terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Utilizar a cabeça para resolver os nossos problemas económicos e não só

Um dos problemas deste Governo é a falta de criatividade nas soluções para os nossos problemas. É só cortar, cortar, cortar... O que é estúpido quando há tanto que ainda pode ser feito.

(sim, a seguir vem uma ideia genial)

Como por exemplo, dar uma dedução no IRS a todos os cidadãos que aceitassem ser patrocinados por uma grande marca. A contrapartida seria esse cidadão ter que utilizar um boné com o logotipo do seu patrocinador em público durante x tempo ao longo do ano. Toda a gente ganhava com este modelo "treinador do Paços de Ferreira em flash interviews": ganhava a marca que por 50€ por cidadão aumentava a sua visibilidade e ganhava o cidadão que pagava menos impostos.

É uma ideia sem desvantagens! Se já fizeram tanta merda porque é que não hão-de vender as nossas cabeças como outdoors publicitários? Não faltariam clientes dispostos a recorrer a esta solução como a EDP, a Coca Cola, a Casa dos Segredos, o Professor Bambo, aqueles sítios que compram ouro por dinheiro ou serviços de acompanhantes de luxo (com anúncios codificados para que só os frequentadores deste tipo de serviços os consigam perceber mas feitos de uma forma tão incompetente que toda a gente chega lá: "Mais vale acompanhado luxuosamente que só. Acompanhantes + luxo (em termos relativo). Perceberam? P.S. Temos travestis.").

Os bonés poderiam ter sensores que detectassem a presença de pessoas nas imediações, quanto maior a exposição do cidadão a outras pessoas, maior o seu valor publicitário (logo maior o seu prémio). Podíamos chegar a um ponto em que diferentes marcas batalhavam pelo privilégio de utilizar a cabeça do Sr. Manuel para colocar um dos seus bonés.

Obrigar, ou melhor, incentivar as pessoas a andarem de chapéu seria também um nobre contributo do Governo e dos patrocinadores na luta contra o cancro de pele, que é um grande flagelo.

Escusado será também referir que o aumento do uso de boné levaria a um aumento exponencial da swag dos portugueses. Para isso, as marcas teriam que oferecer às pessoas bonés todos estilosos e não aqueles foleiros tipo panamá ou chapéus de cowboy com lantejoulas (a não ser que o produto a publicitar assim o exigisse, quem paga tem sempre a última palavra). Até devíamos agradecer!

(eu pagava 50€ só pelo gozo de ver um contribuinte qualquer a andar com um boné com uma fotografia do José Cid todo nu ou a incentivar as pessoas à leitura da obra de Gilles Lipovetsky)

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Análise aprofundada ao vídeo de apresentação da candidatura do candidato do PTP à Câmara de Vila Nova de Gaia



Depois de analisar devidamente o famoso vídeo do candidato que se assume como a cara do mau trato aos idosos, concluo o seguinte:

- O Horácio é o gajo com mais cabeça no meio disto tudo. Está com cara de quem está a pensar no sabor amargo do fino que aceitou para participar nesta história;

- O Director de campanha tem de mostrar urgentemente ao seu candidato a definição da palavra especular no dicionário;

- Quando o candidato se refere aos "indíviduos que fazem do ser humano um palhaço" a quem é que ele se está a referir exactamente? Maquilhadores? Fabricantes de narizes vermelhos? Fica a dúvida...

- O amigo de confiança que está do lado esquerdo do candidato é o verdadeiro cérebro da campanha e está a manipular o candidato através de telepatia. O seu objectivo é derrubá-lo para, assim, ascender a cabeça de lista do PTP na candidatura à Câmara de Gaia. A única razão pela qual os restantes elementos da lista não compareceram tem a ver apenas com o facto de ele os ter sequestrado e enfiado na garagem para dar a imagem pública de que o outro é um líder fraco. Os génios do mal estão onde menos se espera;

- É difícil perceber se o líder do Partido faltou porque não tinha camisola ou porque está no tribunal. Deve ser um teaser para acompanhar o resto da campanha;

- Este vídeo vai tornar-se histórico no momento em que o "carequinha" se tornar no melhor primeiro-ministro da história de Portugal, infelizmente vamos ter que esperar mais 15 anos pela ascensão daquele que virá a ficar conhecido como "Chosen One" (numa altura em que apenas um puto de 15 anos será a única pessoa disponível para liderar Portugal). Vai continuar a aparecer em público ao colo do pai;

- Um dos motivos pelos quais o Horácio não está contente (mal sabia ele que isto ia tornar-se viral) é por lhe terem gastado um tinteiro a imprimir o cartaz que está colado na mesa;

- A filha do candidato está um bocado preocupada com a possibilidade de o pai fazer figuras tristes, mas no final do vídeo já está um bocado mais aliviada porque até acabou por correr bem... Pelo menos não bateu em ninguém...;

- Sabendo de antemão as audiências que iriam ter, todos os órgãos de comunicação social do país estavam ansiosos por cobrir o evento (a RTP já tinha destacado os pesos pesados Malato e José Rodrigues dos Santos para estarem presentes) mas o "amigo de confiança" mandou-os para o sítio errado, antecipando que o seu colega, por causa do orgulho iria, iria a partir daí, rejeitar qualquer contacto com a comunicação social ("Quem precisa da televisão? Há outras maneiras mais eficientes de chegar às pessoas!")... De uma maneira estranha, os acontecimentos subsequentes acabaram por lhe dar razão;

- É pena que este vídeo seja verdadeiro e não um teaser para uma comédia política, uma mistura de "The thick of it", "Homens do Presidente" e "Camilo & Filho".

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Ideia empreendedora n.º 327

Depois da falência d'"A Vida é Bela" podiam criar uma nova marca um bocado mais realista chamada "A Vida às vezes é uma merda". Podiam continuar a vender vouchers mas com uma diferença, as pessoas não saberiam o que estava dentro da caixa.

A ideia era, de uma forma aleatória, oferecer experiências negativas (que nos tornam mais fortes e melhores seres humanos) e experiências positivas (que supostamente nos tornam pessoas mais felizes). Podíamos ter a sorte de nos calhar um jantar no melhor restaurante da região centro (o menu mais barato, feito à medida para quem traz vouchers) ou uma noite num hotel fantástico onde somos olhados de lado pelo gerente por saberem que a empresa de vouchers lhes vai ficar a dever o dinheiro que adiantámos ou ter o azar de ter que passar um dia a trabalhar numa lixeira, ser escarrado na cara por uma celebridade, ter que fazer um discurso sem roupa perante uma audiência de milhares de pessoas, passar um ano numa prisão do Botswana ou ser o porco num jogo real de Angry Birds (é curioso mas tenho muito mais ideias para experiências negativas do que positivas).

O filme "O Jogo" de David Fincher seria um filme quase tão mau como o filme que deu o nome aos vouchers se a personagem do Michael Douglas tivesse recebido um voucher d'"A Vida é Bela" (basicamente seria um filme em que acompanhávamos a ida de Michael Douglas a um spa). Mas um filme sobre alguém que recebe um voucher d'"A Vida às vezes é uma merda" até podia ser interessante. Fica a ideia para quem quiser pegar nela...

Quem fizer like na página deste blog recebe um caderno de vouchers do McDonald's. Quem não fizer like também é capaz de receber, esses cadernos de vouchers andam por todo o lado. Nunca utilizei nenhum...

segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Primeiro o Hitler fez o que fez, depois Judite de Sousa entrevistou Lorenzo Carvalho...

Pior do que a polémica à volta da entrevista de Judite de Sousa a Lorenzo Carvalho é o facto de eu ter visto uma entrevista do Lorenzo Carvalho.

Felizmente ainda consegui aprender alguma coisa com esta experiência. Percebi que não é obrigatório que todos os meninos ricos sejam betos. E já não é mau quando nos fazem questionar os nossos preconceitos...

Sempre achei que o ser beto era uma farda que distribuíam às pessoas que atingissem determinado estatuto económico. E que havia uma cerimónia em que alguém dizia algo do género: "Querido, agora pertences ao nosso exército. Pega lá esta farda da Gant e 90 euros para ires tratar desse cabelo". Mas afinal os ricos podem ser mesmo o que quiserem. Nunca pensei...

sábado, 17 de agosto de 2013

Ser um lavajão: A Arte De Comer Em Restaurantes Com Comida à Discrição

Comer num restaurante com comida à discrição é sempre uma batalha entre nós e o restaurante. Só um de nós vai ganhar e a intensidade da vitória ou derrota é medida pela diferença entre aquilo que pagamos e os custos do restaurante connosco. Quanto maior o lucro do restaurante, maior a nossa derrota, quanto maior o prejuízo, maior a nossa vitória. No fundo, trata-se de garantir que os gajos não se ficam a rir de nós.

Tendo em conta que muitos destes restaurantes ainda são negócios viáveis, eles estão-nos a ganhar esta guerra. Atenção que o nosso objectivo não é levá-los à falência, existirão sempre pessoas de fraco carácter a garantir as suas margens de lucro, o que queremos é ganhar o respeito deles de maneira a que, no dia em que lá voltamos, conseguirmos entrever na expressão dos empregados aquilo que eles pensam de nós: "Lá vem este animal outra vez". E isto vindo de quem já viu de tudo é o maior dos orgulhos e o desafio de uma vida. Deixo por isso algumas técnicas para aproveitar ao máximo a vossa experiência nestes estabelecimentos e garantir o respeito no Mundo dos farta brutos.


Técnica 1: Evitar intervalos, comer o mais rapidamente possível.

Quando estamos a ficar cheios o estômago envia sinais ao cérebro para o informar que é escusado continuar a emborcar, porque já está satisfeito. E quando chegamos a este ponto é mesmo difícil continuarmos a emborcar. Mas estar satisfeito não é ganhar a guerra (uma pessoa pode ficar satisfeita com uma saladinha)! O nosso objectivo deve ser comer o nosso próprio peso em comida. E se queremos chegar a este ponto temos que derrotar o nosso sistema nervoso. Temos de enganar o cérebro e comer o mais rapidamente possível, para quando lhe chegar a informação do nosso estômago este já estar próximo do rebentamento. Assim já podemos desapertar o cinto com o sentimento do dever cumprido.

Nada de intervalos de 10 minutos entre cada prato, não estamos lá para passar tempo. Nada de saborear, não estamos lá para desfrutar de boa comida. O nosso objectivo é claro e não nos podemos desviar nem um milímetro. Se a padeira de Aljubarrota tivesse parado para apreciar cada uma das pazadas que mandou aos espanhóis a esta hora estava a escrever isto em castelhano.


Técnica 2: Gestão dos líquidos.

As bebidas são um bem essencial, pois são o lubrificante que nos permite empurrar o máximo de comida para dentro de nós. Podemos fazer tudo bem e cumprir todas as regras para a vitória, mas uma falha de hidratação pode ser a morte do artista. Tentar fazer passar tanta comida por uma traqueia seca é como querer andar de Ferrari no deserto. Não funciona.

E os restaurante percebem isto e usam a nossa necessidade de líquidos contra nós: inflacionam o preço das bebidas (estou convencido que é aí que vão buscar o lucro) e enchem a comida de sal (uma vez num restaurante brasileiro comi 300 g de sal com um bocado de picanha).

Como contornar este obstáculo?

Pedir só uma bebida: Se pedirmos uma segunda bebida, perdemos a batalha. A casa fica com lucro garantido e nada do que comamos a seguir compensará este acréscimo nos nossos custos com aquela refeição.

Gerir a bebida: Beber apenas pequenos goles em pontos chave da refeição e nada de bebidas naturais! Com a secura que vamos sentir, é mais fácil manter o controlo se pedirmos bebidas frescas.

Recorrer à água da torneira da casa de banho: A maior parte dos restaurantes ainda têm casa de banho e não cobram nada pela água utilizada. É uma fonte de hidratação teoricamente infinita e que muitas vezes é ignorada. Recomendo no entanto que esta técnica seja utilizada apenas em último recurso. A imagem de alguém a beber água directamente da torneira da casa de banho de um restaurante é deprimente. Além disso, pode ser considerado jogo sujo, o que tira algum brilho à nossa vitória. Mas uma guerra nunca é limpa e nem sempre nos orgulhamos de tudo o que fazemos em função do objectivo maior, que é a vitória, sempre. Para quem tem pruridos morais, pode sempre encarar o recurso à água da torneira da casa de banho como uma resposta justa ao excesso de sal que eles colocam na comida. Se o inimigo usa uma bomba atómica, nós usamos uma bomba atómica.



Técnica 3: Companhia

A arte de comer à discrição em restaurantes é um jogo para lobos solitários. Mas acontece muitas vezes irmos a restaurantes acompanhados. E se formos acompanhados o restaurante vai olhar para nós como uma equipa, mesmo que se peça a conta em separado. Ou seja, se nós nos esforçarmos e conseguirmos dar prejuízo à casa mas a nossa companhia comer menos que um pisco, o restaurante vai fazer um balanço da média daquilo que ganhou na nossa mesa, o que pode levar a que estejamos injustamente associados a um resultado medíocre. Numa "equipa" a média é que conta, não a performance individual. Ou seja, se vamos acompanhados, devemos ir acompanhados por alguém que seja tão ou mais glutão do que nós.

(Julgo que é desnecessário apontar para um facto evidente: não levem mulheres a estes restaurantes! Não só elas, regra geral, comem pouco (os empregados destes restaurantes esfregam as mãos quando vêm uma mulher a entrar) como se têm algum interesse romântico pode não ser boa ideia mostrar-lhes o nível de badalhoquice que vocês provocam quando vos disponibilizam comida à discrição. Talvez num ponto mais avançado da relação (e bastante depois de utilizarem a casa-de-banho com a porta aberta). Levem-nas a restaurantes franceses ou assim. Se vão comer a sério, deixem as mulheres em casa).


Técnica 4: Hidratos de carbono

Nestes sítios tentam sempre encher-nos de hidratos de carbono. É uma forma barata de nos deixarem enfartados. Por muita fome que tenham, tentem comer o menos possível de arroz, batatas fritas ou feijão. Guardem-se para a chicha. E guardem-se também para o fim. Em restaurantes brasileiros eles tentam começar por nos encher com iguarias menores tipo salsichas e coxas de frango para não termos fome quando chega o El Dorado que é a maminha e a picanha. Não se deixem apoquentar perante os mind games dos empregados quando vocês rejeitam uma salsicha. 

"Não quer mais? Já está cheio, é?"

Quem ri por último é quem ri melhor e não imaginam a sensação fantástica de contemplar todo o gozo a desaparecer daquelas caras quando vos vêem a comer picanha. É essa a beleza deste jogo! A humilhação do adversário.

Técnica 5: Jejum

Esta é demasiado óbvia mas não podia deixá-la de fora deste guia. Enfardar comida é um desporto que não precisa de aquecimento. Tentem não comer nada nas 12 horas que antecedem a vossa ida a um restaurante destes, só assim se vão conseguir transformar num buraco negro capaz de sugar toda a comida que está num raio de 3 metros. E assim, garanto-vos, podem ganhar a guerra.


Ser ou não ser foda

Agora há detectores de metais à entrada de algumas discotecas, o que quer dizer que não podemos entrar com armas... Enfim, não sei como é que as pessoas se divertem hoje em dia, estar desarmado numa discoteca é uma seca.

Mas faz sentido, acho eu... Percebi isso quando começou a dar a música "Sou foda" da dupla sertaneja Munhoz e Mariano e ao meter a mão no bolso lembrei-me que não tinha nenhum objecto com o qual pudesse mandar um tiro na cabeça. Sobrevivi, embora tenha que viver para sempre com as consequências desta violação ao meu aparelho auditivo por este hino à imbecilidade auto-elogiosa, cantado por uma besta que está ali naquela fronteira ténue entre o parvalhão excessivamente excitado e o predador sexual.

Algo me diz que um gajo que se diz foda com tanto entusiasmo está a tentar-se convencer a si próprio. 

"Sou foda, a sério. Sou mesmo foda, não se vê? Até uso um chapéu de cowboy e faço movimentos pélvicos no ar em frente de milhares de pessoas. O que é que se diz de uma pessoa como eu?"

"Pronto, és foda. Não chores."


 

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A arte de escolher melões: Uma farsa coreografada

Gosto de ver as pessoas a escolherem melões no supermercado. Aparentemente estão numa demanda pelo melão perfeito. Mas, no fundo, o que eu acho é que querem transmitir às pessoas que estão atrás deles na fila (sim, já apanhei fila em frente aos caixotes dos melões) que por mais que procurem não vão encontrar o melhor melão daquele conjunto de melões. Na melhor das hipóteses conseguem levar para casa o segundo melhor.

Também conseguem fazer com que pessoas como eu se sintam culpadas por escolherem o primeiro melão que lhes aparece à frente. Já dei por mim a apalpar melões só para não ser ridicularizado pelo meu estatuto de leigo na arte da selecção de melões. Faço um ar entendido, apalpo uns melões, abano-os um bocadinho, dou-lhes uma pancadinha e encosto-os ao ouvido. Não sei exactamente o que espero ouvir de dentro de um melão. Suponho que se ouvisse um bebé a chorar, um guitarrista virtuoso, o mar ou música techno poderia ignorar esse melão. Apesar de tudo, procurar o melão menos barulhento é sempre uma boa regra na escolha de melões. Isto é um facto e faz com que "ouvir o melão" seja a parte mais coerente do meu procedimento. Ninguém quer melões barulhentos! É um melão que estamos a escolher, não um fogo de artifício! Depois deste procedimento inventado escolho o terceiro melão que apalpo/ouço.

Por mais respeito que tenha pelos seleccionadores de melões, acho que 98% deles são uma fraude como eu. Não querem ficar mal e entram nessa missão estúpida de apalpar o máximo de melões possível antes de escolherem o felizardo que vão comer à sobremesa. Os restantes 2%, que têm mesmo o dom de ao apalpar um melão saberem o que se passa lá dentro, comem sempre melões deliciosos mas acabam por ser confundidos com aldrabões como eu.

O lado negativo desta farsa é que estou convencido de que a principal causa para a existência de melões maus é o facto de eles estarem sempre a ser apalpados. Aquilo não pode fazer bem à fruta. Não é só a palpação (que, por si só, é uma espécie de assédio), é o sentimento de rejeição.

"Tu apalpaste-me, deste-me a entender que tínhamos uma relação especial e trocaste-me por outro!"

Já comi alguns destes melões depressivos e, apesar de serem gratos por os termos escolhido, têm um lado negro e uma bagagem que é difícil de digerir. E ai de quem diga a uma fatia de presunto que a vamos emparelhar com um melão destes:

"Tenho os meus próprios problemas! Não estou para aturar os dos outros!"

Daí que acho que era boa ideia começarem a propagar o mito de que é possível apanhar uma doença grave através do toque em melões desconhecidos. Estou farto de apalpar melões só para não ficar mal perante todos esses especialistas em fruta que andam pelos supermercados. Gostava de os ver a terem que pôr preservativos nas mãos antes de apalparem um melão.


Se fizerem like nesta página ganham o poder de comunicar com morangos através de telepatia. É um poder que apesar de impressionar não tem grande utilidade prática. Os morangos são comunicativos mas não são muito interessantes, disfarçam a sua superficialidade com uma presunção extremamente irritante e com um cinismo e ironia forçados. Os morangos são hipsters. No outro dia houve um que me disse que tinha deixado de gostar dos Arcade Fire quando ouviu uma banana a cantarolar uma música deles. Que palhaço! Tive de o comer só para o calar e nem me apetecia morango. Ao falar com morangos percebemos que eles têm uma espécie de consciência, mas não deixam de ser fruta e a fruta faz bem à saúde.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

O trabalho é alegria

Congratulo-me por esta decisão do Tribunal da Relação do Porto que impediu uma empresa de gestão de resíduos de despedir um trabalhador que estava a trabalhar alcoolizado.

Sempre defendi que o álcool melhora o desempenho das pessoas. Aliás, não deixo um cirurgião tocar em mim sem antes ter bebido cinco shots de tequilla. Uma vez fui operado por um cirurgião sóbrio e fiquei sem apêndice. Não volto a cair nessa. Com cirurgiões bêbados ficamos sempre a ganhar. Como daquela vez em que fui operado às amígdalas e saí de lá com uns implantes mamários (que ainda tenho porque quando fui reclamar o médico estava a ter uma overdose de heroína). Não podemos também esquecer que cerca de 95% dos acidentes de aviação acontecem enquanto os pilotos estão sóbrios. As vidas que se perderam graças a esta obsessão pela sobriedade já mereciam um monumento...

E a felicidade no trabalho é uma coisa muito importante. Se quando vamos a caminho do trabalho não nos sentirmos como se fôssemos para uma noite de copos alguma coisa está a falhar.

Além disso, toda a gente sabe que é quando estamos bêbados que mais dizemos a verdade. O álcool torna-nos menos dissimulados e hipócritas, por isso ao incentivar o consumo de álcool durante o trabalho estamos a contribuir para um ambiente de trabalho mais sincero e genuíno. Ficamos sempre a ganhar!

terça-feira, 30 de julho de 2013

A regurgitação como a arma da Natureza na batalha contra o Homem racional pelo bem do próprio Homem racional (que normalmente é um idiota)

Ontem à noite vi várias pessoas a vomitar na rua. O que é um espectáculo bonito para quem aprecia o melhor que a natureza tem para nos oferecer. Não por causa da comparação nojenta que se pode fazer entre este fenómeno e uma cascata (só que de cor baça, com bocadinhos de chouriço e a nascer a partir do estômago de um ser humano) mas porque aquele é o momento em que a natureza toma conta da situação, dá um murro na mesa e prova definitivamente que, por mais racionais que achamos que somos, ela terá sempre mais juízo do que nós. Nas palavras da Mãe Natureza:

"Eu avisei-te várias vezes mas tu ignoraste-me e continuaste a beber. E eu tive de intervir, fazendo-te vomitar sushi meio digerido e whisky nos sapatos de vela novos, na camisa da Gant e na rapariga que esperavas levar para casa hoje. A propósito, ela não é tão bonita como pensavas. De nada! Peço por isso muita desculpa pelo incómodo de te ter salvado a vida. E também de uma manhã embaraçosa com essa sósia do Júlio Isidro sobre a qual acabaste de vomitar."

É verdade, a natureza, para além de ter uma atitude extremamente passivo-agressiva ("desculpa por te salvar a vida, palhaço!"), é um mecanismo de segurança perante a nossa estupidez. Salva-nos de nós próprios quando atingimos o limite. E é por isso que é um espectáculo bonito. É como se tivéssemos dentro de nós um "alerta de estupidez" que nos tira o controlo e faz entrar em acção quem realmente percebe do assunto. E como é uma ajuda que não é propriamente agradável e que, ainda por cima, tem uma componente de humilhação social, é ainda mais eficaz. É um salvamento com castigo incluído.

"O contrato é este: eu salvo-te a vida, mas também não te ficas a rir".

É claro que voltamos a errar e a errar num eterno retorno que demonstra que nem com as mensagens mais óbvias conseguimos aprender. Mas o corpo humano está sempre lá para nos salvar quando bebemos. A não ser que decidamos conduzir ou trepar a um andaime ou agredir um cinturão negro de jiu jitsu. A nossa evolução ainda não conseguiu acompanhar a nossa crescente capacidade de inventar novos tipos de risco para nós próprios.

Outra coisa engraçada é que ao lado de alguém que está a vomitar está sempre outra pessoa a apoiar. E esse apoio consiste, normalmente, em acariciar as costas do regurgitador (chamemos-lhe "o idiota") como se estivesse a afagar o lombo de um cavalo ("way to go, boy!"). É uma ajuda bem intencionada mas irrelevante, na medida em que quem está a vomitar não vai estar propriamente a sentir-se reconfortado com essa pequena carícia. Parecendo que não, quando temos o Mundo a sair-nos pela boca é difícil apreciar o calor humano de uma carícia nas costas. Por isso, esta carícia só tem um objectivo que é dar à pessoa que está a "ajudar" a ilusão de que pode fazer alguma coisa pelo seu amigo irresponsável e idiota. Mas na verdade, não pode fazer nada, a natureza já se encarregou do assunto, fazendo o melhor que podia fazer que é expulsar tudo aquilo que o idiota ingeriu a mais de dentro do seu corpo sob a forma de cascata. No fundo, salvando-lhe a vida e garantindo que vai estar lá sempre que ele passar o limite. E isso é bonito! E nojento...

Se fizeres like na minha página do facebook sempre que vomitares vais ser acariciado(a) nas costas por um elemento dos Excesso à tua escolha. 

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Fintar o Big Brother

O que é que faz qualquer pessoa razoável que queira proteger a sua privacidade?

Cria um perfil no facebook.

E a seguir?

Declara abaixo assinado no seu mural que quer proteger a sua privacidade.

Assunto resolvido! Poderá continuar a sua vida anónima longe das malhas do Big Brother como se estivesse no século XVII.

Parece estúpido? Se calhar não... É que declarar abaixo assinado no mural do facebook que se pretende proteger a privacidade pode ser, afinal, uma boa maneira de se proteger a privacidade. Ao fazê-lo, a NSA vai perceber imediatamente que essa pessoa não tem competência para planear umas férias em Palma de Maiorca, quanto mais um atentado terrorista, e, automaticamente, ignora-a (os algoritmos têm de ter um filtro que deixam essas pessoas automaticamente de fora... se não tiverem fica aqui a ideia). Pode continuar a fazer o que bem entender sem ninguém a chatear e talvez um dia consiga aparecer na capa da Rolling Stone.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Nasceu um bebé

O futuro rei de Inglaterra nasceu esta semana. Estava com um bocado de receio mas já dá para ver que é uma pessoa espectacular. Vai ser um excelente rei! Pelo menos tem tudo aquilo que se exige para ser rei que é ter nascido. Nem imagino o orgulho destes pais, em tempos tão difíceis nascer já com um emprego é uma grande segurança*.

Tudo é melhor quando há meritocracia e as pessoas são recompensadas pelo seu esforço. É bom saber que se lutarmos muito podemos vir a ser o primogénito de um monarca qualquer. Sigam os vossos sonhos que mais cedo ou mais tarde eles vão concretizar-se.




*Se bem que como as coisas estão ainda vamos ver reis a passarem recibos verdes... Quem é que contrata um monarca hoje em dia? São caros e não trazem grande valor acrescentado. Eu sei do que falo, contratei um marajá para me passar alguma roupa a ferro e o tipo gastava 80% do que ganhava a sustentar o harém. Ainda por cima vinha de elefante para o trabalho! Deixou-me o piso da entrada todo escaqueirado. Felizmente nunca o deixei meter o elefante dentro de casa (a minha colecção de saladeiras da Vista Alegre agradece). Quando ele se foi embora, tive que contratar um faraó para me arranjar aquilo. Esses fazem sempre um bom trabalho. Arranjaram o que lhes pedi e ainda me construíram uma pirâmide no jardim. Em termos de relação qualidade-preço não há melhor, foi o melhor orçamento que me apresentaram. O facto de recorrerem a escravos pode entrar em choque com a nossa mentalidade sensivelzinha do Ocidente mas torna-os bastante competitivos. Na hora de pagar a factura damos graças a Deus pela existência do chicote...

Se queres uma esfinge com a cara do Cristiano Ronaldo no jardim faz like

sábado, 20 de julho de 2013

Ontem atropelei um saco de plástico

Às vezes quando vou a conduzir apanho pequenos sustos porque confundo sacos de plástico a esvoaçar pela estrada com animais. É normal a confusão, animais e sacos de plástico são muito parecidos. Um dia levei um saco do Continente para casa e só me apercebi que afinal não era um cão abandonado quando lhe pus água e comida à frente.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Da comunicação facilitada

Ontem, um senhor veio ter comigo e começou por dizer:

- Isto não é um assalto.

Aqui está uma maneira bem interessante de facilitar a comunicação entre as pessoas. Só ficamos a ganhar quando uma interacção é precedida pela enumeração de tudo aquilo que ela não é.

- Isto não é um homicídio, isto não é uma violação, isto não é um número de malabarismo, isto não é um cachimbo, isto não é o Abel Xavier, isto não é uma leitura d'"Os Lusíadas", isto não é um elfo a jogar raquetes com um anão, isto não é o Cavaco a fazer stand up comedy...

- Então o que é?

- Não me lembro... Ah! É um inquérito que tenho que fazer que, na prática, é uma maneira mais chata de pedir dinheiro...

Se enumerarmos tudo aquilo que uma interacção não vai ser talvez o nosso interlocutor consiga descobrir o que ela é por exclusão de partes. E isso é a regra número um de uma boa comunicação: Não há melhor introdução para um assunto do que uma enumeração exaustiva de tudo o que não está relacionado com ele.

É um bom princípio quando aplicado à actividade de guias turísticos, por exemplo.

- Estamos aqui em frente de uma coisa que não é um urinol, não é um chimpanzé do sexo feminino, não é um chimpanzé do sexo masculino, não é um quadro do Picasso, não é a Torre Eiffel, não é uma Bimby, não é um serial killer, não é uma pega de forcados, não é um electricista, não é o fim do arco-íris, não é a espada do Conan o Bárbaro, não é uma sandes de salmão fumado...

(passados 3 milhões de anos)

...e, finalmente, não é um novo paradigma... Penso que já vos dei informações suficientes para saberem o que é isto...

- Das duas uma, ou é o mosteiro dos Jerónimos ou é o pé esquerdo do Júlio Isidro.

- Tem toda a razão! Esqueci-me de mencionar o pé esquerdo do Júlio Isidro. Não é o pé esquerdo do Júlio Isidro.

- É o mosteiro dos Jerónimos, então...

- Muito bem! O mosteiro dos Jerónimos não foi desenhado pelo Pato Donald, por um televisor da marca Samsung, por um bandolim, pelo vírus da gripe, por mim...

domingo, 7 de julho de 2013

Como encontrar sítios onde se possa vender ouro sem ofender os unicórnios nazis

Onde é que uma pessoa pode vender o seu ouro hoje em dia? Não sei o que é que se passa mas parece que é mais fácil encontrar o Yeti a cavalgar um unicórnio a perseguir uma Harley Davidson conduzida pelo menino Jesus do que um estabelecimento onde se possa vender ouro.

(Será correcto usar o verbo "cavalgar" quando o objecto da acção é um unicórnio? É que não quero ser perfurado pelo corno de um unicórnio ofendido por o associar a um cavalo. Eu sei que a maior parte dos unicórnios não se importa e até é bastante tolerante, mas há sempre aqueles fascistas do Orgulho Unicórnio que advogam a superioridade dos unicórnios em relação a outros equídeos e defendem a pureza do sangue e andam pelas ruas a agredir cavalos, unicórnios que têm relação com cavalos e unicórnios homossexuais e fazem comícios e rapam as crinas e fazem tatuagens alusivas à sua ideologia. Depois de tudo o que passei com minotauros talibans e cíclopes nacionalistas bascos, a última coisa que quero é confusões com unicórnios nazis.)

sábado, 6 de julho de 2013

Racional fatal


Alfredo era uma pessoa ponderada e sensata, que não dava um passo sem pensar duas vezes. Morreu enquanto reflectia nas diversas implicações, nuances, sentidos e interpretações da última frase que lhe foi dirigida: "Sai da frente do comboio, estúpido!".

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Dissolver coisas

Canibal Cavaco Silva (Ah! Ah! Ah! Um trocadilho...)
O Presidente da República pode dissolver a Assembleia da República mas como é que se dissolve um Presidente da República? Num bidão de ácido sulfúrico?

A última pessoa a dar o benefício da dúvida a Passos Coelho para além de Cavaco

"E eu que achava que o Passos Coelho era o gajo que ia levar isto para a frente. É que olhava para ele e via o filho biológico português do Roosevelt, do Churchill, do Nelson Mandela, de um dragão e do Wolverine se fosse possível 3 líderes carismáticos, uma criatura mitológica e um super-herói terem um filho em conjunto.

E ainda bem que não é possível, nem quero imaginar uma noite de amor entre estas 5 personagens. Enfim, quanto maiores as expectativas maiores as desilusões."

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A sinceridade pode destruir o Mundo

 - Então? O que é que achas dos meus quadros?
- Sabes que não sou capaz de te mentir por isso tenho que ser muito sincero, detestei...
- OK!
- Não me leves a mal...
- Não, não, na boa... É a tua opinião...
- ...mas a pintura não é a tua cena, Hitler. Acho que deves arranjar outra maneira de expressar os sentimentos que tens aí dentro...
- Vou pensar nisso... Obrigado pela tua sinceridade!

(Diga-se o que se disser o Hitler conseguia encaixar críticas)

Quem gostar da minha página no Facebook habilita-se a poder tatuar um dos quadros do Hitler nas costas.

terça-feira, 2 de julho de 2013

Smile, Big Brother is watching you

A frase "Sorria, está a ser filmado" pressupõe que nos devamos sentir gratos? Porquê sorrir? É suposto sentirmos o síndrome do emplastro sempre que estamos a ser filmados? Há algum tipo de alegria primária por detrás da ideia de que a nossa actividade está a ser monitorizada? Estarmos a ser filmados dá um propósito à nossa existência? É para nos enganarem, fazendo-nos pensar que estamos a ser filmados porque merecemos e não para nos apanharem se nos lembrarmos de roubar alguma coisa ou, no caso de sermos uma gaja boa, para melhorar um bocadinho a vida monótona dos seguranças que controlam estas coisas? Como é que eles sabem se estamos a sorrir ou não se a qualidade da imagem da maior parte das câmaras de segurança está ao nível da de uma ecografia das antigas? Será uma espécie de casting? Devemos esperar um telefonema de alguém importante a oferecer-nos trabalho pelo nosso desempenho?

("Vi umas imagens suas numa bomba de gasolina e achei que era perfeito para desempenhar o papel de Mussolini. Você é a imagem perfeita de ditador egocêntrico que dá vontade de desmembrar. A semelhança é tão incrível que tem muita sorte por até agora ninguém o ter desmembrado e espalhado por várias partes de Itália! Estamos também a fazer um filme sobre gente estúpida, feia, com ar esquisito, daquelas que só de olhar já dá vómitos e que sugam a alegria de viver a todos os que estão à sua volta. Talvez tenhamos um papel para si")

Porque não utilizar a frase "roube qualquer coisa, está a ser filmado e precisamos de justificar o investimento num sistema de segurança" ou "faça qualquer coisa parva, está ser filmado e não há vídeos suficientes de gente a fazer coisas parvas no youtube" ou "está a ser filmado"?

Se gostarem da minha página no facebook habilitam-se a ir ver o Big Brother ao vivo.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Medo do compromisso

"Sempre tive dificuldade em assumir compromissos. São uma prisão e eu sou e sempre serei um homem livre. O lugar de um leão é na selva, a comer os antílopes que lhe apetece, a rosnar alto e a abanar a juba ao vento para impressionar leoas. Para quê fazer a escolha voluntária de ir para um circo levar chicotadas de um domador qualquer quando se pode ser o rei da Selva? A mim não me apanham no circo!" pensava ele enquanto escolhia qual a melhor gravata para usar no jantar com os pais da sua amiga colorida.