segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

2009: não te ponhas a pau que eu não quero...


10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... 0!

Já posso? Então aqui vai.

Se eu pudesse, pegava no ano de 2008, barrava-o de Tulicreme e atirava-o para um ninho de formigas assassinas, enquanto o pontapeava nos zeros (2008), principalmente no da direita que é o mais sensível. Esperava que as formigas, as vespas e as ratazanas, que entretanto chegariam ao local, fizessem o seu trabalho com o Tulicreme e com as zonas mais sensíveis do corpo de 2008, nomeadamente as verilhas e aquela parte atrás dos joelhos, só para dar dois exemplos, pegava nele, prendia-lhe um gancho à parte de cima da cabeça, amarrava uma ponta de uma corda ao gancho e a outra ponta ao pescoço de uma avestruz. A seguir, pedia a um amigo meu que é um Índio Sioux (o Arranca Tampas na Madrugada) para, com um x-acto, cortar, bem cortadinho pelo picotado, o escalpe a 2008 e mandava um pontapé à avestruz. Enquanto esta pitoresca ave corria às voltas com a tampa de 2008, despejava duas garrafas de vodka no crânio desprotegido do maldito ano em que se realizaram os Jogos Olímpicos de Pequim e deitava fogo. Encostava-me a uma árvore, a saborear o restinho da garrafa de vodka, a apreciar a agonia e o desespero do maldito ano que vem logo a seguir a 2007. Há coisas pelas quais vale a pena viver...

Para descansar um bocadinho, colocava este ano que passou numa sala de privação sensorial, toda branca com paredes almofadadas. Amarrava-o a uma cadeira e colocava uma televisão à sua frente. Aí, o ano em que foi eleito o Primeiro Presidente Negro dos EUA, seria obrigado a assistir, durante 24 horas por dia, durante 6 meses, a um talk show em que a Maya, o Cláudio Ramos, o Fernando Mendes, o Manuel Luís Goucha e o Miguel Sousa Tavares discutem pesca, curling e a vida romântica do Cristiano Ronaldo, com banda sonora de André Sardet e com um cenário com a imagem de Jorge Nuno Pinto da Costa todo nu, a ver-se tudo e, colocado de maneira a que, em cada close up do Cláudio Ramos se consiga ver com muito, e quando digo muito é mesmo muito, detalhe as partes íntimas do Presidente do FCP. Tanto quanto é possível descortiná-las, obviamente. O José Castelo Branco podia ir aparecendo de vez em quando para fazer um strip e para rezar o terço (intercaladamente ou simultaneamente) para desenjoar um bocadinho.

Depois de tudo isto, vestia o ano de 2008 de Bob Marley, com pintura e tudo, e mandava-o para um comício do PNR. Deixava os carecas fazerem o seu trabalhinho e, para finalizar, arranjava um caixão revestido a pregos e enterrava o ano de 2008 vivo.

"Ah, então vais deixá-lo morrer assim. Coitado, não se deve enterrar ninguém vivo... Já devias saber isso!". É verdade. Eu sei. Têm toda a razão. Ele não mereceria o acto de misericórdia de o deixar morrer. Arranjava maneira de este ter sempre o mínimo de oxigénio e alimentava-o por via intravenosa. Deixava-o estar lá um ano. Assim, enterrado vivo, na escuridão, sem se mexer e em contacto permanente com aguçados pregos. É coisa para doer. Depois deixava-o ir embora e dizia-lhe:

- É para aprenderes! Nunca mais te metas comigo!

2009, considera isto um aviso. Eu sei que ainda mal começaste e que ainda muita coisa pode acontecer. Se te portas mal, é isto que te faço... No mínimo...



Um pouco doentia e macabra, esta descrição. Concordo. Mas fez-me bem vingar-me deste malfadado ano, que correu mal do primeiro ao último segundo.
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