sexta-feira, 11 de abril de 2008

Make White Love Not War


Começou o julgamento de Mário Machado o líder dos Hammerskins portugueses (para quem não sabe é uma espécie de franchise de uma comunidade skin head). Há quem compare Mário Machado a Nelson Mandela, comparação essa que, se bem conheço o Mário, o deixa muito honrado. Para além disso, Mário Machado é extremamente fofinho.

No seu depoimento Mário Machado negou ser uma pessoa racista, mas sim racialista, sendo que, segundo ele, um racialista é uma pessoa que tem orgulho da sua raça. Ou seja, o rapaz apenas tem orgulho em ser branco!

Não posso negar que fiquei surpreendido. Tinha uma ideia completamente errada dos skin heads. Sempre pensei que estes fossem tipos que andassem a pontapear toda a gente que tivesse uma raça, religião, ideologia política, orientação sexual, sentido de estética diferente das deles, ou seja, pontapeavam toda a gente menos eles próprios (segundo esta lógica, o próprio Mário Machado, se não se pusesse a pau, seria violentamente pontapeado por skin heads suecos… já viram bem a cor dele?). Descobri, no entanto, que estava errado. Os skin heads são, afinal, uma espécie de escuteiros que se sentam à volta de uma fogueira, com guitarras a fazer músicas que exaltem o seu orgulho em serem brancos. Procuram também proteger-se do sol, tendo sempre à mão protectores solares factor 40 e chapéus panamá, não vá dar-se o caso de ficarem vermelhos ou ligeiramente castanhos o que, a acontecer, os obrigaria a desistirem do grupo e inscreverem-se nos rivais do “Orgulho vermelho”. Imagino que passem o tempo a admirar a palidez da pele uns dos outros e, às escondidas, deleitam-se a contemplar pornografia com albinos: o auge da palidez já que, para eles, nem o sémen é demasiado branco. Sinceramente sinto-me culpado por ter uma má imagem deles, acho bastante querido que se tenha orgulho na falta de melanina e isso deve ser motivo de exaltação. Imagino uma marcha de “White pride”, em que todos os racialistas saem à rua e andam aos beijinhos e em tronco nu a admirarem o branco uns dos outros e a espalharem o amor entre gente branca…

Pensando assim, até faz sentido a existência dos skins. Ao fim ao cabo aquilo é quase como um grupo de auto-ajuda. Quem tem problemas de auto-estima e é branco pode muito bem ir para os skins. Ao fim ao cabo, se não gostarmos de nós quem gostará? Tenho a certeza que os skins têm muito amor para dar uns aos outros… “Se és branco e ninguém gosta de ti anda para os skin heads: entre nós vais encontrar o amor…”. Este podia muito bem ser o lema dos skins ou então um anúncio de jornal na página do relax.

Com toda esta questão começo a pensar se não terei sido injusto com o próprio Hitler. Não estaria ele imbuído de tanto amor pelos seus compinchas brancos que acabou por fazer algumas maluqueiras? Todos nós sabemos que o amor leva-nos a fazer coisas estúpidas… O chacínio de seis milhões de judeus não terá sido uma daquelas coisas estúpidas que se fazem por amor? Tipo gastar 20 euros num ramo de rosas e 30 num jantar à luz das velas…

Até porque se os skins, que como ficou aqui provado são uma espécie de hippies (Make White Love not War), o escolheram como ídolo ele não pode ser assim tão mau. É certo que com tanta gente branca em condições por aí (como o David Hasselhoff ou o Michael Jackson) era escusado eles terem escolhido um tipo com um bigodinho daqueles, mas não deve ser por isso que os vamos condenar.

Peço então desculpa a todos os skin heads por ter sido injusto com eles. Eu, como a maioria dos portugueses, não sou suficientemente branco para pertencer ao grupo deles mas concebo perfeitamente a ideia de que devemos ter orgulho naquilo que somos. Eu próprio tive uma série de ideias para grupos semelhantes aos skin heads, mas baseados noutras características físicas que não a cor da pele. Por exemplo, "Orgulho das pessoas com calvície prematura", "Orgulho do terceiro mamilo", "Orgulho fanhoso", "Orgulho coxo", "Orgulho marreco", "Orgulho do pé chato", "Orgulho dos pés mal-cheirosos" (nem imagino o que seja uma reunião deste grupo)... Aliás, acho que, mal acabe este texto, vou tratar de fundar todos estes grupos e, já agora, fundar também o "Orgulho das hemorróidas" (ao qual só pertenceria naqueles dias em que como comida indiana). No fundo, trata-se apenas de ter orgulho de coisas que normalmente não nos deixariam orgulhosos... O que é uma óptima maneira de nos ajudar a lidar com elas... Bem pensado, Mário Machado!
Enviar um comentário