sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sobre a homossexualidade na extrema-direita e algumas premissas para musicais de La Féria...





Quando olhava para os Village People achava sempre que faltava lá qualquer coisa. E muitas vezes olhei para eles, caros amigos... Quer como artistas, quer como exemplos para a vida... O índio dos Village People foi, desde cedo, o meu role model e é a minha segunda figura paterna (a primeira é, obviamente, o Carlos Castro). No entanto, sempre achei que faltava qualquer coisa. Um índio, um polícia, um motoqueiro, um cowboy, um militar, um operário da construção civil... Um grupo inquestionavelmente completo e harmonioso mas, na minha cabeça, longe da perfeição... Faltava-lhes uma pequena coisa para serem o tecto da Capela Sistina do disco sound. E ontem eu descobri... Depois de saber que Jorg Haider era o Sugar Daddy do seu delfim no BZOe (partido de extrema-direita austríaco do qual Haider era líder) eu descobri o que é que faltava nos Village People: um elemento das SS.

A história de Haider é enternecedora. E não, não estou a falar daquela parte em que ele se despistou a 140 km/h. Estou a falar do romance proibido do qual foi protagonista, uma espécie de Romeu e Julieta ou, nesta caso, Romeu e Júlio, passado no mais improvável dos cenários: os meandros da extrema-direita aústriaca.

Melhor mesmo era se Haider, em vez de ter mantido um romance com Stefen Petzner, tivesse mantido um romance com Francisco Louçã. Aí é que o nível de carga dramática do caso upa upa (deixo esta dica ao La Féria para o seu próximo musical... E de graça... Estou disposto a não ganhar nada com ela só para ter oportunidade de assistir a este inusitado musical...).

Mas não se pode ter tudo e, felizmente, a vida não é um musical do La Féria. Quando muito é uma novela da TVI, dada a quantidade de Paulos Pires com que me tenho cruzado ultimamente na rua: é o Paulo Pires brasileiro, o Paulo Pires inglês, o Paulo Pires sabichão, o Paulo Pires pedinte, o Paulo Pires cowboy, o Paulo Pires índio, o Paulo Pires veterano do Ultramar, o Paulo Pires modelo e actor...

No outro dia sonhei com uma pequena aldeia em que todos os habitantes eram Paulos Pires, todos iguais mas cada um com as suas características próprias. Comunicavam num idioma próprio em que todos os substantivos e verbos eram a palavra "Paulo Pires" ("- Ó Paulo Pires Sabichão, paulopira na esponja e anda paulopirar-me o carro!" "- Paulopira um bocado, Paulo Pires Tuning, agora estou a paulopirar um paulopivro policial..."). Tinham ainda um arqui-inimigo que os ia importunar de vez em quando. Arqui-inimigo esse que tinha um gato, cujo alimento preferido era Paulo Pires... Acho que já chega, já devem ter chegado lá. Isto é a aldeia dos estrumpfes (que esta semana fizeram 50 anos) só que em vez de estrumpfes, é habitada por Paulos Pires... Acho que a partir de agora vou escrever este blog em paulopirês. Enfim, outra grande ideia para um musical do La Féria...

E depois desta divagação, que tem lugar assegurado no Top 10 das divagações mais estúpidas em blogs com a palavra corta-unhas no nome, volto ao tema inicial: o romance de Jorg Haider. Este caso, para além de comprovar a minha teoria de que o pessoal de extrema-direita é apenas um grupo de pessoas fofinhas que quer apenas fazer o amor uns com os outros permite-nos fazer uma reflexão nunca antes feita sobre os grupos neonazis.

Primeiro, Haider, confesso admirador de Hitler, ter-se-ia tornado num prisioneiro de Auschwitz se tivesse o azar de ter feito as brincadeiras que fez em 1940. Já dizia o Hitler: "pior do que ser judeu é ser um líder de um partido de extrema-direita que pratica o coito com o seu número 2... Mesmo que esse número 2 seja tão ou mais jeitoso do que o Joseph Goebells... E eu bem sei aquilo que me tenho que esforçar para resistir aos encantos daqueles peitorais e daqueles braços semi-musculados... nem com muito músculo, nem com pouco... nem muito rijos, nem muito flácidos... mesmo no ponto... Com excepção daquele dia na sala de bilhar e daquele fim-de-semana prolongado no chalé das montanhas de Berchtesgaden nunca mais se passou nada...".

Segundo, permite-nos imaginar o que vai na cabeça de um tipo de extrema-direita, o que, até aqui, era impossível dada a profundidade das suas brilhantes mentes... Imaginem um comício:

Discurso de Haider: Os valores da família para aqui... A segurança dos austríacos para acolá... E os imigrantes não sei quê, não sei que mais...

Pensamento de Haider: Hmmm... aquele rapazinho ali da primeira fila é bem jeitoso... E aquele ar conservador... São os piores... Será que ele aceitará ir tomar um copo comigo amanhã? Sheisse! Amanhã não posso, já combinei ir fazer sauna com aquele imigrante ilegal argentino... Não passa de hoje, vou convidá-lo para vir comigo à biblioteca fumar um charuto e ler o Mein Kampf... de joelhos... Ai! Que maluca!

Permite-nos também, tirar conclusões acerca da maneira como se sobe nos partidos de extrema-direita. Até hoje sempre achei que os critérios que levavam alguém a progredir nestas organizações eram a média do número de pauladas em Africanos por noite, o estilo saudação romana, o brilho da cabeça, a originalidade das tatuagens... Critérios justos, objectivos e bem enquadrados na filosofia destes grupos... Mas afinal os únicos paus envolvidos neste processo não são usados para bater em africanos.

E com esta piada finalizo esta paulopiresca reflexão. Não vos maço mais com estilos de vida alternativos... A sociedade está a evoluir mas ainda não está preparada para lidar com estas questões... Um homossexual de extrema direita... O que virá a seguir? Um político inteligente? Uma feminista dona de casa? Uma freira a praticar parkour?

P.S. Só queria deixar um pedido de desculpas ao meu pai, que lê este blog... A minha figura paterna não é o Carlos Castro. Era só uma piada...

P. P. S. Depois de ter usado uma imagem de Haider em tronco nu ou de um indíviduo muito parecido com Haider em tronco nu num post acho que já fiz tudo o que havia para fazer na blogosfera...
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