terça-feira, 17 de março de 2009

Os Linces da discórdia


Segundo a Igreja Católica espanhola a vida humana está menos protegida do que a vida do lince ibérico. O que é que eu posso dizer perante isto? É verdade! É incrivel a quantidade de linces ibéricos que vemos aí todos os dias. É impossível irmos a um shopping ao domingo sem nos cruzarmos com centenas (milhares?) de linces ibéricos vestidos de fatos de treino, seguidos pelas suas irritantes e asquerosas famílias. A típica filinha de crias ranhosas e histéricas que nos invadem os restaurantes aos berros, impedindo-nos de saborear calmamente o nosso vol au vent. E ai de quem diga alguma coisa aos senhores linces ibéricos? Levam logo com uma rosnadela!

E isto para não falar da quantidade de seres humanos que estão a ficar sem emprego por causa dos linces ibéricos. Senhores empregadores, como é que é possível? Eles nem sequer têm polegar oponível!

E a maneira como os linces ibéricos se comportam no cinema? Sempre a comentar o filme para o lado, muitas vezes a revelarem o fim (porque provavelmente o viram numa cópia pirata, demonstrando uma completa falta de respeito pelos direitos de autor) e a mastigar ruidosamente as suas pipocas, impedindo todos os civilizados humanos de verem os seus filmes sossegados. Filmes esses realizados por humanos... Nunca vi nenhum lince ibérico a dar cartas na cultura... Isto porque provavelmente são inferiores a nós geneticamente (ops! Polémico demais... Felizmente tenho a igreja católica espanhola do meu lado!).

Fico chocado com a quantidade de linces ibéricos que andam a viver à custa dos nossos impostos. Um ser humano passa a vida a trabalhar e a dar no duro, para sustentar a sua família e para poder dar condições dignas aos seus filhos enquanto um lince ibérico prefere viver de subsídios que, invariavelmente, estoura no alcóol, enquanto o número de filhos aumenta proporcionalmente com o valor do cheque da Segurança Social.

Andamos a sustentar toda uma geração de linces ibéricos, convencidos que é obrigação dos humanos dar-lhes dinheiro, casa e comida. E qual é a paga? As crias deles crescem, para bater nos nossos filhos na escola e para lhes roubar o dinheirito que nós lhes damos para comprarem um croissant no intervalo. Isto é muito grave... Os linces ibéricos andam a roubar os croissants dos nossos filhos!

Felizmente existe a Igreja católica espanhola para nos alertar para estas coisas... Não sei o que faria sem a Igreja católica espanhola. Sinto-me tão em dívida para com eles que vou começar a ir à missa a Badajoz. A partir de hoje, as minhas esmolas vão todas directamente para a Igreja católica espanhola, Ao contrário da Igreja católica portuguesa que anda mais preocupada em proteger as nossas jovens dos muçulmanos, a Igreja Católica espanhola levanta problemáticas bem mais actuais e ancoradas na nossa realidade: o dano que os linces ibéricos estão a fazer à nossa sociedade já é quase irreparável, se não agirmos cedo não sei o que poderá acontecer...

Continuam cépticos? Vejam lá o que aconteceu ao meu amigo Serafim. A sua filha, de apenas 16 anos, e em quem o Serafim investiu muita esperança e dinheiro em colégios internos, num belo dia resolveu aparecer em casa grávida de um lince ibérico. Vocês não imaginam o drama! Ele bem tentou que ela abortasse, mas todos sabemos como a sociedade protege a vida do lince ibérico e entre burocracia e ameaças de prisão não o conseguiu fazer. Hoje tem um bebé híbrido em casa, meio homem, meio lince ibérico, o pai pirou-se e não paga a pensão alimentar e a miúda, a quem se augurava um grande futuro, tem a vida destruída. Escusado será dizer que não tem muitas expectativas em relação ao puto, o Wolverine, que é tão fácil de aturar como uma gata que está todos os dias com o cio... Raro é o dia em que ele não chega todo arranhado ao trabalho...

É preciso fazer alguma coisa! Não é que eu seja racista... Até já conheci linces ibéricos impecáveis... O meu jardineiro é um lince ibérico e não tenho nada a dizer, inclusivamente é o primeiro a sentir-se mal com a imagem que os seus camaradas deixam. É o primeiro a controlar o ronron para ninguém perceber que ele é um lince ibérico, apesar de aquele bigode não enganar ninguém...

No tempo do Salazar até dava gosto andar pelas ruas de Portugal, todas bonitinhas, todas arranjadinhas, flores nas varandas... Agora, desde esta invasão de linces ibéricos, está tudo destruído. As paredes cheias de marcas de unhas (queria vê-los a afiar as unhas nas paredes das casas deles), os semáforos cheios de linces ibéricos a quererem limpar-nos o pára-brisas (não só fazem um mau serviço como ainda nos arranham os vidros), a impossibilidade de andar à vontade na rua sem o medo de ser atacado a qualquer momento por um lince ibérico (já não saio de casa sem a minha pistola de tranquilizantes)...

Enfim, se têm algum respeito pela vida humana, apoiem a Igreja católica espanhola nesta iniciativa. Eles que já tinham acertado na mouche com aquilo da Inquisição. Eles que não têm medo de pôr o dedo na ferida. Essa ferida grande, maligna, viscosa e nauseabunda que é o lince ibérico.
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