sábado, 17 de agosto de 2013

Ser ou não ser foda

Agora há detectores de metais à entrada de algumas discotecas, o que quer dizer que não podemos entrar com armas... Enfim, não sei como é que as pessoas se divertem hoje em dia, estar desarmado numa discoteca é uma seca.

Mas faz sentido, acho eu... Percebi isso quando começou a dar a música "Sou foda" da dupla sertaneja Munhoz e Mariano e ao meter a mão no bolso lembrei-me que não tinha nenhum objecto com o qual pudesse mandar um tiro na cabeça. Sobrevivi, embora tenha que viver para sempre com as consequências desta violação ao meu aparelho auditivo por este hino à imbecilidade auto-elogiosa, cantado por uma besta que está ali naquela fronteira ténue entre o parvalhão excessivamente excitado e o predador sexual.

Algo me diz que um gajo que se diz foda com tanto entusiasmo está a tentar-se convencer a si próprio. 

"Sou foda, a sério. Sou mesmo foda, não se vê? Até uso um chapéu de cowboy e faço movimentos pélvicos no ar em frente de milhares de pessoas. O que é que se diz de uma pessoa como eu?"

"Pronto, és foda. Não chores."


 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A arte de escolher melões: Uma farsa coreografada

Gosto de ver as pessoas a escolherem melões no supermercado. Aparentemente estão numa demanda pelo melão perfeito. Mas, no fundo, o que eu acho é que querem transmitir às pessoas que estão atrás deles na fila (sim, já apanhei fila em frente aos caixotes dos melões) que por mais que procurem não vão encontrar o melhor melão daquele conjunto de melões. Na melhor das hipóteses conseguem levar para casa o segundo melhor.

Também conseguem fazer com que pessoas como eu se sintam culpadas por escolherem o primeiro melão que lhes aparece à frente. Já dei por mim a apalpar melões só para não ser ridicularizado pelo meu estatuto de leigo na arte da selecção de melões. Faço um ar entendido, apalpo uns melões, abano-os um bocadinho, dou-lhes uma pancadinha e encosto-os ao ouvido. Não sei exactamente o que espero ouvir de dentro de um melão. Suponho que se ouvisse um bebé a chorar, um guitarrista virtuoso, o mar ou música techno poderia ignorar esse melão. Apesar de tudo, procurar o melão menos barulhento é sempre uma boa regra na escolha de melões. Isto é um facto e faz com que "ouvir o melão" seja a parte mais coerente do meu procedimento. Ninguém quer melões barulhentos! É um melão que estamos a escolher, não um fogo de artifício! Depois deste procedimento inventado escolho o terceiro melão que apalpo/ouço.

Por mais respeito que tenha pelos seleccionadores de melões, acho que 98% deles são uma fraude como eu. Não querem ficar mal e entram nessa missão estúpida de apalpar o máximo de melões possível antes de escolherem o felizardo que vão comer à sobremesa. Os restantes 2%, que têm mesmo o dom de ao apalpar um melão saberem o que se passa lá dentro, comem sempre melões deliciosos mas acabam por ser confundidos com aldrabões como eu.

O lado negativo desta farsa é que estou convencido de que a principal causa para a existência de melões maus é o facto de eles estarem sempre a ser apalpados. Aquilo não pode fazer bem à fruta. Não é só a palpação (que, por si só, é uma espécie de assédio), é o sentimento de rejeição.

"Tu apalpaste-me, deste-me a entender que tínhamos uma relação especial e trocaste-me por outro!"

Já comi alguns destes melões depressivos e, apesar de serem gratos por os termos escolhido, têm um lado negro e uma bagagem que é difícil de digerir. E ai de quem diga a uma fatia de presunto que a vamos emparelhar com um melão destes:

"Tenho os meus próprios problemas! Não estou para aturar os dos outros!"

Daí que acho que era boa ideia começarem a propagar o mito de que é possível apanhar uma doença grave através do toque em melões desconhecidos. Estou farto de apalpar melões só para não ficar mal perante todos esses especialistas em fruta que andam pelos supermercados. Gostava de os ver a terem que pôr preservativos nas mãos antes de apalparem um melão.


Se fizerem like nesta página ganham o poder de comunicar com morangos através de telepatia. É um poder que apesar de impressionar não tem grande utilidade prática. Os morangos são comunicativos mas não são muito interessantes, disfarçam a sua superficialidade com uma presunção extremamente irritante e com um cinismo e ironia forçados. Os morangos são hipsters. No outro dia houve um que me disse que tinha deixado de gostar dos Arcade Fire quando ouviu uma banana a cantarolar uma música deles. Que palhaço! Tive de o comer só para o calar e nem me apetecia morango. Ao falar com morangos percebemos que eles têm uma espécie de consciência, mas não deixam de ser fruta e a fruta faz bem à saúde.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O trabalho é alegria

Congratulo-me por esta decisão do Tribunal da Relação do Porto que impediu uma empresa de gestão de resíduos de despedir um trabalhador que estava a trabalhar alcoolizado.

Sempre defendi que o álcool melhora o desempenho das pessoas. Aliás, não deixo um cirurgião tocar em mim sem antes ter bebido cinco shots de tequilla. Uma vez fui operado por um cirurgião sóbrio e fiquei sem apêndice. Não volto a cair nessa. Com cirurgiões bêbados ficamos sempre a ganhar. Como daquela vez em que fui operado às amígdalas e saí de lá com uns implantes mamários (que ainda tenho porque quando fui reclamar o médico estava a ter uma overdose de heroína). Não podemos também esquecer que cerca de 95% dos acidentes de aviação acontecem enquanto os pilotos estão sóbrios. As vidas que se perderam graças a esta obsessão pela sobriedade já mereciam um monumento...

E a felicidade no trabalho é uma coisa muito importante. Se quando vamos a caminho do trabalho não nos sentirmos como se fôssemos para uma noite de copos alguma coisa está a falhar.

Além disso, toda a gente sabe que é quando estamos bêbados que mais dizemos a verdade. O álcool torna-nos menos dissimulados e hipócritas, por isso ao incentivar o consumo de álcool durante o trabalho estamos a contribuir para um ambiente de trabalho mais sincero e genuíno. Ficamos sempre a ganhar!

terça-feira, 30 de julho de 2013

A regurgitação como a arma da Natureza na batalha contra o Homem racional pelo bem do próprio Homem racional (que normalmente é um idiota)

Ontem à noite vi várias pessoas a vomitar na rua. O que é um espectáculo bonito para quem aprecia o melhor que a natureza tem para nos oferecer. Não por causa da comparação nojenta que se pode fazer entre este fenómeno e uma cascata (só que de cor baça, com bocadinhos de chouriço e a nascer a partir do estômago de um ser humano) mas porque aquele é o momento em que a natureza toma conta da situação, dá um murro na mesa e prova definitivamente que, por mais racionais que achamos que somos, ela terá sempre mais juízo do que nós. Nas palavras da Mãe Natureza:

"Eu avisei-te várias vezes mas tu ignoraste-me e continuaste a beber. E eu tive de intervir, fazendo-te vomitar sushi meio digerido e whisky nos sapatos de vela novos, na camisa da Gant e na rapariga que esperavas levar para casa hoje. A propósito, ela não é tão bonita como pensavas. De nada! Peço por isso muita desculpa pelo incómodo de te ter salvado a vida. E também de uma manhã embaraçosa com essa sósia do Júlio Isidro sobre a qual acabaste de vomitar."

É verdade, a natureza, para além de ter uma atitude extremamente passivo-agressiva ("desculpa por te salvar a vida, palhaço!"), é um mecanismo de segurança perante a nossa estupidez. Salva-nos de nós próprios quando atingimos o limite. E é por isso que é um espectáculo bonito. É como se tivéssemos dentro de nós um "alerta de estupidez" que nos tira o controlo e faz entrar em acção quem realmente percebe do assunto. E como é uma ajuda que não é propriamente agradável e que, ainda por cima, tem uma componente de humilhação social, é ainda mais eficaz. É um salvamento com castigo incluído.

"O contrato é este: eu salvo-te a vida, mas também não te ficas a rir".

É claro que voltamos a errar e a errar num eterno retorno que demonstra que nem com as mensagens mais óbvias conseguimos aprender. Mas o corpo humano está sempre lá para nos salvar quando bebemos. A não ser que decidamos conduzir ou trepar a um andaime ou agredir um cinturão negro de jiu jitsu. A nossa evolução ainda não conseguiu acompanhar a nossa crescente capacidade de inventar novos tipos de risco para nós próprios.

Outra coisa engraçada é que ao lado de alguém que está a vomitar está sempre outra pessoa a apoiar. E esse apoio consiste, normalmente, em acariciar as costas do regurgitador (chamemos-lhe "o idiota") como se estivesse a afagar o lombo de um cavalo ("way to go, boy!"). É uma ajuda bem intencionada mas irrelevante, na medida em que quem está a vomitar não vai estar propriamente a sentir-se reconfortado com essa pequena carícia. Parecendo que não, quando temos o Mundo a sair-nos pela boca é difícil apreciar o calor humano de uma carícia nas costas. Por isso, esta carícia só tem um objectivo que é dar à pessoa que está a "ajudar" a ilusão de que pode fazer alguma coisa pelo seu amigo irresponsável e idiota. Mas na verdade, não pode fazer nada, a natureza já se encarregou do assunto, fazendo o melhor que podia fazer que é expulsar tudo aquilo que o idiota ingeriu a mais de dentro do seu corpo sob a forma de cascata. No fundo, salvando-lhe a vida e garantindo que vai estar lá sempre que ele passar o limite. E isso é bonito! E nojento...

Se fizeres like na minha página do facebook sempre que vomitares vais ser acariciado(a) nas costas por um elemento dos Excesso à tua escolha. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Fintar o Big Brother

O que é que faz qualquer pessoa razoável que queira proteger a sua privacidade?

Cria um perfil no facebook.

E a seguir?

Declara abaixo assinado no seu mural que quer proteger a sua privacidade.

Assunto resolvido! Poderá continuar a sua vida anónima longe das malhas do Big Brother como se estivesse no século XVII.

Parece estúpido? Se calhar não... É que declarar abaixo assinado no mural do facebook que se pretende proteger a privacidade pode ser, afinal, uma boa maneira de se proteger a privacidade. Ao fazê-lo, a NSA vai perceber imediatamente que essa pessoa não tem competência para planear umas férias em Palma de Maiorca, quanto mais um atentado terrorista, e, automaticamente, ignora-a (os algoritmos têm de ter um filtro que deixam essas pessoas automaticamente de fora... se não tiverem fica aqui a ideia). Pode continuar a fazer o que bem entender sem ninguém a chatear e talvez um dia consiga aparecer na capa da Rolling Stone.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Nasceu um bebé

O futuro rei de Inglaterra nasceu esta semana. Estava com um bocado de receio mas já dá para ver que é uma pessoa espectacular. Vai ser um excelente rei! Pelo menos tem tudo aquilo que se exige para ser rei que é ter nascido. Nem imagino o orgulho destes pais, em tempos tão difíceis nascer já com um emprego é uma grande segurança*.

Tudo é melhor quando há meritocracia e as pessoas são recompensadas pelo seu esforço. É bom saber que se lutarmos muito podemos vir a ser o primogénito de um monarca qualquer. Sigam os vossos sonhos que mais cedo ou mais tarde eles vão concretizar-se.




*Se bem que como as coisas estão ainda vamos ver reis a passarem recibos verdes... Quem é que contrata um monarca hoje em dia? São caros e não trazem grande valor acrescentado. Eu sei do que falo, contratei um marajá para me passar alguma roupa a ferro e o tipo gastava 80% do que ganhava a sustentar o harém. Ainda por cima vinha de elefante para o trabalho! Deixou-me o piso da entrada todo escaqueirado. Felizmente nunca o deixei meter o elefante dentro de casa (a minha colecção de saladeiras da Vista Alegre agradece). Quando ele se foi embora, tive que contratar um faraó para me arranjar aquilo. Esses fazem sempre um bom trabalho. Arranjaram o que lhes pedi e ainda me construíram uma pirâmide no jardim. Em termos de relação qualidade-preço não há melhor, foi o melhor orçamento que me apresentaram. O facto de recorrerem a escravos pode entrar em choque com a nossa mentalidade sensivelzinha do Ocidente mas torna-os bastante competitivos. Na hora de pagar a factura damos graças a Deus pela existência do chicote...

Se queres uma esfinge com a cara do Cristiano Ronaldo no jardim faz like

sábado, 20 de julho de 2013

Ontem atropelei um saco de plástico

Às vezes quando vou a conduzir apanho pequenos sustos porque confundo sacos de plástico a esvoaçar pela estrada com animais. É normal a confusão, animais e sacos de plástico são muito parecidos. Um dia levei um saco do Continente para casa e só me apercebi que afinal não era um cão abandonado quando lhe pus água e comida à frente.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Da comunicação facilitada

Ontem, um senhor veio ter comigo e começou por dizer:

- Isto não é um assalto.

Aqui está uma maneira bem interessante de facilitar a comunicação entre as pessoas. Só ficamos a ganhar quando uma interacção é precedida pela enumeração de tudo aquilo que ela não é.

- Isto não é um homicídio, isto não é uma violação, isto não é um número de malabarismo, isto não é um cachimbo, isto não é o Abel Xavier, isto não é uma leitura d'"Os Lusíadas", isto não é um elfo a jogar raquetes com um anão, isto não é o Cavaco a fazer stand up comedy...

- Então o que é?

- Não me lembro... Ah! É um inquérito que tenho que fazer que, na prática, é uma maneira mais chata de pedir dinheiro...

Se enumerarmos tudo aquilo que uma interacção não vai ser talvez o nosso interlocutor consiga descobrir o que ela é por exclusão de partes. E isso é a regra número um de uma boa comunicação: Não há melhor introdução para um assunto do que uma enumeração exaustiva de tudo o que não está relacionado com ele.

É um bom princípio quando aplicado à actividade de guias turísticos, por exemplo.

- Estamos aqui em frente de uma coisa que não é um urinol, não é um chimpanzé do sexo feminino, não é um chimpanzé do sexo masculino, não é um quadro do Picasso, não é a Torre Eiffel, não é uma Bimby, não é um serial killer, não é uma pega de forcados, não é um electricista, não é o fim do arco-íris, não é a espada do Conan o Bárbaro, não é uma sandes de salmão fumado...

(passados 3 milhões de anos)

...e, finalmente, não é um novo paradigma... Penso que já vos dei informações suficientes para saberem o que é isto...

- Das duas uma, ou é o mosteiro dos Jerónimos ou é o pé esquerdo do Júlio Isidro.

- Tem toda a razão! Esqueci-me de mencionar o pé esquerdo do Júlio Isidro. Não é o pé esquerdo do Júlio Isidro.

- É o mosteiro dos Jerónimos, então...

- Muito bem! O mosteiro dos Jerónimos não foi desenhado pelo Pato Donald, por um televisor da marca Samsung, por um bandolim, pelo vírus da gripe, por mim...

domingo, 7 de julho de 2013

Como encontrar sítios onde se possa vender ouro sem ofender os unicórnios nazis

Onde é que uma pessoa pode vender o seu ouro hoje em dia? Não sei o que é que se passa mas parece que é mais fácil encontrar o Yeti a cavalgar um unicórnio a perseguir uma Harley Davidson conduzida pelo menino Jesus do que um estabelecimento onde se possa vender ouro.

(Será correcto usar o verbo "cavalgar" quando o objecto da acção é um unicórnio? É que não quero ser perfurado pelo corno de um unicórnio ofendido por o associar a um cavalo. Eu sei que a maior parte dos unicórnios não se importa e até é bastante tolerante, mas há sempre aqueles fascistas do Orgulho Unicórnio que advogam a superioridade dos unicórnios em relação a outros equídeos e defendem a pureza do sangue e andam pelas ruas a agredir cavalos, unicórnios que têm relação com cavalos e unicórnios homossexuais e fazem comícios e rapam as crinas e fazem tatuagens alusivas à sua ideologia. Depois de tudo o que passei com minotauros talibans e cíclopes nacionalistas bascos, a última coisa que quero é confusões com unicórnios nazis.)

sábado, 6 de julho de 2013

Racional fatal


Alfredo era uma pessoa ponderada e sensata, que não dava um passo sem pensar duas vezes. Morreu enquanto reflectia nas diversas implicações, nuances, sentidos e interpretações da última frase que lhe foi dirigida: "Sai da frente do comboio, estúpido!".

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dissolver coisas

Canibal Cavaco Silva (Ah! Ah! Ah! Um trocadilho...)
O Presidente da República pode dissolver a Assembleia da República mas como é que se dissolve um Presidente da República? Num bidão de ácido sulfúrico?

A última pessoa a dar o benefício da dúvida a Passos Coelho para além de Cavaco

"E eu que achava que o Passos Coelho era o gajo que ia levar isto para a frente. É que olhava para ele e via o filho biológico português do Roosevelt, do Churchill, do Nelson Mandela, de um dragão e do Wolverine se fosse possível 3 líderes carismáticos, uma criatura mitológica e um super-herói terem um filho em conjunto.

E ainda bem que não é possível, nem quero imaginar uma noite de amor entre estas 5 personagens. Enfim, quanto maiores as expectativas maiores as desilusões."

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A sinceridade pode destruir o Mundo

 - Então? O que é que achas dos meus quadros?
- Sabes que não sou capaz de te mentir por isso tenho que ser muito sincero, detestei...
- OK!
- Não me leves a mal...
- Não, não, na boa... É a tua opinião...
- ...mas a pintura não é a tua cena, Hitler. Acho que deves arranjar outra maneira de expressar os sentimentos que tens aí dentro...
- Vou pensar nisso... Obrigado pela tua sinceridade!

(Diga-se o que se disser o Hitler conseguia encaixar críticas)

Quem gostar da minha página no Facebook habilita-se a poder tatuar um dos quadros do Hitler nas costas.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Smile, Big Brother is watching you

A frase "Sorria, está a ser filmado" pressupõe que nos devamos sentir gratos? Porquê sorrir? É suposto sentirmos o síndrome do emplastro sempre que estamos a ser filmados? Há algum tipo de alegria primária por detrás da ideia de que a nossa actividade está a ser monitorizada? Estarmos a ser filmados dá um propósito à nossa existência? É para nos enganarem, fazendo-nos pensar que estamos a ser filmados porque merecemos e não para nos apanharem se nos lembrarmos de roubar alguma coisa ou, no caso de sermos uma gaja boa, para melhorar um bocadinho a vida monótona dos seguranças que controlam estas coisas? Como é que eles sabem se estamos a sorrir ou não se a qualidade da imagem da maior parte das câmaras de segurança está ao nível da de uma ecografia das antigas? Será uma espécie de casting? Devemos esperar um telefonema de alguém importante a oferecer-nos trabalho pelo nosso desempenho?

("Vi umas imagens suas numa bomba de gasolina e achei que era perfeito para desempenhar o papel de Mussolini. Você é a imagem perfeita de ditador egocêntrico que dá vontade de desmembrar. A semelhança é tão incrível que tem muita sorte por até agora ninguém o ter desmembrado e espalhado por várias partes de Itália! Estamos também a fazer um filme sobre gente estúpida, feia, com ar esquisito, daquelas que só de olhar já dá vómitos e que sugam a alegria de viver a todos os que estão à sua volta. Talvez tenhamos um papel para si")

Porque não utilizar a frase "roube qualquer coisa, está a ser filmado e precisamos de justificar o investimento num sistema de segurança" ou "faça qualquer coisa parva, está ser filmado e não há vídeos suficientes de gente a fazer coisas parvas no youtube" ou "está a ser filmado"?

Se gostarem da minha página no facebook habilitam-se a ir ver o Big Brother ao vivo.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Medo do compromisso

"Sempre tive dificuldade em assumir compromissos. São uma prisão e eu sou e sempre serei um homem livre. O lugar de um leão é na selva, a comer os antílopes que lhe apetece, a rosnar alto e a abanar a juba ao vento para impressionar leoas. Para quê fazer a escolha voluntária de ir para um circo levar chicotadas de um domador qualquer quando se pode ser o rei da Selva? A mim não me apanham no circo!" pensava ele enquanto escolhia qual a melhor gravata para usar no jantar com os pais da sua amiga colorida.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Pedir perdão

Em que altura é que se deu a decadência da palavra perdão? Começou por ser uma palavra utilizada para, de forma nobre, emendar erros cometidos e procurar a redenção aos olhos de alguém para ser apenas utilizada quando se dão arrotos...

Até assassinos pedem perdão por arrotarem como se fosse o seu acto mais abjecto.

Quando é que pedir perdão passou a dizer respeito exclusivamente a arrotos? Terá sido o programa da SIC "Perdoa-me" a destruir a palavra perdão para toda a gente? Foi nessa altura que os portugueses perceberam a mensagem? "Depois desta porcaria, só vou pedir perdão depois de arrotar!".

Não sei. Mas depois de arruinarem o "perdão" temo pelo "por favor" e pelo "com todo o respeito". É que apesar de continuarem a ser utilizadas nos seus contextos originais, tenho ouvido coisas tão perturbadoras como "Queres fazer o favor de te pôr a andar antes que te arrebente o focinho?" ou "Com todo o respeito, és um grandessíssimo filho da puta". 

É a evolução.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Conversa sobre super-poderes

- Se pudesses ter um super-poder, qual é que escolhias?

- Escolhia o poder de com um simples estalar de dedos engravidar todas as mulheres do Mundo ao mesmo tempo. E ter a memória de fazer amor com todas elas. Embora isso não acontecesse na prática…

- No fundo, escolhias o poder de violar em massa todas as mulheres do Mundo… E como seria o teu fato de Super Tarado?

- Estás a fazer uma interpretação maliciosa… Basicamente teria o poder de fazer a todas as mulheres do Mundo aquilo que Deus fez à Virgem Maria. Se não há nada mais bonito do que o nascimento de uma criança, imagina o nascimento de centenas de milhões delas? Existe poder mais altruísta do que este? Os poderes de voar, da invisibilidade, de visão raios-x são poderes egoístas, no sentido em que servem para pouco mais do que dar uma sensação de superioridade ao seu portador. O meu super-poder seria uma dádiva de milhões de pessoas a toda a Humanidade. Um novo futuro.

- Belo presente! A Humanidade ficaria muito agradecida por esse babyboom de irmãos. Toda uma nova geração que para poder procriar terá que recorrer ao incesto… A questão da consanguinidade não te preocupa? Não te perturba a ideia de os teus milhões de filhos, com os quais não tens qualquer vínculo emocional, andarem a cometer incesto entre si? E depois há questões práticas. O que é que acontecia às mulheres que já estivessem grávidas? O teu bebé comia o anterior ou conviviam juntos no mesmo útero? E as mulheres comprometidas? Gostavas que algum "super-herói" fizesse isso à tua namorada?

- São boas questões… Se calhar escolhia outro poder. O poder de impedir que houvesse algum super-herói que engravidasse todas as mulheres do Mundo ao mesmo tempo. Se isso alguma vez acontecesse teria o poder de provocar um aborto global.

- És uma pessoa sensata.

- E tu? Que super-poder escolhias?

- O poder de falar com animais.

- Como o Dr. Doolittle?

- Sim.

- Porquê?

- Porque gosto de animais e gostava de poder falar com eles, saber a sua opinião, debater e assim criar um Mundo melhor…

- Sabes que os animais não são personagens de um filme da Disney. Têm uma estrutura cognitiva diferente da nossa. Provavelmente não conseguirias debater o o conflito israelo-palestiniano com um tigre. Enquanto expunhas a tua opinião ele iria simplesmente estar a pensar na sua próxima refeição. Que neste caso seria muito provavelmente o humano que está a discorrer sobre as implicações da existência do Estado de Israel. Pode parecer estranho, mas o instinto da maior parte dos animais é ignorar questões centrais de geopolítica. O teu poder só faria sentido se, paralelamente, fosse atribuída a todos os animais uma inteligência semelhante à nossa. O que iria provocar um enorme desequilíbrio na natureza. Já imaginaste se todas as formigas do planeta, que devem ser aos triliões, tivessem as mesmas aspirações e colocassem as mesmas questões existenciais que os seres humanos? E o que isso implicava ao nível do ecossistema? Seria insustentável! Nem quero imaginar um Mundo em que as formigas quisessem ter iPads, estudar cinema ou tirar selfies a toda a hora. O instagram crashava todos os dias! Já pensaste nisso?!

- Tens razão. Tenho uma visão infantil dos animais. Não somos grande coisa a escolher super-poderes…

- Pois não. Se voltasses atrás no tempo e adoptasses um cão abandonado e, depois de te afeiçoares ao animal, descobrias que ele iria transformar-se numa pessoa e que essa pessoa era o Hitler o que é que fazias?

- Excelente pergunta!

Se gostarem da minha página no facebook podem ganhar uns óculos iguais aos do Clark Kent (só que com um nariz e um bigode acoplados porque só o Super Homem tem o poder de ficar irreconhecível de óculos).

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Crítica cinematográfica sobre uma coisa que não é bem um filme



O melhor que se pode dizer de Ressaca - Parte 2 é que o actor com melhor desempenho é um macaco, curiosamente o mesmo tipo de animal que os autores do filme parecem considerar que é o seu público alvo. Assim é fácil, um macaco tem sempre piada. Ponham um macaco n'"A Lista de Schindler" e até aí o bicho tem piada (felizmente o Spielberg resistiu à tentação). Mas é muito pouco para salvar um filme. Se há coisa que detesto mais do que um mau filme (e eu até sou capaz de gostar de maus filmes) é um filme que para além de ser mau, tenta fazer de mim estúpido. A premissa "Vamos fazer exactamente o mesmo filme, mas agora na Tailândia e com um macaco" é um insulto à inteligência do público. Agora vejo que vai sair a Ressaca - Parte 3, numa tentativa de nos provar que há coisas bem piores do que genocídio ressacas a sério. E parece que tem outro animal engraçado: uma girafa que morre numa auto-estrada. Hilariante. Pelo menos não me voltam a enganar, a única maneira de suportar este filme é se me deixarem tomar uns quantos roofies durante o genérico (eu gostei do primeiro e gosto de alguns dos actores, daí a minha desilusão).

Se fizerem like na página deste blog habilitam-se a ganhar um pequeno almoço na barriga do Zach Galifianakis. 

terça-feira, 4 de junho de 2013

Romantismo

Se há coisa que me revolta mesmo é falta de romantismo (e terrorismo, pior que isso só romantismo terrorista). Detesto que os homens tenham de se ajoelhar enquanto pedem as mulheres em casamento. Se é para acompanhar o pedido de casamento com uma demonstração física ao menos que façam uma coisa um bocado mais complexa, à altura do sentimento que estão a demonstrar.

Um flick-flack, malabarismo com gatos a fazer de bolas, um mortal à Fernando Couto ou tocar a ponta do nariz com a língua são demonstrações físicas bem mais românticas e muito mais dignas de sublinhar um momento tão importante na vida de uma pessoa como um pedido de casamento do que um reles ajoelhar.

Qualquer um se ajoelha, mas nem toda a gente consegue enfiar 15 cachorros na boca ao mesmo tempo. Alguma mulher diria que não a um pedido de casamento de um homem com tamanho talento? Quanto mais não fosse para o homem não morrer a pensar que ela lhe disse que não. Ninguém diz que não a um moribundo.

(excerto da minha candidatura para ghostwriter do Nicholas Sparks)

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Lágrimas de crocodilo


Lágrimas de crocodilo é o termo utilizado para descrever a profunda tristeza que os crocodilos sentem quando se apercebem que o ser humano que estão a devorar está a usar um pólo da Lacoste. É como perceber a meio do jantar que estão a comer um amigo*.

A não ser que se deparem com esses casos supremos de ironia que são pessoas que usam pólos da Lacoste e sapatos de pele de crocodilo. Aí interrogam-se: "O que é que há de errado com esta gente?! O Mundo está perdido! Mas o que é que eu sei? Sou só um simples crocodilo/mascote de marca de vestuário de luxo". E continuam a comer.

*Parecendo que não, é uma coisa capaz de estragar uma refeição. Já nem sabe ao mesmo. Como diria um canibal: "É difícil apreciar devidamente a comida quando não conseguimos deixar de pensar em todos os bons momentos que passámos com a pessoa que está no nosso prato".


Se a minha página no facebook chegar aos 37 milhões de likes ofereço pólos da Lacoste autografados por mim, pelo Presidente dos EUA Barack Obama e pelo Bastonário da Ordem dos Advogados Marinho Pinto a toda a gente.