Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Cultura. Mostrar todas as mensagens

sábado, 31 de maio de 2008

Empreendorismo e criatividade num meio competitivo


Gosto muito de ver a Amy Winehouse a trabalhar. É uma pessoa extremamente competente na sua profissão de toxicodependente. De facto é muito raro encontrar bons profissionais nesta área mas, devido ao seu esforço, Amy atingiu um estatuto que é raro um toxicodependente conseguir atingir.

Geralmente, para conseguirem dinheiro para droga os toxicodependentes arrumam carros ou apontam seringas contaminadas com o HIV aos transeuntes. Reconheço que são métodos eficazes mas já começam a cansar. Embora estes métodos funcionem, ameaçar as pessoas (ainda que muitas vezes implicitamente) de que vão ter o seu carro riscado ou vão apanhar SIDA se não lhes financiarem o vício acaba por, a longo prazo, manchar a imagem dos toxicodependentes perante a sociedade e por estigmatizar uma classe que tanto tem lutado para se afirmar. Ao cantar umas musiquinhas para todos aqueles que lhe financiam a droga, Amy Winehouse afirma-se como uma toxicodependente empreendedora e consegue, muitas vezes, sacar mais dinheiro numa noite do que alguns drogados numa semana.

Embora a toxicodependência no showbiz não seja original (sim, esta é para ti, Tony Carreira!) e apesar de muitas vezes os espectáculos da Amy sejam tão agradáveis como ser ameaçado com uma seringa ou tão decadentes como ouvir o Quim Jecta, o drogado da minha rua, a cantar o fado e a fazer sapateado enquanto espuma da boca, é sempre bom, num país com tantos incompetentes como o nosso, ver alguém a desempenhar a sua função de forma tão exímia.

Ontem, dezenas de milhares de portugueses pagaram droga à Amy Winehouse. Tudo em nome de um Mundo melhor, é claro…

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Esmeralda Superstar


Achei curioso terem decidido doar as receitas do Jesus Cristo Superstar aos pais afectivos da menina Esmeralda. É inevitável estabelecer um paralelismo entre a história desta menina e a história de Jesus. Também em bebé, Jesus foi abandonado pelo seu pai biológico, o que levou a que tivesse que ser adoptado por um pai afectivo, S. José, que lhe deu todo o amor e lições de carpintaria que precisava. Tal como no caso Esmeralda, também o pai biológico de Jesus recorreu à justiça (neste caso a divina) para reaver a custódia do seu filho. Isto permite concluir que se a justiça portuguesa for tão eficiente como a divina só aos 33 anos é que Esmeralda se vai juntar ao seu pai biológico Baltasar... A principal diferença entre os dois casos é que no caso de Jesus não vemos nenhum psicólogo ou pedopsiquiatra a falar do trauma que vai ser para a criança se for retirada aos seus pais afectivos, para ir viver com alguém que não conhece de lado nenhum! É o problema da nossa justiça: ter 2 pesos e duas medidas. Se formos um Baltasar somos tratados de uma maneira, se formos Deus somos tratados de outra... Sonho com uma justiça em que independentemente de sermos Baltasar ou Deus somos tratados da mesma maneira! Ainda por cima a maneira como Deus decidiu recuperar a sua criança é bem mais cruel do que a maneira que Baltasar escolheu, que, apesar de morosa, não envolve nem cruzes, nem coroas de espinhos... Se já assim o pobre Baltasar é fustigado pela opinião pública da maneira que é, queria ver se ele decidisse crucificar a menina Esmeralda... Era crucificado...

sexta-feira, 18 de abril de 2008

Sou um burro!


Cheguei à conclusão que sou uma pessoa rude, inculta e ignorante. Não posso negar que fiquei extremamente feliz por ter chegado a esta conclusão, é que, assim, pode ser que tenha mais sucesso com as mulheres… No entanto, este insight sobre a minha personalidade não surgiu do nada, não é assim tão fácil uma pessoa mudar a percepção que tem de si própria e, posso dizer-vos, no meu caso foi particularmente difícil porque, desde pequeno, a minha mãe tentou-me convencer que eu era uma pessoa extremamente inteligente, culta e com imenso potencial humano… Escusado será dizer que esta violência psicológica não passou incólume e já vou no meu 10º ano de psicoterapia para superar estes traumas. E hoje, finalmente, dei um passo enorme no sentido da sua superação! Apetece-me ir para a janela gritar, para toda a gente ouvir: “Sou um burro!” e, seguidamente, zurrar durante 20 horas seguidas até ter os GOE’s a entrarem-me pela porta dentro!

Ao contrário daquilo que a minha mãe me tentava convencer eu sou um grande, grande jumento… Ainda hoje acordo a meio da noite com as suas cruéis palavras “Ainda vais chegar longe, meu filho…”.

Enfim, um passado que me tenho esforçado para enterrar… Sendo que hoje, sinto que posso finalmente fazer-lhe o funeral…

Sempre achei que a arte era a sublimação da actividade humana, era uma materialização do culminar daquilo que o Homem pode fazer e que o distingue dos outros animais, correspondendo a um ideal estético (que pode variar conforme a pessoa…) mas sendo, unanimemente, uma manifestação de talento e trabalho…No entanto, um artista alemão chamado Gregor Schneider veio mostrar-me que eu não percebo nada de arte convencendo-me, finalmente, que, ao contrário da pessoa culta e inteligente que me fizeram crer que eu era, sou ainda mais burro que o Luís Filipe Menezes (também não exageremos). E prontos (já que sei que não sou um iluminado, vou começar a usar expressões do povo… acho que tenho que conviver com mais cabeleireiras…)! Ao “The ArtNewspaper”, Gregor Schneider, que não só é extremamente inteligente mas também percebe imenso de papel de parede e de alcatifa, disse o seguinte: “Quero mostrar uma pessoa a morrer naturalmente ou alguém que acabou de morrer. O meu objectivo é mostrar a beleza da morte”. Este artista de alto gabarito anda a tentar convencer alguém em estado terminal para ser a obra de arte dele.

Eu, como pessoa rude que sou, gostava de perguntar o seguinte ao Gregor: “Gregorzinho, se a morte é tão bonita porque é que não mandas um balázio na cabeça? Ou porque é que não tentas parar o Alfa Pendular com as mãos? Grande obra de arte, não? Não gostas de vermelho?”. E é esta a minha reacção que mostra o quão tacanho eu sou, porque se eu fosse uma pessoa inteligente, culta e com um grande talento na área da reciclagem de burriés, do calibre do Gregor, ia dizer uma treta do género “Sim, senhor! Que ideia maravilhosa… Este uso da realidade, crua como ela é, para nos confrontar com a nossa fragilidade e, no fundo, connosco, permite não só encontrarmo-nos como reflectir sobre a espiritualidade daquele momento que é tão inevitável, quanto simbólico”. E ia logo a correr apanhar um cancrozito para me oferecer ao Gregor.

Espantoso! Visto que estas pessoas cultas estão à frente no tempo e são elas que pautam aquilo que vai ser a realidade daqui para a frente imagino um cenário futurista em que as pessoas, em vez de irem ao Louvre, vão à Unidade de Cuidados Intensivos do Santa Maria ou à Unidade de Queimados ou ao IPO…

Agora vou dirigir-me única e exclusivamente ao Gregor Schneider. Por isso, não precisam de continuar a ler. Isto é entre mim e ele.

Eu disse que não precisavam de ler, mas vocês é que sabem…

Grande Gregor, tenho uma dúvida e uma sugestão para ti. Primeiro, a dúvida: como sabes, eu não sou muito inteligente, mas ouvi dizer que, a não ser que se mate alguém, a morte não é assim uma coisa muito previsível… já aconteceu médicos darem um dia de vida a uma pessoa e ela viver mais uns meses… o que é que vais fazer em relação a isto? Se tiveres tomates podes sempre matar o teu voluntário, com uma metralhadora, que dá bom efeito e garantes que ficas não só para a História da Arte como para a História do Crime (eu avisei-vos para não continuarem a ler…). Se eu for à tua exposição e o fulano não morrer tu devolves-me o dinheiro? É que se não garantes que o tipo morre (com a metralhadora ou com um machado, por exemplo) arriscas-te a ter umas dezenas de abutres (inteligentes e cultos, é certo) no teu atelier à espera que ele morra… Podes sempre matá-lo à fome mas também demora um bocadinho e, mesmo uma pessoa em estado terminal é capaz de se passar um bocado e ir buscar energias para te destruir o estaminé, se não lhe deres de comer… É tipo os rottweilers… Eu já tive um individuo em estado terminal em casa e era assim… Passava-se quando eu não lhe dava o Cerelac… Mas passava-se do tipo de levar tudo à frente e de querer partir as grades da jaula com a cabeça… São um bocado passados, estes doentes terminais…

Agora a sugestão. Sei que sou apenas uma pessoa rude e simplória mas tenho uma sugestão para ti e era giro se a aceitasses… Porque é que, quando o teu voluntário der o último suspiro tu não entras pelo palco dentro vestido de campino, com uma buzina daquelas que se usam nos jogo de futebol, num monociclo, com música de circo, ao mesmo tempo que crias um efeito especial que faz do falecido uma espécie de marioneta que dança a Macarena? Eu ia gostar… Pensa nisso…

Pequenas reflexões que fiz enquanto conduzia (se bem que até podia ter sido na casa-de-banho)




Como se não estivéssemos fartos de saber que o Santana Lopes era mau, desde que entrou na sua fase "vou andar por aí" o nosso ex-primeiro-ministro já se comparou a Sarkozy, a Gordon Brown e, mais recentemente, a Silvio Berlusconi... Com quem se comparará Santana Lopes a seguir? Com Arafat? Com o Papa João Paulo II? Com Mugabe? Com Alexander Lukashenko (Presidente da Bielorrúsia)? Com Abraracourix (o chefe da aldeia do Astérix)? Façam as vossas apostas...

Até ontem não tinha percebido o que levou Luís Filipe Menezes a candidatar-se à liderança do PSD... Puro masoquismo e estupidez eram, para mim, as hipóteses mais fortes... Ontem descobri que afinal ele só estava lá para baixar a fasquia para o Santana Lopes... À beira do Menezes o Santana até parece um político mais ou menos sério, com ideias um tanto ou quanto razoáveis...

A actuação dos GNR em parceria com a Banda Filarmónica da GNR abriu um precedente que pode, finalmente, juntar no mesmo palco os Scorpions e uns milhares de escorpiões venenosos... Estou ansioso para ver o trabalho dos escorpiões!

São graçolas um bocado forçadas, não são? Enfim...

sábado, 12 de abril de 2008

Genialidade


No outro dia fui a um concerto de música clássica. Antes que me comecem a atacar, até porque já ouço uma pessoa ou outra a querer dar-me o tratamento que normalmente se dá aos intelectuais neste país: “seu intelectual pestilento! Arrancava-te a língua com um x-acto, os olhos com um ferro em brasa e colocava a tua genitália num grelhador!”, devo dizer, a bem da verdade, que atropelei a última pessoa que apanhei a ler o “Em busca do tempo perdido” e parti os dentes à última pessoa que utilizou a palavra “Foucault” à minha frente. E eram meus familiares! Por isso, como podem ver, gosto tanto de intelectuais como vocês…


Fui então parar a um concerto de música clássica por engano. Estava a perseguir uma raposa pelas ruas do Porto, como habitualmente faço (sou sócio n.º 32 do Clube da Caça à Raposa do Porto, um autêntico gentleman…), quando ela se escapuliu para dentro de uma Sala de Espectáculos… Foi então que reparei que a dita raposa não era, de facto, uma raposa. Era uma écharpe de uma senhora. Apercebi-me disto quando o seu marido me tentou agredir depois de ela ter caído com a paulada que eu lhe mandei no pescoço. Se há coisa que me revolta é a falta de educação destes novos ricos, nem a um desporto de gentlemen prestam o devido respeito.


Enfim, vi-me a braços com uma situação complicada. Era perseguido por um horda de novos ricos em fúria, que tinha que despistar. Num instante, passei de caçador a presa. Mas muitos anos como caçador fizeram de mim uma presa difícil e, foi sentado numa cadeira da sala de espectáculos, que vi os meus perseguidores saírem da sala atrás de mim. Uma manobra clássica que, infelizmente, implicava que eu ficasse no espectáculo até ao fim. O que me fez duvidar da minha sorte. Não seria melhor ser esfolado por um grupo de novos ricos em fúria e cumprir pena máxima por homicídio qualificado do que ter que ver a Carmina Burana até ao fim? Fica ao vosso critério, mas podem ter a certeza que roguei pragas ao meu destino…


No entanto, nem tudo foi mau. Porque se há coisa que eu aprecio é genialidade e, nesse dia, tive o privilégio de assistir ao trabalho de um génio. Não estou a falar do maestro, todas as orquestras têm um maestro por isso não é nada de especial. Não estou a falar do violoncelista, cujo trabalho é tão ou mais rotineiro e monótono que o de um limpa-chaminés. Nem, tão pouco, estou a falar do Carl Orff (o compositor), visto que, qualquer pessoa que conheça aquele reclamo antigo da Old Spice era capaz de compor algo do género. Estou a falar, isso sim, do tipo que toca pratos e triângulo.


A ideia de ir tocar pratos e triângulo para uma orquestra é de génio e merece ser louvada. Ele ganha dinheiro para estar ao alto durante o concerto à espera da vez que tem que tocar os pratos e o triângulo, ele até pode disfarçar e fazer cara de empenhado, como quem diz “isto parece fácil mas nem por isso”, mas não engana ninguém. Aquilo não tem nada que saber! Aliás, acho que só inventaram o triângulo para o homem parecer ocupado… quem é que, no meio do estardalhaço que uma orquestra faz, vai ouvir o “Plim!” feito pelo triângulo?


Há ainda outra vantagem, é que ele nem precisa de ouvir a música, basta ter um cronómetro e ficar à espera do segundo em que se espera que ele toque os pratos e quando tem que alternar com o triângulo. E se não tocar também não lhe vão chatear a cabeça por isso. Quem vai reparar? Algum dia ouviram, à saída de um concerto (e não estou a insinuar que vocês vão a concertos, estamos a falar no campo das hipóteses, como a hipótese de vos apontarem uma arma e vos obrigarem a ir a um concerto…) alguém a culpar o tipo dos pratos por o espectáculo ter corrido mal? Podem culpar o violinista, podem culpar o maestro, se der um enfarte ao tipo que toca harpa acho que também dá para reparar, mas ninguém repara no tipo dos pratos!
Enquanto os outros passam horas e horas a ensaiar o tipo dos pratos pode ir sair e beber copos à vontade. Tenho a certeza que é só na véspera de partirem para um concerto que se lembram dele: “Então o tipo dos pratos?” “É verdade! Vamos telefonar-lhe…” “Mas isso é um problema… é que ele não ensaiou…” “Mas ele precisa de ensaiar?” “Não!” “Ah! Ah! Ah! Ah!” “Lucky bastard!”


Ou seja, o homem dos pratos e do triângulo ganha dinheiro por viajar e por ter acesso privilegiado às violinistas (que são como aquelas bibliotecárias… aquelas que todos conhecemos, que mal fecham a porta do quarto…). Só têm que passar meia dúzia de horas à espera de bater uns pratos. São autênticos génios!


Eu próprio, quando tinha os meus 3 anos ia para a cozinha bater os testos das panelas, como que a adivinhar que aquilo era uma profissão com futuro… Mas os meus pais nunca me apoiaram nessa opção, preferiam pegar na panela e dar-me com ela na cabeça: “É para ver se também gostas!”. É o que normalmente acontece aos artistas, a sociedade espera que sejamos contabilistas, advogados ou autarcas e reage mal quando mostramos os nossos talentos. Dão-nos com a panela na cabeça, porque se preocupam com o nosso futuro, porque a arte não alimenta, etc. Olhem para o homem dos pratos e do triângulo? Querem melhor futuro?
É o apelo que eu faço aos jovens, saiam da escola e comecem a tocar pratos… É a melhor vida que se pode imaginar!