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segunda-feira, 27 de junho de 2011

A sabedoria


Não ponhas o carro à frente dos bois...

...a não ser que uma manada de bois corra na tua direcção e isso seja a única maneira de te protegeres. E um carro pode não ser suficiente... Se possível, tenta pôr outras coisas à frente dos bois. Um iate de 300 metros ou uma réplica exacta da Estátua da Liberdade podem salvar-te a vida.

Filho de peixe sabe nadar.

Mas não tem a capacidade de compreender provérbios, logo não se vai sentir tocado pelo elogio.

O que não mata, engorda.

E o que engorda pode eventualmente matar por rebentamento. Logo, o que não mata, também mata.

Quem tem cu tem medo.

É verdade. A operação de extracção de cu tornou-se comum em pessoas que pretendem levar a cabo acções que impliquem muita coragem, como subir o Evereste ou lutar contra um urso polar. A ausência de cu anula o efeito paralisante que o medo pode ter neste tipo de situações. Tem algumas desvantagens como por exemplo, tornar extremamente doloroso o acto de sentar.

O ladrão volta sempre ao local do crime.

Para quê? Este pedaço de sabedoria popular terá dado origem a quantos polícias incompetentes?

Morto por morto, antes a velha que o porco.

Discordo. Se é para optar, prefiro que morra algo a partir do qual se possa fazer rojões.

Quem tem boca vai a Roma.

Este provérbio originou a criação de uma nova política alfandegária em Roma, que impede a entrada de pessoas sem boca (e pinipons) nesta cidade. Pessoas sem boca (e pinipons) que queiram visitar Roma têm de o fazer clandestinamente. O que não é muito difícil, já que todos os caminhos vão lá dar.

Mulher que assobia, ou capa porcos ou atraiçoa o marido.

Não tem qualquer rima e é uma afirmação categórica do tipo "Se A então B ou C", logo, deve ser verdade. É o tipo de provérbio que dito com um tom de sabedoria nos vai fazer passar por especialistas em comportamento feminino e que nos permitirá fazer sucesso numa festa de talibans.

A cavalo dado não se olha o dente.

Este provérbio não deve ser interpretado como um incentivo a que analisemos a dentição de todos os cavalos que não nos sejam oferecidos. Deixemos essa preocupação para os dentistas de cavalos.

Em Coimbra, um lavrador a quem ofereceram um cavalo, observou-lhe os dentes, tal como é recomendado pela sabedoria popular, e prescreveu-lhe um aparelho fixo. O aparelho fixo afectou profundamente a vida deste cavalo, que se tornou alvo de gozo entre os seus parceiros e pouco apetecível para as fêmeas. Veio-se a descobrir que o cavalo afinal não precisava de um aparelho fixo. Precisava apenas de uma limpeza. Mas o dano estava feito e um aparelho fixo para cavalos não é nada barato. É quase tão caro como um T2 em Ermesinde.

Tudo está bem, quando acaba bem.

Tanto quanto é possível aplicar um verbo no presente ("está") a algo que acabou, ainda que bem.

Deitar cedo e cedo erguer, dá saúde e faz crescer.

O meu amigo Rogério deita-se cedo e acorda cedo todos os dias. Mas nem isso o fez crescer, nem, tão pouco, lhe deu saúde. O Rogério é anão, sofre de asma e tem alergia aos amendoins.

O último a rir é quem ri melhor.


O meu amigo João é sempre o último a rir porque é sempre o último a perceber as piadas. E mesmo quando não as percebe, ri-se por imitação. Além disso como sofre dos adenóides tem um riso que vai puxar demais à garganta e termina sempre com um rosnar suíno. Diria que o João é a pessoa que tem o pior riso do Mundo quer no que diz respeito ao timing, quer no que diz respeito à estética. É uma pessoa extremamente irritante no cinema.


domingo, 5 de abril de 2009

Big Marco is Watching You - Manifesto


Devido a uma falta de inspiração que me tem afectado ultimamente, possivelmente relacionada com a inalação de quantidades absurdas de pólen, tenho presenteado os meus 2 leitores (entre os quais eu me incluo orgulhosamente) com ideias peregrinas susceptíveis de mudar a nossa maneira de estar no Mundo. Substituir a nossa consciência pela plateia do Preço Certo e associar à mudança da hora uma mudança de espaço são as mais relevantes. Poderia acrescentar muitas outras que caem todos os dias na sarjeta devido ao facto de cometer essa terrível falha (para a Humanidade, claro, já que a mim tanto se me dá) de não andar constantemente acompanhado por um escravo que transcreva tudo o que eu digo durante as parcas 24 horas que constituem um dia. Um apanhador de pérolas, como eu gosto de lhe chamar.

Não podia, no entanto, deixar de juntar ao meu rol de inovações esta última que me assola a mente há muitos anos, já que para além de ser algo passivel de mudar o Mundo é uma ideia revestida daquilo que de mais bonito tem a natureza humana, a gratidão, a lealdade e o reconhecimento dos méritos de outrém.

Mandar o José Mourinho para Itália não paga nem uma pequena fracção da gratidão que temos para com este país por nos ter confiado o seu bem mais precioso. A pessoa a que me refiro (embora o termo "pessoa" seja demasiado redutor para definir esta entidade que nos transcende a todos pelo seu talento, pelas suas características humanas e pela sua beleza divina) podia, facilmente, ser grande em Itália, no Mundo, naquele planetazinho que está prestes a ser descoberto e onde estão muito mais avançados do que nós ou no Paraíso, mas escolheu-nos a nós. Escolheu presentear Portugal com a sua presença, tornando-nos um povo mais feliz, embora nunca verdadeiramente digno dele. Até por aí se vê o seu altruísmo fora do normal. Mesmo não sendo dignos de partilhar o seu espaço geográfico, ofereceu-nos tudo o que tinha de melhor.

A pessoa a que me refiro é Marco de Camillis e, apesar de ter a consciência que nós, Portugueses, por muito que tentemos, jamais conseguiremos retribuir-lhe devidamente tudo o que ele fez pelo nosso povo, venho aqui propor um pacote de medidas para demonstrar a nossa gratidão a este vulto da dança, que nos escolheu como receptores da sua magia, ensinando-nos a dançar, alternando entre o austero e o caloroso nos devidos momentos e conseguindo ser severo como um pai quando precisamos e doce como uma taça de aletria quando merecemos. Sobretudo, foi o melhor amigo que este país poderia ter tido.

Na vida de um homem, chega a altura em que nos deparamos com uma causa pela qual vale a pena morrer, o sentido da vida como muitos lhe chamam. Eu encontrei a minha, lutar para mostrar a nossa gratidão à melhor pessoa (mais uma vez sublinho os limites deste termo quando aplicado a algo tão grandioso como Marco de Camillis) que este Universo já viu. Marco, este que morreria por ti, saúda-te!

Nunca a cidade de Roma, conhecida pela sua monumental história e por ser um dos berços da civilização tal como a conhecemos tinha assistido a algo tão grandioso como aquilo que se passou em determinado dia de 1966, o nascimento do pequeno Marco de Camillis (na biografia que pode ser lida no seu site oficial não discrimina o dia de 1966 em que Marco nasceu, o que é compreensível dado que não se pode restringir a um só dia algo de tão magnânimo como a vinda ao Mundo deste Ser). Este acontecimento marcou de forma intensa este país que teve um pouco de dificuldade para lidar com algo tão fenomenal. Uma coisa é ser o epicentro de um Império que domina o Mundo, outra coisa é ser o local que Deus escolheu para mostrar ao Mundo a derradeira prova da sua existência, uma metáfora viva que ultrapassa a própria perfeição, um talento para dançar/coreografar tão intenso que conseguiu ofuscar todos os feitos atingidos pelo Homem até então. O que até aí tinha sido grandioso passou a mediano a partir do momento em que um Marco de Camillis recém nascido presenteou toda a multidão que se juntou nesse dia de 1966 para contemplar o inaudito milagre do seu nascimento, com um pas de deux perfeito. Nada de tão belo tinha sido visto até então e só a grandiosidade dos seus feitos subsequentes permitiu às pessoas relativizar esse pas de deux (que por si só bastaria para colocar o pequeno Marco no Olimpo dos coreógrafos) e encará-lo como um simples "gugu dadá" no percurso conducente à grandeza protagonizado por Marco de Camillis.

Esse mesmo Marco de Camillis que nos escolheu como palco para a sua arte. Foi com ele que nos emocionámos quando trabalhava humilde e afincadamente com o ingrato objectivo de pôr os canastrões da Operação Triunfo a moverem-se com maior ligeireza. Um trabalho ingrato para estes jovens, dado que a obsessão de todo o aprendiz em superar o seu mestre transformava-se no seu caso, num misto de frustração e devoção que se revelava nos momentos em que olhavam embasbacados para os movimentos sublimes de Marco e se resignavam à sua condição de comuns mortais.

Mas foi no momento em que Marco começou a ensinar danças de salão às nossas celebridades que finalmente percebi a dimensão do fenómeno a que me era dado o prazer de assistir todos os Sábados à noite. É com emoção que recordo o cha-cha de Marta Melro, o hip-hop do Girafa, a maneira desenvolta com que aquele rapaz que fazia de Zé Milho nos Morangos com Açúcar se abanou ao ritmo do fox-trot, os movimentos harmoniosos de Nuno Markl a dançar o tango, a coreografia magistral que deu o 8.º lugar (nada mau!) a Sónia Araújo na final europeia do Dança Comigo... Momentos perfeitos que por si só dão sentido a esta vida! Coreografias vindas directamente do céu para serem interpretadas por comuns mortais. E como as danças de salão devem ser praticadas a 2, a única maneira de se tornarem ainda mais gloriosas seria se fossem interpretadas por dois Marcos de Camillis. É óbvio que isto não passa de uma utopia, este Mundo é pequeno e reles demais para merecer a benção de ter dois Marcos de Camillis. Contudo, vêm-me lágrimas aos olhos só de pensar na possibilidade de contemplar dois Marcos a dançarem o tango. Desculpem o ritmo embargado deste manifesto, mas estou a falar de algo que me toca mesmo cá dentro.

O que é que o nosso pequeno Portugal fez para merecer isto? Nada. O que é que o nosso país pode fazer para retribuir a Marco de Camillis tudo o que ele lhe deu? Nada que faça o mínimo de justiça a este Homem.

Eu sei que é ingrato e imagino que a vossa revolta não seja mais pequena do que a minha. Apesar de ser impossível agradecer devidamente a Marco de Camillis, podemos sempre tentar, aplicando na prática tudo aquilo que ele nos ensinou. Podemos não ser perfeitos, podemos não conseguir atingir os nossos objectivos, podemos até ouvir uns berros com sotaque italiano por isso, mas devemos sempre tentar... Tenho a certeza que era isto que Nuno Markl e Carlos Lopes tinham em mente quando subiram ao palco do Dança Comigo para demonstrar uma total inépcia para a dança. Apesar de terem provado o néctar da pedagogia Marco de Camilliana não o conseguiram transformar em nada a que se possa chamar dança. No entanto, como o aprendiz que se pune com vergastadas por não conseguir absorver os ensinamentos do mestre, Carlos Lopes e Nuno Markl subiram ao palco como que a mostrar: "A culpa disto não é do Marco de Camillis, a culpa é minha, que não sou digno de respirar o mesmo ar que este respira, e com isto faço hara-kiri público para gáudio de todos vós que não resistem em soltar gargalhadas, quais flechas assassinas que se cravam no meu coração. Mereço tudo isto e pior! Faço este sacrifício por ti, Marco".

Proponho então uma série de medidas para demonstrar, ainda que de forma bastante simbólica, a nossa gratidão a Marco de Camillis:

O mês em que se celebra o aniversário de Marco de Camillis deverá passar a ser conhecido como Dia de Marco de Camillis e da Nação. Nesse mês decorrerão festividades ininterruptas e cada dia será dedicado a um estilo de dança. TODOS os portugueses deverão participar. Sentado num trono de ouro maciço revestido de diamantes de 200 m de altura e com um sistema de massagens, Marco de Camillis deverá assistir a esta exibição dos portugueses e terá o direito natural de fuzilar todos aqueles que não cumprirem os seus apertados requisitos de qualidade no que diz respeito à perfeição de execução. Todas as pessoas deverão oferecer a Marco de Camillis um presente (mínimo 1000 €). Sendo que nenhum desses presentes pode ser um serviço de louça da Vista Alegre nem, tão pouco, roupa. Marco de Camillis veste-se bem de mais para que escolham roupa por ele. Se estiverem a pensar dar-lhe roupa mais vale darem-lhe um cheque que ele depois escolhe. Os portugueses poderão até juntar-se em família, trocar presentes entre si e organizar festas e jantares em homenagem a Marco. Marco de Camillis será livre de invadir qualquer um destes jantares e a ele deverá ser dado o melhor lugar e a melhor posta de bacalhau se for caso disso. Terá direito de prima nocte sobre todas as mulheres portuguesas e também sobre todos os homens. Poderá fazer amor com quem quiser e a(s) pessoa(s) que for(em) escolhida(s) para tal será(ão) invejada(s) por toda a gente, já que isso será a maior honra a que alguém pode aspirar. Aliás, para alguém fazer amor com Marco de Camillis terá que tirar uma licenciatura e um mestrado para aprender as melhores maneiras de o satisfazer. Não se satisfaz o Mestre do pé para a mão. O feriado, até aqui conhecido como Natal, passará a ser algo equivalente ao Dia dos Finados. Nada deverá ofuscar o Dia de Marco de Camillis e da Nação.

A capital de Portugal até agora conhecida como Lisboa deverá mudar o nome para Camillia, Camilópolis, S. Camiliburgo ou Camiligrado. A cidade do Porto deverá passar a ser conhecida como Nova Roma em homenagem ao local onde Marco de Camillis nasceu e a cidade de Coimbra deverá ser conhecida como Nova Génova, em homenagem ao local onde este perdeu a virgindade, aos 7 anos, com um grupo de 20 mulheres suecas, com quem esteve a fazer amor ininterruptamente durante 5 dias seguidos e que acabaram completamente extenuadas contrastando com um impávido e sereno Marco de Camillis, que estava tão fresco como quando começou, embora menos virgem. As restantes freguesias do país deverão mudar o nome para algo relacionado com Marco de Camillis. Proponho que a minha terra natal, Ovar, mude o nome para Rumba. Se, assim o decidir, Marco de Camillis poderá mudar o nome de Portugal para Reino Unido do Camilistão ou para Portugallo, para se adequar melhor ao seu sotaque.

A população portuguesa deverá ser toda esterilizada, de maneira a que todos os novos portugueses sejam clones de Marco de Camillis.

O penteado e a barba oficial do país serão iguais aos envergados por Marco de Camillis (só aí subiríamos cerca de 87% em sensualidade). Esta regra deverá ser seguida não só pelos homens mas, também, pelas mulheres e Portugal deverá estabelecer um novo Acordo línguistico que permita mudar a fonética das palavras portuguesas de modo a que a maneira correcta de as pronunciar seja com o belo sotaque italiano de Marco de Camillis. Teremos 1 ano para aprender a executar correctamente este sotaque, sob pena de sermos fuzilados. Castigo mais do que justo para quem não compreende que tudo isto é para nosso bem.

Proponho que Portugal pressione diplomaticamente a Suécia (pressão essa que pode ter a forma de invasão militar caso eles não cooperem) de maneira a que a Academia deste país crie um novo Prémio Nobel, o Prémio Nobel da Fixeza (coolness) ou o Prémio Nobel Marco de Camillis, para ser entregue todos os anos a Marco de Camillis pelos seus feitos em prol da Humanidade. Todos os outros Prémios Nobel deverão ser também entregues a Marco de Camillis, a não ser que ele decida oferecer um Prémio Nobel da Química como prenda de aniversário a uma das suas concubinas.

O hino de Portugal deixará de ser cantado e passará a ser apenas coreografado por Marco de Camillis. Nos jogos de futebol e nas paradas militares, assim que começar o hino, cada pessoa deverá procurar um par e começar a dançar o hino. Por respeito à obra de Marco de Camillis, se o número de pessoas em questão for ímpar, a pessoa que sobrar deverá ser fuzilada por não ter interpretado devidamente o hino. Isto levará a que a selecção portuguesa passe a jogar apenas com 10 jogadores, visto que um jogador acabará por ser sempre fuzilado por falta de par. Isto não causará quaisquer problemas, visto que uma equipa constituída por 10 clones do Marco de Camillis poderá derrotar facilmente qualquer equipa do Mundo. Jogará também um futebol muito mais harmonioso.

Se fizerem questão que o hino continue a ser cantado, algo que não deve afectar muito Marco de Camillis visto que a música é uma das suas paixões, não haverá qualquer tipo de problema. Proponho a seguinte letra:

Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis.

Refrão
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis,
Marco de Camillis, Marco de Camillis.

Experimentem aplicar esta letra ao actual hino de português e vejam se não fica bem mais bonito.

Será construída uma estátua de ouro maciço com 10 km de altura no lugar do Mosteiro dos Jerónimos e da Torre de Belém. Será também construída uma ilha artificial no Oceano Atlântico maior do que o território português com a forma da cara do Marco de Camillis. Só assim poderei almejar cumprir o meu sonho de criança, que é morar na ponta do nariz do Marco de Camillis. Pois é, fica aqui esta revelação: desde pequenino que o meu sonho é ser uma catota ou um macaco do nariz, como preferirem, do Marco de Camillis. Desde pequeno que invejo as suas excrescências nasais devido à sua proximidade com este Ser supremo.

Jamais isso acontecerá, a não ser que, tal como espero, alguém me desintegre até ficar do tamanho de um macaco do nariz, me pinte de verde e coloque no nariz do Marco de Camilllis. Enquanto isso não acontecer vou ter que me contentar em habitar o seu nariz na ilha artificial com a forma da sua cara. Nada mau!

No meio de tanta crise e de tanta mediocridade, é sempre bom termos algo a que nos agarrarmos. Marco de Camillis deu-nos isso e tornou-se na pessoa mais importante da vida de cada um de nós. É importante mostrarmos a nossa gratidão, ainda que esta seja insuficiente. É por isso que lutarei até à morte por esta causa.

Avé Marco de Camillis!

P.S. Devo acrescentar que apesar de genial esta ideia não é original. Roubei-a desavergonhada e descaradamente, qual vampiro, de uma conversa que tive com uns amigos.

"É este tipo de conversas que tens com os teus amigos?"

Sim!

segunda-feira, 30 de março de 2009

Summer Space/Time Continuum


Ontem mudou a hora... Acho piada ao conceito de mudança de hora. Estamos habituados a olhar para o espaço/tempo como duas dimensões contínuas, indissociáveis e constantes (até que apareceu Einstein a dizer que isto era tudo relativo... E isto é o máximo que eu consigo dizer sobre a Teoria da Relatividade...).

É engraçado por isso que num dia "mude" a hora... O que é feito dessa hora? Levaram-na para o Jardim Zoológico e deram-na de comer aos hipopótamos?

O que é mais revoltante que isto é que roubam-nos uma hora sem darem qualquer explicação (pelo menos que eu saiba... mas se existe é, de certeza, demasiado rebuscada para um homem do povo como eu perceber) e o que fazemos? Formamos uma mílicia e invadimos o centro da cidade munidos de archotes e cocktails molotov para exigir de volta o que é nosso? Não... Limitamo-nos a acertar ordeiramente os nossos relogiozinhos para garantir que não chegamos atrasados ao trabalho no dia seguinte... Mas o que é isto? Parece que ninguém percebe o impacto deste roubo?

E se era nessa hora que a nossa vida ia mudar? Já vi vidas a mudarem em menos tempo... E se era nesta hora que iriamos encontrar o amor da nossa vida? E se era nesta hora que iamos encontrar o pote cheio de moedas de ouro no fim do arco-iris? E se era nesta hora que a Humanidade ia deixar de lutar e, finalmente, decidir viver em paz? E se era nesta hora que alguém ia descobrir a cura para o cancro?

Nunca saberemos... Roubaram-na e nós não fizemos nada...

Já que se permite esse privilégio ao tempo de mudar de 6 em 6 meses... Porque não fazer o mesmo com o espaço? Aí sim, tinha piada... Todas as pessoas sabiam que, no dia em que a hora mudasse, iam ser desmaterializadas e teletransportadas para outro local completamente diferente... Passávamos a véspera a despedir-nos da nossa vida desses últimos 6 meses e a preparar-nos para uma vida completamente diferente, num espaço diferente e num tempo diferente...

Se fosse usada para o espaço a mesma lógica da mudança da hora que é avançar ou atrasar uma hora andaríamos indefinidamente a recuar e a avançar meridianos... Isto seria estúpido e já que se vai mudar alguma coisa ao menos que seja em grande! Já que vamos ser desmaterializados ao menos que valha a pena... Para quê passar pelo transtorno de uma desmaterialização para ir parar a Huelva?

É por isso que eu defenderia uma mudança radical da dimensão temporal e espacial. Por exemplo, chegando à meia-noite do dia 28 de Março de 2009 passaríamos automaticamente para as 17 horas do dia 16 de Fevereiro de 1982, num local completamente diferente (Tonga, por exemplo)... Teria muito mais piada do que andar aos saltinhos de hora em hora e de meridiano em meridiano.

Seria também uma maneira de distribuir melhor a riqueza no Mundo e de sermos mais tolerantes. Toda a gente saberia, literalmente, o que é estar no lugar do outro. E se não soubessem, seria melhor que se preparassem pois no dia da mudança do tempo/hora poderiam ir lá parar. Por exemplo, num dia podes ser o Bill Gates e, no dia seguinte, estás no Darfur a morrer à fome. Assim, da próxima vez que fores o Bill Gates vais mesmo ter que fazer alguma coisa... Não vás tu no semestre seguinte voltar ao Darfur...

Seria um dia de início e um dia de fim. Uma nova oportunidade de começar tudo de novo, uma libertação, uma dolorosa despedida. Teríamos mais emoção neste evento semestral do que a maioria das pessoas têm numa vida inteira.

Isto é muito estúpido...

terça-feira, 17 de março de 2009

Os Linces da discórdia


Segundo a Igreja Católica espanhola a vida humana está menos protegida do que a vida do lince ibérico. O que é que eu posso dizer perante isto? É verdade! É incrivel a quantidade de linces ibéricos que vemos aí todos os dias. É impossível irmos a um shopping ao domingo sem nos cruzarmos com centenas (milhares?) de linces ibéricos vestidos de fatos de treino, seguidos pelas suas irritantes e asquerosas famílias. A típica filinha de crias ranhosas e histéricas que nos invadem os restaurantes aos berros, impedindo-nos de saborear calmamente o nosso vol au vent. E ai de quem diga alguma coisa aos senhores linces ibéricos? Levam logo com uma rosnadela!

E isto para não falar da quantidade de seres humanos que estão a ficar sem emprego por causa dos linces ibéricos. Senhores empregadores, como é que é possível? Eles nem sequer têm polegar oponível!

E a maneira como os linces ibéricos se comportam no cinema? Sempre a comentar o filme para o lado, muitas vezes a revelarem o fim (porque provavelmente o viram numa cópia pirata, demonstrando uma completa falta de respeito pelos direitos de autor) e a mastigar ruidosamente as suas pipocas, impedindo todos os civilizados humanos de verem os seus filmes sossegados. Filmes esses realizados por humanos... Nunca vi nenhum lince ibérico a dar cartas na cultura... Isto porque provavelmente são inferiores a nós geneticamente (ops! Polémico demais... Felizmente tenho a igreja católica espanhola do meu lado!).

Fico chocado com a quantidade de linces ibéricos que andam a viver à custa dos nossos impostos. Um ser humano passa a vida a trabalhar e a dar no duro, para sustentar a sua família e para poder dar condições dignas aos seus filhos enquanto um lince ibérico prefere viver de subsídios que, invariavelmente, estoura no alcóol, enquanto o número de filhos aumenta proporcionalmente com o valor do cheque da Segurança Social.

Andamos a sustentar toda uma geração de linces ibéricos, convencidos que é obrigação dos humanos dar-lhes dinheiro, casa e comida. E qual é a paga? As crias deles crescem, para bater nos nossos filhos na escola e para lhes roubar o dinheirito que nós lhes damos para comprarem um croissant no intervalo. Isto é muito grave... Os linces ibéricos andam a roubar os croissants dos nossos filhos!

Felizmente existe a Igreja católica espanhola para nos alertar para estas coisas... Não sei o que faria sem a Igreja católica espanhola. Sinto-me tão em dívida para com eles que vou começar a ir à missa a Badajoz. A partir de hoje, as minhas esmolas vão todas directamente para a Igreja católica espanhola, Ao contrário da Igreja católica portuguesa que anda mais preocupada em proteger as nossas jovens dos muçulmanos, a Igreja Católica espanhola levanta problemáticas bem mais actuais e ancoradas na nossa realidade: o dano que os linces ibéricos estão a fazer à nossa sociedade já é quase irreparável, se não agirmos cedo não sei o que poderá acontecer...

Continuam cépticos? Vejam lá o que aconteceu ao meu amigo Serafim. A sua filha, de apenas 16 anos, e em quem o Serafim investiu muita esperança e dinheiro em colégios internos, num belo dia resolveu aparecer em casa grávida de um lince ibérico. Vocês não imaginam o drama! Ele bem tentou que ela abortasse, mas todos sabemos como a sociedade protege a vida do lince ibérico e entre burocracia e ameaças de prisão não o conseguiu fazer. Hoje tem um bebé híbrido em casa, meio homem, meio lince ibérico, o pai pirou-se e não paga a pensão alimentar e a miúda, a quem se augurava um grande futuro, tem a vida destruída. Escusado será dizer que não tem muitas expectativas em relação ao puto, o Wolverine, que é tão fácil de aturar como uma gata que está todos os dias com o cio... Raro é o dia em que ele não chega todo arranhado ao trabalho...

É preciso fazer alguma coisa! Não é que eu seja racista... Até já conheci linces ibéricos impecáveis... O meu jardineiro é um lince ibérico e não tenho nada a dizer, inclusivamente é o primeiro a sentir-se mal com a imagem que os seus camaradas deixam. É o primeiro a controlar o ronron para ninguém perceber que ele é um lince ibérico, apesar de aquele bigode não enganar ninguém...

No tempo do Salazar até dava gosto andar pelas ruas de Portugal, todas bonitinhas, todas arranjadinhas, flores nas varandas... Agora, desde esta invasão de linces ibéricos, está tudo destruído. As paredes cheias de marcas de unhas (queria vê-los a afiar as unhas nas paredes das casas deles), os semáforos cheios de linces ibéricos a quererem limpar-nos o pára-brisas (não só fazem um mau serviço como ainda nos arranham os vidros), a impossibilidade de andar à vontade na rua sem o medo de ser atacado a qualquer momento por um lince ibérico (já não saio de casa sem a minha pistola de tranquilizantes)...

Enfim, se têm algum respeito pela vida humana, apoiem a Igreja católica espanhola nesta iniciativa. Eles que já tinham acertado na mouche com aquilo da Inquisição. Eles que não têm medo de pôr o dedo na ferida. Essa ferida grande, maligna, viscosa e nauseabunda que é o lince ibérico.

segunda-feira, 16 de março de 2009

Kurt Cobain


Sabem aqueles dias em que estão mesmo, mesmo, mesmo a pensar em cometer o suicídio? Se isto vos passar pela cabeça é muito pouco provável que não cheguem ao dia seguinte...

É que, normalmente, o suicídio implica a morte. São duas coisas indissociáveis, como os pacotes de cereais e os brindes, como uma testemunha de Jeová e outra testemunha de Jeová, como Mirandela e alheiras, como a religião e o inconformismo com a fragilidade da vida, como o choro desalmado e o filme ET, como brilhantina e o cabelo do John Travolta nos anos 80... Não pensem que se suicidam e que a vida continua.

Compreendo que o suicídio possa ser um óptimo programa de sábado à noite, melhor até do que muitas discotecas e com um consumo mínimo obrigatório bem mais baixo, mas não o cometam sem pensar nas consequências. E a principal é o fim da vida. Tem um lado positivo, não há qualquer tipo de ressaca, fica logo ali. E tendo em conta este aspecto, poderia permitir um domingo mais calminho do que aquele último em que passaram o dia a vomitar e a agonizar de dores de cabeça e a beber guronsan ao mesmo ritmo a que um economista falha previsões... Poderiam passar uma excelente e calminha manhã de domingo... Se estivessem vivos, claro... O que é incompativel com o acto de mandar um tiro na cabeça na véspera...

Há outras maneiras divertidas de passar os sábados à noite e que não implicam a nossa própria morte... Crochet... Ler o D. Quixote em falsete... São só sugestões...

"Vou suicidar-me para não ter que me preocupar mais com os meus problemas"

Sim, senhor, muito bonito. De que serve não teres que te preocupar com os teus problemas se não vais poder desfrutar da libertadora sensação de os teres resolvido por estares morto? Sim, não vais ter que te preocupar com os teus problemas (aquela traição da namorada foi, realmente, muito chata, devo admitir), mas de que é que isso vale? É que nem sequer é uma libertação do tipo: "Yupi! Estou livre!" é uma libertação do tipo: (vazio) (imaginem que neste momento estou a imitar um Mimo a pairar no vazio). É o nada. Vais trocar uma mão cheia de problemas por uma mão cheia de nada...

Digo-te uma coisa, se me dessem uma mão cheia de nada, ponderava seriamente o suicídio...

Deixo-vos aqui este vídeo com esta parelha improvável:



Adoro quando o Ricky Gervais acusa o Elmo (ou Telmo, em português) de não abdicar dos honorários... Ou quando lhe pergunta se ele sabe o que é necrofilia. Ou quando o pequeno Elmo pergunta à entrevistadora quando é que esta perdeu o controlo.

Vejam também o episódio do Daily Show, em que o Jon Stewart entrevista um tal de Jim Cramer. Este Jim Cramer é o apresentador de um programa de economia na MSNBC e foi um dos alvos das investidas de Jon Stewart contra os jornalistas da área de Economia que, segundo ele, foram coniventes com todos os esquemas perversos que levaram a esta crise. Ele tem razão em tudo o que diz e subscrevo inteiramente as críticas que ele faz a estes lambe-botas. Em vez de informarem as pessoas preferiram dar graxa aos CEO's, quando sabiam perfeitamente tudo o que se estava a passar... Infelizmente este é só um dos casos em que os media abdicam da sua responsabilidade social.

Aqui explica tudo o que se passou e algumas das reacções...

Quanto ao programa, podem vê-lo no site da Comedy Central que disponibiliza todos os episódios completos do Daily Show e do Colbert Report.

Será que é um humorista que vai salvar o Mundo?

segunda-feira, 9 de março de 2009

Wham Bam Thank You Ma'am




- Sabes qual é o melhor andar de um prédio para se atirar um gato?

- Não faço ideia... Prefiro atirar gatos de precipícios... Não tenho a noção, em termos de andares, a que é que a altura dos precípicios de onde atiro gatos corresponde...

- Tu és doentio! Porque é que fazes isso?

- Não sei... Talvez pela adrenalina...

- Pela adrenalina? Tu ficas sossegadinho no cimo do precípico a ver os pobres dos gatos a cair... Que emoção é que isso te dá? De que raio de adrenalina é que estás a falar?

- Não é por mim... É pelos gatos... Eles é que me pedem... No outro dia, estava a conversar com um gato sobre o "Ulisses" do James Joyce...

- Sobre o "Ulisses" do James Joyce? Mas tu nunca leste o "Ulisses" do James Joyce!

- Pois não! E o gato também não... Estávamos a comentar o quão erudito alguém tem que ser para ler o "Ulisses" de James Joyce. É uma obra muito densa... E relata apenas 24 horas do dia de um tipo chamado Leopold Bloom... O dia 16 de Junho... E foi quando ele me pediu para eu o atirar do precipício...

- Ele pediu-te? Porque é que não se atirou ele próprio?

- Aí é que está a questão... Os gatos sabem que têm 7 vidas mas, entre eles, é muito mal visto alguém andar a desperdiçar vidas. Ao que parece encaram a vida como algo que não deve ser desperdiçado... Manias de gatos... Então pedem aos humanos para fazerem isso por eles. Como vês, não é por mal que eu atiro gatos de precípicios....

- Estou a ver... És então uma espécie de mercado negro dos gatos... Eles não podem desperdiçar vidas então tu ofereces-te para lhes tirar...

- Mediante pagamento...

- Mediante pagamento? Como é que eles te pagam? Dinheiro? Comida?

- Nada de especial... Deixam-me ficar a ouvi-los ronronar... Tu sabes que eu adoro o ronronar dos gatos... Com isto, já começo a ser conhecido no Mundo dos gatos... "Criador de emoções" é o que me chamam...

- É incrivel a maneira como conseguiste transformar, de um momento para o outro, uma crueldade num belo acto de altruísmo...

- Sempre tive esse dom...

- De facto... Uma verdade inquestionável... Estava eu a perguntar-te, sabes qual é o melhor andar de um prédio para se atirar um gato?

- Não...

- Qualquer andar acima do sétimo!

- Estás a dizer-me que atirar um gato do 8.º andar e outro gato do 44.º andar é exactamente a mesma coisa?

- Sim... Os gatos têm uma velocidade terminal não fatal, entre os 60 e os 100 km/h. Quando abrandam conseguem orientar-se, esticar-se e cair em pára-quedas, como um esquilo... É praticamente indiferente a altura de que caem, desde que tenham tempo para desencadear este dispositivo de segurança...

- O que é isso de velocidade terminal?

- É o ponto no qual o peso de um corpo se equilibra com a resistência do ar e pára de acelerar... Nos humanos é de cerca de 195 km/h...

- O que é irónico é que eles podem magoar-se mais se cairem de uma altura menor do que alturas menores...

- É irónico, realmente... É porque não têm tempo de abrir o pára-quedas...

- "Abrir o pára-quedas"... O teu sentido de humor sempre foi admirável! Desde pequeno que és a única pessoa que me faz rir com vontade... Lembras-te quando tínhasmos 10 anos e fomos ao Zoomarine?

- Claro que me lembro! Que dia inesquecivel...

- Nunca mais me esqueci daquela piada que mandaste quando viste a arara a andar de bicicleta... Assim que ela apareceu tu disseste: "Olha! Lá vai o Vitor Gamito com a camisola amarela...". E a arara era, de facto, amarela e bastante parecida com o Vitor Gamito... Ainda hoje me rio só de pensar nisso... Foi a piada perfeita...

- Puto, são momentos destes por que vale a pena viver... Sempre fui um criador desses momentos embora, paradoxalmente, sinta falta deles na minha própria vida...

- Desde quando é que me chamas "puto"? Pareces um beto de Cascais... Não me chames mais isso, ouviste?

- OK! Foi sem querer... Desculpas-me!

- Claro!

- Sabes o que é um dodó?

- Sei... Era uma ave, encontrada pelos portugueses nas Ilhas Maurícias, que se extinguiu graças à rápida destruição do seu habitat... O nome dodó vem de "doudo" devido ao seu aspecto desengonçado e ao facto de não demonstrarem medo dos humanos... Parecem bichos bem interessantes... Gostava de ter um dodó...

- Não podes... Está extinto...

- Isso ainda me dá mais vontade de ter um dodó...

- Infelizmente não podemos ter tudo aquilo que queremos... Eu também gostava de ter uma girafa, mas a minha garagem não é suficientemente alta...

- Eras capaz de pôr um animal selvagem como uma girafa a viver na tua garagem...

- Não! A garagem era só para ela dormir e para ninguém a roubar durante a noite... Durante o dia deixava-a à solta!

- Mas tu vives no centro da cidade...

- E?

- Achas viável ter uma girafa à solta no centro da cidade? No meio dos carros, dos transeuntes, da azáfama e da decadência típica da cidade onde vives... Sujeita a embarrar com o pescoço num fio de alta tensão e a morrer electrocutada...

- Elas são um animal simpático e bastante inteligente... De certeza que se ia desenrascar bem... Ao contrário do teu papa-formigas...

- O meu Joaquim não é para aqui chamado! O problema foi o timing em que eu o adquiri... Porque é que eu o comprei precisamente na altura em que a minha mãe ganhou num sorteio um fornecimento vitalício de insecticida? Ninguém precisa de um papa-formigas quando tem um fornecimento vitalício de insecticida... E acho que essa é a principal razão pela qual ele morreu à fome... Como é que ias alimentar a tua girafa?

- É fácil! Fazia um elevador e aplicava-lhe uma gamela gigante, ajustável à altura do pescoço da girafa...

- Bem pensado! Agora que penso melhor essa tua ideia de ter uma girafa não é tão má quanto isso... É um animal bem giro, a girafa... Sabes que gosto de ti, não sabes?

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

2009: não te ponhas a pau que eu não quero...


10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1... 0!

Já posso? Então aqui vai.

Se eu pudesse, pegava no ano de 2008, barrava-o de Tulicreme e atirava-o para um ninho de formigas assassinas, enquanto o pontapeava nos zeros (2008), principalmente no da direita que é o mais sensível. Esperava que as formigas, as vespas e as ratazanas, que entretanto chegariam ao local, fizessem o seu trabalho com o Tulicreme e com as zonas mais sensíveis do corpo de 2008, nomeadamente as verilhas e aquela parte atrás dos joelhos, só para dar dois exemplos, pegava nele, prendia-lhe um gancho à parte de cima da cabeça, amarrava uma ponta de uma corda ao gancho e a outra ponta ao pescoço de uma avestruz. A seguir, pedia a um amigo meu que é um Índio Sioux (o Arranca Tampas na Madrugada) para, com um x-acto, cortar, bem cortadinho pelo picotado, o escalpe a 2008 e mandava um pontapé à avestruz. Enquanto esta pitoresca ave corria às voltas com a tampa de 2008, despejava duas garrafas de vodka no crânio desprotegido do maldito ano em que se realizaram os Jogos Olímpicos de Pequim e deitava fogo. Encostava-me a uma árvore, a saborear o restinho da garrafa de vodka, a apreciar a agonia e o desespero do maldito ano que vem logo a seguir a 2007. Há coisas pelas quais vale a pena viver...

Para descansar um bocadinho, colocava este ano que passou numa sala de privação sensorial, toda branca com paredes almofadadas. Amarrava-o a uma cadeira e colocava uma televisão à sua frente. Aí, o ano em que foi eleito o Primeiro Presidente Negro dos EUA, seria obrigado a assistir, durante 24 horas por dia, durante 6 meses, a um talk show em que a Maya, o Cláudio Ramos, o Fernando Mendes, o Manuel Luís Goucha e o Miguel Sousa Tavares discutem pesca, curling e a vida romântica do Cristiano Ronaldo, com banda sonora de André Sardet e com um cenário com a imagem de Jorge Nuno Pinto da Costa todo nu, a ver-se tudo e, colocado de maneira a que, em cada close up do Cláudio Ramos se consiga ver com muito, e quando digo muito é mesmo muito, detalhe as partes íntimas do Presidente do FCP. Tanto quanto é possível descortiná-las, obviamente. O José Castelo Branco podia ir aparecendo de vez em quando para fazer um strip e para rezar o terço (intercaladamente ou simultaneamente) para desenjoar um bocadinho.

Depois de tudo isto, vestia o ano de 2008 de Bob Marley, com pintura e tudo, e mandava-o para um comício do PNR. Deixava os carecas fazerem o seu trabalhinho e, para finalizar, arranjava um caixão revestido a pregos e enterrava o ano de 2008 vivo.

"Ah, então vais deixá-lo morrer assim. Coitado, não se deve enterrar ninguém vivo... Já devias saber isso!". É verdade. Eu sei. Têm toda a razão. Ele não mereceria o acto de misericórdia de o deixar morrer. Arranjava maneira de este ter sempre o mínimo de oxigénio e alimentava-o por via intravenosa. Deixava-o estar lá um ano. Assim, enterrado vivo, na escuridão, sem se mexer e em contacto permanente com aguçados pregos. É coisa para doer. Depois deixava-o ir embora e dizia-lhe:

- É para aprenderes! Nunca mais te metas comigo!

2009, considera isto um aviso. Eu sei que ainda mal começaste e que ainda muita coisa pode acontecer. Se te portas mal, é isto que te faço... No mínimo...



Um pouco doentia e macabra, esta descrição. Concordo. Mas fez-me bem vingar-me deste malfadado ano, que correu mal do primeiro ao último segundo.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Diálogo de solitária

- De onde vem a vida? - perguntei eu a mim mesmo.
- Muito boa pergunta! - acabei por dizer à minha pessoa - Mas não sei responder a isso, caro amigo... É que se soubesse não perguntava...
- Eu tenho essa mania de fazer perguntas complicadas.
- Pois... És um malandreco. - repliquei eu.
- Como é que sabes? Nem sequer me conheces... - respondi eu ao meu interlocutor, eu próprio.

- Será que se saísse daqui as coisas melhoravam? - voltei a perguntar-me.
- Talvez... Mas não saias... - respondi-me.
- Então e porquê? - inquiri-me, não escondendo um ar intrigado.
- É que eu não quero ficar sozinho.

sábado, 10 de maio de 2008

A incrível saga de Celestino das moedas


O Celestino tinha uma loja da qual era único cliente. Todos os dias se levantava às 7 e 30 para trabalhar e procurava estar sempre bem arranjado e bem disposto para a sua clientela.

O Celestino vendia toda uma variedade de produtos que podem ser catalogados numa categoria: moedas de 5 cêntimos. O cliente chegava à loja com uma moeda de 5 cêntimos e comprava outra moeda de 5 cêntimos, quantas mais moedas de 5 cêntimos tivesse mais moedas de 5 cêntimos poderia comprar. Seguidamente Celestino vendia as moedas de 5 cêntimos que recebia a outra loja especializada em moedas de 5 cêntimos da qual também era proprietário. Tendo em conta o seu negócio seria de esperar que Celestino fosse o maior coleccionador de moedas de 5 cêntimos do Mundo, mas apenas possuía 3. A que ia usar como cliente, a que vendia na primeira loja e a que vendia na segunda loja.

O negócio corria-lhe de feição e já pensava num franchising, abrir mais meia dúzia de lojas até concretizar o seu objectivo de ter uma loja em cada capital de Distrito, incluindo Bragança. A sua utopia era chegar, um dia, às Honduras, o sítio no Mundo onde há uma maior procura de moedas de 5 cêntimos. No entanto, estragaram-lhe o esquema. Alguém abriu uma loja de 10 cêntimos. O coração de Celestino ficou destroçado, pela infelicidade de o seu negócio estar em risco e por um enfarte do miocárdio que o obrigou a 3 meses de internamento.

De facto, a loja de 10 cêntimos roubou toda a clientela de Celestino visto que esta não só trocava moedas de 10 cêntimos (mais douradas, vistosas e saborosas quando acompanhadas de um bom vinho tinto) como trocava moedas de 5 cêntimos, desde que juntas somassem os 10 cêntimos necessários para a loja aceitar fazer o negócio com o cliente em questão.

- Mas o que vou fazer agora? A minha vida está destroçada e está um péssimo tempo para a prática do Windsurf… - disse Celestino ao seu cão Jovalocskymsklov, que apesar de não ter respondido, deu a entender através do seu olhar e da sua irónica gargalhada que, para ele, o sentido metafísico da questão anulava toda as hipóteses viáveis de executar devidamente um salto mortal encarpado de uma falésia na praia de Peniche.

Celestino lembrou-se então que poderia processar o dono da loja de 10 cêntimos por se ter aproveitado de uma ideia que era sua, sem sequer se ter dado ao trabalho de lhe oferecer uma singela pancadinha no rabo. Recorreu então a um advogado, de seu nome Leonel Rascolnicão, que era conhecido por usar peruca em tribunal, por ter mandado um coice a um juiz quando este lhe pediu para, por favor, parar de lhe chupar o dedo grande do pé e por beber mais absinto que Fernando Pessoa nos seus dias bons. Dirigiu-se ao seu escritório que ficava logo ao dobrar da esquina, o que, devido a esta ainda não estar dobrada, lhe demorou cerca de 10 horas a fazer com a ajuda de 10 elefantes de carga.

Ao entrar no escritório de Leonel Rascolnicão, Celestino ficou agradavelmente surpreendido com a arrumação deste visto que tudo o que eram papéis e processos estavam organizados apenas numa única pilha, o que fazia com que apresentasse ligeiras semelhanças com o Empire State Building num dia de tempestade. No entanto, ao bater a porta Celestino fez ruir toda aquela pilha de documentos, o que levou a que tivessem que ser desencarcerados por cinco corporações de bombeiros voluntários de terras começadas pela letra V.

Foi só depois do desencarceramento e de 5 semanas de recobro num Spa de luxo em Estarreja que Celestino finalmente conseguiu reunir-se com o seu advogado.

- Boa tarde, senhor Dr.! – cumprimentou Celestino o seu advogado antes de levar com um ferro de engomar ligado no meio da cara.

- Isto é por ter derrubado a minha pilha de documentos! Agora vou ter que recomeçar tudo de novo, são 15 anos de trabalho!

- Sim, senhor. É merecido… - disse Celestino em falsete enquanto descolava o ferro da sua cara que parecia estar a derreter-se como cera de uma vela.

- Diga então o que é que o traz aqui, minha querida. – perguntou o advogado num tom mais simpático, sorrindo face aos esforços de Celestino que procurava retirar o ferro da sua cara sem danificar demasiado os seus belos e volumosos lábios.

- Eu queria processar uma loja…

- A IKEA? Esses bandidos venderam-me um armário de 20 euros e, neste momento, o orçamento da empresa de construção civil que contratei para o montarem já derrapou para os 100 milhões de euros! É uma vergonha, até porque queria construir um aeroporto no meu quintal e já não o vou poder fazer, vou ter que me limitar ao TGV entre a porta da minha cozinha e a latrina.

- Compreendo perfeitamente mas para já não quero processar a IKEA, quero processar a loja dos 10 cêntimos… não sei se ouviu falar…

- Claro que sim… Fiz lá um óptimo negócio no outro dia em que com 3 moedas de 2 cêntimos e 4 moedas de 1 cêntimo consegui uma moeda de 10 cêntimos… Fui todo contente para casa e obriguei a minha mulher a matar um cabrito para cozinhar ao jantar! Não é todos os dias que se fazem negócios destes! Pena foi que afinal aquilo não era um cabrito e levei uma carga de porrada de uma idosa, que era dona do caniche e que me deixou com este defeito na fala, que me impede de pronunciar correctamente o “h” mudo. Mas quer processá-los porquê?

- Porque roubaram-me a ideia.

- Isto está ganho, só tem que se deslocar à polícia para confessar o homicídio daquelas duas prostitutas e respectivas ovelhas em Ermesinde no ano passado…

- Mas eu nunca estive em Ermesinde…

- Não faz mal… É imprescindível fazê-lo se quiser ganhar o caso… As autoridades são muito mais tolerantes para quem confessa os crimes… Depois disso a questão da loja está no papo…

- OK! Sendo assim, vou fazê-lo… Sabe que tipo de pijama é que é mais aconselhável na prisão?

- Os meus clientes costumam preferir de flanela, mas não se esqueça da abertura para o rabo…

- Claro que não!

E foi assim que Celestino foi parar à prisão, onde tem um legítimo negócio de troca de peúgas, do qual é o único cliente…

Basta! Não me apetece continuar mais este disparate! Se quiserem continuem a saga de Celestino das moedas… Eu desisto!