinião que tenho deles... Depois disto já posso morrer em paz..."
O que é que esperavas que eu te dissesse?
“Tens razão. Não prestam. Eu tenho a mania de usar t-shirts de bandas que não gosto porque acho que isso é a melhor maneira de mostrar ao Mundo o quanto não gosto delas. Digo-te uma coisa: se também comprares uma t-shirt de Ramones, podemos fundar um clube dedicado ao tema "Não gostar de Ramones". Olha, até podemos formar um casal, visto que temos tanto em comum. Queres casar comigo? Esperei toda a vida para te conhecer. Como é que te chamas? Não interessa! Vamos fazer amor!”
Qual foi o sinal que eu te dei que te levou a tomar a decisão de ter essa conversa comigo? Viste-me a existir, a respirar e a andar e, nesse momento, pensaste que eu tinha que ouvir umas verdades.
Como é que é o teu dia típico? Das 8 às 10 levas o teu carro a uma concentração de motards e dizes-lhes que andar de carro é bom, mais seguro, amigo do ambiente e confortável e que as motas são para pessoas irresponsáveis que têm complexos com o tamanho do seu pénis. Das 10 à hora de almoço estás à porta da Igreja perguntar às pessoas que saem da missa se acreditam em Deus e a ficar surpreendido quando elas te dizem que sim. Passas a tarde a dizer a toxicodependentes que a droga é muito sobrevalorizada. E à noite vais ao Estádio da Luz mostrar a tua incredulidade aos adeptos de futebol por eles não partilharem a tua opinião de que o desporto que elas gostam consiste apenas em 22 homens a correr atrás de uma bola. Se te perguntarem o que é que fazes na vida, o que é que respondes? Que a tua profissão é ter o máximo de conversas que não levam a lado nenhum?
Havia maneira mais explícita de mostrar que tenho uma opinião favorável sobre os Ramones do que usar uma t-shirt com a palavra Ramones? Mesmo assim precisavas de confirmar? Se visses um tipo com um cartaz a apelar à morte dos bielorrussos ias perguntar-lhe o que é que ele achava sobre a Bielorrússia? Se consegues interpretar sinais explícitos dessa maneira imagino o que é que fazes com sinais subtis. Deves fazer muito sucesso com as mulheres. Quando elas dizem que não gostam de ti, geralmente não gostam mesmo. A dificuldade em interpretar esses sinais subtis (sim, porque não há nada mais subtil do que “não”. Imagino que mesmo mulheres com t-shirts com a tua cara seguida das palavras "este gajo é merda" achas que tens hipóteses) pode tornar-te um violador. E depois, o que vais dizer no tribunal?
- Quando ela disse “não”, eu pensei que fosse “sim”. O Meritíssimo sabe como é que é, não sabe?
- Não... E condeno-o a pena máxima!
- Isso quer dizer que estou livre?
Um conselho que talvez venha a salvar a vida a alguém. Quando uma pessoa chora de dor é porque lhe dói alguma coisa. Nesse momento, talvez seja mais sensato parares.
Já não tenho mais nada a dizer sobre ti. Mas o Benfica perdeu ontem e precisava de descarregar em alguém. Não sei porquê, lembrei-me de ti quando tive esta conversa com uma pessoa:
- Então? Está tudo bem?
- Não...
- Porquê?
- O Benfica perdeu...
- OK! Mas e contigo, está tudo bem?
Aquele a que muita gente se refere como esfíncter hemorróidico de avestruz e a que outros, com mais receio de polémicas. chamam Miguel Sousa Tavares (MST) resolveu presentear-nos com mais uma brilhante opinião. É sempre positivo quando isso acontece já que as opiniões de MST, quando não são copiadas, são sempre hilariantes. Desta vez, MST aventurou-se pelo comentário político-social, tendo como ponto de partida o Festival RTP da Canção que, como sabemos, foi vencido por uma dupla de comediantes.
Olhando para a lista de vencedores deste Festival em anos anteriores, é fácil concluir que este certame dificilmente despertaria algum tipo de interesse a alguém que goste de música e que não seja masoquista ("Senhora do Mar (negras águas)" de Vânia Fernandes (2008) faz maravilhas em eventos S&M). A vitória dos Homens da Luta este ano é por isso uma lufada de ar fresco para este Festival porque ainda que, tal como a esmagadora maioria dos vencedores de edições anteriores, estes não produzam música de elevada qualidade, pelo menos, têm algum talento.
Aparentemente, para MST o festival da Eurovisão em Dusseldorf é uma oportunidade para agradarmos aos contribuintes alemães e levar a que estes nos emprestem dinheiro. Admito que estes pudessem ficar muito bem impressionados com "Baunilha e Chocolate" de Tó Cruz (1995), "Foi Magia" de Sofia Vitória (2004) ou "Dança Comigo (Vem ser feliz)" de Sabrina (2007). Admito ainda que, tendo em conta o refinado gosto musical que caracteriza os contribuintes alemães, a solução melhor para a economia portuguesa seria naturalizarmos o David Hasselhoff e escolhê-lo para nos representar na Eurovisão. No entanto, só MST poderia acreditar que a representação portuguesa na Eurovisão é determinante para o futuro da nossa economia (quem diria que com uma imaginação destas MST tinha que plagiar um romance fraquinho para ganhar uns trocos?). Segundo MST a salvação da economia portuguesa poderia passar por boas participações portuguesas nos Jogos Sem Fronteiras ou no Sequim D'Ouro. Não deixa de ser curioso verificar que, para MST, os alemães são como ele próprio: bestas sem sentido de humor.
A escolha dos Homens da Luta, segundo MST, pode levar a que, em última instância, os "deolindos" (um povo imaginário que vive nas unhas dos pés do MST?) sigam um líder maluco, graças a ideias demagógicas como a manifestação de 12 de Março. Ainda que concorde com algumas das causas dos precários, MST põe uma geração de jovens qualificados que não tem oportunidades nem perspectivas de futuro no mesmo saco em que põe os demagogos que defendem a demissão de todos os políticos. Para quem tem tanto medo de demagogia, MST não poderia ser mais coerente. Nada a que não nos tenha habituado.
Aparentemente, para MST, todos os movimentos que começam na rua acabam com um ditador. Estaria a referir-se ao movimento pelos direitos civis dos negros americanos, à luta das mulheres pelo direito ao voto ou ao movimento que depôs uns quantos ditadores no Norte de África?
Eu vou à manifestação no dia 12. É a minha obrigação cívica para com a minha geração. Não quero demitir todos os políticos, nem tão pouco defendo um regime ditatorial. Quero apenas exercer o meu direito à liberdade de expressão. À liberdade de expressar algo em que acredito (algo que não poderia fazer com um ditador). Não somos todos Homens da Luta?
A vida do emigrante português foi sempre uma temática muito explorada pela música popular portuguesa. A ideia romântica de um povo em êxodo, espalhado por países ricos a exercer profissões de baixo estatuto, com grandes dificuldades e espírito de sacrifício tem alimentado vários artistas, mostrando-nos que o romantismo, embora bonito, nem sempre é fácil de digerir. E provoca azia.
O momento do regresso à pátria ainda que fugaz provoca todo o tipo de emoções e é alvo de orações durante todo um ano de sofrimento. Ano que começa a 1 de Setembro e acaba a 31 de Julho. Portugal, um país de descobridores, marcado pela saudade, pelo desejo constante de regresso.
Um país de viajantes, com o coração em Portugal e o corpo num subúrbio em Paris (e podia ser Goa, Mombaça, Japão... os tempos mudam o sentimento é o mesmo). Viajantes que trocaram as caravelas por Renaults 5 em segunda mão e Roulotes.
E é esse o tema central das duas obras que analiso aqui: "Voltei, voltei" de Dino Meira e "Vem devagar Emigrante" de Graciano Saga.
Comecemos por "Voltei, voltei". Dino Meira passou fugazmente por este Mundo. Deixou-nos com apenas 43 anos, o que faz dele o Jim Morrison da música portuguesa. Não só pela qualidade lírica mas também porque Jim Morrison quando morreu tinha o aspecto de um emigrante português de 43 anos de idade (e, que eu saiba, nunca carregou um saco de cimento na vida). Será sempre conhecido pelos hits "Voltei, voltei", "Meu querido mês de Agosto", "Juli Juli Julia", "Adeus Paris, até Lisboa", "Zum zum zum", "Viver viver amar amar" e "Oh Michelle". Era possuidor de uns frondosos caracóis e a sua tendência para a repetição de vocábulos indiciava uma certa gaguez (cf. "Voltei, voltei", "Juli Juli Julia", "Zum, zum, zum" e "Viver viver amar amar").
Na música "Voltei, voltei" Dino Meira expressa um sentimento de ansiedade relativamente ao seu regresso à Terra Mãe. Dino Meira "já não suportava ficar longe" do seu lar. Já estava cansado de ser explorado, do frio do país e das pessoas, das baguetes, da Torre Eiffel, de tudo. "Tanto pediu esse milagre" que, eis que chega Agosto e toca a fazer as malas. É a hora do regresso.
E, depois de tanta ansiedade, chega a Portugal! O que, nas palavras de Dino Meira, é um "milagre". Um "milagre", repito e deixo tempo para pensar...........................................................................................................
A não ser que Dino Meira tenha regressado de França montado num unicórnio ou a bordo de um tapete voador, é bem complicado descortinar a que é que ele se está a referir quando equipara a sua chegada a Portugal a um "milagre". É este o grande enigma de Dino Meira. Qual é o seu "milagre"?
Será que o sacrifício de estar emigrado em França era tão grande que até Agosto, esse extraordinário acontecimento de 31 dias que se verifica todos os anos logo a seguir a 31 de Julho, parece obra do nosso Senhor? Parece-me que esta é a interpretação mais óbvia. Mas algo me diz que o autor de "Arrebita" e de "O Homem vestido de branco" era dado a outras subtilezas.
Não estou a ver Dino Meira, que por debaixo daquela carapinha era guardião de uma sólida e vigorosa massa encefálica, a rezar a Nossa Senhora no dia 31 de Julho para que no dia seguinte apareça 1 de Agosto e ele possa, por amor de Deus, regressar à terrinha. Ele era mais complexo do que isso. Mesmo correndo o risco de abusar de referências aos belos caracóis desta personagem, não posso deixar de afirmar que a profundidade da sua alma era de tão difícil penetração como o emaranhado dos seus caracóis (reza a lenda que os caracóis de Dino Meira possuiam o dom da imunidade aos piolhos. Eram tão labirínticos que estes morriam à fome antes que pudessem degustar o couro cabeludo do artista). Mas isso não me deteve. O desafio era grande mas posso anunciar que, depois de muita reflexão e de noites perdidas a ouvir em loop esta obra emblemática da música produzida por homens brancos que usam afro, consegui quebrar o enigma de Dino Meira, ou como este é conhecido em meios mais eruditos, o Enigmeira.
A chave para a explicação do "milagre" está no refrão, que todos trauteamos com agrado mas a cuja densidade poucos prestam atenção:
"Voltei, voltei, voltei de lá.
Ainda ontem estava em França e agora já estou cá"
Pois, o grande "milagre" de Meira era ter conseguido chegar vivo depois de andar que nem um Fangio pelas estradas de três países e pelos Pirinéus. O sofrimento era muito, as saudades ainda mais. E é o peso de tudo isto no acelerador que fez com que o emigrante ontem estivesse em França e hoje em Portugal. E isto com quase 2000 km no bucho é milagroso.
Segundo o Google Maps, hoje em dia é possível fazer a viagem Paris Lisboa em 16 horas e 26 minutos. Mas muito mudou desde os anos 80, em termos de parque automóvel e de qualidade das estradas. E quando ouvimos esta música não pensamos num BMW a circular numa auto-estrada, pensamos num Renault 5 com 8 ocupantes a circular numa estrada nacional, com o tejadilho cheio de bagagem e paragens ocasionais para emborcar vinho tinto com gasosa. Fazer França-Portugal nestas condições em 24 horas é milagre, como nos diz Dino Meira. E é milagre que tanto emigrante tenha sobrevivido a esta tentativa de genocídio musical. Ainda hoje fico fascinado com a taxa de sobrevivência de viagens entre França e Portugal com esta cassete no auto-rádio.
Esta constatação levou a que um obscuro, mas não menos brilhante, artista surgisse para salvar os nossos emigrantes de uma morte na estrada.
Esse artista é Graciano Saga, autor do hit "Porque choras, criancinha?", que inaugurou todo um género musical que pode ser classificado como goth pimba. Este vem criar o antídoto para "Voltei, voltei" (completando a díade da Segurança Rodoviária da música Pimba). Esse antídoto é "Vem Devagar Emigrante". Já muito foi dito sobre esta anúncio de serviço público em forma de música popular, por isso vou contar a versão resumida.
A exemplo do apelido do autor, esta música narra a saga de um emigrante sem nome, que fazia uma viagem entre a Alemanha (país que transpira sensatez e racionalidade, ao contrário da França que transpira suor através de axilas peludas) e Portugal, possivelmente a ouvir Dino Meira, com o objectivo de visitar o seu pai que estava às portas da morte. O pathos ditou que o emigrante acabasse por falecer antes do seu pai, bem como a sua mulher e o seu "filhinho" numa estrada em Espanha (ou talvez em Benavente, fica a dúvida) na sequência de um choque frontal. As causas apontadas são o cansaço de horas de viagem e, como o uso da palavra "devagar" no título parece indicar, o excesso de velocidade. Esta tragédia culminou com a morte por desgosto do "paizinho" ao saber da notícia.
Incrivelmente toda a gente morre nesta música, menos o narrador que fica aqui para avisar todos os emigrantes dos perigos da estrada e do risco que correm se se continuarem a sujeitar às mensagens subliminares de Dino Meira. "Há tempo para cá chegar" diz Graciano.
Estas duas músicas surgem-nos como o yin yang da música pimba de prevenção rodoviária. Enquanto Dino Meira tenta puxar os emigrantes para uma morte certa ao volante, Graciano Saga pretende incutir regras e incentivá-los ao cumprimento do código da estrada, no que diz respeito ao excesso de velocidade e à necessidade de paragens de descanso, algo essencial em viagens longas. Para citar o velho ditado citado por Graciano Saga: "Mais vale um minuto na vida do que perder a vida num minuto". E eu acrescento este velho ditado: "Não há país mais belo que Portugal, principalmente se não estivermos estropiados devido a um choque frontal".
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Se eu não me candidato a Presidente da República, e por mais do que uma vez isso já me foi sugerido (principalmente por objectos inanimados e carraças falantes), é porque não tenho carisma, não fui abençoado com o dom da oratória e porque possuo a profundidade de pensamento de uma Ruth Marlene ou de um pelicano com Alzheimer.
Aparentemente, este tipo de características não são obstáculos para Cavaco Silva, o que não deixa de ser uma esperança para mim, já que há carraças bastante persuasivas e pedaços de ardósia que colocam argumentos bastante convincentes a favor de uma eventual candidatura minha à Presidência da República. E como outra das minhas características que me levam a pensar que jamais me deveria a candidatar a este cargo é a pouca firmeza das minhas convicções, é bastante provável que um piaçaba me venha a convencer a embarcar numa aventura destas. E como almocei feijoada à transmontana com molho de iogurte tenho passado bastante tempo com piaçabas.
A verdade é que ser Presidente da República não é muito difícil. A prova disso é que há pessoas que conseguem avaliar positivamente o mandato de Cavaco Silva sem se rirem. Inclusivamente, há pessoas que apoiam Cavaco Silva como se fosse uma coisa normal, sem que os seus amigos e familiares os tentem encaminhar para opções mais saudáveis, como heroína, a IURD, o bestialismo ou o clube de fãs do Tony Carreira.
Ser Presidente da República exige apenas uma grande competência: saber gerir silêncios. Gerir silêncios, como quem está para dizer alguma coisa importante mas acaba por não dizer. Tendo isto em conta, diria que os candidatos ideais à Presidência da República seriam bons exemplos de gestores de silêncio: um mimo, uma raposa morta e o Malato amordaçado.
A minha tese segundo a qual saber gerir silêncios é a única competência exigível ao detentor daquilo a que se convencionou chamar o mais alto cargo da Nação (já que todos sabemos que ser o número 10 do Benfica é o mais alto cargo da Nação) pode fazer com que muita gente avalie como positivo o mandato de Cavaco Silva. De facto, algumas das decisões mais correctas de Cavaco foram decisões do tipo:
Diálogo interior: "Como é que é? Comento isto ou não? É melhor não. Vou ficar calado que dá menos trabalho".
Isto leva à ideia errónea de grande parte das pessoas segundo a qual o Professor Cavaco é um homem ponderado, um homem de tabus, um homem que sabe estar calado. Mas enganam-se...
Cavaco falou quando quis celebrar o dia da raça a 10 de Junho. Não que não seja importante que se crie um dia da raça em que cada pessoa se vista de acordo com a sua raça de cães predilecta (seria a oportunidade de que tenho estado à espera para finalmente estrear o meu fato de chiuhahua), julgo que era a isso a que Cavaco se referia. Mas desde a escola primária que eu sei que 10 de Junho é o dia de Portugal e das comunidades, o que me coloca à frente de Cavaco numa eventual corrida à Presidência.
Cavaco falou sobre o estatuto dos Açores. Desconheço o que quer que seja sobre esta questão e um Presidente não devia perder tempo com estas inutilidades. Quando eu for Presidente vou preocupar-me apenas com coisas que sejam importantes para os portugueses como presunto, a vida privada de pessoas que não interessam a ninguém e filosofia alemã do século XIX.
Cavaco falou quando promulgou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, fazendo questão de dar a entender que era contra. Embora seja uma posição preconceituosa, intolerante, mais próxima da Idade Média do que de uma sociedade em que somos todos iguais perante a lei é uma posição à homem. E isso é sempre de elogiar. No entanto, fazer coisas à homem é algo que está sempre associado a alguma insegurança sexual (case in point: Zezé Camarinha). É paradoxal, mas a homofobia é uma coisa bem mais homossexual do que uma parada do Orgulho Gay.
Cavaco falou quando quis defender o seu assessor que, lembre-se, andou a soprar boatos de escutas para jornais. Disse que o seu e-mail estava "vulnerável" e sobre quanto isso o preocupou. O que em termos de discurso político é equivalente àquelas janelinhas do anti-virus que aparecem no canto inferior direito.
Cavaco falou quando faltou ao funeral do único Prémio Nobel da Literatura português. Justificou a sua ausência por estar nos Açores na sequência de uma promessa que tinha feito aos netos. Faltar ao funeral até é compreensível, a não ser que Cavaco tivesse na manga algum dito espirituoso e profundo sobre a perda deste grande vulto da nossa literatura ou um número de sapateado surpreendente, o que duvido, a sua presença é perfeitamente evitável. A questão é: levar os filhos aos Açores? Eu não tenho nada contra os Açores, mas isso é o equivalente em viagens a dar meias com raquetes no Natal. E um Presidente que dá meias com raquetes aos netos o que é que tem para dar aos portugueses? Uma caixa de Ferrero Rocher e umas ceroulas?
Cavaco Silva foi muito bom Presidente, excepto quando falou. Se tivesse trocado a maior parte das suas intervenções por canto gregoriano em falsete, dança do ventre ou qualquer combinação das três actividades anteriores teria sido o melhor Presidente de sempre. Assim não...