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sábado, 31 de janeiro de 2009

Quem foi o responsável pelo casting?



Eu tinha avisado que isto era estúpido...

O quê? Fazer uma mini-série centrada nas aventuras sexuais do nosso ditador seminarista e homossexual latente em potência?

Sim, também...

Escolher o Diogo Morgado para fazer o papel do nosso ditadorzeco?

Sim... Vamos ver o que isto de aplicar a fórmula "O Crime do Padre Amaro" ao Estado Novo dá...

Muitos podem pensar que esta atitude da minha parte é só ressabianço por não terem escolhido o Luís Aleluia (Tonecas) para o papel do Salazar. Admito que não gostei disso e que ainda dói cá dentro... Mas a questão não é essa! Só a ideia de imaginar o Salazar/Diogo Morgado enrolado com a Soraia Chaves dá-me uma volta ao estômago... A minha única consolação é que o próprio tirano das botas, ao ver-se enrolado com a Soraia Chaves, teria um enfarte do miocárdio (não sem antes se benzer três vezes).

É nestas alturas que eu gostava de acreditar na vida depois da morte. Se eu acreditasse que o Salazar estava a ver esta série lá de baixo do Inferno como forma de tortura até eu ficaria agarrado ao televisor... Pathos...

A ver pelo crescente sucesso televisivo que o Salazar tem tido ultimamente se, depois disto, o Diogo Morgado se candidatar a qualquer cargo político é bem capaz de conseguir... Basta fazer a voz de velha do Salazar e é vitória garantida. Se o nosso primeiro-ministro foi considerado o 6.º mais charmoso do Mundo, imaginem o que não seria se o Diogo Morgado fosse eleito Presidente da República... A nossa política ganharia todo um novo fôlego: "Somos incompetentes, corruptos e prepotentes... mas giros que nos fartamos...". Acho que é disto mesmo que a nossa política precisa...

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

As maravilhas da tecnologia


Olá a todos! Estão a ouvir-me aí no fundo? Sim? OK! Só pedia aos da frente para não cochicharem tanto porque isso vai incomodar o pessoal que está lá atrás e vai-me obrigar a falar mais alto do que o que devia e eu não posso gastar muito a voz... Num dia normal não me importaria de gastar a voz. Mas hoje é um dia especial porque vou participar no Campeonato Nacional de Canto Tirolês... Eu e o José Figueiras. Apareçam! Vamos estar com uns daqueles calções com suspensórios, com um daqueles chapéus da Baviera e, no meu caso particular, com um daqueles óculos com nariz e bigode incorporados, não vá alguém conhecer-me... Já foi suficientemente incomodativo para a minha família quando descobriram que eu era um heterossexual, que de vez em quando bebia Coca Cola e que já tinha experimentado cerveja... Nunca mais entrei na igreja de cabeça erguida...

No outro dia fiquei surpreendido quando, ao abrir a revista Maria...

Lá estão vocês! Só porque só lêem de Proust e de Foucault para cima um homem não pode ler a revista Maria? Já não posso acompanhar as peripécias do Artur Albarran à vontade, sem ouvir as vossas boquinhas... Deixem-se disso, por favor!

Onde é que eu ia? Abri a revista Maria e qual não é o meu espanto quando, numa das páginas publicitárias reservada a anúncios para débeis mentais, encontrei uma invenção fantástica: um teste de gravidez por SMS. Ainda pensei que tivéssemos que colocar um pouco de urina no telemóvel, mas não, basta mandar uma mensagem para um número de 4 dígitos e está feito (conclusão: enchi o telemóvel de urina escusadamente).

Mandei uma mensagem e confirmei que não estava grávido. Foi um alívio!

(Agora a sério, fiquei depois a pensar se o público alvo de uma iniciativa destas eram os parvos como eu, que abrem de vez em quando a revista Maria... E não mandei a mensagem, obviamente, mas pensei nisso...)

Não pude deixar de imaginar um casal adolescente, o Quinzinho e a Marlene, nervosos à espera de uma mensagem que não confirmasse os seus temores de uma gravidez acidental... O alívio de receberem uma mensagem a dizer "Você não está grávida, tente de novo!" ou lá o que é que eles respondem a quem recorre aos seus serviços e 9 meses de crescimento ininterrupto da barriga da Marlene culminariam num saudável rebento com poucas hipóteses genéticas de vir a ser um indíviduo brilhante.

"A barriga está a crescer? Devem ser gases... Grávida não está porque nós já fizemos o teste!"

Melhor que este teste só o termómetro do amor, graças ao qual já acabei muitas relações. Não queria estar a fazer contas mas ora bem... tive duas relações... uma relação acabou porque ela não gostou muito da ideia de ter uma relação comigo para além da relação de duas pessoas que se encontraram uma vez na fila do Supermercado, a outra acabou graças ao termómetro do amor,... pelo menos foi o que ela me disse depois de pagar a conta do Supermercado e antes de fugir a correr... ou seja, 50% das relações que eu tive acabaram graças ao termómetro do amor. Acho que isto é um indicador bastante seguro do sucesso deste teste...

É por isso que, adoptei este hábito de não levar para diante nenhuma relação que tenha menos de 85% no termómetro do amor. Se já sabemos que não vai dar certo, para quê continuar? É isso e o mal-me-quer, bem-me-quer! Nunca falha! Até porque se começarmos a arrancar as pétalas por bem-me-quer, vai acabar em bem-me-quer... Felizmente descobri este truque a tempo de o trocar pelo termómetro do amor! Não sei o que faria sem algo que me indicasse que valeria a pena seguir em frente com uma relação ou não...

Acho também piada àquele teste que agora está muito em voga que nos diz qual a data da nossa morte. Deu-me muito jeito saber que não posso marcar nada para depois do dia 2 de Fevereiro de 2022. Já sabem, tudo o que for depois dessa data não contem comigo!

Há uns tempos vi também na televisão a publicidade a um software para o telemóvel que nos permitia, através de fotografias, identificar o tamanho da copa de uma mulher. Não deve ter tido grande sucesso porque nunca mais ouvi falar de tal coisa, o que é estranho tendo em conta a utilidade desta ferramente e o facto de esta estar a competir num mundo em que os testes de gravidez por telemóvel são um sucesso.

Acho que nunca tinham inventado nada tão útil desde aquele toque do Crazy Frog (confesso que um dia em que não ouça 50 vezes esse toque é um dia péssimo para mim... o Crazy Frog é o meu melhor amigo... Nos momentos maus, basta ouvir aquela voz calorosa e cristalina para tudo mudar... Além disso o seu abraço terno e um tanto ou quanto viscoso não deixa ninguém indiferente...Vocês sabem...). Aquele famoso problema que todos temos quando chegamos à beira de uma rapariga, que é o de não sabermos qual é o tamanho da sua copa deixa de existir a partir desse momento! Quantos momentos de embaraço não passámos nós por não sabermos o tamanho da copa de uma rapariga? Como eu vos compreendo, meus amigos...

Rapazes, fica aqui este conselho gratuito que vai certamente mudar a vossa vida. Não há nada que impressione mais uma rapariga do que um rapaz que consiga adivinhar o tamanho da sua copa. Não percam tempo com ginásio, roupas bonitas, palavreado fino, bom hálito, flores e perfumes caros! Façam o download deste programa, fotografem a rapariga dos vossos sonhos, dirijam-se a ela, na fila do Supermercado por exemplo, e digam-lhe:

- Desculpa lá, mas tenho estado a reparar em ti há algum tempo e não podia deixar de vir falar contigo... Tu és C 42, não és?

ou apenas:

- C 42!

Não falha! É sucesso garantido! Vai ser como se o cupido lhe tivesse acertado com a seta! Aprendam que eu não duro sempre...

Então e aqueles jogos em que temos que tentar comer mais bananas do que um macaco oponente, ou fazer mais flexões que um indivíduo que está ao nosso lado ou marcar uns penalties? Dizem que oferecem um toque de telemóvel... Não posso confirmar se isso é verdade porque farto-me de tentar ganhar esses jogos e nunca consigo. São muito complexos! Uma vez estive quase, quase a conseguir comer mais bananas do que o outro macaco, mas no último segundo ele ultrapassou-me. Tanta complexidade e jogos tão desafiantes fazem-me pensar que o prémio é algo de muito especial... Se não fosse, se o objectivo deles fosse só o de nos impingir publicidade indesejada, faziam uma coisinha mais simples para toda a gente conseguir.

Até logo!

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Quem quer vender a alma?


Os reality shows já não são novidade nenhuma, assim como também não é novidade que a Teresa Guilherme seja a figura de proa da introdução de todo o lixo em Portugal (não só o televisivo... acho que 1/3 de todos os resíduos tóxicos, sólidos e líquidos, existentes em Portugal é produzido por ela). Por muito baixo que desçamos, eis que surge a Teresa Guilherme para nos provar que para a baixeza não há limite. Enquanto tivermos a Teresa Guilherme podemos sempre acreditar que pior é sempre possível. Quando ela surgiu com o Big Brother todos achávamos que não há nada mais baixo do que nos deixarmos filmar durante 24 horas por dia e, com isso, expormos a nossa vida e a nossa família para podermos usufruir de uns míseros, fortuitos e decadentes 15 minutos de fama. Minutos esses que nos podem abrir muitas portas como as portas do hospital psiquiátrico ou as portas da prisão. Quando achávamos que o Big Brother era a degradação de todos os valores da nossa sociedade eis que surge a Teresa Guilherme para nos provar que o Big Brother é uma simples festinha na cabeça quando comparado com o pontapé no escroto que estamos prestes a levar.

O "Momento da verdade" apanhou os portugueses de surpresa. Principalmente os clientes daquele merceeiro que admitiu que os roubava e a sua mulher, que jamais pensaria que iria expor a violência doméstica de que é vítima em directo na TV.

Confesso que fiquei extremamente revoltado. Ver alguém a admitir na televisão que bate na mulher é degradante... Se há algo que não se deve expor é a violência doméstica. É algo para ser usufruído no conforto e na privacidade do lar e para ser disfarçado com óculos de sol e falsos sorrisos… Admitir publicamente a violência doméstica é um atentado a uma das mais enraizadas e fortes tradições do nosso país. A violência doméstica é uma instituição. Uma instituição só equiparável ao próprio casamento. Tão equiparável quanto, na maior parte das vezes, indissociável. Creio que é à violência doméstica que os opositores do casamento de pessoas do mesmo sexo se referem quando dizem que a legalização do mesmo vem prejudicar a "instituição" casamento. De facto, violência doméstica entre pessoas do mesmo sexo não tem assim tanta piada. Um dos pontos fortes que os defensores desta referem e que deixa de existir nos casos do casamento entre pessoas do mesmo sexo é aquela questão da subjugação do mais fraco pelo mais forte. Como uma encenação da selecção natural de Darwin debaixo do nosso tecto. Pôr duas pessoas do mesmo sexo à porrada iria ser como uma rixa num bar ou uma briga de miúdas.

É por isso que oferecer dinheiro ao tradicional homem português para ele admitir que bate na mulher é descer muito baixo. E obrigá-lo a admitir isto depois de ter assumir que por 250.000 € era capaz de ter uma relação homossexual é ainda mais baixo. É um paradoxo. Então um homem tão machão, tão tipicamente português, que seduz as mulheres dos amigos, que aldraba os clientes e que anda com rolos de dinheiro no bolso era capaz de ter uma relação homossexual? É destruir um mito, destruir um mito essencial para a nossa identidade como portugueses. Nestes tempos de crise, em que estamos a milhas de distância de outros países da Europa, põem o típico português a admitir que era capaz de se prostituir com outro homem? Nestes tempos em que a única coisa a que nos podemos agarrar para sentir alguma esperança no nosso futuro e para melhorarmos a nossa auto-estima em relação aos maricas dos nossos parceiros europeus é a convicção de que, apesar de estarmos na merda, somos uns machões, vêm dizer-nos que isso é um mito? Vêem dizer-nos que só batemos na mulher porque somos uns frustrados que queríamos era ser pagos para estar com homens? Vêm dizer-nos que temos a nossa sexualidade reprimida por uma sociedade conservadora e com os seus valores distorcidos? Vêm dizer-nos que somos tão cobardes e submissos no dia-a-dia que temos que descarregar em quem é, supostamente, mais fraco?

Por favor, não destruam esse mito!

P.S. Agora um bocadinho mais a sério... É assustador haver uma empresa que pague dinheiro a alguém para revelar todos os seus sórdidos segredos... É assustador alguém revelar os seus sórdidos segredos para ganhar meia dúzia de tostões... É assustador alguém acreditar que isso vai dar audiências... É assustador isso ter audiências...
Não quero ser moralista, nem tão pouco defender a censura. Acredito plenamente na liberdade de expressão. No entanto, sinto arrepios só de pensar no conceito do Momento da Verdade. Sinto arrepios quando vejo alguém disposto a tudo para ganhar dinheiro. Senti arrepios quando me disseram que alguém foi à televisão admitir que tinha sexo desprotegido com dezenas de mulheres à frente da mulher que supostamente ama e de quem tem uma filha (Um homem que tem tantos tomates que até se dispõe a dizer isso na televisão não tinha tomates para ter sido honesto com a mulher antes de ter destruído a sua vida? ). Senti arrepios quando vi um homem a admitir que batia na mulher. Porque é que não pegam no dinheiro que dariam a um homem que admite em público que bate na mulher (como que a premiar a sua honestidade/brutalidade) e financiam a luta contra este abominável crime? Não sei se é só de mim mas custa-me muito ver alguém ganhar dinheiro por admitir que bate na mulher. Numa situação normal esse indivíduo deveria ser condenado, não recompensado...
Nunca vi nada tão decadente como isto e acho incrível ver as pessoas a aceitarem tão passiva e pacificamente este programa. Longe de mim pensar que se pudessem organizar protestos ou revoluções, mas contava, pelo menos, que o boicotassem.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Salazar / Diogo Morgado



Li na visão que Diogo Morgado foi escolhido para fazer o papel de Salazar na mini-série/filme “A Vida Privada de Salazar”. Isto dito assim não quer dizer nada. OK! Já era altura de, também nós, vendermos o nosso ditadorzeco e, na opinião de muitos, o maior português de todos os tempos. Os alemães fizeram-no de maneira soberba em “A Queda” e os americanos na pessoa de Oliver Stone estão prestes a fazê-lo através do filme “W”. Já era altura de nós, portugueses, fazermos algo do género. Mas pensando em Diogo Morgado o que é que nos vem à cabeça? É um modelo, que ganhou notoriedade aos 22 anos quando fez de uma espécie de Lolita masculina de 15 que se apaixonava por Ana Padrão, que recentemente tem entrado nos Malucos do Riso… Pensamos em muita coisa, menos em Salazar…

Quando me falaram sobre esta série sobre Salazar, pensei sempre em algo que nos passasse a imagem decrépita de um merceeiro, que o destino colocou à frente de um país, que nunca saiu de Portugal, que tinha uma relação erótica dúbia com uma governanta, possivelmente para disfarçar a sua homossexualidade, que nunca trocou de botas… Imaginava uma série um pouco menos interessante do que uma série de documentários sobre a reprodução de moluscos bivalves… No entanto, eis que tudo muda… O Diogo Morgado vai fazer de Salazar? Veio-me logo à cabeça uma série tipo “Morangos com Açúcar” (da qual sou grande fã), cheia de glamour, que transforma o tiranozito num galã, uma espécie de Johnny Depp, mas mais cool, com uma governanta igual à Soraia Chaves e que vai tomar uns copos com o seu amigo e confidente Cardeal Cerejeira (interpretado por aquele miúdo que fazia de Rodas nos Morangos com Açúcar), onde falam de gajas, de doenças venéreas, de “amandar” umas bombas paraa Guiné, da última freira que o Cerejeira engravidou e da voz de velha de Salazar que, indiscutivelmente, lhe permite engatar imensas gajas…

Isto foi a minha primeira ideia… No entanto acho que a meia dúzia de intelectuais de direita e de figuras do clero que se insurge contra este tipo de coisas no nosso país iria insurgir-se ainda mais e, como todos sabemos, ninguém quer que eles se insurjam, porque se eles se insurgem vão-se embora e depois quem é que nós vamos gozar? Por isso acho que a escolha de um actor bonito para o papel de Salazar (um homem que em termos de beleza está entre o escaravelho e o jacaré) representa uma grande oportunidade de recriar o verdadeiro e incompreendido herói português. Um pouco à imagem de Vasco da Gama n’”Os Lusíadas”. Um herói que as crianças vão querer seguir e acerca do qual os intelectuais de direita vão ter sonhos húmidos.

Imagino um Salazar a enfrentar a sua grande némesis Álvaro Cunhal (interpretado pelo tipo que faz de Tonecas) numa luta corpo a corpo, da qual sai vencedor inquestionável, livrando o país da terrível ameaça vermelha que, qual destino cruel, irá regressar (“Hás-de voltar a ouvir falar de mim” dirá o Álvaro Cunhal/Luís Aleluia humilhado pela derrota, em jeito de despedida como qualquer vilão da banda-desenhada) e Salazar, qual herói piedoso, poupa-o a uma morte cruel, ignorando que estará assim a encaminhar Portugal para esse fatídico e inevitável destino: o 25 de Abril. Tal como todas as grandes tragédias, também a história da nossa nação está constantemente sob uma ameaça que a impede de seguir o grandioso caminho que a espera, no tempo de Salazar era o Comunismo, hoje é o défice…

Imagino as juras de amor impossível entre Salazar/Diogo Morgado e a sua bela governanta (Soraia Chaves), que recusando-se a pôr a sua felicidade pessoal à frente do bem comum e do destino do nosso império, faz o derradeiro sacrifício de um herói, que abdica do amor terreno em prol da glória universal. Sem abdicar de a ter ao seu lado como sua governanta (alguém tinha que tratar das peúgas do nosso ditador, não? Salvar o Mundo não é compatível com este tipo de tarefas mundanas…) e de umas tórridas noites de amor, para captar um público mais ávido por esse tipo de cenas (apesar da sua áurea de imortalidade, o nosso herói não deixa de ser um Homem como todos nós… e ter a Soraia Chaves ali ao lado e não fazer nada… enfim… vocês sabem…).

Imagino um sábio Almirante Américo Thomaz (interpretado por Camilo de Oliveira ou por Guilherme Leite) a acalmar um inquieto Salazar perante a ameaça do facínora General Humberto Delgado (interpretado por Luciana Abreu) que promete retirar o império português da sua rota gloriosa em direcção à glória Mundial. “Nós venceremos esse patife” dirá Américo Thomaz, “o povo está connosco!”. Permitindo a todos os portugueses conhecer a verdade por detrás dessa eleição: “Sim, nós tivemos umas eleições tão democráticas como as inglesas… e ganhámos!” dirá um Diogo Morgado/Salazar emocionado com a vitória ao som de uma música do Vangelis.

Imagino um herói irascível e incompreendido que, perante as atrocidades cometidas pelos terroristas das frentes de libertação das colónias, resolve libertar o povo ultramarino dessa ameaça, em prol de um império português unido, forte e maior do que a Europa.

Imagino um Salazar embevecido e emocionado numa parada da Mocidade Portuguesa perante o auspicioso futuro de uma grande nação, enquanto pega ao colo numa criança que lhe oferece uma flor e lhe agradece por tudo o que fez por ela, metáfora de um país inocente, puro e leal que reconhece o seu grandioso líder como a única pessoa capaz de fazer cumprir o destino que ele merece.

Imagino, no final, um mesquinho e desprezível Spínola (interpretado por um inspirado José Raposo) a sabotar a fatídica cadeira de Salazar, qual calcanhar de Aquiles, deitando por terra os portentosos desígnios de uma grande nação, daí para a frente entregue à escumalha sem valores que tantas vezes o nosso herói derrotou. A única maneira de parar os grandes heróis é a traição e as suas mortes inglórias são apenas o reflexo da evidência da sua invencibilidade.

Paulo Portas, Jaime Nogueira Pinto e Mário Machado ficariam muito orgulhosos deste relato da vida do nosso ditador de meia tigela. Afinal, se este vai ser interpretado por um galã, também a sua história merece mais glamour do que a sua história verdadeira, a de um velho decrépito, homossexual latente, com aspirações a merceeiro... Além disso, se optarem por este caminho, terei muito que escrever no blog, o que tem sido muito difícil…