quarta-feira, 8 de maio de 2013

O obituário da Aranha Homem

Não foi só o Homem Aranha que ganhou poderes depois de ter sido mordido por uma aranha radioactiva. Houve naquele momento uma troca e também a aranha radioactiva ganhou algumas características humanas que a tornaram distinta das restantes aranhas: uma maior inteligência, capacidade de fabricar e usar instrumentos, angústia existencial e uma vontade inexplicável e inconfessável de ver reality shows.

Assim nasceu a Aranha Homem.

Só que ao contrário daquilo que aconteceu com o Homem Aranha, os poderes humanos da Aranha Homem não lhe serviram de grande coisa. Isolaram-na das outras aranhas e reflectiram-se negativamente na sua capacidade de trepar paredes e de produzir teias de aranha. Os seus poderes humanos mais não fizeram do que transformá-la numa aranha extremamente mariquinhas.

Acabou por se enforcar na própria teia por não aguentar a dor psicológica de ter de assistir à morte lenta de inúmeros insectos em teias de aranha. Dor essa agravada pela alegre indiferença com que este bárbaro espectáculo era encarado pelos seus pares. O poder de sentir empatia matou-a. Deixou uma vasta obra literária que nunca vai ser lida por nenhuma aranha.
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