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segunda-feira, 16 de março de 2009

Kurt Cobain


Sabem aqueles dias em que estão mesmo, mesmo, mesmo a pensar em cometer o suicídio? Se isto vos passar pela cabeça é muito pouco provável que não cheguem ao dia seguinte...

É que, normalmente, o suicídio implica a morte. São duas coisas indissociáveis, como os pacotes de cereais e os brindes, como uma testemunha de Jeová e outra testemunha de Jeová, como Mirandela e alheiras, como a religião e o inconformismo com a fragilidade da vida, como o choro desalmado e o filme ET, como brilhantina e o cabelo do John Travolta nos anos 80... Não pensem que se suicidam e que a vida continua.

Compreendo que o suicídio possa ser um óptimo programa de sábado à noite, melhor até do que muitas discotecas e com um consumo mínimo obrigatório bem mais baixo, mas não o cometam sem pensar nas consequências. E a principal é o fim da vida. Tem um lado positivo, não há qualquer tipo de ressaca, fica logo ali. E tendo em conta este aspecto, poderia permitir um domingo mais calminho do que aquele último em que passaram o dia a vomitar e a agonizar de dores de cabeça e a beber guronsan ao mesmo ritmo a que um economista falha previsões... Poderiam passar uma excelente e calminha manhã de domingo... Se estivessem vivos, claro... O que é incompativel com o acto de mandar um tiro na cabeça na véspera...

Há outras maneiras divertidas de passar os sábados à noite e que não implicam a nossa própria morte... Crochet... Ler o D. Quixote em falsete... São só sugestões...

"Vou suicidar-me para não ter que me preocupar mais com os meus problemas"

Sim, senhor, muito bonito. De que serve não teres que te preocupar com os teus problemas se não vais poder desfrutar da libertadora sensação de os teres resolvido por estares morto? Sim, não vais ter que te preocupar com os teus problemas (aquela traição da namorada foi, realmente, muito chata, devo admitir), mas de que é que isso vale? É que nem sequer é uma libertação do tipo: "Yupi! Estou livre!" é uma libertação do tipo: (vazio) (imaginem que neste momento estou a imitar um Mimo a pairar no vazio). É o nada. Vais trocar uma mão cheia de problemas por uma mão cheia de nada...

Digo-te uma coisa, se me dessem uma mão cheia de nada, ponderava seriamente o suicídio...

Deixo-vos aqui este vídeo com esta parelha improvável:



Adoro quando o Ricky Gervais acusa o Elmo (ou Telmo, em português) de não abdicar dos honorários... Ou quando lhe pergunta se ele sabe o que é necrofilia. Ou quando o pequeno Elmo pergunta à entrevistadora quando é que esta perdeu o controlo.

Vejam também o episódio do Daily Show, em que o Jon Stewart entrevista um tal de Jim Cramer. Este Jim Cramer é o apresentador de um programa de economia na MSNBC e foi um dos alvos das investidas de Jon Stewart contra os jornalistas da área de Economia que, segundo ele, foram coniventes com todos os esquemas perversos que levaram a esta crise. Ele tem razão em tudo o que diz e subscrevo inteiramente as críticas que ele faz a estes lambe-botas. Em vez de informarem as pessoas preferiram dar graxa aos CEO's, quando sabiam perfeitamente tudo o que se estava a passar... Infelizmente este é só um dos casos em que os media abdicam da sua responsabilidade social.

Aqui explica tudo o que se passou e algumas das reacções...

Quanto ao programa, podem vê-lo no site da Comedy Central que disponibiliza todos os episódios completos do Daily Show e do Colbert Report.

Será que é um humorista que vai salvar o Mundo?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Algo vai mal no murroalho!


Isto do Mundo está a funcionar muito mal. No outro dia ouvi uma voz que me disse o seguinte:

- Vai reunir um casal de cada espécie de animais existentes na Terra, constrói uma arca de madeira e espera que chova… Vá! Andor!

Não sei o que isto quer dizer mas, obviamente, fiz ouvidos de mercador Até porque nessa altura estava a discutir a obra de Nietzsche com o meu amigo Saul (sim, vocês conhecem-no, o pequeno Saúl, do "bacalhau quer alho"… Hoje em dia é um nihilista convicto depois de descobrir que o animismo do qual era adepto e que o fazia acreditar que o bacalhau tinha vontade própria ao ponto de querer literalmente alho era só uma grande partida que lhe pregavam para o obrigar a vestir-se de Quim Barreiros… Só uma partida como estas pode levar alguém a vestir-se de Quim Barreiros de livre vontade… Isto é válido para o próprio Quim Barreiros…).

Embalado pelo tom da conversa respondi à voz:

- Tu não és Deus! Deus morreu!

- Morri? Então não estou aqui a falar contigo?

- Quem é que me diz que o facto de eu estar a ouvir a Sua voz não são alucinações devidas à feijoada à transmontana que comi ao almoço, que tão mal me caiu?

- Não é não… Queres ver?

BAM! Pulverizou o pequeno Saúl com um raio… Mesmo à minha frente…

- Eh lá! Grande truque… Mas, obviamente, não chega… - disse eu – Eu sempre avisei o Saúl que não devia sair à rua com tanto metal, mas ele sempre fez questão de andar vestido como o Homem de Lata do Feiticeiro de Oz… Dizia-lhe: "Saul, não saias à rua com tanto metal que ainda vais ser pulverizado por um raio…". Ele não me ligava. Preferia usufruir dos benefícios que essa indumentária lhe trazia junto do sexo feminino. Agora não sei que lhe faça, está ali pulverizado…

- Sérgio, não sei o que queres que te faça mais… Peço-te por favor! Anda lá, constrói a arca…

- Primeiro, quem é o Sérgio? Depois quem és Tu para me dares ordens?

- Sérgio és tu…

- Ah, pois sou… E a segunda pergunta?

- Sou Deus…

- Isso não chega… Boa tarde e passe bem…

- OK! Já que não me podes ajudar vou ali falar com o Fernando Ribeiro dos Moonspell.

- Força! Acho que não podes escolher melhor profeta…

Pela minha experiência, entre Deus e um operador de Telemarketing não há qualquer diferença. É preciso mandá-los calar 1500 vezes antes que eles nos deixam em paz. Ao menos os operadores de telemarketing ainda têm coisas interessantes para nos oferecer como o Canal Benfica, instalações grátis da Meo ou telefone + TV + internet por 49,99 €. Se o melhor que Deus pode fazer por nós é mandar-nos atrás de animais e construir uma arca gigante bem que pode começar a dizer adeus à sua profissão. Não me parece que é assim que ele vai chamar pessoas à boa e velha Igreja… É que o ópio do povo já não é o que era, pelo menos comparado com a televisão.

No entanto, se há lição que podemos retirar deste acto divino, chamemos-lhe assim, é que isto só lá vai com um dilúvio. É que isto do Mundo está a funcionar mesmo muito, muito mal… É que eu nem sei se lhe hei-de chamar Mundo, é que chamar Mundo a este Mundo é, tendo em conta as diferenças existentes, uma injustiça para com o Mundo de há uns tempos atrás. Como tal, vou passar a referir-me a este Mundo como murroalho. É um nome bem mais apropriado ao sítio onde hoje vivemos. E, já agora, isto do Murroalho está a funcionar muito mal!

Todos os dias acordamos neste Murroalho que Deus nos deu e ficamos a pensar: o que raio vai ser de nós? É o aquecimento global, é o crime, é a corrupção, é a falta de respeito para com os direitos humanos básicos da esmagadora maioria da população mundial, é o Sr. Capitalismo que sempre nos garantiu acesso incondicional a bens supérfluos e a gasolina no carro que está a dar o badagaio, sou eu que estou para aqui a escrever isto em vez de fazer qualquer coisa de útil para a sociedade… Eu sei lá… Mais valia começar isto de novo. É que não estou a ver solução nenhuma para o murroalho…

É possível começar de novo? Ou isto do murroalho é um daqueles erros irreversíveis?

O que é que fazemos ao Murroalho? Não sei... Talvez, mandá-lo pró...

(tocam as tarolas e eis que chegámos ao clímax de um texto sem sentido)

P.S. Sou só eu que penso que o verdadeiro Manoel de Oliveira foi trocado aos 50 anos por um Manoel de Oliveira supelente de 20 anos e assim sucessivamente até ao ponto em que o Manoel de Oliveira que supostamente vai fazer 100 anos amanhã é um jovem de 50? Ou isso ou ele é filho de uma tartaruga, o que, a ver pelo ritmo dos seus filmes, é bem provável... É que o homem está bem conservado demais para ser verdadeiro...

Agora a sério, é emocionante ver uma pessoa daquela idade com tanta lucidez e tanto dinamismo... Algo me diz que ainda vai fazer filmes durante muito tempo...