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quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Era metê-los num barco... Não era, Policarpo?





Não me vou juntar ao coro de críticas às palavras de D. José Policarpo. São estes momentos que exigem de nós muita serenidade. É também nestes momentos que não devemos desatar a rebentar com tudo só porque não concordamos com alguma coisa, como os Muçulmanos. Acho que D. José Policarpo não devia tomar a parte pelo todo. Só porque conheceu casos concretos de jovens que passaram maus bocados por terem casado com Muçulmanos não quer dizer que todos os Muçulmanos sejam um mau partido. Acho que choraria de alegria se uma filha minha se juntasse ao harém do emir do Dubai. De certeza que sobraria algum para mim e isso nunca é de desprezar...

"Como é que conseguiste comprar um jacto particular?"

"Vendi a minha filha ao emir do Dubai..."


Sonhos

Mas, apesar de tudo, os preconceitos são muito maus.

Por exemplo, uma vez conheci uma rapariga que resolveu casar-se com esquimó e passou o resto da vida a cheirar a peixe, a viver num iglu, a matar focas e, ainda por cima, o máximo de intimidade que conseguia ter com o seu marido era aquela coisa do nariz (pode ser muito excitante ao princípio mas imagino que depois se torne muito monótono...). A partir daí ganhei um preconceito tal contra os esquimós que, sempre que tinha oportunidade, aconselhava as jovens portuguesas a não se casarem com nenhum... Só Deus sabe quantas relações não terei eu arruinado com as minhas palavras... (isto foi quando eu deixei de aconselhar as jovens a não se casarem com portugueses depois de conhecer um português que batia na mulher e outro que não participava na divisão das tarefas domésticas... Só me deixei disto quando me virei para os esquimós...)

Arrependi-me desta minha atitude quando fui preso por motivos que não vou divulgar por ainda estarem em segredo de justiça e o único amigo que tive foi um esquimó que tratava da roupa da prisão comigo.

No início, o ambiente era um pouco tenso, comigo a atirar-lhe chinelos e outras coisas à cabeça, mas, gradualmente, fui-me habituando à presença do Xytkoptkl (o que, no dialecto esquimó do Sul da Gronelândia, significa "o Kayak Emplumado" ou "o Rinoceronte Perneta", dependendo da maneira como pronunciamos a letra "o"). Até um dia, em que ele contou uma daquelas piadas como só os esquimós sabem contar e eu ri-me descontroladamente durante duas horas. A partir daí ficámos melhores amigos. A piada era a seguinte:

- Onde é que os esquimós guardam o frigorífico?
- Em lado nenhum, está tanto frio que eles não precisam... - respondi eu, julgando que me tinha safado da armadilha.
- Não. Guardam-no na cozinha!

Perceberam? É que os iglus não têm cozinha! Hilariante... Descobri que graças aos preconceitos que a nossa sociedade tem para com os esquimós ele estava preso injustamente, ou pelo menos com uma pena completamente desproporcional ao crime que tinha cometido que foi matar uma garoupa no Oceanário com um harpão e violar a Amália... A lontra, não a do Panteão Nacional. Já todos sabemos que os juízes ficam sempre de pé atrás quando aparece um esquimó no seu tribunal (sempre que desaparece uma canoa o principal o principal suspeito é sempre um esquimó, nem que haja 20 testemunhas que garantam que foi o José Cid todo nu a fugir com ela pelo Rio Mondego abaixo!). Também sabemos que, por serem socialmente desfavorecidos, não têm dinheiro para financiar advogados caros, tendo que se ficar pelo José Maria Martins ou por oficiosos...

E foi esta a minha história com o meu amigo esquimó. Um pouco parecida com aquela história do filme "América Proibida", mas eu sou o Edward Norton e aquele afro-americano que está com ele na prisão é o esquimó. Devia processá-los, não? Conclusão: actualmente aconselho toda a gente que tenha essa oportunidade a casar com um esquimó.

Hoje só sou racista em relação ao pessoal do Liechtenstein. Não consigo perceber se são suiços, se são alemães, se são austríacos... Decidam-se de uma vez por todas! Não gosto de gente que não se decide: ou são uma coisa ou são outra... E se querem ser país arranjem uma coisa melhorzinha. Acham esse território em condições? Se querem saber o que é um território em condições olhem para a Rússia, por exemplo. Ou para o Canadá. Só para referir dois. Um terreno que dê para contornar no período entre o jantar e a telenovela não é um país... Vocês são um aviãozinho de papel armado em Boeing 747! Até gostava de saber o que é que vocês fazem no Verão. Nós ficamos a ver a Volta a Portugal, e vocês? Quantas voltas ao Liechenstein vêem? Para aí 500... Ou mais...

"Tchii! Que grande festa! O que é que se passa hoje?" "É um grande dia! Hoje é a Volta ao Liechenstein em bicicleta!" "Espectáculo! Vamos ficar para ver!" Passados 5 minutos "Bem, vamos embora!" "Também acho! Vamos ali ao Norte do país beber uma cervejinha!" "Ao Norte do país? Tu deves estar é maluco. Estamos no extremo Sul!" "Deixa-te disso, são só 10 minutos a pé..."

Ainda por cima dão um nome ao "país", que é para não lhe chamar outra coisa, que é impossível de pronunciar. É como quem diz: "somos um país irrelevante mas vamos dar-lhes um nome que eles não vão esquecer". O que é que a palavra "Liechenstein" vos faz lembrar? A mim faz-me lembrar um oficial das SS a mandar um judeu para a câmara de gás! E isso não é muito bom para o turismo...

- LIECHENSTEIN!!!! SCHNELL!!!


É que eu até me esquecia de vocês se Portugal não fosse jogar aí de vez em quando, para vos dar 7 ou 8. É que nem no futebol prestam! Podiam ser na mesma um país irrelevante se, ao menos, prestassem para o futebol, como Portugal. Mas é que nem isso! Nem assim justificam a vossa existência!

Só porque um príncipe qualquer armado em esperto herdou um monte e decidiu fazer um país isso não faz de vocês nada. Quando muito faz de vocês estúpidos. Seria a mesma coisa se eu me lembrasse de decretar que a minha rua era uma nação independente, que eu era um rei e os meus vizinhos irem na conversa. Os meus vizinhos seriam estúpidos se o aceitassem porque sabem que a primeira coisa que eu faria era escravizá-los. É por isso que o golpe de estado na minha rua não funciona, não tenho o apoio do povo... Mas dou-lhes esse mérito de não se deixarem dominar por mim... Mérito esse que não dou ao Liechenstein!

Se, algum dia, uma filha minha aparece com um namorado do Liechenstein é o maior desgosto da minha vida...

Apesar de ter este ódio visceral em relação ao Liechenstein e de aconselhar todas as moças a fugir dessa gente, tenho a perfeita noção de que é uma atitude única e exclusivamente baseada na ignorância e sei também que se algum dia fosse preso com um indíviduo do Liechenstein talvez mudasse de ideias... Já ouvi dizer que eles têm umas anedotas de Luxemburgueses deliciosas...

É por isso que lanço uma sugestão ao D. José Policarpo: ir para a prisão e ser ajudado por um Muçulmano na tarefa de tratar a roupa interior ou ter uma filha e prometê-la aos 2 anos a um chefe de tribo da Mauritânia. De certeza que havia de mudar a sua opinião acerca dos nossos irmãos Muçulmanos e ainda se ia rir desta situação toda com o seu genro. Num momento de descontracção, durante o apedrejamento de uma adúltera.

Lembro aqui este post que fiz há muito tempo para quem tiver paciência. É sobre a reforma da igreja e dos seus intervenientes. E é a brincar... Apesar de poder dar para reflectir.

P. S. 2 dias, 2 posts... É capaz de ser um record... E este tem o título mais ridículo que se possa imaginar...

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Sobre a homossexualidade na extrema-direita e algumas premissas para musicais de La Féria...





Quando olhava para os Village People achava sempre que faltava lá qualquer coisa. E muitas vezes olhei para eles, caros amigos... Quer como artistas, quer como exemplos para a vida... O índio dos Village People foi, desde cedo, o meu role model e é a minha segunda figura paterna (a primeira é, obviamente, o Carlos Castro). No entanto, sempre achei que faltava qualquer coisa. Um índio, um polícia, um motoqueiro, um cowboy, um militar, um operário da construção civil... Um grupo inquestionavelmente completo e harmonioso mas, na minha cabeça, longe da perfeição... Faltava-lhes uma pequena coisa para serem o tecto da Capela Sistina do disco sound. E ontem eu descobri... Depois de saber que Jorg Haider era o Sugar Daddy do seu delfim no BZOe (partido de extrema-direita austríaco do qual Haider era líder) eu descobri o que é que faltava nos Village People: um elemento das SS.

A história de Haider é enternecedora. E não, não estou a falar daquela parte em que ele se despistou a 140 km/h. Estou a falar do romance proibido do qual foi protagonista, uma espécie de Romeu e Julieta ou, nesta caso, Romeu e Júlio, passado no mais improvável dos cenários: os meandros da extrema-direita aústriaca.

Melhor mesmo era se Haider, em vez de ter mantido um romance com Stefen Petzner, tivesse mantido um romance com Francisco Louçã. Aí é que o nível de carga dramática do caso upa upa (deixo esta dica ao La Féria para o seu próximo musical... E de graça... Estou disposto a não ganhar nada com ela só para ter oportunidade de assistir a este inusitado musical...).

Mas não se pode ter tudo e, felizmente, a vida não é um musical do La Féria. Quando muito é uma novela da TVI, dada a quantidade de Paulos Pires com que me tenho cruzado ultimamente na rua: é o Paulo Pires brasileiro, o Paulo Pires inglês, o Paulo Pires sabichão, o Paulo Pires pedinte, o Paulo Pires cowboy, o Paulo Pires índio, o Paulo Pires veterano do Ultramar, o Paulo Pires modelo e actor...

No outro dia sonhei com uma pequena aldeia em que todos os habitantes eram Paulos Pires, todos iguais mas cada um com as suas características próprias. Comunicavam num idioma próprio em que todos os substantivos e verbos eram a palavra "Paulo Pires" ("- Ó Paulo Pires Sabichão, paulopira na esponja e anda paulopirar-me o carro!" "- Paulopira um bocado, Paulo Pires Tuning, agora estou a paulopirar um paulopivro policial..."). Tinham ainda um arqui-inimigo que os ia importunar de vez em quando. Arqui-inimigo esse que tinha um gato, cujo alimento preferido era Paulo Pires... Acho que já chega, já devem ter chegado lá. Isto é a aldeia dos estrumpfes (que esta semana fizeram 50 anos) só que em vez de estrumpfes, é habitada por Paulos Pires... Acho que a partir de agora vou escrever este blog em paulopirês. Enfim, outra grande ideia para um musical do La Féria...

E depois desta divagação, que tem lugar assegurado no Top 10 das divagações mais estúpidas em blogs com a palavra corta-unhas no nome, volto ao tema inicial: o romance de Jorg Haider. Este caso, para além de comprovar a minha teoria de que o pessoal de extrema-direita é apenas um grupo de pessoas fofinhas que quer apenas fazer o amor uns com os outros permite-nos fazer uma reflexão nunca antes feita sobre os grupos neonazis.

Primeiro, Haider, confesso admirador de Hitler, ter-se-ia tornado num prisioneiro de Auschwitz se tivesse o azar de ter feito as brincadeiras que fez em 1940. Já dizia o Hitler: "pior do que ser judeu é ser um líder de um partido de extrema-direita que pratica o coito com o seu número 2... Mesmo que esse número 2 seja tão ou mais jeitoso do que o Joseph Goebells... E eu bem sei aquilo que me tenho que esforçar para resistir aos encantos daqueles peitorais e daqueles braços semi-musculados... nem com muito músculo, nem com pouco... nem muito rijos, nem muito flácidos... mesmo no ponto... Com excepção daquele dia na sala de bilhar e daquele fim-de-semana prolongado no chalé das montanhas de Berchtesgaden nunca mais se passou nada...".

Segundo, permite-nos imaginar o que vai na cabeça de um tipo de extrema-direita, o que, até aqui, era impossível dada a profundidade das suas brilhantes mentes... Imaginem um comício:

Discurso de Haider: Os valores da família para aqui... A segurança dos austríacos para acolá... E os imigrantes não sei quê, não sei que mais...

Pensamento de Haider: Hmmm... aquele rapazinho ali da primeira fila é bem jeitoso... E aquele ar conservador... São os piores... Será que ele aceitará ir tomar um copo comigo amanhã? Sheisse! Amanhã não posso, já combinei ir fazer sauna com aquele imigrante ilegal argentino... Não passa de hoje, vou convidá-lo para vir comigo à biblioteca fumar um charuto e ler o Mein Kampf... de joelhos... Ai! Que maluca!

Permite-nos também, tirar conclusões acerca da maneira como se sobe nos partidos de extrema-direita. Até hoje sempre achei que os critérios que levavam alguém a progredir nestas organizações eram a média do número de pauladas em Africanos por noite, o estilo saudação romana, o brilho da cabeça, a originalidade das tatuagens... Critérios justos, objectivos e bem enquadrados na filosofia destes grupos... Mas afinal os únicos paus envolvidos neste processo não são usados para bater em africanos.

E com esta piada finalizo esta paulopiresca reflexão. Não vos maço mais com estilos de vida alternativos... A sociedade está a evoluir mas ainda não está preparada para lidar com estas questões... Um homossexual de extrema direita... O que virá a seguir? Um político inteligente? Uma feminista dona de casa? Uma freira a praticar parkour?

P.S. Só queria deixar um pedido de desculpas ao meu pai, que lê este blog... A minha figura paterna não é o Carlos Castro. Era só uma piada...

P. P. S. Depois de ter usado uma imagem de Haider em tronco nu ou de um indíviduo muito parecido com Haider em tronco nu num post acho que já fiz tudo o que havia para fazer na blogosfera...

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Ainda sobre o Mário Machado


Várias personalidades como o Pacheco Pereira (o Barbinhas) ou, mais recentemente, o Bastonário da Ordem dos Advogados Marinho Pinto vieram dizer que a prisão do Mário Machado é injusta, com o argumento que ele só está preso por motivos políticos. Não o chegam a comparar a Nelson Mandela, mas eu faço-o de novo porque acho que o Máriozinho fica muito honrado com esta comparação.

Eu devo dizer que discordo deles. Não que não goste do Mário Machado, até porque, como já disse, o acho bastante fofinho, mas mesmo sem motivo, penso que o Mário Machado deve estar preso. Passo a explicar.

Tenho a certeza que todos viram o “América Proibida”. Derek, a personagem de Edward Norton, também estava presa sem motivos, quem viu o filme sabe que ele estava inocente, até porque jamais um skin faria aquilo que eles disseram que ele fez… Independentemente disso a prisão fez-lhe bem! Viram o efeito positivo que o convívio com aquele afro-americano pateta teve sobre o Edward Norton? Não que estou a falar do facto de ele ter deixado de ser skin, visto que isso não é necessariamente bom já que, como o Mário Machado nos fez questão de esclarecer, eles nem são maus tipos. Estou a falar do facto de ele ter deixado crescer o cabelo, abandonando aquele look típico daqueles que pretendem disfarçar a calvície, que ostentava na parte a preto e branco do filme e que, diga-se de passagem, não lhe ficava nada bem. A máquina zero está muito démodée e o estilista dentro de mim anseia por ver a frondosa cabeleira com que o Mário Machado vai sair da prisão!

Mantenham-no preso pelo bem do bom gosto!

Make White Love Not War


Começou o julgamento de Mário Machado o líder dos Hammerskins portugueses (para quem não sabe é uma espécie de franchise de uma comunidade skin head). Há quem compare Mário Machado a Nelson Mandela, comparação essa que, se bem conheço o Mário, o deixa muito honrado. Para além disso, Mário Machado é extremamente fofinho.

No seu depoimento Mário Machado negou ser uma pessoa racista, mas sim racialista, sendo que, segundo ele, um racialista é uma pessoa que tem orgulho da sua raça. Ou seja, o rapaz apenas tem orgulho em ser branco!

Não posso negar que fiquei surpreendido. Tinha uma ideia completamente errada dos skin heads. Sempre pensei que estes fossem tipos que andassem a pontapear toda a gente que tivesse uma raça, religião, ideologia política, orientação sexual, sentido de estética diferente das deles, ou seja, pontapeavam toda a gente menos eles próprios (segundo esta lógica, o próprio Mário Machado, se não se pusesse a pau, seria violentamente pontapeado por skin heads suecos… já viram bem a cor dele?). Descobri, no entanto, que estava errado. Os skin heads são, afinal, uma espécie de escuteiros que se sentam à volta de uma fogueira, com guitarras a fazer músicas que exaltem o seu orgulho em serem brancos. Procuram também proteger-se do sol, tendo sempre à mão protectores solares factor 40 e chapéus panamá, não vá dar-se o caso de ficarem vermelhos ou ligeiramente castanhos o que, a acontecer, os obrigaria a desistirem do grupo e inscreverem-se nos rivais do “Orgulho vermelho”. Imagino que passem o tempo a admirar a palidez da pele uns dos outros e, às escondidas, deleitam-se a contemplar pornografia com albinos: o auge da palidez já que, para eles, nem o sémen é demasiado branco. Sinceramente sinto-me culpado por ter uma má imagem deles, acho bastante querido que se tenha orgulho na falta de melanina e isso deve ser motivo de exaltação. Imagino uma marcha de “White pride”, em que todos os racialistas saem à rua e andam aos beijinhos e em tronco nu a admirarem o branco uns dos outros e a espalharem o amor entre gente branca…

Pensando assim, até faz sentido a existência dos skins. Ao fim ao cabo aquilo é quase como um grupo de auto-ajuda. Quem tem problemas de auto-estima e é branco pode muito bem ir para os skins. Ao fim ao cabo, se não gostarmos de nós quem gostará? Tenho a certeza que os skins têm muito amor para dar uns aos outros… “Se és branco e ninguém gosta de ti anda para os skin heads: entre nós vais encontrar o amor…”. Este podia muito bem ser o lema dos skins ou então um anúncio de jornal na página do relax.

Com toda esta questão começo a pensar se não terei sido injusto com o próprio Hitler. Não estaria ele imbuído de tanto amor pelos seus compinchas brancos que acabou por fazer algumas maluqueiras? Todos nós sabemos que o amor leva-nos a fazer coisas estúpidas… O chacínio de seis milhões de judeus não terá sido uma daquelas coisas estúpidas que se fazem por amor? Tipo gastar 20 euros num ramo de rosas e 30 num jantar à luz das velas…

Até porque se os skins, que como ficou aqui provado são uma espécie de hippies (Make White Love not War), o escolheram como ídolo ele não pode ser assim tão mau. É certo que com tanta gente branca em condições por aí (como o David Hasselhoff ou o Michael Jackson) era escusado eles terem escolhido um tipo com um bigodinho daqueles, mas não deve ser por isso que os vamos condenar.

Peço então desculpa a todos os skin heads por ter sido injusto com eles. Eu, como a maioria dos portugueses, não sou suficientemente branco para pertencer ao grupo deles mas concebo perfeitamente a ideia de que devemos ter orgulho naquilo que somos. Eu próprio tive uma série de ideias para grupos semelhantes aos skin heads, mas baseados noutras características físicas que não a cor da pele. Por exemplo, "Orgulho das pessoas com calvície prematura", "Orgulho do terceiro mamilo", "Orgulho fanhoso", "Orgulho coxo", "Orgulho marreco", "Orgulho do pé chato", "Orgulho dos pés mal-cheirosos" (nem imagino o que seja uma reunião deste grupo)... Aliás, acho que, mal acabe este texto, vou tratar de fundar todos estes grupos e, já agora, fundar também o "Orgulho das hemorróidas" (ao qual só pertenceria naqueles dias em que como comida indiana). No fundo, trata-se apenas de ter orgulho de coisas que normalmente não nos deixariam orgulhosos... O que é uma óptima maneira de nos ajudar a lidar com elas... Bem pensado, Mário Machado!