segunda-feira, 9 de março de 2009

Wham Bam Thank You Ma'am




- Sabes qual é o melhor andar de um prédio para se atirar um gato?

- Não faço ideia... Prefiro atirar gatos de precipícios... Não tenho a noção, em termos de andares, a que é que a altura dos precípicios de onde atiro gatos corresponde...

- Tu és doentio! Porque é que fazes isso?

- Não sei... Talvez pela adrenalina...

- Pela adrenalina? Tu ficas sossegadinho no cimo do precípico a ver os pobres dos gatos a cair... Que emoção é que isso te dá? De que raio de adrenalina é que estás a falar?

- Não é por mim... É pelos gatos... Eles é que me pedem... No outro dia, estava a conversar com um gato sobre o "Ulisses" do James Joyce...

- Sobre o "Ulisses" do James Joyce? Mas tu nunca leste o "Ulisses" do James Joyce!

- Pois não! E o gato também não... Estávamos a comentar o quão erudito alguém tem que ser para ler o "Ulisses" de James Joyce. É uma obra muito densa... E relata apenas 24 horas do dia de um tipo chamado Leopold Bloom... O dia 16 de Junho... E foi quando ele me pediu para eu o atirar do precipício...

- Ele pediu-te? Porque é que não se atirou ele próprio?

- Aí é que está a questão... Os gatos sabem que têm 7 vidas mas, entre eles, é muito mal visto alguém andar a desperdiçar vidas. Ao que parece encaram a vida como algo que não deve ser desperdiçado... Manias de gatos... Então pedem aos humanos para fazerem isso por eles. Como vês, não é por mal que eu atiro gatos de precípicios....

- Estou a ver... És então uma espécie de mercado negro dos gatos... Eles não podem desperdiçar vidas então tu ofereces-te para lhes tirar...

- Mediante pagamento...

- Mediante pagamento? Como é que eles te pagam? Dinheiro? Comida?

- Nada de especial... Deixam-me ficar a ouvi-los ronronar... Tu sabes que eu adoro o ronronar dos gatos... Com isto, já começo a ser conhecido no Mundo dos gatos... "Criador de emoções" é o que me chamam...

- É incrivel a maneira como conseguiste transformar, de um momento para o outro, uma crueldade num belo acto de altruísmo...

- Sempre tive esse dom...

- De facto... Uma verdade inquestionável... Estava eu a perguntar-te, sabes qual é o melhor andar de um prédio para se atirar um gato?

- Não...

- Qualquer andar acima do sétimo!

- Estás a dizer-me que atirar um gato do 8.º andar e outro gato do 44.º andar é exactamente a mesma coisa?

- Sim... Os gatos têm uma velocidade terminal não fatal, entre os 60 e os 100 km/h. Quando abrandam conseguem orientar-se, esticar-se e cair em pára-quedas, como um esquilo... É praticamente indiferente a altura de que caem, desde que tenham tempo para desencadear este dispositivo de segurança...

- O que é isso de velocidade terminal?

- É o ponto no qual o peso de um corpo se equilibra com a resistência do ar e pára de acelerar... Nos humanos é de cerca de 195 km/h...

- O que é irónico é que eles podem magoar-se mais se cairem de uma altura menor do que alturas menores...

- É irónico, realmente... É porque não têm tempo de abrir o pára-quedas...

- "Abrir o pára-quedas"... O teu sentido de humor sempre foi admirável! Desde pequeno que és a única pessoa que me faz rir com vontade... Lembras-te quando tínhasmos 10 anos e fomos ao Zoomarine?

- Claro que me lembro! Que dia inesquecivel...

- Nunca mais me esqueci daquela piada que mandaste quando viste a arara a andar de bicicleta... Assim que ela apareceu tu disseste: "Olha! Lá vai o Vitor Gamito com a camisola amarela...". E a arara era, de facto, amarela e bastante parecida com o Vitor Gamito... Ainda hoje me rio só de pensar nisso... Foi a piada perfeita...

- Puto, são momentos destes por que vale a pena viver... Sempre fui um criador desses momentos embora, paradoxalmente, sinta falta deles na minha própria vida...

- Desde quando é que me chamas "puto"? Pareces um beto de Cascais... Não me chames mais isso, ouviste?

- OK! Foi sem querer... Desculpas-me!

- Claro!

- Sabes o que é um dodó?

- Sei... Era uma ave, encontrada pelos portugueses nas Ilhas Maurícias, que se extinguiu graças à rápida destruição do seu habitat... O nome dodó vem de "doudo" devido ao seu aspecto desengonçado e ao facto de não demonstrarem medo dos humanos... Parecem bichos bem interessantes... Gostava de ter um dodó...

- Não podes... Está extinto...

- Isso ainda me dá mais vontade de ter um dodó...

- Infelizmente não podemos ter tudo aquilo que queremos... Eu também gostava de ter uma girafa, mas a minha garagem não é suficientemente alta...

- Eras capaz de pôr um animal selvagem como uma girafa a viver na tua garagem...

- Não! A garagem era só para ela dormir e para ninguém a roubar durante a noite... Durante o dia deixava-a à solta!

- Mas tu vives no centro da cidade...

- E?

- Achas viável ter uma girafa à solta no centro da cidade? No meio dos carros, dos transeuntes, da azáfama e da decadência típica da cidade onde vives... Sujeita a embarrar com o pescoço num fio de alta tensão e a morrer electrocutada...

- Elas são um animal simpático e bastante inteligente... De certeza que se ia desenrascar bem... Ao contrário do teu papa-formigas...

- O meu Joaquim não é para aqui chamado! O problema foi o timing em que eu o adquiri... Porque é que eu o comprei precisamente na altura em que a minha mãe ganhou num sorteio um fornecimento vitalício de insecticida? Ninguém precisa de um papa-formigas quando tem um fornecimento vitalício de insecticida... E acho que essa é a principal razão pela qual ele morreu à fome... Como é que ias alimentar a tua girafa?

- É fácil! Fazia um elevador e aplicava-lhe uma gamela gigante, ajustável à altura do pescoço da girafa...

- Bem pensado! Agora que penso melhor essa tua ideia de ter uma girafa não é tão má quanto isso... É um animal bem giro, a girafa... Sabes que gosto de ti, não sabes?
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