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terça-feira, 17 de março de 2009

Os Linces da discórdia


Segundo a Igreja Católica espanhola a vida humana está menos protegida do que a vida do lince ibérico. O que é que eu posso dizer perante isto? É verdade! É incrivel a quantidade de linces ibéricos que vemos aí todos os dias. É impossível irmos a um shopping ao domingo sem nos cruzarmos com centenas (milhares?) de linces ibéricos vestidos de fatos de treino, seguidos pelas suas irritantes e asquerosas famílias. A típica filinha de crias ranhosas e histéricas que nos invadem os restaurantes aos berros, impedindo-nos de saborear calmamente o nosso vol au vent. E ai de quem diga alguma coisa aos senhores linces ibéricos? Levam logo com uma rosnadela!

E isto para não falar da quantidade de seres humanos que estão a ficar sem emprego por causa dos linces ibéricos. Senhores empregadores, como é que é possível? Eles nem sequer têm polegar oponível!

E a maneira como os linces ibéricos se comportam no cinema? Sempre a comentar o filme para o lado, muitas vezes a revelarem o fim (porque provavelmente o viram numa cópia pirata, demonstrando uma completa falta de respeito pelos direitos de autor) e a mastigar ruidosamente as suas pipocas, impedindo todos os civilizados humanos de verem os seus filmes sossegados. Filmes esses realizados por humanos... Nunca vi nenhum lince ibérico a dar cartas na cultura... Isto porque provavelmente são inferiores a nós geneticamente (ops! Polémico demais... Felizmente tenho a igreja católica espanhola do meu lado!).

Fico chocado com a quantidade de linces ibéricos que andam a viver à custa dos nossos impostos. Um ser humano passa a vida a trabalhar e a dar no duro, para sustentar a sua família e para poder dar condições dignas aos seus filhos enquanto um lince ibérico prefere viver de subsídios que, invariavelmente, estoura no alcóol, enquanto o número de filhos aumenta proporcionalmente com o valor do cheque da Segurança Social.

Andamos a sustentar toda uma geração de linces ibéricos, convencidos que é obrigação dos humanos dar-lhes dinheiro, casa e comida. E qual é a paga? As crias deles crescem, para bater nos nossos filhos na escola e para lhes roubar o dinheirito que nós lhes damos para comprarem um croissant no intervalo. Isto é muito grave... Os linces ibéricos andam a roubar os croissants dos nossos filhos!

Felizmente existe a Igreja católica espanhola para nos alertar para estas coisas... Não sei o que faria sem a Igreja católica espanhola. Sinto-me tão em dívida para com eles que vou começar a ir à missa a Badajoz. A partir de hoje, as minhas esmolas vão todas directamente para a Igreja católica espanhola, Ao contrário da Igreja católica portuguesa que anda mais preocupada em proteger as nossas jovens dos muçulmanos, a Igreja Católica espanhola levanta problemáticas bem mais actuais e ancoradas na nossa realidade: o dano que os linces ibéricos estão a fazer à nossa sociedade já é quase irreparável, se não agirmos cedo não sei o que poderá acontecer...

Continuam cépticos? Vejam lá o que aconteceu ao meu amigo Serafim. A sua filha, de apenas 16 anos, e em quem o Serafim investiu muita esperança e dinheiro em colégios internos, num belo dia resolveu aparecer em casa grávida de um lince ibérico. Vocês não imaginam o drama! Ele bem tentou que ela abortasse, mas todos sabemos como a sociedade protege a vida do lince ibérico e entre burocracia e ameaças de prisão não o conseguiu fazer. Hoje tem um bebé híbrido em casa, meio homem, meio lince ibérico, o pai pirou-se e não paga a pensão alimentar e a miúda, a quem se augurava um grande futuro, tem a vida destruída. Escusado será dizer que não tem muitas expectativas em relação ao puto, o Wolverine, que é tão fácil de aturar como uma gata que está todos os dias com o cio... Raro é o dia em que ele não chega todo arranhado ao trabalho...

É preciso fazer alguma coisa! Não é que eu seja racista... Até já conheci linces ibéricos impecáveis... O meu jardineiro é um lince ibérico e não tenho nada a dizer, inclusivamente é o primeiro a sentir-se mal com a imagem que os seus camaradas deixam. É o primeiro a controlar o ronron para ninguém perceber que ele é um lince ibérico, apesar de aquele bigode não enganar ninguém...

No tempo do Salazar até dava gosto andar pelas ruas de Portugal, todas bonitinhas, todas arranjadinhas, flores nas varandas... Agora, desde esta invasão de linces ibéricos, está tudo destruído. As paredes cheias de marcas de unhas (queria vê-los a afiar as unhas nas paredes das casas deles), os semáforos cheios de linces ibéricos a quererem limpar-nos o pára-brisas (não só fazem um mau serviço como ainda nos arranham os vidros), a impossibilidade de andar à vontade na rua sem o medo de ser atacado a qualquer momento por um lince ibérico (já não saio de casa sem a minha pistola de tranquilizantes)...

Enfim, se têm algum respeito pela vida humana, apoiem a Igreja católica espanhola nesta iniciativa. Eles que já tinham acertado na mouche com aquilo da Inquisição. Eles que não têm medo de pôr o dedo na ferida. Essa ferida grande, maligna, viscosa e nauseabunda que é o lince ibérico.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Era metê-los num barco... Não era, Policarpo?





Não me vou juntar ao coro de críticas às palavras de D. José Policarpo. São estes momentos que exigem de nós muita serenidade. É também nestes momentos que não devemos desatar a rebentar com tudo só porque não concordamos com alguma coisa, como os Muçulmanos. Acho que D. José Policarpo não devia tomar a parte pelo todo. Só porque conheceu casos concretos de jovens que passaram maus bocados por terem casado com Muçulmanos não quer dizer que todos os Muçulmanos sejam um mau partido. Acho que choraria de alegria se uma filha minha se juntasse ao harém do emir do Dubai. De certeza que sobraria algum para mim e isso nunca é de desprezar...

"Como é que conseguiste comprar um jacto particular?"

"Vendi a minha filha ao emir do Dubai..."


Sonhos

Mas, apesar de tudo, os preconceitos são muito maus.

Por exemplo, uma vez conheci uma rapariga que resolveu casar-se com esquimó e passou o resto da vida a cheirar a peixe, a viver num iglu, a matar focas e, ainda por cima, o máximo de intimidade que conseguia ter com o seu marido era aquela coisa do nariz (pode ser muito excitante ao princípio mas imagino que depois se torne muito monótono...). A partir daí ganhei um preconceito tal contra os esquimós que, sempre que tinha oportunidade, aconselhava as jovens portuguesas a não se casarem com nenhum... Só Deus sabe quantas relações não terei eu arruinado com as minhas palavras... (isto foi quando eu deixei de aconselhar as jovens a não se casarem com portugueses depois de conhecer um português que batia na mulher e outro que não participava na divisão das tarefas domésticas... Só me deixei disto quando me virei para os esquimós...)

Arrependi-me desta minha atitude quando fui preso por motivos que não vou divulgar por ainda estarem em segredo de justiça e o único amigo que tive foi um esquimó que tratava da roupa da prisão comigo.

No início, o ambiente era um pouco tenso, comigo a atirar-lhe chinelos e outras coisas à cabeça, mas, gradualmente, fui-me habituando à presença do Xytkoptkl (o que, no dialecto esquimó do Sul da Gronelândia, significa "o Kayak Emplumado" ou "o Rinoceronte Perneta", dependendo da maneira como pronunciamos a letra "o"). Até um dia, em que ele contou uma daquelas piadas como só os esquimós sabem contar e eu ri-me descontroladamente durante duas horas. A partir daí ficámos melhores amigos. A piada era a seguinte:

- Onde é que os esquimós guardam o frigorífico?
- Em lado nenhum, está tanto frio que eles não precisam... - respondi eu, julgando que me tinha safado da armadilha.
- Não. Guardam-no na cozinha!

Perceberam? É que os iglus não têm cozinha! Hilariante... Descobri que graças aos preconceitos que a nossa sociedade tem para com os esquimós ele estava preso injustamente, ou pelo menos com uma pena completamente desproporcional ao crime que tinha cometido que foi matar uma garoupa no Oceanário com um harpão e violar a Amália... A lontra, não a do Panteão Nacional. Já todos sabemos que os juízes ficam sempre de pé atrás quando aparece um esquimó no seu tribunal (sempre que desaparece uma canoa o principal o principal suspeito é sempre um esquimó, nem que haja 20 testemunhas que garantam que foi o José Cid todo nu a fugir com ela pelo Rio Mondego abaixo!). Também sabemos que, por serem socialmente desfavorecidos, não têm dinheiro para financiar advogados caros, tendo que se ficar pelo José Maria Martins ou por oficiosos...

E foi esta a minha história com o meu amigo esquimó. Um pouco parecida com aquela história do filme "América Proibida", mas eu sou o Edward Norton e aquele afro-americano que está com ele na prisão é o esquimó. Devia processá-los, não? Conclusão: actualmente aconselho toda a gente que tenha essa oportunidade a casar com um esquimó.

Hoje só sou racista em relação ao pessoal do Liechtenstein. Não consigo perceber se são suiços, se são alemães, se são austríacos... Decidam-se de uma vez por todas! Não gosto de gente que não se decide: ou são uma coisa ou são outra... E se querem ser país arranjem uma coisa melhorzinha. Acham esse território em condições? Se querem saber o que é um território em condições olhem para a Rússia, por exemplo. Ou para o Canadá. Só para referir dois. Um terreno que dê para contornar no período entre o jantar e a telenovela não é um país... Vocês são um aviãozinho de papel armado em Boeing 747! Até gostava de saber o que é que vocês fazem no Verão. Nós ficamos a ver a Volta a Portugal, e vocês? Quantas voltas ao Liechenstein vêem? Para aí 500... Ou mais...

"Tchii! Que grande festa! O que é que se passa hoje?" "É um grande dia! Hoje é a Volta ao Liechenstein em bicicleta!" "Espectáculo! Vamos ficar para ver!" Passados 5 minutos "Bem, vamos embora!" "Também acho! Vamos ali ao Norte do país beber uma cervejinha!" "Ao Norte do país? Tu deves estar é maluco. Estamos no extremo Sul!" "Deixa-te disso, são só 10 minutos a pé..."

Ainda por cima dão um nome ao "país", que é para não lhe chamar outra coisa, que é impossível de pronunciar. É como quem diz: "somos um país irrelevante mas vamos dar-lhes um nome que eles não vão esquecer". O que é que a palavra "Liechenstein" vos faz lembrar? A mim faz-me lembrar um oficial das SS a mandar um judeu para a câmara de gás! E isso não é muito bom para o turismo...

- LIECHENSTEIN!!!! SCHNELL!!!


É que eu até me esquecia de vocês se Portugal não fosse jogar aí de vez em quando, para vos dar 7 ou 8. É que nem no futebol prestam! Podiam ser na mesma um país irrelevante se, ao menos, prestassem para o futebol, como Portugal. Mas é que nem isso! Nem assim justificam a vossa existência!

Só porque um príncipe qualquer armado em esperto herdou um monte e decidiu fazer um país isso não faz de vocês nada. Quando muito faz de vocês estúpidos. Seria a mesma coisa se eu me lembrasse de decretar que a minha rua era uma nação independente, que eu era um rei e os meus vizinhos irem na conversa. Os meus vizinhos seriam estúpidos se o aceitassem porque sabem que a primeira coisa que eu faria era escravizá-los. É por isso que o golpe de estado na minha rua não funciona, não tenho o apoio do povo... Mas dou-lhes esse mérito de não se deixarem dominar por mim... Mérito esse que não dou ao Liechenstein!

Se, algum dia, uma filha minha aparece com um namorado do Liechenstein é o maior desgosto da minha vida...

Apesar de ter este ódio visceral em relação ao Liechenstein e de aconselhar todas as moças a fugir dessa gente, tenho a perfeita noção de que é uma atitude única e exclusivamente baseada na ignorância e sei também que se algum dia fosse preso com um indíviduo do Liechenstein talvez mudasse de ideias... Já ouvi dizer que eles têm umas anedotas de Luxemburgueses deliciosas...

É por isso que lanço uma sugestão ao D. José Policarpo: ir para a prisão e ser ajudado por um Muçulmano na tarefa de tratar a roupa interior ou ter uma filha e prometê-la aos 2 anos a um chefe de tribo da Mauritânia. De certeza que havia de mudar a sua opinião acerca dos nossos irmãos Muçulmanos e ainda se ia rir desta situação toda com o seu genro. Num momento de descontracção, durante o apedrejamento de uma adúltera.

Lembro aqui este post que fiz há muito tempo para quem tiver paciência. É sobre a reforma da igreja e dos seus intervenientes. E é a brincar... Apesar de poder dar para reflectir.

P. S. 2 dias, 2 posts... É capaz de ser um record... E este tem o título mais ridículo que se possa imaginar...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Algo vai mal no murroalho!


Isto do Mundo está a funcionar muito mal. No outro dia ouvi uma voz que me disse o seguinte:

- Vai reunir um casal de cada espécie de animais existentes na Terra, constrói uma arca de madeira e espera que chova… Vá! Andor!

Não sei o que isto quer dizer mas, obviamente, fiz ouvidos de mercador Até porque nessa altura estava a discutir a obra de Nietzsche com o meu amigo Saul (sim, vocês conhecem-no, o pequeno Saúl, do "bacalhau quer alho"… Hoje em dia é um nihilista convicto depois de descobrir que o animismo do qual era adepto e que o fazia acreditar que o bacalhau tinha vontade própria ao ponto de querer literalmente alho era só uma grande partida que lhe pregavam para o obrigar a vestir-se de Quim Barreiros… Só uma partida como estas pode levar alguém a vestir-se de Quim Barreiros de livre vontade… Isto é válido para o próprio Quim Barreiros…).

Embalado pelo tom da conversa respondi à voz:

- Tu não és Deus! Deus morreu!

- Morri? Então não estou aqui a falar contigo?

- Quem é que me diz que o facto de eu estar a ouvir a Sua voz não são alucinações devidas à feijoada à transmontana que comi ao almoço, que tão mal me caiu?

- Não é não… Queres ver?

BAM! Pulverizou o pequeno Saúl com um raio… Mesmo à minha frente…

- Eh lá! Grande truque… Mas, obviamente, não chega… - disse eu – Eu sempre avisei o Saúl que não devia sair à rua com tanto metal, mas ele sempre fez questão de andar vestido como o Homem de Lata do Feiticeiro de Oz… Dizia-lhe: "Saul, não saias à rua com tanto metal que ainda vais ser pulverizado por um raio…". Ele não me ligava. Preferia usufruir dos benefícios que essa indumentária lhe trazia junto do sexo feminino. Agora não sei que lhe faça, está ali pulverizado…

- Sérgio, não sei o que queres que te faça mais… Peço-te por favor! Anda lá, constrói a arca…

- Primeiro, quem é o Sérgio? Depois quem és Tu para me dares ordens?

- Sérgio és tu…

- Ah, pois sou… E a segunda pergunta?

- Sou Deus…

- Isso não chega… Boa tarde e passe bem…

- OK! Já que não me podes ajudar vou ali falar com o Fernando Ribeiro dos Moonspell.

- Força! Acho que não podes escolher melhor profeta…

Pela minha experiência, entre Deus e um operador de Telemarketing não há qualquer diferença. É preciso mandá-los calar 1500 vezes antes que eles nos deixam em paz. Ao menos os operadores de telemarketing ainda têm coisas interessantes para nos oferecer como o Canal Benfica, instalações grátis da Meo ou telefone + TV + internet por 49,99 €. Se o melhor que Deus pode fazer por nós é mandar-nos atrás de animais e construir uma arca gigante bem que pode começar a dizer adeus à sua profissão. Não me parece que é assim que ele vai chamar pessoas à boa e velha Igreja… É que o ópio do povo já não é o que era, pelo menos comparado com a televisão.

No entanto, se há lição que podemos retirar deste acto divino, chamemos-lhe assim, é que isto só lá vai com um dilúvio. É que isto do Mundo está a funcionar mesmo muito, muito mal… É que eu nem sei se lhe hei-de chamar Mundo, é que chamar Mundo a este Mundo é, tendo em conta as diferenças existentes, uma injustiça para com o Mundo de há uns tempos atrás. Como tal, vou passar a referir-me a este Mundo como murroalho. É um nome bem mais apropriado ao sítio onde hoje vivemos. E, já agora, isto do Murroalho está a funcionar muito mal!

Todos os dias acordamos neste Murroalho que Deus nos deu e ficamos a pensar: o que raio vai ser de nós? É o aquecimento global, é o crime, é a corrupção, é a falta de respeito para com os direitos humanos básicos da esmagadora maioria da população mundial, é o Sr. Capitalismo que sempre nos garantiu acesso incondicional a bens supérfluos e a gasolina no carro que está a dar o badagaio, sou eu que estou para aqui a escrever isto em vez de fazer qualquer coisa de útil para a sociedade… Eu sei lá… Mais valia começar isto de novo. É que não estou a ver solução nenhuma para o murroalho…

É possível começar de novo? Ou isto do murroalho é um daqueles erros irreversíveis?

O que é que fazemos ao Murroalho? Não sei... Talvez, mandá-lo pró...

(tocam as tarolas e eis que chegámos ao clímax de um texto sem sentido)

P.S. Sou só eu que penso que o verdadeiro Manoel de Oliveira foi trocado aos 50 anos por um Manoel de Oliveira supelente de 20 anos e assim sucessivamente até ao ponto em que o Manoel de Oliveira que supostamente vai fazer 100 anos amanhã é um jovem de 50? Ou isso ou ele é filho de uma tartaruga, o que, a ver pelo ritmo dos seus filmes, é bem provável... É que o homem está bem conservado demais para ser verdadeiro...

Agora a sério, é emocionante ver uma pessoa daquela idade com tanta lucidez e tanto dinamismo... Algo me diz que ainda vai fazer filmes durante muito tempo...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Será que Hugo Chavez andou a ler este blog?

É que a sua Igreja Católica Reformada faz-me lembrar um certo post...
Hugo, se realmente tiraste esta ideia do blog, exijo-te, no mínimo, o cargo de Cardeal e uns quantos barris de petróleo... Isto de arranjar emprego está-me a dar a volta à cabeça de tal maneira que até a hipótese do clero está em cima da mesa... Pensando melhor, podes esquecer o cargo de Cardeal, não estou tão desesperado!

(Repararam como eu, subtilmente, reciclei um post antigo para compensar a falta de tempo para actualizar o blog?)

terça-feira, 15 de abril de 2008

Uma nova Igreja




Aviso: existência de uma elevada dose de etnocentrismo neste post. Pessoas com uma elevada sensibilidade para a multiculturalidade devem evitá-lo a todo o custo.

Um estudo recente concluiu que a religião Muçulmana está a ganhar terreno ao Cristianismo. Algo vai mal com os seguidores de Jesus. Ao longo da sua história, o Cristianismo foi criando sempre maneiras eficientes de lidar com a concorrência como a Inquisição ou as Cruzadas. No entanto, ainda que eficazes, estas tácticas não são propriamente correctas e, como é óbvio, até podem causar um efeito oposto ao pretendido. Acho que, hoje em dia, a Humanidade não aceitaria tão bem um genocídio como na Idade Média, em que a palavra do Santo Ofício era sagrada. Bastava alguém dizer que a Francisquinha era bruxa que a Francisquinha ia logo servir de combustível à fogueira, para deleite de todos os domingueiros que não passavam sem uma boa queima de hereges. Ainda bem que inventaram os shoppings! Não digo que esta táctica da eliminação da concorrência não continue a ser utilizada, por exemplo, os Americanos têm feito um bom trabalho no sentido de aumentar a distância entre Cristãos e Muçulmanos. No entanto, ainda assim é insuficiente.

A eliminação da concorrência está, então, fora de questão. São necessárias outras técnicas, menos eficazes mas mais aceitáveis de um ponto de vista ético. Estás a ouvir, Bento XVI?

Convencer os pobres

É sabido que é muito mais fácil convencer pessoas com um estômago vazio do que pessoas a quem não falta nada. O que é que eu quero dizer com isto? Aproveitar para recrutar fiéis nos países pobres. Em troca de um saco de arroz eles aderem ao Cristianismo, não há nada mais fácil! É fácil gostarmos de Jesus porque Ele é o Senhor, porque Ele é bom, porque Ele é sexy, porque Ele faz uns truques giros… mas se Ele nos der uma refeição por dia quando estamos habituados a não ter nenhuma Ele torna-se, literalmente, o Salvador! E matam-se dois coelhos de uma cajadada só, por um lado aumenta-se o número de fiéis, por outro lado contribui-se para acabar com a fome…

Acabei de me aperceber que isto de comprar fiéis com bens de primeira necessidade já é prática comum há muitos anos… Chama-se evangelização… Logo, esta ideia não conta… Estou aqui para trazer novas ideias…

Explorar novos mercados

Um bom espaço para a Igreja crescer seria convencer os indecisos. É o que qualquer político faz em campanha e há aí muito agnóstico e ateu à espera de uma boa razão para aderir à espiritualidade (e sendo que os Muçulmanos oferecem 40 virgens aos mártires é importante que a Igreja seja bem veemente nos seus argumentos para convencer este público). Uma sondagem feita numa amostra de 4000 ateus e agnósticos mostrou que 90% destes baptizar-se-iam se tivessem provas inequívocas da existência de Deus (os outros 10% são apenas do contra). Ouviste isto, ó Jesus? Há quase 2000 anos que estás aí nas saias do Teu pai e ninguém te vê… Depois não admira que as pessoas não acreditem em Ti… Só Te conhecem de te ver pendurado na cruz e de meia dúzia de filmes. Daqui a pouco as pessoas começam a acreditar mais no coelhinho da Páscoa do que em Ti! No coelhinho da Páscoa! Tens que aparecer, Pá!

E tira o cavalinho da chuva porque aparecer à Alexandra Solnado não conta, nem fazer a tua mãe aparecer a três pastorinhos, nem fazer estátuas chorarem sangue, nem aparecer em fundos de chávena de café, torradas e cebolas! Já ninguém acredita nisso… É tudo motivo de comédia! Tens que aparecer mesmo, Tens que dar a cara… Se o Teu caminho é o da Salvação, é importante que as pessoas saibam disso! E ninguém melhor do que Tu para o fazer! Já ninguém acredita em padres pedófilos nem em papas que andaram na juventude hitleriana e muito menos no Padre Borga. Lembra-te que enquanto estás aí no bem-bom, já fizeram más músicas em Teu nome, já usaram o Teu nome para ganhar eleições, já fizeram t-shirts pirosas com a tua efígie, já ganharam muito dinheiro às tuas custas (esta é para ti, Sr. Pastor da IURD!), já mataram em Teu nome… Não ouviste? Eu repito: já mataram em Teu nome! E ficas aí quieto, de braços cruzados, como se nada fosse… Para mim, que sou ateu (sou um profissional tenho que me manter neutro, se os Muçulmanos me pedirem para lhes dar conselhos deste tipo também o vou fazer…), seria o dia mais feliz da minha vida se aparecesses!

E como já disse, a Alexandra Solnado não conta! Tinhas que aparecer, a Oprah fazia-te uma entrevista e expunhas as tuas ideias. Mas isto não chega! Qualquer tipo barbudo com feridas nas mãos faria isso… Tinhas que fazer milagres: andar em cima do mar, transformar água em vinho (serias convidado de honra em todos os meus jantares!), curar uns milhares de cegos, acabar com umas dezenas de guerras e… sobretudo dar esperança ao pessoal…

Este é o meu maior conselho! Como ateu que sou, a única maneira de me convenceres era se aparecesses (se voltares a falar na Alexandra Solnado não escrevo mais…). Se aparecesses, o meu trabalho estava acabado… Mas como duvido que o faças (já tiveste oportunidades em que serias bem mais útil se o fizesses) tive que pensar noutros conselhos…

Conhecer o adversário

Há um aspecto fundamental se queremos ser bem sucedidos numa competição: é conhecer o adversário. Conhecer aquilo com que estamos a lidar. Aquilo que nos espera. E nunca, mas nunca, o menosprezar! Só percebendo o que é que há de tão atractivo no adversário é que vamos conseguir ser mais atractivos do que ele. E, relativamente aos nossos competidores directos, os nossos amigos do turbante (não se façam de espertinhos, sabem bem que não são os sikhs) é muito fácil cair na tentação tão típica de uma sociedade judaico-cristã de só olhar para aquilo que não é atractivo neles. É muito fácil ridicularizar aquelas barbas, é muito fácil gozar com os turbantes, é muito fácil repugnarmos as burqas, criticarmos a maneira como rebaixam as mulheres, é muito fácil ficarmos espantados por eles não beberem alcool, é muito fácil estranharmos quando vemos alguém espumar da boca só porque um cartoonista dinamarquês desenhou o Maomé… Concordo que isto sejam coisas más… mas não é isso que nos interessa… Temos que olhar para as coisas boas para tentar copiá-las, tentar melhorá-las e tentar minorar os seus efeitos no caso dos nossos adversários… E podemos apontar muitas coisas boas à religião Muçulmana. E desenganem-se aqueles que acham que eu vou cair no erro fácil de falar nas 40 virgens ou nem na poligamia… Há muitas coisas boas a apontar…

Dêem-me só 10 minutos…

Bem, parece que tirando a poligamia e a recompensa de 40 virgens aos mártires há pouco mais a apontar como coisas boas da religião Muçulmana… Infelizmente, acho que se o Cristianismo começasse a incentivar mais o terrorismo e a poligamia seria ainda mais contraproducente, visto que por um lado havia o risco de se perderem muitos fieis (aqueles mais conservadores que não querem ter mais que uma mulher e as próprias mulheres…) e por outro lado o público-alvo de uma potencial introdução destas medidas já tem religião, o Islamismo, e não iriam querer trocá-lo por uma espécie de Islamismo série B, constituído por pessoas que ainda têm muito que aprender no que concerne à poligamia e ao terrorismo.

Ou seja, não adiantei muito acerca de como podemos ir buscar bons exemplos ao Islamismo, mas deu para o ficar a conhecer melhor e perceber que jamais o Cristianismo o pode imitar. A única maneira de o Cristianismo recuperar a sua vantagem é ser o Cristianismo e é desta maneira que passamos ao ponto seguinte: o marketing.

Marketing

Num estudo sobre a percepção das pessoas acerca da Igreja ficou provado que há um conjunto de ideias que as pessoas associam imediatamente à Igreja: sotaque beirão, pedofilia, o Padre Borga, beatas e caixa de esmolas. Quem é que uma Igreja assim vai atrair? Perante este panorama até a Cientologia vai ultrapassar o Cristianismo… Eles têm o Tom Cruise! OK! Não foi o melhor exemplo, acho que a estocada final no Cristianismo seria ter o Tom Cruise…

O que eu quero dizer é que o Cristianismo é um bom produto, é preciso é saber vendê-lo. Quem é que não quer ir para o Paraíso? Toda a gente! Só que, não sei porquê, dar credibilidade a padres pedófilos não me parece o caminho certo…

O que é que as grandes marcas fazem para ganhar um novo fôlego? Criam uma nova imagem! Como que a dizer “começámos um novo ciclo, esqueçam os nossos pecados antigos, Mundo moderno aqui vamos nós!”. É isto que o Cristianismo precisa há mais de 500 anos: uma nova imagem.

Para começar, o Cristianismo tem um grande trunfo: Jesus. Pois é, apesar de andar desaparecido, Jesus continua a ser a melhor imagem de marca possível. Não há nada que venda mais do que Jesus e a prova disso é a maneira abusiva com que a Sua imagem é usada. Jesus é bom, Jesus é o Salvador, Jesus é o filho de Deus, Jesus é sexy! Isto para não falar do facto de que a época mais rentável no comércio são os anos do nosso querido Profeta. Mesmo associada a um culto pagão como o Natal e de estar a perder protagonismo para um individuo gordo de barbas, a imagem de Jesus vende como o caraças!

Meus amigos, este Senhor faria milagres na indústria dos desodorizantes e na indústria das telecomunicações. Já imaginaram? Vocês deixavam de comprar um produto que estivesse associado a Jesus? Claro que não. Se Jesus usa este telemóvel eu vou comprar este telemóvel, se Jesus bebe este refrigerante eu vou beber este refrigerante, se Jesus consome este fiambre eu vou consumir deste fiambre (Calma! Jesus não era judeu?)… Em termos publicitários nada bate o Messias!

E o grande trunfo do Cristianismo é que têm a exclusividade de Cristo, são os donos da marca registada! Só que não o sabem aproveitar… E acreditem que a Coca Cola daria uns bons milhões para poder contar com este menino (já viram? O Pai Natal e Jesus na mesma marca… Só ficava a faltar o Cristiano Ronaldo…).

O mal do Cristianismo é que tem o maior fenómeno publicitário de todos os tempos… e o que é que faz? Pendura-o numa cruz… E espalha esta imagem até à exaustão. OK! Admito que no início até poderia funcionar mas agora não atrai ninguém… É preciso dar uma nova imagem a Jesus.

Começaria por contratar um estilista para mudar radicalmente o aspecto de Jesus. Mantinha a barba e o cabelo comprido (alguém o reconheceria se ele cortasse o cabelo e fizesse a barba?) mas dava-lhe uma imagem mais airosa, um look ligeiramente a. C. mas com o seu quê de século XXI. Talvez uns músculos mais definidos. E, sobretudo, um grande sorriso como que a dizer: “Pessoal, aqui estou eu. Saí da cruz e estou melhor do que nunca”. Mas o fundamental seria um slogan. Do género: “Cristianismo: Connecting People”, “Cristianismo: Just do it”, “Cristianismo: I’m loving it”, “Cristianismo: Mais perto do que é importante”, “Cristianismo: Porque eu o mereço”, “Cristianismo: Eu é que não sou parvo!” ou até mesmo “Cristianismo: derrete-se na boca e não na mão”. Perceberam a ideia?

O bom uso dos meios de comunicação social é também um aspecto que o Cristianismo devia mudar. Já repararam que quando um representante da Igreja aparece na televisão ou é para falar do aborto ou do casamento de homossexuais ou da masturbação ou do casamento entre padres. Como é que as pessoas vão ter respeito por uma Igreja cujos representantes só pensam em sexo? Uma igreja de depravados… Condenar guerras porque a Bíblia diz “Não matarás” não, mas impedir o casamento dos desgraçados dos homossexuais, que não fazem mal a ninguém e até se vestem bem, “aqui vamos nós que é pecado”… Não é repugnante a imagem de um tipo anafado, com uns óculuzinhos ridículos na ponta do nariz, uma voz esganiçada e um sotaque beirão a condenar tudo o que há de bom nesta vida? Pois é esta a imagem da Igreja nos meios de comunicação social… Há duas coisas que têm que fazer. Primeiro, deixem de ser corta-mocas! Segundo, vendam uma melhor imagem, acabem com os homenzinhos anafados com voz de velha, produzam melhor a imagem dos vossos representantes (troquem as batinas e os colarinhos brancos por fatos de treinos Adidas, por exemplo), façam videoclips, produzam filmes (se possível que não sejam realizados por um lunático… Ouvi alguém dizer Mel Gibson?), produzam merchandising de qualidade (e uma irmã Lúcia de barro ou uma Nossa Senhora de Fátima que brilha no escuro não são exemplos de merchandising de qualidade…), façam novas orações (tenho a certeza que se um jovem quiser perceber o Pai Nosso hoje em dia tem que ir, no mínimo, 20 vezes ao dicionário… E não só mudar as orações como, eventualmente, adaptá-las à maneira como os jovens falam hoje em dia, seria algo do género: “Pai Nosso, tipo, que estais no Céu…” ou “Avé Maria, com bué de Graça…”), etc.

Por hoje é tudo. Acho que lancei umas boas ideias para mudar o Cristianismo, mantendo a sua essência. Espero que tenham em conta aquilo que eu arrisquei a escrever este post. Arrisquei a vida… Quer a terrena (não consigo parar de imaginar uma horda de camponeses enfurecidos empunhando tochas, foices e ancinhos atrás de mim), quer a eterna (é que, das duas uma, ou aceitam as minhas ideias ou estou condenado a arder no Inferno, não me parece que haja meio termo…). Deus vos abençoe!