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domingo, 25 de janeiro de 2009

"O Crocodilo que Voa - entrevistas a Luiz Pacheco"


Não costumo fazer muitas citações no blog, prefiro ser eu o autor dos meus posts, mas não podia deixar de falar de um livro que ando a ler, que é o que está na fotografia. Como se pode ler, consiste num livro de entrevistas do grande Luiz Pacheco e tem pérolas como:

Respondendo a uma pergunta sobre o sítio mais estranho onde fez amor:

"Vamos restringir isto ao acto sexual, a uma ligação carnal; e como eu sou bissexual, temos de distinguir entre o coito, a cópula e a aproximação carnal, sexual, entre macho e fêmea. Já experimentei as duas modalidades e, às vezes, não se percebe qual das duas dá mais resultado. Desde que haja cumplicidade, ou vai com jeito ou com sabão, ou vai com mulher ou com homem, com um efebo;o lugar mais esquisito pode ser a cama. É o comum, não é? Suponhamos que estou na cama com uma cadela e estou a masturbar a cadela. Isto pode ser muito esquisito para a cadela, porque elas, geralmente, coitadas!, não têm estas comodidades, e para mim, quem me vir de fora, pode achar estranho. Pode ser um caso de extrema gravidade e, como estou a responder com muita seriedade, digo-te que já me aconteceu isso. Estava tão isolado e desesperado, que já fiz com uma cadela. Uma cadela é um bicho bonito e um cão também. Já estive na cama com uma cadela, e com mulheres que eram muito mais cadelas do que a outra, na cama. Também deitei com rapazes, prostitutas que eram mais cães do que os cães."

(posteriormente disse que a questão da cadela era mentira... Mentira ou não, quem assumiria uma coisa dessas?)

Sobre uma das mulheres:

"E a Papuça d'Arrebol, sabe quem é esta gaja? É uma rapariga que viveu comigo, tenho dois filhos dela. Quem lhe chamava Papuça d'Arrebol era o Cesariny para gozar comigo. No outro dia perguntei ao meu filho: sabes quem é a Papuça de Arrebol? É a tua mãe! Ficou assim um bocado baralhado..."

(bela coisa para se dizer a um dos 8 filhos e de uma das raparigas menores com quem se casou, ou não casou, nem sei...)

Respondendo a uma pergunta em que o jornalista o questionava sobre o escrever para ganhar dinheiro:

"Você não estava muito melhor num baile de Carnaval a esfregar a gaita com essas gajas todas? E está aqui a gramar um maluco!"

(sem comentários)

Sobre a sua fama:

"Repare nas minhas calças: sou o gajo das calças curtas. Porquê? Porque não mando fazer um fato desde 1957 ou 1958! E por acaso tinha um bom alfaiate, mas o último fato não paguei e nunca mais lá fui... "O gajo anda de calças assim para provocar, para se mostrar original.". Não é! Eu vejo aí é calças a três e quatro contos, e eu ia dar três contos por um par de calças? Jamais de ma vie, porra!"

(3 ou 4 contos por umas calças é um balúrdio (a entrevista é de 1996)... Ainda bem que o Pacheco nunca entrou numa Levi's, nem numa Salsa... Mas estou contigo nessa, Pacheco! A roupa é muito cara!)

Sobre as suas condenações:

"Estupro é: um gajo dava uma foda e apanhava com um processo. Depois tive outro por rapto e estupro, esse era pior. Por causa dele apanhei alguns meses. Foi com a mãe do Paulo. Um tipo, depois de preso, podia negar: "Não, não fui eu, foi engano. Não era para lhe ir à cona, era só para mexer no umbigo..." Mas eu disse logo: "Fui eu!".

(É incrível a abertura com que ele fala de temas que, para outras pessoas, seriam um bocadinho incómodos...)

Sobre uma história no mundo da tradução (documentada por um vídeo no Youtube):

"Estava então a escrever como negro e a traduzier o Dicionário Filosófico (de Voltaire) para a Presença, mas quem assinava a tradução era o Bruno da Ponte. Eu tinha de o fazer porque era a única fonte de dinheiro, e numa parte ele refere-se a um daqueles malucos profetas da Bíblia que faziam uma espécie de pão com excremento de vaca. Eu estava chateado e o que é que fiz? Escrevi: "Nota do tradutor: é o que chamariamos hoje deliciosas sandes de merda."(risos) Esqueci-me, e aquilo lá saiu em nota do tradutor, que era o Bruno da Ponte. Ele ficou um bocado magoado."

Mensagem para as novas gerações:

"Puta que os pariu!"

(Obrigado, Pacheco! Como um dos alvos desta tua mensagem também te mando para a puta que te pariu! Sei que não te ofendes...)

Pela vossa vida, leiam este livro! Cada vez que o abro encontro pérolas destas e estou mesmo no início. Nem imaginam a dificuldade que tive em escolher estas citações para vos mostrar já que, por mim, transcreveria o livro todo, sem problemas... Não referi nada aqui dos seus famosos insultos aos escritores da nossa praça, porque tinha tanto por onde escolher que nunca mais acabava isto. Mas é hilariante a maneira como ele ridiculariza génios que nós consideramos intocáveis como Vergílio Ferreira, José Saramago, António Lobo Antunes ou José Cardoso Pires...

É uma personalidade singular da nossa história e, segundo dizem, muito talentosa (eu nunca li nada dele mas estou curioso). O livro de entrevistas é hilariante e uma bela maneira de conhecer esta personagem que mais parece ficcionada do que real.

De referir ainda a bela introdução do organizador do livro, João Pedro George.

Deixo-vos o vídeo com a história das "sandes de merda".



sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Algumas coisas



"Quando odeias alguém, odeias nessa pessoa algo que é parte de ti. Aquilo que não faz parte de nós não nos incomoda"

Herman Hesse

"Olha que... Foda-se!"

Marco Borges (concorrente do Big Brother 1)

Imagino que estejam completamente abismados com a minha classe em começar um post com duas citações, e que citações. Imagino também que já se estejam a perguntar sobre o que é que eu vou escrever. Eu gostava de vos dizer mas, neste preciso momento, não faço a mínima ideia. Decidi que iria escrever algo para o blog, arranjei duas citações, que é algo absolutamente imprescindível se não soubermos o que vamos escrever, e aqui estou eu à frente do computador a tentar descortinar alguma coisa interessante para vos dizer. Mas não sai nada...

(silêncio incómodo)

Então e o advogado de defesa do Carlos Cruz foi dizer que as acusações do seu cliente são "fantasias de adolescente"? Tem a sua razão, sim senhor... Não se lembram dos vossos tempos de adolescente em que, depois de verem o "1,2,3", se iam deitar e sonhar com o Carlos Cruz? E que lascivos esses sonhos... Não se lembram de forrar as paredes dos vossos quartos com posters do Carlos Cruz? Acho que é um comportamento típico dos adolescentes, fantasiar com o Carlos Cruz, fantasiar que somos órfãos, que vivemos numa instituição, que este nos vem visitar e... Quem nunca passou por isso não sabe o que é a adolescência!

Então e este título: "Guerra irá definir quem será o primeiro-ministro de Israel". Acho muito bem! Até aqui tem sido o povo israelita a decidir e não tem dado muito bom resultado. Ao menos ao escolherem uma entidade isenta e objectiva como a Guerra para eleger o primeiro-ministro pode ser que as coisas mudem. Toda a gente já parte do princípio que a situação no Médio Oriente nunca vai mudar, por isso ao menos que se experimentem novas alternativas... Quem sabe se a solução não virá do local mais inesperado? Até agora, aquilo a que chamam guerra está 500-10 para os israelitas (500 palestinianos mortos para 10 israelitas, mais coisa menos coisa). É um autêntica cavazada. Fazendo uso de gíria futebolística inspirada em gíria de guerra eu diria que os palestinianos estão a ser massacrados... Vá lá! Acabem lá com isso!


Aproveito para acrescentar alguma coisa de útil a este post completamente inútil. A imagem de cima faz parte da obra "Palestina" de Joe Sacco, uma espécie de correspondente de guerra que usa a banda desenhada para passar a sua mensagem. Para além de Joe Sacco ser um artista genial, com uma perspectiva única sobre as coisas e que usa um meio que permite uma versatilidade que outros não permitem (a banda desenhada), esta obra, já com uns anitos, oferece-nos uma perspectiva única sobre o conflito israelo-palestiniano. Os desenhos são muito expressivos, tem um ritmo espectacular e a história é... aquilo que sabemos... ou então não sabemos assim tão bem... Entretanto já escreveu graphic novels igualmente geniais sobre a guerra na Jugoslávia. Recomendo vivamente (Já pareço aquele Professor que aparece aos domingos à noite na televisão. Já não me lembro é muito bem do nome dele. Vitor? Anselmo? Dêem-me lá uma ajuda...).

Este livro aparece frequentemente na pobrezinha secção de banda desenhada da Fnac caso o queiram adquirir (que pretensão a minha, a de julgar que sou tão importante para quem quer que seja que lê isto para os fazer gastar dinheiro em livros...). Para além disso, ofereço-me também para emprestar os dois volumes em português que possuo a quem estiver interessado! Não fazendo eu mais do que a minha obrigação visto que é uma história que urge divulgar...

Além disso, se quiserem posso oferecer-vos um exemplar que tenho da obra do já referido neste post Ricardo Sá Fernandes, "O Caso de Camarate", que comprei só porque estava a 3 euros e que provavelmente nunca irei ler... Ainda vou fazer um passatempo no blog para me livrar desse livro, mas acho que nem assim... (bela ideia para um post, é pena este já estar a acabar)

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Ler



Achei curiosa esta notícia do público, em que António Lobo Antunes afirma que "os livros em Portugal são indecentemente caros". Tem toda a razão! E é por isso que, quando tenho a oportunidade de ir a outros países, entro em tudo o que é livraria que nem um maluquinho. Pensando bem, não é preciso ir a outros países para entrar em livrarias que nem maluquinho, mas quem viaja comigo sofre um bocado com isso. De resto acho que até consigo ser boa companhia. Mas sou um bocado obssessivo em relação a livros e o pouco que ganho vai, invariavelmente, parar aos cofres da Fnac.

Enfim, ao menos não gasto em droga... Se é que se pode dizer que os livros não são como uma droga...

Achei também piada à declaração de António Lobo Antunes porque, ainda este ano, quando lhe fui pedir um autógrafo na Feira do Livro do Porto (cidade a que ele está muito agradecido, como volta a referir na notícia, por o ter apoiado na sua luta contra o cancro), o "sacana" olhou para o preço do seu próprio livro, que estava prestes a autografar, e disse o seguinte:

- Pagaste 22,5 euros (já não me lembro bem do preço) por isto?!

Ao que eu respondi:

- Vale o preço... - E acrescentei - Acho mesmo que vale, embora não caísse mal se fosse um bocadinho mais barato... Se mo quiser oferecer... - Não disse esta última parte... Ou pelo menos não deve ter sido esta a mensagem que ele entendeu dos grunhidos que soltei, típicos de quando estamos ao pé de alguém que admiramos... E não, não foram berrinhos histéricos... Isso foi mais quando fui ver os Tokyo Hotel... É mentira! Apanhei-vos!).

Acho que os livros são a melhor companhia não-humana que se pode ter. Adoro aquela sensação melancólica, de quando estou a acabar um livro. Ter, por um lado, pena de o estar a acabar e por outro lado aquela curiosidade de conhecer o final. Sinto também uma certa ansiedade em relação ao livro que se segue: "que livro vou começar a ler? (e a lista é tão grande) Será que vou gostar tanto dele como do anterior? (geralmente gosto sempre dos livros que leio... gostar tanto de ler permite-me 99% das vezes fazer as escolhas acertadas). Parafraseando Miguel Esteves Cardoso numa entrevista à RTP: "uma pessoa que gosta de ler nunca se vai sentir sozinha". E é verdade. Quando tudo corre mal, sei que aquele livro vai estar à minha espera. Aquelas personagens. Aqueles locais. Aquelas histórias. Tudo isto vai compensar qualquer coisa de mal que esteja a acontecer. Nem que seja por a personagem principal ser ainda mais desgraçada que nós, qual Candide. Ou por a mensagem ser tão inspiradora que nos dá um sentido para a vida, fazendo-nos desdramatizar todas as ninharias do dia-a-dia. Ou por o autor ser tão talentoso que nos sentimos privilegiados por estar ali, em primeira fila, a admirar a sua arte. Ou por nos identificarmos tanto com as personagens que os seus sucessos são os nossos sucessos.

Há tantas maneiras através das quais os livros nos fazem sentir bem que, enumerá-las todas, seria algo impossível.

Se me acontecesse alguma coisa que me impedisse de ler seria mesmo muito infeliz.

Sei que este post não tem piada nenhuma (não que os outros tenham, mas, para que saibam, esforço-me por isso), mas é um assunto que teria que referir até para justificar o estilo que adoptei aqui neste blog. Por gostar tanto de ler é que só escrevo disparates depretensiosos. Por gostar tanto de ler e por apreciar tanto o trabalho dos verdadeiros escritores jamais poderia ambicionar sequer chegar aos seus calcanhares. Não está ao alcance de todos. É por isso que só escrevo disparates. Aquilo que está ao alcance de todos é apreciar este trabalho infinito (já pensaram que vamos morrer sem ler tudo o que há para ler, sem visitar todos os locais que há para visitar, sem ver todos os filmes que há para ver, sem conhecer todas as pessoas que vale a pena conhecer?). E, se houver alguém que torça um bocado o nariz à leitura que se sinta minimamente inspirado ao ler este post fico mesmo muito contente. Aquilo que lhe posso dizer é que, se conseguir aprender a gostar de ler, vai ganhar um superpoder: não só vai conseguir voar, como vai conseguir teletransportar-se, como vai ganhar o dom da ubiquidade, como vai ganhar o poder da invisibilidade... Tudo aquilo que desejarmos, tudo aquilo que quisermos ser, os livros dão-nos. É preciso algum esforço, claro. Mas compensa.



Lado B do post. Quando estava tudo tão bonito, eis que surge o outro lado da moeda:

Segunda parte um tanto ou quanto alucinada


Bom triénio de 2009-2012! Prefiro desejar "bons triénios" visto que poupa-me o trabalho de desejar "bom ano" todos os anos. Algo que é extremamente cansativo e inútil! É óbvio que desejo um bom ano àquelas pessoas a quem desejaria um bom ano. Acho que ninguém é má pessoa ao ponto de desejar que alguém tenha um "mau ano" (e se houver ao menos que se aproveite o final do ano para isso. Não vamos ser hipócritas). Àquelas pessoas a quem não desejaria um bom ano, não vou desejar um bom ano de certeza. Primeiro, porque não frequentam os meus círculos (só fui uma vez à Assembleia da República) e segundo porque não sou hipócrita

Agora que penso nisso às vezes sou um bocadinho. Agora que penso um bocado nisso, esta mania de ter que desejar bom ano a tudo o que mexe por esta altura obriga-nos a sermos hipócritas... Não por desejarmos que essas pessoas tenham maus anos mas porque, às vezes, desejamos bom ano, mesmo estando-nos perfeitamente a marimbar para isso (bela palavra, "marimbar").

Já sabia que iam ter essa reacção. Não façam esse olhar moralista, como quem diz "Ah! Eu não sou hipócrita. Eu, quando desejo um bom ano a alguém estou mesmo a senti-lo". Dou-vos mais uma oportunidade, pensem um bocado: é mesmo verdade que estão genuinamente preocupados que as pessoas a quem desejam um bom ano tenham um bom ano? Eu sabia... Vocês não conseguem aguentar... Basta abanar-vos um bocadinho que descosem-se logo... Ao menos podiam ser mais firmes nas vossas convicções...

Algum dia conseguiriam enganar-me com essa atitude? Algum dia, algum de vocês, se deu ao trabalho de, passados, por exemplo, 6 meses, de terem desejado um bom ano a alguém, irem confirmar se essa pessoa está mesmo a ter um bom ano? Fazem-no com as pessoas que importam, até numa frequência de tempo menor., obviamente. E aí nada contra. Mas não vão, a meio do ano, por exemplo no dia 30 de Junho, preocupar-se em ligar ao indíviduo do telemarketing, que vos tentou vender o pacote Telefone+TV+Internet da Clix e a quem, por acaso, desejaram um bom ano para saber se, realmente, e tal como o tinham desejado, o ano do tipo está a correr bem... Ele até pode, e batam na madeira, ter morrido. E vocês vão estar despreocupados, na vossa vidinha, sem sequer saberem que o vosso desejo de bom ano caiu no saco roto da entidade responsável por garantir que os nossos desejos são atendidos. Essa entidade, que, ou por ser inexistente, ou por ter desígnios próprios e incompreensíveis, é por si só uma razão para acharmos que não vale a pena desejar o que quer que seja a alguém. É que vale apenas pela intenção. O poder, propriamente dito, é inexistente. A não ser que estejamos a esfregar uma lâmpada mágica.

E aí não vamos desejar um bom ano ao tipo do telemarketing. Vamos desejar, obviamente, 5,5 milhões de desejos (não se deixem enganar quando encontrarem uma lâmpada e não estourem logo os desejos em dinheiro, gajas e vida eterna. Desde que descobriram este furo, os Génios da Lâmpada nunca foram os mesmos... "Se ao menos tivéssemos escrito um contrato", pensam eles "Mas não... Basta esfregar... Como fomos tão crentes? Como conseguimos acreditar tão cegamente que toda a Humanidade era tão estúpida como o Aladino? Tantos anos fechados numa Lâmpada mágica deviam ter feito de nós Génios mais vividos, mais matreiros... Mas não... Somos uns Génios da Lâmpada tão ingénuos como um bando de girinos acabados de nascer... Se calhar mais um bocado...").

Mas nem por isso vamos deixar de desejar um bom ano a toda a gente. E também não é por isso que vão deixar de nos retribuir. São as convenções sociais... Como a convenção social de ter que dar prendas no Natal quando ficaria muito mais barato e poupava-nos muita confusão, se déssemos as prendas no Dia de Reis... Não podemos viver sem elas, nem sem as questionarmos. É que se não o fizéssemos estávamos a fugir à convenção social básica para um jovem que é a de questionar todas as convenções sociais. E agora dei um nó na cabeça: "se , para um jovem, é uma convenção social questionar todas as convenções sociais. Devo questioná-las ou não?". É o "quem nasce primeiro? O ovo ou a galinha?" das convenções sociais.

Pensem nisso e, quando tiverem uma resposta, mandem um toque que eu tenho um tarifário bem jeitoso, graças ao fantástico operador de telemarketing que mo arranjou, a segunda melhor pessoa do Mundo, logo a seguir ao CEO da Fnac (já agora, se estiver a ler isto, um chequezito Fnac de 1 milhão de euros até que vinha a calhar... Pense nisso... Eu nem me importava de gravar um anúncio a dizer que "a Fnac é que é e não sei quê"... Fica no ar a ideia...).

E é tudo!

Um sincero, bom triénio! Lá para o meio de 2011 eu faço um follow up do vosso triénio, ver se ele está à altura, deste meu grande desejo: que vocês tenham o triénio mais maravilhoso que é possível alguém ter!

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Vamos odiar um bocadinho...


Ontem, ao abrir a revista Sábado, fiquei estupefacto. É que, precisamente no momento em que estava a abrir a revista um corcunda dirigiu-se a mim e, com a maior das educações, diz-me:

- Meu caro amigo, pediram-me para lhe informar que, ao contrário daquilo que julgava, as idiossincrasias características de cada um de nós não são mais do que uma maneira paradoxal de, através da diferença, nos tornarmos ainda mais semelhantes.

- Pois claro, meu cavalheiro. - acedi eu antes de lhe dar um valente pontapé naquela zona que está entre a coluna vertebral e a omoplata direita que, diga-se de passagem, é extremamente difícil de identificar num marreco. É assim que eu costumo tratar os deficientes físicos que me abordam na rua com comentários sem sentido. Algo normal no meu dia-a-dia mas que não deixa de me causar uma certa estupefacção. Por mais que tente não me consigo habituar.

Continuei a actividade que estava a desempenhar no momento em que fui abordado pelo corcunda e acabei de abrir a revista Sábado. E li uma frase ainda mais imbecil do que aquela que havia sido proferida pelo já referido transeunte com um problemazito nas costas. A frase era de Margarida Rebelo Pinto o que, só por si, nos permite antever algo de realmente estúpido. No entanto não poderia deixar de partilhar convosco o nobre pensamento desta ilustre criadora de calços para móveis.

Vocês podem dizer que eu estou a ser demasiado severo com a senhora, que não é assim que se tratam as pessoas especiais e que, apesar de tudo ela tem contribuído muito para a felicidade de muita gente, nomeadamente de pessoas cujo mobiliário necessite de calços. Eu concordo e, em situações normais, limitar-me-ia a ir visitá-la ao jardim zoológico, como faço todos os anos no 3.º domingo de Fevereiro. No entanto, uma pessoa que me faz uma declaração de ódio do calibre que ela me fez só merece ser tratada assim. Acabaram-se os amendoins, Margarida!

Ela disse, então, o seguinte:

"Sou snobe e elitista. É endémico, instintivo e mais forte do que eu. Detesto aquelas pessoas que dizem "vermelho" e "bom apetite". Sou snobe, não queque. Também não sou dondoca. Escrevo todos os dias das 8h às 12h"

Não percebi exactamente o que ela quis dizer com isto e não faço a mínima ideia do que é "dondoca" nem o que é que isso tem a ver com o facto de ela ter um extenuante dia de trabalho de 4 horas. Aquilo que eu retirei desta brilhante citação é que ela detesta pessoas que dizem "vermelho" e "bom apetite". E aí, Margarida, pisaste o risco. Lamento dizer-te mas meteste-te com as pessoas erradas. Somos muitos, os que temos esse incómodo e subversivo hábito de usar a palavra "vermelho" e a expressão "bom apetite" e sei que falo por todos quando digo: "estás bem tramada!". Já sabia que incomodávamos muita gente com esta atitude mas não merecíamos esta declaração de guerra. Principalmente da pessoa que inventou esse "Ser poeta é ser mais alto" da literatura para tias: a expressão "cabelinho à foda-se" (pior do que uma pessoa que tenha cabelinho à foda-se, só mesmo a expressão "cabelinho à foda-se").

Quando alguém me pergunta, para testar a minha cultura benfiquista, qual é a cor do Benfica eu respondo com orgulho e convicção: "Vermelho!". Normalmente, a única reacção que obtenho quando digo isto é um "Muito bem, acertaste" ou, no programa de televisão certo, 10.000 €. Só que se tivesse esta ousadia à frente da Margarida Rebelo Pinto era muito provável que levasse com um salto agulha no topo da cabeça e um balázio no meio dos olhos.

Apesar de não usar muito a expressão "Bom apetite!", já que habitualmente desejo que as pessoas tenham uma crise de refluxo gástrico depois das refeições, estou solidário com esta malta. Já me disseram muitas vezes "bom apetite", nomeadamente em restaurantes e, com excepção daquele indivíduo que me desejou bom apetite com cara de quem parecia que me estava a desejar uma bela diarreia, nunca reagi mal. Antes pelo contrário... No entanto, que nenhum destes pobres seres se atreva sequer a lançar semelhante impropério à Margarida Rebelo Pinto... Nem quero imaginar a cena... Saltos agulha a perfurar olhos e foie gras no ar... E isto é só um preliminar...

Margarida, podes não concordar, mas também somos seres humanos. Não, nem todos temos vidas tão interessantes como as personagens que retratas nos teus livros. Eu, por exemplo, por mais que tente, e Deus sabe que tenho tentado, nunca hei-de ser uma divorciada. Não, nem todos passamos nas nossas vidas por episódios tão espectaculares que mereçam ser plagiados de uns livros para os outros. Mas, unidos, lutaremos contra esse flagelo que tu personificas. Por mais que nos tentem impedir diremos sempre "vermelho", até ficares "vermelha de raiva". Desejaremos sempre "bom apetite" nem que, para isso, tenhamos que escrever um livro intitulado "bom apetite", que, ainda assim, será um título bem melhor do que "Sei lá" ou "Português Suave" (porque não SG Ventil, Margarida? O catarro é o mesmo...). É óbvio que não provocará situações hilárias como aquelas que pretendeste egendrar quando chamaste ao teu livro "Sei lá". Esta situação...

- Como é que se chama o teu livro, Zé?
- Ensaio Sobre a Cegueira.

...nunca será tão hilariante como esta situação:

- Como é que se chama o teu livro, Margarida?
- Sei lá.

- A sério, como é que se chama o teu livro?

- Sei lá.

- Lá estás tu com as tuas coisas. Como se não bastasse passares o dia a babar-te à janela e a insultar os transeuntes... Vai mas é trabalhar!

Um tanto ou quanto infantil mas hilariante...

Pois, Margarida, cuidado com as guerras que crias... Nem imaginas aquilo que uma pessoa que diz "vermelho" é capaz de fazer...

Umas horas mais tarde olhei para a capa da Visão e percebi a frase da Margarida Rebelo Pinto. O tema da reportagem era "Sobreviver a um AVC". E quem estava na capa? A pobre Margarida, que teve um AVC aos 41 anos... Deve ter deixado sequelas...

P. S. Agora a sério, eu nunca li a Paula Bobone e não percebo mesmo qual é o mal de dizer "vermelho" ou "bom apetite"... Serão o "caralho" ou o "foda-se" da nova geração? Alguém me explica?