quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Versões alternativas da mensagem de Passos Coelho

Gostava tanto que a mensagem do Pedro fosse algo deste género. Se é para ser parvo, ao menos que atinja o máximo da escala:

"Perguntaram-me se queria adoptar um gatinho. Não me parece, ainda é muito cedo. Primeiro quero ter dois ou três biológicos e só depois penso em adoptar. E quando adoptar tem que ser de uma raça diferente que é para toda a gente perceber que é adoptado."

"Há uma razão para passarmos por todos estes sacrifícios. Digam isso aos vossos filhos e netos que eles vão perceber. A razão para passarmos por todos estes sacrifícios é passarmos mais sacrifícios para fazermos face aos sacrifícios anteriores e assim sucessivamente. Contem-lhes a história de Abraão e Isaac que é uma história muito bonita sobre a relação entre pais e filhos e sacrifícios (não me lembro se é "Abraão e Isaac" ou "o estrumpfe e o leopardo")."

"Andámos muito tempo a viver acima das nossas possibilidades. O desvario foi de tal modo insustentável que só poderia ter resultado na catástrofe que vivemos hoje. Todos nos deparámos com casos concretos e são inúmeros os exemplos deste regabofe. Por exemplo... Espera aí que assim de repente é difícil lembrar-me de alguma coisa... Ah! Houve um gajo que morava num T1 e comprou uma girafa. Vi ontem no Correio da Manhã. Se estamos a passar por isto é porque esse gajo comprou uma girafa. E o que fazemos perante isto? Matamos a girafa? Castigamos o homem? Não sei, mas eu gosto de girafas e espero que não lhe aconteça nada de mal. É isso, vou comprar uma girafa! O que é que eu estava a dizer? Não me lembro, vou apanhar musgo para o presépio.

Abraços para os gajos e jokinhas para as gajas"

"Portugueses, demito-me. Estou a brincar! Era só para vos dar uma predisposição positiva antes de lerem o que tenho para vos dizer."

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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Os tortuosos caminhos para o Zen

 
Todas as minhas incursões no mundo das técnicas de relaxamento acabam comigo a ficar ansioso por não estar suficientemente calmo. Geralmente acabam comigo a gritar na cara do instrutor de Yoga:

- EU QUERO RELAXAR! RELAXA-ME! EU NÃO CONSIGO IMAGINAR QUE ESTOU NUMA PRAIA DESERTA! A PRAIA QUE EU IMAGINEI ESTÁ CHEIA DE GENTE A FAZER BARULHO E A ATIRAR-ME AREIA E A COMER ROJÕES COM BATATAS FRITAS E CÃES A URINAR EM TODO O LADO... PORQUE É QUE AS PESSOAS TRAZEM ANIMAIS PARA UMA PRAIA CHEIA DE GENTE? EU TAMBÉM NÃO CONSIGO IMAGINAR AS DIVERSAS PARTES DO MEU CORPO, A CABEÇA QUE IMAGINEI NÃO ERA A MINHA E AS PONTAS DOS MEUS DEDOS DOS PÉS TAMBÉM NÃO SÃO ASSIM! AS QUE EU IMAGINEI TINHAM AS UNHAS PINTADAS! OLHA PARA AS MINHAS! PARECE-TE QUE EU TENHO AS UNHAS PINTADAS? QUEM É QUE PENSAS QUE EU SOU? EU SÓ QUERO RELAXAR! JÁ, IMEDIATAMENTE QUE É PARA ISSO QUE TE PAGO! AGARREM-ME ANTES QUE EU LEVE TUDO À FRENTE! AAHHHHHH!...

Talvez devesse procurar um programa de Técnicas Indutoras de Ansiedade. Não me parece que conseguisse ficar nervoso por não estar a conseguir ficar suficientemente nervoso.

domingo, 16 de dezembro de 2012

A minha primeira reflexão política

A minha primeira reflexão política remonta a umas férias no Gerês. Tinha 9 ou 10 anos e estava na sala de estar da pensão. A televisão estava ligada e estava a dar o telejornal. Enquanto passava uma notícia sobre uma campanha para acabar com o trabalho infantil um senhor começou a gesticular em frente à televisão contra a iniciativa. A recordação é um bocado nebulosa mas, pelo que percebi, segundo esse senhor, o trabalho infantil era uma benção e a maneira ideal de criar homens a sério e de levar este País para a frente. Fiquei com a impressão que essa tinha sido a realidade dele e como resultou bem (ou não estivesse ele a passar umas férias no Gerês) tinha a opinião de que todos deviam passar por isso. "Não lhes faz mal nenhum, bem pelo contrário" dizia ele.

E eu fiquei um pouco assustado.

"Este homem quer que eu vá trabalhar", pensei. "Eu não quero ir trabalhar, eu não quero ir para as obras nem coser sapatos, eu quero brincar e ir à escola e aprender. Mas por outro lado, também quero ser um homem a sério e levar este país para a frente, se possível ser jogador de futebol. Mas cientista ou vendedor de gelados também não seria mau de todo". Isto num futuro longínquo, claro. Porque quando temos 10 anos, a ideia de sermos adultos é tão irreal como o Pai Natal (depois, por volta dos 13 anos, quando começamos a olhar para raparigas com outros olhos, aparece o acne para nos lembrar de que o futuro está mais próximo do que nós pensamos e que a vida não será tão idílica como imaginamos).

E foi essa uma das primeiras vezes em que tomei consciência de que nem todos tinham a mesma sorte do que eu, nem todos tinham a mesma liberdade do que eu para brincar e para ter uma vida despreocupada, cuja única responsabilidade era levar a escola a sério (o que, para miim, até era divertido). Havia miúdos da mesma idade do que eu que trabalhavam e passavam fome e eram vítimas de violência e não iam passar férias ao Gerês… Naquela altura tomei consciência da minha própria inocência e do privilégio que ela constituía. E não era eu que estava mal. ao contrário do que o outro senhor pudesse pensar, era a realidade que estava mal. E percebi que se há alguma coisa por que vale a pena lutar é para que todos os miúdos tenham a mesma sorte do que eu. Lembro-me de sair da sala um pouco melancólico e perceber que se o senhor que vociferava em frente à televisão tivesse tido as oportunidades que eu tive em vez de ter estado a trabalhar, talvez tivesse chegado à mesma conclusão. 

Se alguém ler isto e achar piada ao exercício pode partilhar a sua primeira reflexão política aqui ou no facebook

domingo, 9 de dezembro de 2012

O empreendedorismo empreendedoresco dos empreendedores





Estou a pensar em abrir um curso de empreendedorismo intitulado: "Estás desempregado? A culpa é tua, meu grande palhaço. Tua e da tua falta de atitude. Até parece que não queres ser feliz!" O nome é um bocado grande, mas estou a trabalhar nisso (há sempre a hipótese de lhe chamar "You suck").


Alguns módulos:

- Todos podemos ser o Steve Jobs (e se não fores a culpa é tua) (4 horas)
- Queres dinheirinho? Até parece que a felicidade não te chega (4 horas)
- Vamos empreender e criar coisas extremamente inovadoras (4 horas)
- História do empreendedorismo: o post it, a Via Verde, os Descobrimentos e todas essas cenas inovadoras que mudaram o Mundo (2 horas)
- Respeitinho é muito bonito e o chefe é sempre o maior (4 horas)

- Desenvolver uma atitude irreverente e rebelde: gesticular, arregaçar as mangas da camisa, escolher um bom penteado e defender o status quo (1,5 horas)

Dá direito a certificado e a um milhão de euros depoisitados na tua conta bancária no prazo de um ano *.

* Se não tiveres um milhão de euros na conta bancária após este período de tempo tens todo o direito de apresentar uma reclamação a ti próprio. A culpa é sempre tua.

No facebook

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Rei vai nu (na medida em que é impossível vestir embriões)



Com que então a Kate Middleton está grávida... Em termos de importância, isto é uma espécie de 11 de Setembro para a imprensa cor-de-rosa. Além disso é uma boa desculpa para a Kate fazer topless.

Pessoalmente, fico contente, acho que o que faz falta neste Mundo é mais um beto com cara de cavalo (se sair à mãe, pelo menos fica bem de vestido). Deixo os meus parabéns e desejos sinceros que a criança cresça saudável e que, no futuro, abdique de ser monarca para poder escolher a sua profissão. Cabeleireiro de cães ao domicílio, por exemplo.

Gostava também que a criança fosse um leão, por uma vez seria possível alguém acumular os títulos de Rei da Selva e de mascote do Sporting com o de Rei de Inglaterra. Infelizmente, mesmo com aqueles genes manhosos isso não é possível. O que é possível é a criança ser educada por um javali e um suricate, o que parece ser um ambiente mais saudável para a educação de uma criança do que a Família Real. Se tiver que deixar um conselho é este... Entreguem a criança a um javali e a um suricate. É uma fórmula que já deu bons resultados. Pelo menos nunca vi o Simba metido em escândalos.

(Este blog está no Facebook, se gostarem, gostem :) )

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

WTF with Marc Maron: um psicoterapeuta improvável



No seu podcast WTF, Marc Maron entrevista diversos comediantes, alguns dos quais conhece há muitos anos e aborda com eles os mais variados assuntos. É capaz de nos provocar umas gargalhadas e ensinar-nos muito acerca do processo criativo dos comediantes e sobre as diversas formas de construir uma carreira no competitivo mundo da comédia americana.

Mas este podcast é muito mais do que isso. Aliás, este lado de WTF é secundário perante o que este podcast realmente é.

Mas para perceber o que quero dizer com isso talvez seja necessário conhecer um pouco Marc Maron. Maron não é o tipo de comediante que estejamos habituados a ver em Portugal, não se disfarça de matarroano, o seu registo é maioritariamente autobiográfico, com algum humor político pelo meio, e tem uma tonalidade tendencialmente negativa. A sua comédia vive dos seus problemas pessoais e se é hilariante nalguns momentos, noutros é como um soco no estômago. Marc Maron é, nas suas próprias palavras, narcisista, neurótico, alcoólico e toxicodependente em recuperação (sóbrio há 12 anos, diga-se), hipocondríaco, invejoso e arrogante. E isso reflecte-se na sua comédia, na raiva, no ressentimento, na revolta. Mas é hilariante na mesma!

O podcast surgiu em 2009 enquanto fazia o luto do seu segundo divórcio e da perda do seu emprego na rádio Air America, um momento complicado na vida de Marc Maron que, perante o desmoronamento da sua vida pessoal e profissional, perspectivava aos 46 anos um futuro incerto. Nesta fase de transição, o podcast bissemanal realizado a partir da sua garagem tornou-se uma intervenção sobre si próprio (esta expressão é dele). O podcast inclui quase sempre um monólogo semi-improvisado sobre o seu dia-a-dia em que nos é dado a conhecer um bocadinho do mundo de Marc (ao fim de 10 horas de podcasts começamos a conhecer Marc Maron melhor do que conhecemos alguns amigos) e as agora famosas entrevistas a outros comediantes. E estas entrevistas são qualquer coisa.

Não sei qual é a razão, se é a personalidade de Marc Maron que o leva a partilhar muito da sua vida, se é um elo especial tipo "tu é que me compreendes" à fuzileiro entre comediantes, se é o talento de entrevistador de Marc Maron mas o facto é que o ambiente criado nas entrevistas torna-se muito íntimo e os entrevistados acabam por revelar muito sobre eles próprios. E espantem-se, nem uma vez Marc Maron formula a pergunta "o que dizem os teus olhos?". Há momentos emocionantes neste podcast como o momento em que Robin Williams fala dos seus problemas com as drogas (quem diria? Oh captain, my captain…) ou o momento em que Louis CK se emociona ao falar do nascimento da filha. E o mais importante não são estas revelações bombásticas sobre a vida de celebridades. É que quase que passa ao lado que as revelações são bombásticas e que se tratam de celebridades, o mais importante é a envolvente da conversa e a caixa de ressonância que ela se pode tornar para os nossos próprios problemas. São pessoas como nós, que também têm problemas e que também tiveram que lutar para os superar. A comédia é uma forma de catarse e, na minha opinião, o melhor humor, como qualquer forma de arte, tem que vir de dentro, ter algum conflito e causar um impacto visceral para além da gargalhada (a gargalhada que soltamos ao ver um indivíduo a levar com uma bola de ténis nos testículos é completamente diferente da gargalhada que damos ao ver um episódio de "The Office" ou de "Louie"). Estas entrevistas desconstroem este processo e tornam-nos mais conhecedores quer do mundo da comédia, quer da vida em geral.

A maneira como Marc Maron lida com os seus defeitos, ao assumir a inveja do sucesso de amigos que chegaram mais longe do que ele, o facto de ser uma pessoa com uma personalidade difícil (em muitas entrevistas Marc Maron aproveita para pedir desculpa ao entrevistado por um ou outro momento em que este teve uma atitude desagradável em relação a ele), os seus traumas de infância são grandes estímulos para pensarmos nos nossos próprios defeitos e naqueles momentos em que nós também somos bestas. Eu sei que sou.

É por isso que o melhor elogio que posso fazer este podcast é que desde que me começou a acompanhar principalmente em viagens de carro, sinto que cresci como pessoa. Um dos grandes ensinamentos de Marc Maron é que, às vezes a melhor resposta para os problemas da vida é um grande WTF, quer um WTF enraivecido de indignação perante as grandes injustiças deste mundo ou, até as pequenas irritações do dia-a-dia, quer o WTF de resignação, um "que se foda, a vida continua, não vale a pena chatear-me demasiado". São atitudes contrastantes, que às vezes aparecem associadas e que são expressas na perfeição através da expressão What The Fuck.

Saquem o podcast aqui

Deixo abaixo um vídeo em que Marc reflecte sobre o potencial psicoterapêutico do seu podcast.

Ah! Este blog aderiu à rede social Facebook


sábado, 24 de novembro de 2012

Recomendações para comedy nerds: As estórias de Kevin Smith


"Tough shit: Life Advice From a Fat, Lazy Slob Who Did Good" é o novo livro do realizador Kevin Smith. É um misto de episódios autobiográficos, conselhos de auto-ajuda e piadas sobre o órgão sexual masculino. Acima de tudo é indispensável para geeks de comédia e altamente recomendado para cinéfilos em geral.

Kevin Smith conta a sua história de vida até agora passando por várias fases, infância e juventude como um geek de New Jersey, ascensão meteórica no mundo do cinema independente e recente anúncio de fim de carreira cinematográfica. Durante a narrativa somos confrontados com histórias do meio cinematográfico como a sua relação de amor-ódio com o mítico mogul do cinema Harvey Weinstein e a sua desilusão com o Bruce Willis (que o ex-fã Kevin Smith considera uma besta depois de ter trabalhado com ele no flop "Copped Out"); homenagens aos seus ídolos (destacando-se George Carlin, John Hughes, Quentin Tarantino e o jogador de hóquei no gelo Wayne Gretzky); conselhos de vida (o típico e falacioso "façam como eu, persigam os seus sonhos e lutem por eles, que vão conseguir", não que as intenções de Kevin Smith não sejam boas mas, convenhamos, já todos conhecemos estas "lições", a realidade é complexa demais para se considerar que o "desejar com muita força" e, até, o talento e o trabalho são as únicas variáveis que influenciam o sucesso/insucesso de alguém… são indispensáveis, mas há muitas outras); a bonita história de amor dele e da sua mulher Jennifer Schwalbach ("Skinny good-looking chicks rarely choose the corpulent fella unless you're watching a sitcom."); o tardio consumo de cannabis; as dificuldades relacionadas com excesso de peso (que, entre outras coisas, levaram a que fosse expulso de um avião recentemente e à inevitabilidade de ter que ficar sempre por baixo durante o sexo, situação cujo cenário descreve do seguinte modo: "Hell, had she realized all a fat man's gonna offer in bed is the Snoopy's Doghouse (he lies down, someone climbs on top of him, and he gets fucked), she likely would've run screaming from her apartment."), e muitas, muitas piadas sexuais.

Apesar de estar constantemente a depreciar o seu talento Kevin Smith é especial (e ele sabe-o, é só um mecanismo de defesa, não sejamos ingénuos). É um excelente comunicador que vive agora de inúmeros podcasts (nos quais estou viciado e que podem ser encontrados neste site) e de concorridas sessões de Q&A/stand up comedy que vem fazendo há alguns anos e onde reflecte durante horas sobre tudo um pouco (por exemplo, aqui fala de Tim Burton, felizmente a internet está repleta de vídeos destes momentos de contacto directo com os fãs de Kevin Smith). Acima de tudo, é um erro desvalorizar a obra cinematográfica que hoje permite a Kevin Smith viver de mandar umas bocas (e digo isto do modo mais elogioso possível, o homem eleva o mandar uns bitaites sobre tudo e todos a uma forma de arte sublime).

Se hoje é moda ser geek, muito se deve a Kevin Smith. Com "Clerks" (um filme auto-financiado e, mais tarde, adquirido pela Miramax, que se centra na rotina de dois empregados de uma loja de conveniência que passam a vida a ter diálogos "quentintarantinescos" sobre Star Wars e… pilas) Kevin Smith abriu as portas do cinema independente ao tipo de comédia que vemos hoje Judd Apatow a fazer com ganhos na ordem das centenas de milhões de dólares. Uma pessoa abre um site de humor instantâneo tipo 9gag e 90% das piadas parecem vindas de um filme de Kevin Smith! Com "Chasing Amy" mostra uma grande maturidade conseguindo misturar comédia com cenas mais sentimentais e essas merdas e com "Dogma" (o penúltimo dos filmes que realizou no "View Askewniverse") consegue fazer um filme brilhante sobre religião. Não sendo revolucionário como "A Vida de Brian", tem igualmente muito mérito, é basicamente ensaio íntimo de Kevin Smith sobre a sua própria fé. Teve alguns flops, como Jersey Girl, que nunca vi ou o mediano "Zack and Miri Make a Porno" em que tentou surfar a onda de blockbuster à Judd Apatow (que ironicamente ele próprio criou) mas nem o wonderboy de Apatow Seth Rogen o safou de um relativo fracasso de bilheteira. No meio disto tudo, mostrou ser um tipo com uns grandes tomates, que nunca teve medo de arriscar em prol daquilo em que acreditava, como por exemplo quando abdicou de uma carreira confortável a realizar blockbusters para a Warner Bros com o fim de realizar o seu projecto pessoal e último filme "Red State", um filme completamente diferente daquilo a que nos habituou e que distribuiu de um modo totalmente independente. Se tudo isto não bastasse, a dupla que formou com o seu amigo de muitos anos Jason Mewes, Jay e Silent Bob, tem o seu lugar bem seguro na história do cinema.

É de admirar a ascensão improvável de Kevin Smith, que passou de cinéfilo inveterado a trabalhar numa loja de conveniência a nome maior do cinema independente. Nunca esqueceu as origens e procura incluir sempre que possível os seus amigos de infância nos seus projectos, o que é uma prova tremenda de lealdade e gratidão (gratidão não necessariamente desinteressada... será que sem a ajuda do seu amigo Jason "Jay" Mewes a interpretar uma versão de si próprio o seu sucesso seria o mesmo? Há sobretudo um grande mérito de Smith em ter identificado o potencial humorístico deste stoner desbocado). Este livro é como ter uma conversa bem humorada e inspiradora com um tipo porreiro, com quem dá vontade de ir tomar um copo que, por acaso, conseguiu subir em Hollywood.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

No facebook


Pronto, é o facebook. Fica aqui o link da página do facebook na wikipedia. Está em inglês. Também existe um filme do David Fincher sobre este tema. 

Para quem nunca ouviu falar do facebook é uma rede social em que as pessoas criam perfis e interagem umas com as outras, seja através de chat ou através de partilhas de conteúdos. As pessoas podem gostar das coisas umas das outras e de coisas em geral (como marcas, bandas, filmes, meios de comunicação social e serial killers).  

Criem então um perfil no facebook e façam like na minha página. Se não gostarem daquilo podem sempre apagar o perfil.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

O Preço Certo e a complexidade da vida

Sabes aquela imagem clássica do anjinho e do diabinho que aparecem nos momentos mais difíceis das pessoas para as ajudar a escolher o melhor caminho a seguir? Em que o anjinho sugere um caminho abençoado pelo bem e em que o diabinho sugere um caminho perverso e a pessoa fica ali indecisa a pesar os prós e os contras e a decidir qual das duas opções é mais vantajosa.

Não acho esta metáfora credível como representação dos diferentes processos de decisão que temos que enfrentar nas nossas vidas. É muito redutora. Representa uma escolha entre o preto e o branco num Mundo cheio de cinzentos. É a imagem do maniqueísmo que nos leva a colocar rótulos em tudo, sem conhecer as diversas perspectivas e diferentes pontos de vista. Esta dicotomia anjinho/diabinho é a razão pela qual é impossível ter uma conversa racional neste Mundo!

O que eu gostava mesmo era que andássemos sempre acompanhados pelo público do Preço Certo. Sempre que tivéssemos que tomar uma decisão difícil como "o que vamos comer logo à noite?", "devo convidar a rapariga que gosto para sair embora ela seja casada com o meu irmão?", "devemos matar a nossa mulher e o respectivo amante que acabámos de apanhar em flagrante e, se sim, como o vamos fazer?", as diversas pessoas da plateia gritariam a sua opinião, permitindo-nos tomar a decisão correcta. No meio daquela cacofonia está, algures, a verdade. A vida é, no fundo, uma montra final.

Imaginemos a seguinte situação:

A tua mulher está gravemente doente. Para se salvar precisa urgentemente de determinado medicamento. Só que há um problema: tu és pobre e não tens dinheiro para o comprar. A única solução é assaltar a farmácia. O que é que fazes? Assaltas a farmácia visto que é essa a única maneira de salvares a tua amada? Ou não enveredas por essa opção criminosa, colocando assim a vida da tua mulher em perigo? 

O que é que o anjinho e o diabinho diriam disto? Ficariam com um nó na cabeça, não? Qual das duas decisões execráveis agradaria mais ao diabinho? Matar a tua mulher ou levar-te a cometer um crime? Mas se esta questão fosse colocada à plateia do Preço Certo terias toda uma série de respostas que te levariam a pensar nas implicações morais das diferentes opções e agir da maneira mais fundamentada e correcta possível.

E perante este dilema seríamos confrontados com vários tipos de respostas:

"Não assaltes a farmácia porque corres o risco de ir preso"

"Assalta a farmácia! És demasiado incompetente para ficares a tomar conta dos teus filhos sozinho!"

"A vida humana é um valor universal que não deve ser posto em risco de maneira nenhuma. Assalta a farmácia! É o melhor que podes fazer!"

"Diz à tua mulher que vais assaltar a farmácia, simula a tua morte e foge para as Bahamas. Assim, ela pode comprar os medicamentos com o dinheiro do seguro de vida e tu ganhas uma vida muito melhor."

"És feio e cheiras a Tulicreme fora do prazo!"

"Não assaltes a farmácia. Aceitar que há um motivo para fazer algo do género é abalar os alicerces da nossa sociedade e pôr em perigo tudo aquilo em que acreditamos: a propriedade privada"

"O último gajo que falou é um fascista! Não lhe ligues! Assalta a farmácia e mata o farmacêutico. Já que vais cometer um crime ao menos ficas de barriga cheia!"

"Vai mas é trabalhar, malandro!"

"Veste-te de Chewbacca, invade a Assembleia da Republica e ameaça que, se não te derem os medicamentos, rebentas com aquilo tudo!"

"Ó meu senhor, mas porquê vestido de Chewbacca?"

"Então não se vê? Por uma questão de credibilidade..."

E aqui aparecia o Fernando Mendes a dizer que já tinha passado muito tempo e que tínhamos que fazer a nossa opção final. E faríamos! Só que bastante mais informados... E é isto... A sabedoria da plateia do Preço Certo é tudo o que precisamos para fazer o que está correcto.

(Reedição de texto antigo que tive que apaguei mas que faço questão de que continue aqui)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

God is watching you. He is also smelling you. That's part of his job...

Real porn is also God's porn

Como ateu faz-me alguma confusão a forma pacífica como muitas pessoas aceitam que estão a ser observadas permanentemente.

É que estão mesmo. Ou acham que a omnisciência de Deus é interrompida quando estão a dançar o "I will survive" em frente ao espelho da casa de banho (nunca fiz isso)?

Não considero Deus o tipo de público ideal para a maior parte das coisas que faço em privado. E até em público. Aliás, sentir-me-ia bastante intimidado se o conhecesse pessoalmente (para começar não saberia como cumprimentá-lo: dois beijinhos? Aperto de mão? Vénia? Deglutição de hóstia? Sacrifício humano? Nunca se sabe...). Quem acredita em Deus deveria considerar inútil usar roupa à frente do resto da Humanidade. A partir do momento que Deus já os viu em todas as situações embaraçosas possíveis e imagináveis porquê ter vergonha de nós, reles colónia de formigas ao pé d'Ele?

Concluindo, troco bem a ideia de uma vida eterna por alguma privacidade... E aqui fica o meu contributo idiota para a discussão de uma questão importante.

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Nomes

As filhas da Luciana Abreu e do Yannick Djaló têm uma vantagem em relação às outras crianças. Se conseguirem preencher o cabeçalho dos exames tudo o resto parecerá fácil por comparação.

É por isso que para garantir que os nossos filhos tenham sucesso no nosso sistema educativo devemos baptizá-los com algo útil como a lista dos rios de Portugal, as Leis de Newton ou a tabuada dos 7. Assim, ao memorizarem o próprio nome estão a adquirir conhecimento. Pensem nisto, nunca uma pessoa teve sucesso por decorar "Pedro Silva". E "Sérgio Duarte" nunca foi sequer uma opção de resposta no "Quem Quer Ser Milionário". Por outro lado, uma criança chamada H2O nunca se vai esquecer da forma química da água e garantirá sempre o centro das atenções em noites de copos. A quantidade de piadas... E o sucesso que um indivíduo chamado Esternocleidomastoideu fará junto das mulheres? Terá à sua disposição toda uma multiplicidade de diminutivos como "Toideu", "Mastinho" ou "Cleidy".

quinta-feira, 21 de junho de 2012

sexta-feira, 16 de março de 2012

A dicotomia ditador-homossexual, segundo o ditador da Bielorrúsia Alexander Lukashenko


Esse ser execrável chamado Alexander Lukashenko, conhecido por ser o ditador da Bielorrúsia e o dono do melhor bigode ditatorial desde que Saddam Hussein foi deposto, segundo a revista Moustache (a revista mais lida por quem usa bigode, nomeadamente ditadores, jogadores de futebol dos anos 80 e hipsters), disse aquela que pode ser a frase do ano: "Antes ditador, que homossexual", equiparando a condição de ditador a uma orientação sexual.


Esta frase foi utilizada para fazer passar o ditador bielorusso por uma besta intolerante e ignorante. O que é verdade. No entanto, vou dar-lhe o benefício da dúvida e partir do princípio de que as suas palavras revelam algo mais profundo do que uma incompreensão absurda do conceito de orientação sexual (não revelam, é só um exercício).


Na minha opinião, esta frase poderia então terminar de duas maneiras:


"Antes ditador que homossexual... acreditem! Eu sei do que falo. Fui homossexual durante 5 anos e foi por isso que me tornei ditador. Aquilo não era vida para ninguém. Sempre de ressaca, uma vida social imparável e horas incontáveis de pedicure... Ainda bem que deixei de ser homossexual... Não tenho saudades absolutamente nenhumas daquele tempo, nem do Joaquin, o panamiano cruel que despedaçou o meu coração. Foi-se embora depois de uma noite escaldante de paixão e de vãs promessas de amor eterno, como viria a descobrir depois. Nem um bilhete deixou. Ainda dizem que os ditadores são maus. Comparado com o que o Joaquin me fez, aquilo que eu faço ao povo bielorrusso é uma brincadeira de criança, uma criança com a alma ferida e que só faz o que faz para chamar a atenção. No fundo, só queria que gostassem de mim."


"Antes ditador que homossexual... Enfim... Eu digo isto, mas na verdade, às vezes questiono-me se não será melhor eu abandonar isto de ser ditador que só dá chatices, mudar de guarda-roupa, descobrir um novo amor (de preferência alto, musculado e africano), abrir um negócio de compotas biológicas em São Francisco e ir a manifestações... Talvez adoptar..."